Hobbies criativos mantêm o cérebro jovem, revela estudo; veja quais são os melhores

Atividades criativas como música, dança, pintura e até mesmo jogos eletrônicos podem ajudar a manter o cérebro biologicamente “mais jovem”, de acordo com um grande estudo internacional publicado na revista científica Nature Communications. Mesmo breves períodos de atividade criativa, como algumas semanas jogando videogames de estratégia, apresentaram benefícios notáveis.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores de 13 países analisaram dados cerebrais de mais de 1.400 adultos de todas as idades ao redor do mundo. Eles coletaram dados cerebrais de pessoas com experiência avançada em tango, música, artes visuais e jogos de estratégia, mas também recrutaram pessoas sem experiência para fins de comparação. Além disso, um terceiro grupo de iniciantes passou por um treinamento de curta duração em StarCraft II, um videogame de estratégia, para que os pesquisadores pudessem observar como o aprendizado de uma nova habilidade criativa afeta o cérebro em apenas algumas semanas.

Todos os participantes foram submetidos a exames cerebrais de eletroencefalograma e magnetoencefalografia, cujos dados foram inseridos em modelos de aprendizado de máquina para estimar a “idade cerebral”, ou relógios cerebrais, que calculam a idade aparente do cérebro em termos biológicos versus cronológicos. Os pesquisadores então utilizaram modelos computacionais avançados para explorar por que a criatividade pode proteger o cérebro e descobriram que os hobbies ajudam a fortalecer as redes responsáveis ​​pela coordenação, atenção, movimento e resolução de problemas, que podem enfraquecer com a idade.

Pessoas com anos de prática criativa apresentaram as maiores reduções na idade cerebral, mas mesmo iniciantes observaram melhorias, com jogos de estratégia impulsionando os marcadores de idade cerebral após aproximadamente 30 horas de treinamento.

“Uma de nossas principais conclusões é que você não precisa ser um especialista para se beneficiar da criatividade”, diz o médico Carlos Coronel, primeiro autor e pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Saúde Cerebral Global do Trinity College Dublin e da Universidade Adolfo Ibáñez, em comunicado. “De fato, descobrimos que os participantes se beneficiaram de breves sessões de treinamento com videogames.”

Segundo os pesquisadores, esta foi a primeira evidência em larga escala a ligar diretamente múltiplas áreas criativas ao envelhecimento cerebral mais lento, embora pesquisas anteriores já tivessem relacionado a criatividade à melhora do humor e do bem-estar.

“A criatividade surge como um poderoso determinante da saúde cerebral, comparável ao exercício físico ou à dieta”, afirma o médico Agustin Ibanez, do Trinity College Dublin, autor sênior do estudo. “Nossos resultados abrem novos caminhos para intervenções baseadas na criatividade, visando proteger o cérebro contra o envelhecimento e doenças.”

O estudo também mostrou que os relógios cerebrais, uma ferramenta relativamente nova que vem ganhando força na neurociência, podem ser usados ​​para monitorar intervenções destinadas a melhorar a saúde cerebral. No entanto, os pesquisadores alertaram que os resultados são preliminares e ressaltam que a maioria dos participantes eram adultos saudáveis, muitos subgrupos eram pequenos e o estudo não acompanhou os participantes a longo prazo para verificar se cérebros com aparência mais jovem realmente levam a um menor risco de demência ou a um melhor funcionamento diário.

Pessoas criativas geralmente têm outras vantagens, observaram os pesquisadores, como maior escolaridade, vida social ativa e melhor acesso às artes e atividades, e o estudo não conseguiu separar completamente esses fatores dos efeitos da própria criatividade. Nos próximos passos, os pesquisadores realizarão estudos mais abrangentes que incluam outras áreas criativas e relacionem medidas de idade cerebral a resultados no mundo real, como memória, habilidades de raciocínio e risco de doenças.

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Assistir a vídeos acelerados traz impactos para o cérebro, diz estudo

A pressa virou parte do cotidiano – e até o aprendizado entrou nesse ritmo acelerado. Hoje, é comum ver pessoas ouvindo podcasts, assistindo videoaulas e consumindo conteúdo em vídeos em velocidades maiores, como 1,5x ou até 2x. Para muitos jovens, inclusive, esse é o novo normal.

