Como redes sociais, sono insuficiente e obesidade afetam o cérebro da geração Z

Responder mensagens no celular enquanto uma série passa na TV é comum, mas cobra caro do cérebro. Esse multitasking digital, em que realizamos várias tarefas ao mesmo tempo, compromete a memória e a atenção. Entre jovens da geração Z, com idades entre 15 e 28 anos, o comportamento frequentemente está acompanhado de fatores como sono ruim e obesidade, o que pode acelerar o envelhecimento cerebral.

“Esse estilo de vida corrido, em que se faz várias coisas ao mesmo tempo, costuma vir junto de outros hábitos ruins que influenciam no envelhecimento do cérebro”, afirma Clariana Nascimento, neurologista especialista em cognição. “Fazer duas tarefas ao mesmo tempo interfere na atenção e no foco, diminui a capacidade de processamento e armazenamento de informações e causa fadiga mental.”

“A atenção é o primeiro passo para a memória. Sem atenção, não há memória.”

João Brainer

Professor de Neurologia e Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo.

O cérebro não foi programado para executar múltiplas tarefas simultaneamente. Atividades em paralelo sobrecarregam áreas como o córtex frontal, responsável pela cognição e pelo controle motor, aponta Peter Wilson, psicólogo da Universidade Católica da Austrália, em artigo no portal Science Alert. O desvio constante de atenção também prejudica o sistema glinfático, responsável por eliminar resíduos tóxicos do sistema nervoso central.

“Com isso, o cérebro não realiza a limpeza corretamente”, explica João Brainer, professor de Neurologia e Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Nos conteúdos digitais, vídeos curtos e desconexos dividem a atenção e dificultam a formação de associações lógicas.

Interrupção como padrão

Um estudo de 2023 investigou como alternar entre redes sociais e outra atividade afeta a memória prospectiva, responsável por lembrar de tarefas diárias. No experimento, jovens de 19 a 34 anos realizaram no computador um teste que exigia reconhecer e organizar palavras rapidamente. Durante o intervalo, cada grupo descansou por dez minutos ou usou redes sociais (Twitter, YouTube ou TikTok) antes de retomar as tarefas iniciais.

Quem assistiu a vídeos no TikTok teve pior desempenho na relação entre velocidade e precisão. Segundo os pesquisadores, mesmo cientes de que precisavam voltar para o teste, permaneciam cognitivamente engajados com a interrupção. O fluxo contínuo de vídeos curtos ocupa a “memória tampão” (espaço temporário de armazenamento de informações) e reduz recursos para outras tarefas.

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A preocupação é maior entre os mais jovens da geração Z, cujo córtex pré-frontal, responsável pelo controle de impulsos, ainda se desenvolve. “Parte dessas pessoas faz o que chamamos de desidealização, que é a sensação de não estar no mundo concreto e se comportar como se vivessem constantemente no virtual”, diz Brainer.
O neurologista alerta ainda para o impacto no campo psicológico: “As emoções transmitidas pela tela são dissociadas de algo concreto, levando a pessoa a se projetar na vida do outro, o que pode gerar angústia, comparação e medo.”

Menos horas de sono

O cérebro hiperestimulado tampouco encontra descanso. Um estudo brasileiro de 2024 mostrou que, nas últimas cinco décadas, o tempo médio de sono caiu cerca de duas horas e a parcela de pessoas que dormem menos de seis horas cresceu 6%. A recomendação é de, em média, oito horas por noite.
“Se eu não durmo bem, a informação chega quebrada, mal armazenada. É aquela sensação do dia de prova, quando o aluno diz: ‘Eu sei que sei, mas não lembro’. Ele se recorda da professora, da página do livro, mas não do conteúdo.”
Monica Andersen
Especialista em Medicina do Sono, diretora do Instituto do Sono/AFIP e uma das autoras do estudo.
O sono é essencial para aquisição, armazenamento e evocação da memória. A consolidação está ligada principalmente ao sono REM, caracterizado por movimento rápido dos olhos, atividade cerebral similar à vigília e aumento de respiração e frequência cardíaca. Pesquisas recentes também destacam a importância do sono não-REM (NREM), que inclui o sono leve e profundo.

Cérebro envelhecido

Uma noite mal dormida também “envelhece o cérebro”, afirma Monica, ao explicar que o estresse oxidativo produz substâncias que funcionam como “ferrugem” para o corpo e para o sistema nervoso. Um estudo da Universidade da Califórnia, publicado na revista Neurology, mostrou que pessoas na faixa dos 40 anos com distúrbios do sono, como dificuldade para adormecer ou despertares frequentes, apresentaram idade cerebral entre 1,6 e 2,6 anos mais avançada.
Segundo a especialista em Medicina do Sono, a má qualidade do sono está ligada a fatores socioeconômicos, como o uso intenso de celulares e ambiente online, que promovem atividade interativa e viciante. “Na hora da interação, brotam no cérebro receptores de expectativa, os dopaminérgicos. Quando você faz qualquer pergunta à internet, intuitivamente busca uma resposta imediata. A internet é gratificação”.
Pesquisadores já associavam a obesidade na meia-idade ao risco de declínio cognitivo. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que o ganho de peso constante desde a infância pode acelerar o envelhecimento do cérebro em até 6,5 anos. Publicada em abril no periódico Neurology, a pesquisa sugere que controlar o peso desde jovem pode reduzir o declínio cognitivo mais tarde.
“As principais hipóteses ligam obesidade e declínio cognitivo à saúde metabólica e vascular, ou seja, um efeito indireto.”
Paulo Henrique Lazzaris Coelho
Geriatra autor da tese de doutorado que originou a pesquisa.
A obesidade aumenta o risco de diabetes, hipertensão e colesterol alto, que provocam inflamação e afetam pequenos vasos cerebrais, prejudicando a chegada de nutrientes e acelerando a morte de neurônios. A pesquisa avaliou 11.361 servidores usando silhuetas para mapear o corpo em cinco idades.
Testes de memória, função executiva e linguagem mostraram que quem passou de “normal para sobrepeso” ou manteve “sobrepeso estável” teve declínio cognitivo mais acelerado, principalmente em memória e função executiva. “Outra análise da tese mostra que a obesidade abdominal é o fator mais ligado à piora metabólica e ao declínio cognitivo. Não é só o ganho de peso, mas onde ele ocorre”, conclui Coelho.

E dá para reverter?