Uma pesquisa feita com estudantes da Califórnia revelou que 89% ajustam a velocidade de reprodução das aulas online. A justificativa parece lógica: aprender mais em menos tempo, revisar o conteúdo com rapidez e manter a concentração. Mas será que o cérebro acompanha esse ritmo?

A mente também tem limites

De acordo com estudos sobre a memória e o processamento cognitivo, nosso cérebro precisa de tempo para decodificar e compreender as informações recebidas. Quando escutamos alguém falando, o processo mental envolve três etapas principais: codificação, armazenamento e recuperação.

A fase de codificação, quando entendemos e damos sentido às palavras, é especialmente sensível à velocidade. O cérebro humano entende bem cerca de 150 palavras por minuto, e até o dobro disso (300 palavras) ainda é aceitável. Mas, a partir daí, o excesso de estímulos pode gerar sobrecarga cognitiva: a mente recebe mais informações do que consegue processar e acaba perdendo parte delas.

Isso acontece porque a memória de trabalho, responsável por organizar o que ouvimos antes de armazenar o conhecimento de forma duradoura, tem uma capacidade limitada. Quando bombardeada por dados muito rapidamente, ela não consegue transformar tudo em aprendizado real.

O que a ciência descobriu sobre o “modo rápido”

Uma grande revisão científica que reuniu 24 estudos sobre aprendizado com vídeos mostrou que aumentar a velocidade de reprodução prejudica o desempenho em testes. Nos experimentos, um grupo assistia ao vídeo na velocidade normal e outro em versões aceleradas (1,25x, 1,5x, 2x ou 2,5x). Depois, ambos faziam as mesmas provas. O resultado foi claro: até 1,5x, o impacto era pequeno. Mas, acima disso, o desempenho caía de forma considerável. Em termos práticos: se um estudante tirava 75% na velocidade normal, ver o mesmo vídeo a 2,5x poderia reduzir sua nota média em até 17 pontos percentuais.

E os mais velhos?

Os efeitos da aceleração parecem ainda mais fortes em adultos acima dos 60 anos. Pesquisas mostram que, com o envelhecimento, a memória de trabalho e o tempo de processamento diminuem naturalmente. Isso faz com que assistir a conteúdos muito rápidos seja mais desafiador e reduza a retenção de informações. Nesses casos, especialistas recomendam que os vídeos sejam vistos em velocidade normal ou até mais lenta, para garantir que o aprendizado realmente se consolide.

O cérebro pode se adaptar?

Ainda não há consenso. É possível que pessoas acostumadas a consumir vídeos acelerados desenvolvam certa tolerância à carga cognitiva, conseguindo lidar melhor com o excesso de informações. Por outro lado, também há hipóteses de que o hábito possa gerar cansaço mental a longo prazo, reduzindo a motivação e o prazer de aprender. Curiosamente, alguns estudos mostram que, mesmo quando a velocidade 1,5x não prejudica a memória, ela torna a experiência menos prazerosa. Ou seja, aprender rápido pode funcionar, mas talvez não seja tão agradável.

Em um mundo que valoriza produtividade e multitarefa, é natural querer fazer tudo mais rápido. Mas o cérebro humano continua precisando de pausas, atenção e repetição para transformar informação em conhecimento. Assistir aulas ou ouvir podcasts acelerados pode ser útil em algumas situações, mas o equilíbrio é essencial. Afinal, aprender bem não é apenas acumular dados – é dar tempo para o cérebro respirar e compreender.

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Adolescência até os 30 anos e as quatro outras fases do cérebro durante a vida, segundo novo estudo

Cerca de 4.000 pessoas de até 90 anos fizeram exames que mostraram as conexões entre suas células cerebrais.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge (Reino Unido) afirmam que o cérebro permanece na fase adolescente até o início dos 30 anos, quando “atinge o auge”.

Eles dizem que os resultados da pesquisa podem ajudar a explicar por que o risco de transtornos mentais e demência varia conforme a idade.

Uma médica observa o monitor de um aparelho de ressonância magnética; a tela exibe cinco diferentes imagens do cérebro.

Crédito,Monty Rakusen / Getty Images

Legenda da foto,Pesquisadores identificaram cinco fases distintas no desenvolvimento do cérebro

O cérebro muda constantemente em resposta a novos conhecimentos e experiências, mas o estudo mostra que esse processo não segue um padrão contínuo do nascimento à morte. Não é linear.