Brainer, da Unifesp, explica que a diminuição de atenção, foco e memória pode ser temporária. “Reduzir multitasking, organizar-se melhor, meditar, dormir bem, praticar atividade física, alimentar-se saudavelmente e controlar fatores de risco desacelera o envelhecimento cerebral e reduz chances de problemas graves”, recomenda o neurologista.
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De acordo com Monica, não se sabe quanto tempo de sono perdido causaria a fragmentação da memória tampouco quanto precisaria ser reposto para restaurá-la à capacidade inicial – nem se isso seria possível. Quanto à obesidade e sua relação com o declínio cognitivo, o geriatra Coelho lembra que a faixa mais velha da geração Z está chegando aos 30 anos, quando começam a perda muscular e a queda de desempenho. “Quanto antes se cuidarem, mais tempo terão para desacelerar esses processos e envelhecer com qualidade de vida.”Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

Cérebro flex: estudo descobre que gordura é combustível dos neurônios

Por décadas, acreditava-se que neurônios dependiam apenas da glicose para produzir energia e poder fazer o cérebro humano funcionar. Uma pesquisa da University of Queensland, na Austrália, publicada na revista Nature Metabolism nesta terça-feira (30/9), porém, mostra que o órgão é “flex” e que funciona com outros tipos de combustível, incluindo diversos tipos de gordura.

A descoberta pode impactar a forma como entendemos o funcionamento do órgão e até em como pensamos o tratamento de doenças cerebrais.

“Nossa pesquisa mostra que as gorduras são, sem dúvida, parte crucial do metabolismo energético do neurônio e podem ser a chave para reparar e restaurar funções quando elas falham. Compreender esse combustível alternativo do cérebro pode ajudar a abrir caminho para tratamentos mais eficazes de doenças neurológicas”, destaca bioengenheira Merja Joensuu, especialista em lipídios e líder da pesquisa.

Gordura como combustível alternativo

O estudo, na verdade, não tinha como objetivo principal entender quais eram as fontes de alimentação do sistema nervoso. A pesquisa investigava um gene ligado a uma doença rara que afeta os movimentos, a paraplegia espástica. Quando esse gene falha, o cérebro perde o equilíbrio de gorduras e os neurônios deixam de funcionar direito.

Ao entender a doença, os cientistas descobriram que os neurônios também queimam pequenas moléculas de gordura para se comunicar entre si. Quando essa fonte de energia se perde, a atividade cerebral é comprometida e sintomas aparecem.

Os pesquisadores testaram se o combustível recém-descoberto era mesmo funcional. Eles usaram ácidos graxos saturados livres, que são suplementos de gorduras, em animais em laboratório que tinham o defeito no gene estudado, o que comprometia seus cérebros. A experiência mostrou recuperação da energia e da função dos neurônios.

Usar doses altas de açúcar, por outro lado, não trouxe resultados, o que pode sugerir que os neurônios se alimentem de diferentes combustíveis para cumprir diferentes funções.

“Foi uma mudança enorme de visão. Mostrou que neurônios saudáveis produzem essas gorduras e as usam como combustível. Em doenças onde esse processo falha, a energia pode ser restaurada com suplementos”, explica Joensuu no comunicado à imprensa.

Segundo a pesquisadora, a descoberta pode ser a peça que faltava do quebra-cabeça para entender várias enfermidades debilitantes, como o Alzheimer.

Caminho até futuros tratamentos

A próxima etapa da pesquisa é avaliar a eficácia terapêutica e a segurança dos ácidos graxos ativados em estudos pré-clínicos. A fase é necessária antes de iniciar testes em humanos e poderá definir a extensão do impacto em doenças metabólicas cerebrais.

Os resultados oferecem esperança para distúrbios antes considerados intratáveis. A mudança de paradigma no metabolismo cerebral pode alterar a forma como a ciência enxerga a energia que mantém a mente em funcionamento.

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A surpreendente relação entre o seu olfato e a saúde do seu cérebro


O cheiro de comida, da chuva ou de especiarias pode acionar memórias de forma quase mágica. Mas, com o envelhecimento — ou por fatores como Covid-19, tabagismo e poluição —, nossa capacidade de sentir cheiros diminui.

Segundo explica o New York Times, estudos mostram que cerca de 11% dos americanos acima de 50 anos têm dificuldade de olfato, número que sobe para 39% entre os maiores de 80 anos.

Relação com Alzheimer e Parkinson

A perda olfativa está ligada a piora da memória, depressão, declínio cognitivo e pode ser um dos primeiros sinais de doenças como Alzheimer e Parkinson.

“Nossos cérebros precisam de muita estimulação olfativa para se manterem saudáveis”, afirma Michael Leon, neurobiólogo da Universidade da Califórnia, Irvine.

Treinamento olfativo pode fortalecer memória

  • Pesquisas indicam que treinar o olfato pode melhorar o humor, a memória e até a estrutura cerebral. Idosos que fizeram exercícios olfativos diários por meses tiveram redução de sintomas de depressão e melhora no vocabulário.
  • Outros estudos mostraram aumento da espessura do hipocampo — região central da memória — em pessoas que treinam regularmente o olfato.
  • Especialistas sugerem práticas simples: cheirar especiarias, café ou frutas duas vezes ao dia por 30 segundos; usar kits de treino ou difusores noturnos de aromas.
  • Para quem suspeita de perda de olfato, testes caseiros podem ajudar a detectar sinais de alerta e indicar quando procurar um médico.

Em resumo, exercitar o olfato pode ser uma ferramenta poderosa para manter o cérebro ativo — e pode começar com algo tão simples quanto parar para cheirar as rosas.

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Evidências robustas sustentam abordagem não farmacológica contra o declínio cognitivo

Um ensaio clínico randomizado de larga escala publicado no periódico JAMA demonstrou que intervenção estruturada no estilo de vida resultou em ganhos significativamente maiores na cognição global de idosos com risco elevado de declínio cognitivo, em comparação com um programa autodirigido. A intervenção analisada envolveu suporte contínuo e metas claras em termos de exercício físico, dieta, estimulação cognitiva e engajamento social.

O estudo US POINTER reúne as evidências mais robustas obtidas até hoje nos Estados Unidos sobre a efetividade de estratégias não farmacológicas na prevenção da demência. Ele incluiu 2.111 participantes entre 60 e 79 anos, recrutados em cinco centros americanos, todos sedentários e com fatores adicionais de risco para declínio cognitivo.

Os indivíduos foram randomizados para dois braços. No grupo de intervenção estruturada, os participantes compareceram a 38 encontros ao longo de dois anos e receberam planos de atividades relacionadas a múltiplos aspectos: prática regular de exercícios aeróbicos, de fortalecimento e flexibilidade, treinamento cognitivo digital e orientações para adesão à dieta do tipo MIND (Mediterranean-DASH Intervention for Neurodegenerative Delay).

O padrão alimentar incentivado neste braço do estudo combina elementos das dietas mediterrânea e DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), com ênfase em consumo elevado de folhas verdes, frutas vermelhas, grãos integrais, peixe, azeite e oleaginosas, enquanto limita o consumo de carnes vermelhas, produtos ultraprocessados e alimentos ricos em gordura saturada, tendo sido previamente associado a menor risco de declínio cognitivo e doença de Alzheimer.

Já o segundo grupo participou de seis encontros de aconselhamento, nos quais os participantes foram encorajados a realizar mudanças de estilo de vida de forma autodirigida. O desfecho primário foi a variação anual na função cognitiva global, avaliada por meio de testes de memória, velocidade de processamento e funções executivas durante o período de dois anos.

Os resultados mostraram que ambos os grupos apresentaram melhora, mas a intervenção estruturada proporcionou ganhos superiores: no grupo que recebeu orientação, a função cognitiva global aumentou em média 0,243 desvios padrão por ano versus 0,213 no grupo autodirigido, uma diferença modesta, mas estatisticamente significativa (0,029 desvios padrão; p = 0,008). Esse efeito foi consistente em diferentes subgrupos, independentemente de sexo, etnia, status de saúde cardiovascular ou presença do alelo APOE ε4, marcador genético de risco para Alzheimer.

Além disso, indivíduos com desempenho cognitivo mais baixo no início do estudo tiveram benefícios mais pronunciados. Em termos de segurança, a intervenção estruturada foi bem tolerada e resultou em menos eventos adversos graves do que a versão autodirigida, reforçando a viabilidade da sua implementação em larga escala.

Diálogo com a literatura internacional

Os achados do US POINTER dialogam com pesquisas internacionais prévias. O estudo FINGER, realizado na Finlândia e publicado no periódico The Lancet há 10 anos, já havia mostrado que uma intervenção multidomínio poderia reduzir o declínio cognitivo em idosos com maior risco, mas analisou uma população mais homogênea e relativamente pequena. Outros ensaios, como o MAPT na França, obtiveram resultados mais modestos, mas apontaram benefícios em subgrupos específicos, como indivíduos com maior risco cardiovascular. Mais recentemente, o ensaio chinês MIND-CHINA reforçou a importância de programas comunitários adaptados culturalmente, indicando que intervenções de baixo custo também podem ter impacto na preservação da cognição. Nesse contexto, o US POINTER acrescenta uma dimensão de diversidade populacional, pois incluiu participantes de diferentes etnias, o que amplia a generalização dos achados para a realidade dos EUA.

Implicações clínicas e perspectivas

As implicações clínicas são amplas. Em primeiro lugar, o estudo reforça que mudanças de estilo de vida podem de fato alterar trajetórias cognitivas em indivíduos vulneráveis, sustentando uma abordagem preventiva integrada para além da farmacoterapia. O fato de mesmo a versão autodirigida do programa ter levado a melhoras cognitivas sugere que qualquer incentivo estruturado para a adoção de hábitos saudáveis já traz benefício mensurável, embora o suporte intensivo seja mais eficaz. Isso abre portas para modelos híbridos de intervenção adaptados à disponibilidade de recursos locais e indica que, em sistemas de saúde sobrecarregados, a simples disponibilização de guias pode ser um avanço inicial. No entanto, a criação de programas estruturados em centros comunitários, com orientação e monitoramento, parece ser a estratégia mais eficaz para modificar riscos populacionais em larga escala.

Além disso, os dados do US POINTER corroboram a ideia de que a prevenção do declínio cognitivo deve ser iniciada precocemente, antes do surgimento de sintomas clínicos significativos. Esse ponto é particularmente relevante no contexto da falta de tratamentos farmacológicos curativos para Alzheimer e outros tipos de demência. Ao evidenciar que ganhos cognitivos são possíveis mesmo em idosos com risco elevado, o ensaio dá respaldo para políticas públicas que estabeleçam intervenções não farmacológicas como pilares da saúde cerebral.

A literatura reforça que o impacto pode ir além da cognição. O FINGER e o MIND-CHINA já haviam associado intervenções de estilo de vida à redução de fatores de risco cardiovasculares e metabólicos, sugerindo benefícios sistêmicos. O US POINTER deverá ainda analisar dados de biomarcadores, neuroimagem e função física nos próximos anos, o que poderá esclarecer mecanismos biológicos e confirmar a durabilidade dos efeitos observados. Se os resultados forem mantidos, a estratégia multidomínio poderá ser comparável, em termos de impacto populacional, a medidas clássicas de saúde pública, como o controle da hipertensão ou o combate ao tabagismo.

Em suma, o US POINTER oferece as evidências mais sólidas até o momento de que intervenções de estilo de vida, quando estruturadas e apoiadas por programas de suporte clínico, podem preservar a cognição em idosos com maior risco de demência. Embora os efeitos numéricos sejam modestos em nível individual, sua aplicação populacional pode ser um marco no combate ao aumento global de casos de demência. Ao lado de experiências internacionais, o estudo consolida a noção de que um estilo de vida saudável não apenas previne doenças cardiovasculares e metabólicas, mas também é fundamental para manter a saúde cerebral.

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Videogames ou redes sociais? Saiba qual o menos nocivo para o cérebro e seus impactos na cognição

Com conteúdo inesgotável e um algoritmo preparado para atender às suas expectativas, o celular prontamente gera pequenos prazeres através da dopamina, neurotransmissor produzido no cérebro. Rolar a tela sem controle possui efeitos negativos comprovados cientificamente. Entretanto, um artifício antes mal visto por parte das pessoas, hoje é fuga para quem quer se divertir e exercitar a capacidade cognitiva.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, descobriu que videogames estão associados ao aumento do foco, enquanto mídias sociais estão relacionadas à diminuição dele.

Publicado no Scientific Reports, o estudo revelou que os níveis de hemoglobina oxigenada (HbO) aumentaram mais após o uso das redes, enquanto os de hemoglobina desoxigenada (HbR) subiram depois de jogar. Na segunda situação, o cérebro estava usando ativamente mais do oxigênio que recebia.

“Essas descobertas sugerem que tipos interativos de entretenimento realmente deixam o cérebro mais envolvido”, diz Alexandra Gaillard, autora principal do estudo.

O estigma em relação aos jogos surgiu anos atrás, associado ao vício, ao isolamento social e, em alguns casos, à violência. Para Amanda Bastos, neuropsicóloga, ainda existem resquícios desse preconceito — mais sutis que antes — em algumas gerações que cresceram ouvindo críticas sobre o ato de jogar.

Rogério Panizzutti, neurocientista e coordenador do Laboratório de Neurociência e Aprimoramento Cerebral da UFRJ, atribui a “alienação” como outro fator responsável por essa percepção.

— Hoje, mesmo que o adolescente esteja isolado no quarto, muitas vezes ele está jogando com amigos ou com pessoas que conheceu através do jogo, formando um grupo social. Isso desmistificou a ideia de que o videogame precisava ser algo negativo — afirma o especialista.

De acordo com Amanda, o cenário atual é diferente no âmbito da psicologia cognitiva e da neurociência. Hoje, os videogames auxiliam na avaliação de funções cognitivas e neuropsicológicas, em uma estratégia de gamificação.

— É possível avaliar funções executivas e cognitivas, como tomada de decisão, planejamento, resolução de problemas e engajamento com a tarefa — explica.

No cotidiano, os elementos dos jogos ajudam a estimular a concentração e aumentar a atividade da região do córtex pré-frontal dorsolateral. Amanda destaca o fato do jogador receber uma resposta imediata — seja visual ou auditiva — em relação ao seu desempenho.

Em contrapartida, as redes sociais, por serem caracterizadas por seu consumo imediato, aumentam a produção de dopamina e ativam no cérebro mecanismos de condicionamento, que incentiva o consumidor a continuar procurando conteúdos.