Segundo os autores, há cinco fases cerebrais:

  • Infância – do nascimento aos 9 anos
  • Adolescência – dos 9 aos 32 anos
  • Vida adulta – dos 32 aos 66 anos
  • Envelhecimento inicial – dos 66 aos 83 anos
  • Envelhecimento avançado – dos 83 anos em diante

“O cérebro se reconecta ao longo da vida. Ele está sempre fortalecendo e enfraquecendo ligações, e isso não ocorre de forma constante — há oscilações e fases de reconexão”, explica à BBC a pesquisadora Alexa Mousley.

Algumas pessoas chegam a essas etapas antes ou depois, mas os pesquisadores afirmam que chama atenção o fato de essas idades se destacarem de forma nítida nos dados.

Esses padrões só agora aparecem devido ao volume de exames cerebrais reunidos no estudo, publicado na revista científica Nature Communications.

Duas mulheres jovens comemoram. Uma abraça a outra enquanto levanta a perna no ar. Atrás delas há fios prateados de enfeites.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Pesquisadores da Universidade de Cambridge afirmam que o cérebro permanece na fase adolescente até o início dos 30 anos

As cinco fases do cérebro

Infância – O primeiro período é marcado pelo rápido crescimento do cérebro e pelo afinamento do excesso de conexões entre neurônios, que são as sinapses, formadas no início da vida.

O funcionamento se torna menos eficiente. O cérebro age como uma criança que passeia pelo parque sem rumo definido, em vez de ir direto do ponto A ao ponto B.

Um bebê sorri e estende a mão em direção à câmera enquanto está deitado com uma manta macia sobre o peito.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,O cérebro passa por suas mudanças mais rápidas na infância

Adolescência – Isso muda de forma abrupta a partir dos 9 anos, quando as conexões passam por um processo intenso de ganho de eficiência. “É uma mudança enorme”, diz Mousley, ao descrever a alteração mais profunda entre as fases cerebrais.

É também o período de maior risco para o surgimento de transtornos mentais.

A adolescência começa perto da puberdade, mas as evidências indicam que termina muito mais tarde do que se supunha. Já se pensou que se limitava à juventude, até que a neurociência mostrou que avançava para os 20 e agora até o início dos 30.

Essa é a única fase em que a rede de neurônios fica mais eficiente.

Mousley afirma que isso reforça medidas de desempenho cerebral que apontam um pico no começo dos 30 anos, mas destaca ser “muito interessante” que o cérebro permaneça na mesma fase dos 9 aos 32.

Imagem de um exame cerebral mostrando áreas vermelhas no centro, cercadas por regiões em amarelo, verde e azul-claro.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Os pesquisadores afirmam que os resultados podem ajudar a entender por que o risco de transtornos mentais e demência varia ao longo da vida

Vida adulta – Depois vem um período de estabilidade para o cérebro, a fase mais longa, que dura três décadas.

As mudanças diminuem em comparação às transformações anteriores, mas é aqui que vemos a eficiência começar a cair.

Segundo Mousley, isso “se alinha com um platô de inteligência e personalidade” que muitos já observaram ou vivenciaram.

Duas mulheres riem enquanto uma segura um prato com bolos e velas acesas.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Os pesquisadores afirmam que a vida adulta é o período mais longo do desenvolvimento do cérebro, quando ocorrem menos mudanças

Envelhecimento inicial – Tem início aos 66 anos, mas não representa uma queda brusca. Ocorrem mudanças nos padrões de conexão.

O cérebro deixa de funcionar como um único conjunto integrado e passa a se dividir em regiões que trabalham de forma mais independente, como integrantes de uma banda que começam projetos solo.

Embora o estudo tenha analisado cérebros saudáveis, essa é também a idade em que surgem sinais de demência e hipertensão, que afetam a saúde cerebral.

Envelhecimento avançado – Aos 83 anos, começa a etapa final. Há menos dados sobre esse grupo, já que é mais difícil encontrar cérebros saudáveis para escaneamento. As mudanças seguem a lógica do envelhecimento inicial, mas de forma mais acentuada.