— O videogame também ativa essa região, mas costuma ter fases, um tempo de jogabilidade maior e exige algum grau de interação com a tarefa. Você não fica passivamente assistindo: participa ativamente — destaca Amanda.

Guilherme Nery, estudante de 28 anos, joga desde os 6. O interesse surgiu a partir do incentivo do pai, que possuía os tão conhecidos consoles de videogame Atari e MegaDrive. A paixão dura até hoje, e o jovem costuma jogar todos os dias, de 2 a 3 horas. Quando está com os amigos, ultrapassa 5 horas.

— Jogando, me sinto entretido e fazendo um bom uso do meu tempo. Costumo dizer que, se eu ficar um dia sem jogar, não tenho lazer — afirma.

Guilherme Nery costuma jogar todos os dias, de 2 a 3 horas — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo
Guilherme Nery costuma jogar todos os dias, de 2 a 3 horas — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo

Entre seus jogos favoritos estão os de FPS (First-Person Shooter, ou Tiro em Primeira Pessoa), futebol e aqueles com as melhores histórias. Para ele, os que envolvem armas auxiliam mais no foco, visto que a atenção é crucial. Além disso, afirma que jogos online também contribuem para sua comunicação.

— Você precisa ficar atento para acertar os outros jogadores e se sair bem nas pontuações — destaca Guilherme. — Jogos que demandam trabalho em equipe aprimoram a minha habilidade de comunicação, a organização para alcançar e cumprir objetivos.

O jovem compartilha que o tempo investido em jogos é muito mais benéfico do que aquele gasto nas redes sociais. Ressalta que os sentimentos obtidos ao utilizá-las nem sempre são positivos, o que ele define como um “misto de humor e conhecimento exagerado da vida alheia”.

Equilíbrio é a chave

Os resultados da pesquisa australiana corroboram para a preocupação quanto aos efeitos em crianças e jovens adultos, cujos cérebros ainda não estão totalmente desenvolvidos. Rogério Panizzutti alerta que, mesmo com benefícios, é preciso maneirar no uso.

— O estímulo à atividade física e à socialização é fundamental. Entre 4 e 8 anos, o cérebro motor se desenvolve, e se a criança passa muito tempo apenas jogando, suas habilidades físicas podem ficar prejudicadas. Já o cérebro social se desenvolve na adolescência, e se o jovem se isola nos jogos, suas capacidades sociais podem ser atrasadas — ressalta.

Com equilíbrio, é possível garantir apenas os efeitos positivos dos videogames.

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Como a respiração pode transformar suas emoções e seu cérebro

Em tempos modernos, a busca por formas naturais de acalmar a mente e transformar as emoções ganhou um novo aliado: o ato de respirar conscientemente. Este hábito, muitas vezes considerado trivial, revelou-se poderoso em influenciar tanto o bem-estar emocional quanto o funcionamento cerebral. Pesquisas recentes começaram a desvendar o que se encontra por trás do chamado breathwork, demonstrando sua capacidade de impacto direto no cérebro e no equilíbrio emocional.

Uma equipe da Brighton and Sussex Medical School, liderada por Amy Amla Kartar, investigou o papel da respiração intensa em conjunto com música evocadora e descobriu mudanças cerebrais significativas.

O estudo, publicado na revista PLOS One, utilizou tecnologias sofisticadas como a neuroimagem para observar essas transformações em tempo real. A pesquisa incluiu participantes que realizaram sessões de 20 a 30 minutos de respiração rápida, enquanto a resposta fisiológica foi cuidadosamente monitorada.

Como a respiração induz alterações no cérebro?
Como a respiração pode transformar suas emoções e seu cérebro

Os resultados desse estudo mostraram que a prática de breathwork está associada a alterações notáveis na ativação do sistema nervoso simpático, evidentes através da diminuição da variabilidade da frequência cardíaca.

Além disso, foi observado um fluxo sanguíneo reduzido em áreas cerebrais como o opérculo esquerdo e a ínsula posterior, regiões ligadas à percepção corporal interna. Em contraste, a amígdala direita e o hipocampo anterior, ambos envolvidos no processamento de memórias emocionais, apresentaram aumento do fluxo sanguíneo.

O que é o fenômeno ‘oceanic boundlessness’?

Um dos aspectos mais fascinantes do estudo foi a identificação do fenômeno denominado ‘oceanic boundlessness’. Muitos participantes relataram sensações intensas de unidade, paz e clareza mental, popularmente associadas a práticas espirituais profundas ou ao uso de substâncias psicodélicas.

Contudo, neste estudo, tais sensações emergiram apenas através da combinação de trabalho respiratório e música evocadora, sem efeitos colaterais desfavoráveis.

Quais são as implicações terapêuticas do breathwork?

O impacto do breathwork como uma ferramenta terapêutica promissora se torna evidente com as descobertas do estudo. A Dr. Alessandro Colasanti, pesquisador líder, destacou que a respiração guiada representa uma poderosa forma de neuromodulação natural, regulando não apenas o metabolismo cerebral, mas também sistematicamente em todo o corpo.

Esse método potencializa intervenções clínicas, especialmente para condições emocionais difíceis, sem recorrer a medicamentos.

Apesar das conclusões promissoras, os pesquisadores enfatizam a necessidade de estudos adicionais. Com experimentos mais extensos e participação controlada, será possível isolar fatores como a influência da música, garantindo uma compreensão mais profunda dos mecanismos por trás do breathwork.

No entanto, é inegável que a respiração guiada se estabelece como uma prática acessível, segura e eficaz para a promoção da saúde emocional, abrindo portas para novas formas de terapia não-farmacológica.

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Parar de trabalhar ajuda ou prejudica o cérebro? Pesquisas analisam o impacto da aposentadoria na saúde mental

Para milhões de americanos que se aposentam todos os anos, deixar o trabalho pode parecer uma pausa merecida. Mas a mudança também pode desencadear transformações significativas na saúde do cérebro, incluindo maior risco de declínio cognitivo e depressão.

Antes da aposentadoria, há uma rotina clara: acordar cedo, socializar com colegas e lidar com os desafios mentais do trabalho, explica Ross Andel, professor da Universidade Estadual do Arizona, que pesquisa envelhecimento cognitivo. “De repente, após 50 anos, essa rotina desaparece”, afirma.

Segundo ele, existe a ideia de que corpo e cérebro “se adaptam quando não são mais necessários”. É nesse momento, acrescenta, que a deterioração se manifesta como resposta natural à inatividade.

Por outro lado, a aposentadoria também pode ser uma chance de fortalecer a saúde cognitiva e emocional, com mais tempo para interações sociais e hobbies. Mesmo quem já percebe sinais iniciais de declínio pode recuperar a função cerebral, afirma Giacomo Pasini, professor de econometria da Universidade Ca’ Foscari de Veneza, que estuda os impactos das políticas econômicas na saúde mental de idosos.

Um declínio na cognição e no humor

Uma análise com mais de 8 mil aposentados na Europa mostrou que a memória verbal — a capacidade de lembrar palavras após certo intervalo — tende a cair mais rápido depois da aposentadoria do que durante a vida profissional. Outro estudo realizado na Inglaterra identificou queda acentuada na memória verbal, embora habilidades como o raciocínio abstrato não tenham sido afetadas.

“Há evidências de que a aposentadoria pode prejudicar a cognição, porque o cérebro deixa de ser desafiado”, diz Guglielmo Weber, professor de econometria da Universidade de Pádua, que participou da pesquisa europeia.

Outros estudos também relacionam a aposentadoria ao surgimento da depressão. A transição repentina de uma “vida profissional intensa para uma vida sem engajamento” pode amplificar sentimentos de inutilidade, tristeza e até provocar “sintomas depressivos graves e perda de memória”, alerta Xi Chen, professor associado de saúde pública em Yale.

A natureza do trabalho — e a forma como ele é encarado — influencia o risco de declínio. Segundo pesquisadores, profissionais que ocuparam cargos de alto escalão podem apresentar piora cognitiva mais rápida, possivelmente porque suas identidades estavam mais ligadas às carreiras, afirma Chen.

O estudo europeu também revelou que pessoas que se aposentaram antes da idade padrão apresentaram um declínio menor do que aquelas que pararam de trabalhar mais tarde, segundo Weber. Uma explicação possível é que empregos menos exigentes mentalmente levem a uma transição mais gradual.

Quem se aposenta de forma forçada, seja por questões de saúde, discriminação etária ou dificuldades financeiras, tende a sentir impactos mais severos, diz Emily Fessler, professora-assistente da Weill Cornell Medicine. Mulheres, por sua vez, podem ser menos afetadas, pois tendem a manter uma vida social ativa mesmo após deixar o trabalho, avalia Weber.

O valor de ter um plano

A aposentadoria pode representar crescimento, não declínio, afirmam especialistas. O segredo é planejar com antecedência.

“Não espere se aposentar para pensar na aposentadoria. O plano não pode ser: ‘Trabalhei tanto que agora vou tirar férias longas e depois resolvo o resto’”, diz Andel.

Segundo Alison Moore, chefe da divisão de geriatria da Universidade da Califórnia em San Diego, o ideal é criar rotinas mental e fisicamente estimulantes alguns anos antes de parar de trabalhar. Mesmo que não sejam implementadas de imediato, essas decisões devem ser preparadas. Adiar planos — como passar parte do ano viajando — torna a adaptação mais difícil, diz ela. O objetivo, afirma, é “mudar de um tipo de vida cotidiana para outro” de forma natural.

Encontre um novo propósito

“Quem via seu propósito na contribuição pelo trabalho precisa encontrar algo para substituir isso”, afirma John Beard, professor de envelhecimento produtivo na Universidade Columbia. Pesquisas mostram que pessoas com senso de propósito têm menor risco de declínio cognitivo relacionado à idade.

O trabalho voluntário pode ajudar, diz Chen. Estudos indicam que aposentados engajados em atividades voluntárias envelhecem biologicamente mais devagar e preservam a cognição por se manterem ativos, mas sem o estresse do emprego integral.

Mantenha-se socialmente ativo

A aposentadoria costuma reduzir vínculos sociais, observa David Richter, professor da Freie Universität Berlin. “Temos evidências sólidas de que, primeiro, os contatos sociais diminuem — e depois vem o declínio cognitivo”, afirma.

Para evitar depressão, perda cognitiva e mortalidade precoce associadas ao isolamento, Richter recomenda substituir a socialização do trabalho por encontros presenciais ou virtuais regulares. Atividades que estimulam a mente, como clubes do livro, são mais benéficas que interações passivas. “Ouvir rádio ou assistir TV não têm o mesmo efeito”, diz ele. “Precisamos de conversas reais, de ida e volta.”

Experimente coisas novas

Atividades criativas ajudam a dar propósito e manter o cérebro ativo, diz Jonathan Schooler, professor de ciências psicológicas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. Criatividade pode ser treinada como qualquer habilidade: escrever alguns minutos por dia ou testar uma receita ousada já são exercícios. E a prática regular de atividade física segue essencial para o cérebro envelhecido — inclusive ao experimentar novas modalidades.

Segundo Schooler, a criatividade também reforça a sensação de significado na vida. “Há fortes evidências de que encontrar propósito gera grande satisfação pessoal”, afirma.

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Cérebro de um “superidoso” de 80 anos funciona como o de uma pessoa de 50

O cérebro humano encolhe com a idade, afetando a memória — isso faz parte da vida. No entanto, existe um pequeno grupo de sortudos, chamados de “superidosos”, que possuem um cérebro que resiste a esse processo. Para essas pessoas, as memórias permanecem tão nítidas quanto há 30 ou mais anos.

Carol Siegler, moradora do subúrbio de Palatine, em Chicago, é uma superidosa. Aos 82 anos, ela venceu o American Crossword Puzzle Tournament em sua categoria de idade, no qual, segundo ela, entrou “como uma brincadeira”. “Fiz testes duas vezes para o ‘Jeopardy!’ e me saí bem o suficiente para ser convidada para as audições ao vivo. Foi quando a Covid-19 chegou”, disse Siegler em 2022, aos 85 anos.

Hoje, Siegler continua forte, a caminho de seu 90º aniversário, disse Tamar Gefen, professora associada de psiquiatria e ciências comportamentais no Mesulam Institute for Cognitive Neurology and Alzheimer’s Disease da Northwestern University (Centro Mesulam para Neurologia Cognitiva e Doença de Alzheimer da Universidade de Northwestern, em português) , em Chicago.

Gefen conduz pesquisas no SuperAging Program da Northwestern, que atualmente estuda 113 superidosos. Nos últimos 25 anos, 80 superidosos doaram tecido cerebral para o programa, o que levou a descobertas fascinantes.

CNN conversou com Gefen sobre essas décadas de trabalho. Ela é coautora de uma nova análise da pesquisa que foi publicada na quinta-feira na revista Alzheimer’s & Dementia, da Alzheimer’s Association.

CNN: Como você define um superidoso e o que descobriram sobre o comportamento deles ao longo dos anos?

Tamar Gefen: Para ser um superidoso em nosso programa na Northwestern, a pessoa deve ter mais de 80 anos e passar por testes cognitivos rigorosos. A aceitação no estudo ocorre apenas se a memória episódica da pessoa — a capacidade de recordar eventos cotidianos e a história pessoal passada — for tão boa ou melhor do que a de pessoas cognitivamente normais entre 50 e 60 anos.

Examinamos cerca de 2 mil indivíduos que pensavam ser superidosos, e menos de 10% deles preenchem os critérios. Nos últimos 25 anos, estudamos cerca de 300 superidosos, e vários deles doaram o cérebro para pesquisa.