Mousley diz que o que mais a surpreendeu foi a “coerência entre as idades e marcos importantes”, como puberdade, problemas de saúde mais comuns na velhice e até mudanças sociais marcantes no início dos 30, como a parentalidade.

Um casal idoso. A mulher aparece em primeiro plano vestindo um sari vermelho e branco, e o homem, desfocado ao fundo, veste uma camisa branca.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Os cientistas afirmam que o envelhecimento avançado começa aos 83 anos

‘Um estudo muito interessante’

O estudo não analisou diferenças entre homens e mulheres, mas surgem questões como o impacto da menopausa.

Duncan Astle, professor de neuroinformática da Universidade de Cambridge, afirma: “Muitos transtornos do neurodesenvolvimento, de saúde mental e neurológicos estão ligados ao modo como o cérebro é conectado. Diferenças nessa conectividade influenciam atenção, linguagem, memória e vários tipos de comportamento.”

Tara Spires-Jones, diretora do centro de ciências cerebrais da Universidade de Edimburgo (Reino Unido), diz: “É um estudo muito interessante que destaca o quanto nossos cérebros mudam ao longo da vida”.

Spires-Jones afirma que os resultados “se encaixam bem” no entendimento atual sobre envelhecimento cerebral, mas adverte que “nem todos vão apresentar essas mudanças exatamente nas mesmas idades”.

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Cientistas concluem primeiro esboço de atlas do cérebro em desenvolvimento

Cientistas alcançaram um marco em uma iniciativa para mapear como os diversos tipos de células cerebrais surgem e amadurecem desde os estágios embrionários até a idade adulta. O resultado desse trabalho pode levar ao surgimento de novas formas de abordar certas condições, como autismo e esquizofrenia.

Os pesquisadores fizeram um primeiro esboço dos atlas do cérebro humano em desenvolvimento e do cérebro de mamíferos em desenvolvimento. Os achados foram detalhados nesta quarta-feira (5) em uma coleção de estudos publicados na revista Nature.

A pesquisa concentrou-se em células cerebrais humanas e de camundongos —há ainda trabalhos voltados a células cerebrais de macacos. No esboço inicial, mapeou-se o desenvolvimento de diferentes tipos de células cerebrais, rastreando como nascem, diferenciam-se e amadurecem em vários tipos com funções únicas. Também foi possível acompanhar como os genes são ativados ou desativados nessas células ao longo do tempo.

Houve a identificação de genes-chave que controlam processos cerebrais e a descoberta de semelhanças no desenvolvimento das células cerebrais entre cérebros humanos e de outros animais, bem como alguns aspectos únicos do cérebro humano, incluindo a identificação de tipos celulares anteriormente desconhecidos.

A pesquisa faz parte da Rede de Atlas Celular da Iniciativa Brain (Bican), dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos EUA, uma colaboração científica internacional para criar um atlas abrangente do cérebro humano.

“Nosso cérebro possui milhares de tipos de células com extraordinária diversidade em suas propriedades e funções celulares, e esses diversos tipos celulares trabalham juntos para gerar uma variedade de comportamentos, emoções e cognição”, disse a neurocientista Hongkui Zeng, diretora de ciência cerebral no Instituto Allen em Seattle. Ela é líder de dois dos estudos que saíram.

Pesquisadores encontraram mais de 5.000 tipos de células no cérebro de camundongos. Acredita-se que haja pelo menos essa quantidade no cérebro humano.

“O cérebro em desenvolvimento é uma estrutura incrivelmente enigmática —difícil de acessar, formado por muitos tipos distintos de células e muda rapidamente. Embora conhecêssemos as grandes mudanças que ocorrem durante o desenvolvimento cerebral, agora temos uma compreensão muito mais detalhada das partes do cérebro em desenvolvimento graças a este conjunto de atlas”, disse a neurocientista Aparna Bhaduri, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, também envolvida na pesquisa.

O estudo promete importantes aplicações práticas.

“Primeiro, ao estudar e comparar o desenvolvimento cerebral em humanos e outros animais, compreenderemos melhor a especialização humana e de onde vem nossa inteligência única. Segundo, ao entender o desenvolvimento cerebral, teremos mais informações para estudar quais mudanças estão acontecendo em cérebros doentes —quando e onde— tanto em tecidos humanos doentes quanto em modelos animais de doenças”, explicou Zeng.