Carol Seigler aos 85 anos • Jennifer Boyle via CNN Newsource
Carol Seigler aos 85 anos • Jennifer Boyle via CNN Newsource

Uma característica-chave dos superidosos é que eles parecem ser pessoas altamente sociáveis. Eles valorizam a conexão e costumam ser ativos em suas comunidades. Isso é interessante porque sabemos que o isolamento é um fator de risco para o desenvolvimento de demência, e, portanto, manter-se socialmente ativo é uma característica protetora conhecida.

Outro ponto em comum em todos os superidosos é um senso de autonomia, liberdade e independência. Eles tomam decisões e vivem a vida da maneira que desejam.

Acredito firmemente que o envelhecimento bem-sucedido não se resume apenas à sociabilidade. Se uma pessoa se sente encurralada, presa ou sobrecarregada, especialmente em um estado vulnerável como problemas de saúde ou idade avançada, acho que isso pode comprometer todo o seu bem-estar psicossocial.

Mas, em termos de hábitos saudáveis, os superidosos são muito diversos. Temos superidosos com doenças cardíacas, diabetes, que não são fisicamente ativos, que não se alimentam melhor do que seus pares da mesma idade.

Há um superidoso que bebe quatro cervejas todas as noites. Ele ri e diz: “Talvez isso tenha me feito mal, mas nunca saberei”. Ele não tem um irmão gêmeo idêntico para comparar seu comportamento, então ele teria vivido até os 108 em vez de 98 anos? Não sabemos.


CNN: Muitas de suas descobertas mais intrigantes vieram do estudo do tecido cerebral de doadores. O que vocês descobriram sobre o centro de memória do cérebro de um superidoso?

Gefen: Nossos estudos mostraram que uma área do cérebro responsável pela atenção, motivação e engajamento cognitivo — conhecida como córtex do cíngulo — é mais espessa nos superidosos, até mesmo em comparação com pessoas entre 50 e 60 anos.

No hipocampo, o centro de memória do cérebro, descobrimos que os superidosos têm três vezes menos emaranhados de tau em comparação com seus pares “normais”. A formação anormal de proteínas tau é um dos principais sinais do Alzheimer.

Na doença de Alzheimer, a tau também atinge os neurônios do sistema colinérgico — que é responsável por sustentar nossa atenção na vida diária. Mas isso não acontece no cérebro de um superidoso. Portanto, o sistema colinérgico parece ser mais forte, e provavelmente mais plástico e flexível, por razões que ainda não temos certeza.

Isso é interessante, pois vejo os superidosos como pessoas focadas. Eles conseguem prestar muita atenção, se engajar e ouvir ativamente. Como mais eles conseguiriam se lembrar de 13 de 15 palavras aleatórias após 30 minutos? Eu os imagino gravando as palavras em seu córtex com um cinzel.

Os cérebros dos superidosos também têm células maiores e mais saudáveis no córtex entorrinal, uma área essencial para a memória e o aprendizado, que tem conexões diretas com o hipocampo. O córtex entorrinal, a propósito, é uma das primeiras áreas do cérebro a ser atingida pela doença de Alzheimer.

Em outro estudo, examinamos cada camada de células dentro do córtex entorrinal de superidosos e medimos minuciosamente o tamanho dos neurônios. Descobrimos que na camada dois, que é a mais importante para a transmissão de informações, os superidosos tinham neurônios no córtex entorrinal enormes, cheios, intactos, lindos e gigantes.

Foi uma descoberta incrível, porque os neurônios entorrinais deles eram ainda maiores do que os de indivíduos muito mais jovens, alguns até mesmo na faixa dos 30 anos. Isso nos disse que há um componente de integridade estrutural em jogo — como a arquitetura, os ossos, o esqueleto do próprio neurônio é mais resistente.

Estamos expandindo os estudos desses neurônios para entender suas assinaturas bioquímicas, determinar o que os torna especiais e ver se essas assinaturas são encontradas em outros tipos de neurônios no cérebro dos superidosos. Esses mesmos neurônios são particularmente vulneráveis naqueles com a doença de Alzheimer, e se sim, como e por quê?

CNN: O que vocês aprenderam com a pesquisa sobre como o cérebro de um superidoso reage a lesões, doenças e estresse?

Gefen: Estamos analisando o sistema inflamatório no cérebro dos superidosos, com o objetivo de entender como as células imunes em seus cérebros respondem à doença e se adaptam ao estresse. A inflamação, uma vez que ultrapassa um certo limite, é um componente importante da perda celular na doença de Alzheimer e em quase todas as outras doenças neurodegenerativas.

Em comparação com o cérebro de pessoas da mesma idade, os superidosos têm menos micróglia ativada, as células imunes residentes do cérebro, em sua substância branca. A substância branca é a superestrada do cérebro, transportando informações de uma parte do cérebro para outra.

É assim que funciona: a micróglia é ativada porque há algum tipo de antígeno ou doença, geralmente algo destrutivo no cérebro. Em alguns casos, no entanto, a micróglia e outras células imunes se tornam hiperativas e entram em ação, causando inflamação e possível dano.

O cérebro de um superidoso, no entanto, tem menos micróglia ativada. Na verdade, os níveis de micróglia estavam em linha com os de pessoas entre 30, 40 e 50 anos. Isso pode significar que há menos “lixo” ou doença no cérebro de um SuperIdoso, então a micróglia não precisa estar ativa. Ou pode significar que a micróglia está respondendo eficientemente na limpeza de doenças ou toxinas e, por serem mais plásticas e adaptáveis, a micróglia consegue ativar, responder e depois se acalmar.

Tudo isso é fascinante — pode ser que, no nível celular, o sistema imunológico do cérebro de um superidoso seja mais forte ou mais adaptável, assim como as camadas de células que encontramos no córtex entorrinal.


CNN: Se você nasceu ou não com os genes certos para proteger seu cérebro, parece uma questão de sorte. O que isso significa para o futuro?

Gefen: A genética é complicada. Não se trata apenas de ter ou não um gene, mas de como seu ambiente interno e externo trabalham juntos para influenciar como um gene é “ligado”, ou expresso — alguns podem ser mais altamente expressos, outros terão uma expressão mais baixa. Esta é a parte epigenética do quebra-cabeça.

Há uma lista de genes candidatos que estamos começando a estudar com muito cuidado, são genes que também têm um papel em aspectos de longevidade, senescência, reparo celular e reserva cognitiva, para citar alguns. Estou entusiasmada com isso, não apenas pela genética herdável dos pais, mas também pela genética no nível celular, que permite que cada neurônio ou célula imune realize sua respectiva função dentro do cérebro. Com a tecnologia avançando tão rapidamente, tenho certeza de que chegaremos a um ponto em que a prevenção ou modificação no nível genético fará parte do manual.

Claramente, não existe uma única solução para a doença de Alzheimer. Sei que todos queremos essa correção fácil, mas isso simplesmente não vai acontecer.

Será preciso que muitas equipes e muitos especialistas se unam para criar um tipo de coquetel personalizado para prevenção ou tratamento. Acho que é possível, mas vai levar tempo.

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Por que entender o que o tempo de tela faz com o cérebro das crianças é mais complicado do que parece

Outro dia, enquanto eu fazia algumas tarefas domésticas, entreguei o iPad do meu marido ao meu filho mais novo para mantê-lo entretido. Mas, depois de um tempo, me senti desconfortável: eu não estava prestando atenção em quanto tempo ele estava usando o aparelho e nem no que ele estava vendo. Então, disse que era hora de parar.

Uma grande pirraça começou. Ele gritou, deu chutes, se agarrou ao iPad e tentou me empurrar com a força de uma criança com menos de 5 anos. Não foi meu melhor momento como mãe, admito, mas a reação extrema dele me incomodou.

Meus filhos mais velhos navegam nas redes sociais, exploram jogos online e realidade virtual — e às vezes isso também me preocupa. Ouço eles se provocarem dizendo que precisam “tocar na grama”, ou seja, se desconectar e sair de casa.

O falecido Steve Jobs, que era CEO da Apple quando a empresa lançou o iPad, ficou conhecido por não deixar os próprios filhos usarem a tecnologia. Bill Gates já disse que também restringia o acesso dos seus filhos.

Steve Jobs com um iPad na mão
O tempo de tela tem se tornado um sinônimo de más notícias, sendo culpado pelo aumento de casos de depressão entre jovens, problemas de comportamento e privação do sono.

A renomada neurocientista Susan Greenfield foi ainda mais longe ao dizer que o uso da internet e de jogos de computador podem prejudicar o cérebro de adolescentes.

Em 2013, ela comparou o efeito negativo do uso prolongado de telas aos primeiros sinais das mudanças climáticas: uma transformação significativa que as pessoas não estavam levando a sério.

Hoje, o tema é encarado com mais seriedade. Mas os alertas sobre o lado sombrio talvez não contem a história completa.

Um editorial publicado no British Medical Journal argumentou que as alegações de Greenfield sobre o cérebro “não se baseavam em uma avaliação científica justa das evidências e são enganosas para os pais e para o público em geral”.

Agora, outro grupo de cientistas do Reno Unido afirma que faltam evidências científicas concretas sobre os supostos malefícios do uso de telas.

Então, será que estamos errando em nos preocupar com as nossas crianças e tentar limitar o acesso delas a tablets e smartphones?

É tão ruim quanto parece?

Pete Etchells, professor de Psicologia na Bath Spa University, é um dos acadêmicos que alerta sobre a falta de evidências.

Ele analisou centenas de estudos sobre o tempo de tela e saúde mental, além de grandes volumes de dados os hábitos digitais dos jovens. Em seu livro Unlocked: The Real Science of Screen Time (Desbloqueado: a verdadeira ciência do tempo de tela, na tradução livre para o português), ele afirma que a ciência por trás das conclusões alarmantes que estampam as manchetes é inconsistente e, em muitos casos, falha.

“Simplesmente não há evidências científicas concretas que sustentem essas histórias sobre os efeitos terríveis do tempo de tela”, escreve.

Uma criança deitada com o celular na mão
Um estudo publicado pela Associação Americana de Psicologia, em 2021, apresentou conclusões semelhantes.

Os 14 autores, de várias universidades ao redor do mundo, analisaram 33 estudos publicados entre 2015 e 2019. Eles concluíram que o uso de telas, incluindo smartphones, redes sociais e videogames, teve um “impacto pequeno nas questões de saúde mental”.

E embora alguns estudos tenham sugerido que a luz azul — como a emitida por telas — dificulte o sono por suprimir a produção do hormônio melatonina, uma revisão de 2024, que analisou 11 estudos realizados em diferentes países, não encontrou evidências consistentes de que a exposição à luz das telas na hora de dormir realmente dificulte cair no sono.

Problemas com a ciência

Um dos grandes problemas, aponta Etchells, é que a maioria dos dados sobre o tempo de tela depende fortemente do autorrelato. Em outras palavras, os pesquisadores simplesmente perguntam aos jovens quanto tempo acham que passaram diante das telas e como lembram de se sentir.

Ele também argumenta que há milhões de formas possíveis de interpretar essa quantidade de dados. “Temos que tomar cuidado ao analisar correlações”, destaca.

Ele cita o exemplo do aumento estatisticamente significativo tanto nas vendas de sorvete quanto nos casos de câncer de pele durante o verão. Ambos estão relacionados ao clima quente, mas não um ao outro: sorvetes não causam câncer de pele.

Ele também lembra de um projeto de pesquisa inspirado por um clínico geral que havia notado duas coisas: primeiro, que estava tendo mais conversas com jovens sobre depressão e ansiedade; segundo, que muitos jovens usavam seus celulares em salas de espera.

“Nós trabalhamos com o médico e dissemos: ‘Ok, vamos testar isso, podemos usar dados para tentar entender essa relação'”, explica.

Apesar dos dois fatores apresentarem correlação, havia um elemento adicional significante: o tempo que os jovens com depressão ou ansiedade passavam sozinhos.

No fim, o estudo sugeriu que era a solidão que estava levando os jovens a passar por problemas de saúde de mental, e não o uso de telas.

A diferença entre rolar a tela e fazer uso positivo dela

Além disso, há detalhes importantes faltando nas pesquisas: a natureza do tempo de tela em si. O termo “tempo de tela” é vago demais, diz Etchells.

Foi um tempo de tela positivo? Foi útil? Informativo? Ou você apenas ficou rolando o feed sem parar? O jovem estava sozinho ou interagindo com outros amigos online?

Cada um desses fatores gera uma experiência diferente.

Um menino usando o celular e vendo um vídeo

A forma como a criança usa a tela, se está apenas rolando o feed, ou aprendendo algo, faz diferença no impacto para o cérebro

Um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido analisou 11.500 exames cerebrais de crianças entre 9 e 12 anos, junto com avaliações de saúde e relatos delas mesmas sobre o uso de telas.

Embora tenham sido identificados padrões de uso de tela associados a mudanças na forma como as regiões do cérebro se conectam, o estudo não encontrou evidências de que o tempo de tela estivesse ligado a problemas de bem-estar mental ou dificuldades cognitivas, mesmo entre aquelas que passavam horas por dia diante de telas.

O estudo, realizado entre 2016 e 2018, foi supervisionado pelo professor Andrew Przybylski, da Universidade de Oxford, que estuda os impactos dos videogames e redes sociais na saúde mental. Seus estudos — revisados por pares — indicam que ambos podem, na verdade, melhorar o bem-estar em vez de prejudicá-lo.

“Se as telas realmente mudassem o cérebro para pior, seria possível identificar esse sinal em um banco de dados tão grande como esse. Mas isso não acontece. Então essa ideia de que as telas estão mudando o cérebro de forma consistente ou duradouramente negativa simplesmente não parece se sustentar”, diz Etchells.

Essa visão é compartilhada pelo professor Chris Chambers, chefe do setor de estimulação cerebral da Universidade de Cardiff, que é citado no livro do professor Etchells: “Seria óbvio se houvesse um declínio. Seria fácil olhar para os últimos, digamos, 15 anos de pesquisa…”

“Se nosso sistema cognitivo fosse tão frágil a mudanças no ambiente, nós não estaríamos aqui. Nós teríamos sido extintos há muito tempo.”

‘Combinação terrível para a saúde mental’

Nem o professor Przybylski nem o professor Etchells questionam a gravidade de certos perigos online, como a exposição crescente a conteúdos explícitos ou nocivos. Mas ambos argumentam que o debate atual sobre o tempo de tela corre risco de torná-lo ainda mais ‘clandestino’.

Przybylski se preocupa com os argumentos apresentados para limitar e até mesmo proibi-los o uso de dispositivos, e acredita que, quanto mais rigidamente o tempo de tela for controlado, mais chance dele se tornar “um fruto proibido”.

Muitos discordam. O grupo britânico Smartphone Free Childhood afirma que 150 mil pessoas já assinaram o compromisso de banir smartphones para adolescentes com menos de 14 anos, além de adiar o acesso às redes sociais até os 16.

Quando Jean Twenge, professora de Psicologia da Universidade Estadual de San Diego, nos EUA, começou a pesquisar o aumento das taxas de depressão entre adolescentes americanos, ela não tinha intenção de provar que as redes sociais e os smartphones eram “terríveis”. Mas ela acabou descobrindo nessas tecnologias um único denominador comum.

Hoje, ela acredita que separar crianças e telas é algo óbvio, e faz um apelo para que os pais mantenham os filhos longe dos celulares pelo maior tempo possível.

“Os cérebros [das crianças] estão mais desenvolvidos e maduros aos 16 anos”, argumenta. “E o ambiente social na escola e entre grupos de amigos é muito mais estável aos 16 do que aos 12.”

Uma criança jogando um jogo no iPad

Outros pesquisadores afirmam que a alta exposição a telas leva a menos horas de sono e interação social, o que é ‘uma combinação terrível’ para a saúde mental

Apesar de ela concordar que os dados coletados sobre o uso de tela por jovens seja, em sua maioria, baseados em autorrelato, Twenge argumenta que isso não enfraquece as evidências.

Um estudo dinamarquês publicado em 2024 envolveu 181 crianças de 89 famílias. Por duas semanas, metade delas teve o uso limitado de tela a três horas por semana.

A conclusão foi que a redução do uso de mídias digitais “afetou positivamente os sintomas psicológicos de crianças e adolescentes” e aumentou o “comportamento pró-social”, embora os autores ressaltem que mais pesquisas são necessárias.

Um outro estudo no Reino Unido, em que os participantes foram orientados a registrar o tempo de tela em diários de atividades, observou que um maior uso de redes sociais estava associado a níveis mais altos de sentimentos depressivos entre meninas.

“Se você pegar essa fórmula: mais tempo online — geralmente sozinho com uma tela —, menos horas de sono e menos tempo com os amigos presencialmente, temos uma combinação terrível para a saúde mental”, destaca Twenge.

“Não entendo por que isso é controverso.”

‘Julgamento entre pais’

Quando eu converso com o professor Etchells, é por uma chamada de vídeo. Um de seus filhos e um cachorro entram e saem do cômodo. Eu pergunto a ele se as telas estão realmente “reprogramando” o cérebro das crianças, e ele ri, explicando que tudo muda o cérebro: é dessa forma que os humanos aprendem.

Mas ele também demonstra empatia em relação ao medo dos pais sobre os possíveis perigos das telas.

Não ajuda o fato de que há poucas orientações claras — e que o tema está repleto de vieses e julgamento entre pais.

Jenny Radesky, pediatra da Universidade de Michigan, resumiu bem essa questão ao falar na fundação filantrópica Dana Foundation. Segundo ela, há um “discurso cada vez mais carregado de julgamento entre os pais”.

“Muito do que tem sido discutido parece mais voltado a gerar culpa nos pais do que, de fato, a esclarecer o que a pesquisa científica tem a nos dizer”, afirmou. “E isso é um problema real.”

Olhando para trás, a pirraça do meu filho mais novo por causa do iPad me alarmou na hora, mas, refletindo melhor, já vi reações parecidas dele em situações que não envolviam telas: como quando ele estava brincando de pique-esconde com os irmãos e não queria se preparar para dormir.

O tempo de tela também aparece bastante nas minhas conversas com outros pais. Alguns são mais rígidos do que os outros.

Atualmente, as orientações oficiais são inconsistentes. Nem a Academia Americana de Pediatria, dos EUA, nem do Colégio Real de Pediatria e Saúde Infantil, do Reino Unido, recomendam limites específicos de tempo de tela para crianças.

Duas crianças deitadas no chão com iPads e uma mãe sentada no sofá usando o computador

Julgamento entre pais e sentimento de culpa é comum em discussões sobre uso de telas

Organização Mundial de Saúde (OMS), por sua vez, recomenda que crianças menores de um ano não usem telas de forma alguma, e aquelas com menos de quatro anos não ultrapassem uma hora por dia de uso (embora, ao ler a diretriz, seja perceptível que o foco principal é priorizar a atividade física).

O problema maior é que simplesmente não há ciência suficiente para estabelecer uma recomendação definitiva, e isso está dividindo a comunidade científica — apesar da forte pressão social para limitar o acesso das crianças às telas.

Mas, sem diretrizes definidas, será que estamos criando um cenário desigual entre crianças que já serão fluentes em tecnologia quando adultas e outras que, por não terem esse mesmo contato, estarão mais vulneráveis?

De qualquer forma, o risco é alto. Se as telas estiverem realmente prejudicando as crianças, pode levar anos até que a ciência consiga se atualizar e comprovar isso. Ou, se eventualmente concluir que não há perigo, nós teremos desperdiçado energia e dinheiro, e durante o processo, mantido as crianças longe de algo que pode ser extremamente útil para elas.

Enquanto isso, as telas evoluem para óculos, as redes sociais se reorganizam em torno de comunidades menores, e as pessoas já usam a inteligência artificial para ajudar com o dever de casa e até mesmo como forma de terapia — ou seja, a tecnologia, que já faz parte das nossas vidas, está evoluindo rapidamente, com ou sem a nossa permissão para que as crianças a acessem.

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Estudo revela o que acontece no cérebro quando lemos

Se você chegou até aqui — nesta página e na vida —, é porque conhece os benefícios da leitura. “Ela estimula a criatividade, aguça as emoções e até ajuda a melhorar o sono”, diz o neurologista Guilherme Olival, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Para entender os motivos, cientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, revisaram 163 estudos e apontaram quais áreas do órgão são ativadas quando lemos. O levantamento foi publicado na Neuroscience & Biobehavioral Reviews.

A maior parte do trabalho é feita pelo hemisfério esquerdo do órgão e pelo cerebelo — a depender do que e como é lido. Ler em voz alta, por exemplo, aviva regiões ligadas ao movimento e ao processamento auditivo.

Identificar letras ativa só o córtex occipital, enquanto textos completos mexem também com o temporal. Você lê, os neurônios celebram.

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