Ao obter esse conhecimento, os cientistas esperam alcançar terapias genéticas e celulares mais precisas para uma variedade de doenças humanas, de acordo com Zeng. A esperança é que as descobertas proporcionem uma compreensão mais profunda do autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, esquizofrenia e outras condições conhecidas por se manifestarem durante o desenvolvimento cerebral.

As regiões cerebrais para as quais os pesquisadores criaram atlas de desenvolvimento de tipos celulares incluíram o neocórtex, que é a parte da camada mais externa do cérebro onde se origina a função cognitiva superior, e o hipotálamo, uma pequena estrutura localizada nas profundezas do cérebro que ajuda a regular a temperatura corporal, pressão arterial, humor, sono, desejo sexual, fome e sede.

Os pesquisadores identificaram alguns aspectos únicos do cérebro humano. Um exemplo foi o processo prolongado de diferenciação nos tipos de células corticais devido ao longo período de desenvolvimento do cérebro humano, desde o feto até a adolescência, em comparação com o cronograma de desenvolvimento mais rápido nos animais.

Entre os tipos de células cerebrais recém-identificados estavam alguns no neocórtex e na região do estriado, que controla o movimento e certas outras funções.

Há mais trabalho pela frente.

“O objetivo é, em última análise, entender não apenas quais são as partes do cérebro em desenvolvimento, mas descrever o que acontece em distúrbios do neurodesenvolvimento e neuropsiquiátricos que desenvolvem vulnerabilidade durante o desenvolvimento”, afirmou Bhaduri.

“Isso também é relevante para câncer cerebral, que meu laboratório também estuda, pois durante o câncer cerebral essas partes do desenvolvimento reaparecem. Levará tempo para entender completamente e tratar todos esses distúrbios. Mas esse conjunto de artigos é um bom avanço”, acrescentou a neurocientista.

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Saúde do cérebro: veja alimentos que melhoram o seu funcionamento

Responsável por funções essenciais do dia a dia como a memória, nossas capacidades cognitivas e principalmente por todo o aprendizado ao longo da vida, a saúde do cérebro é algo que não dá para descuidar. Ou seja, todo cuidado é pouco quando falamos desta máquina superpoderosa! Conheça quais alimentos são importantes para turbinar funções do cérebro

E assim como o resto do corpo, para manter o cérebro saudável é necessário cuidar da alimentação, ingerindo os nutrientes necessários para que todas as funções do organismo estejam em dia.

“É fato que nossos hábitos diários impactam diretamente em nossa saúde física e mental. Por isso, vale ressaltar que, além dessa dieta mais saudável com a ingestão de nutrientes e vitaminas, ter bons hábitos como praticar exercícios físicos regularmente, dormir bem, se manter hidratado, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas, é crucial para um bom funcionamento do cérebro”, explica a nutróloga Vera Shukumine.

Mas você sabia que existem alimentos específicos para manter a saúde do cérebro e dar aquele up em funções importantes? Pois é! Para isso, a especialista fez uma lista especial elencando todos os benefícios. Confira!

Brócolis, couve-flor, salmão, soja e fígado

“Estes alimentos são ricos em colina, um nutriente que faz parte do complexo B e é fundamental para manter as habilidades cognitivas. Além disso, age nas funções neurológicas e ajuda na manutenção da memória”, afirma Vera.

Peixes (como salmão, atum), soja, linhaça e abacate

“Possuem ômega-3, que é um ácido graxo não oxidante que potencializa nossa capacidade de aprendizagem e pode melhorar nosso humor”, explica a nutróloga.

Nozes

“Ainda falando em ômega 3, mas especificamente do ácido alfa-linolênico que ajuda a proteger as artérias e baixar a pressão sanguínea. Também são fontes de proteína e gorduras saudáveis”, relata a especialista.

Vegetais e folhas verdes (como couve, espinafre e brócolis)

“Alimentos ricos em vitamina K, luteína, folato, beta-caroteno e sais minerais, como zinco, selênio, ferro e fósforo. Essa combinação nos garante um bom raciocínio, protege nossos neurônios e aumenta nossa capacidade de aprendizagem”, explica Vera Shukumine.

Frutas vermelhas (como morango, amora, cereja)

“São antioxidantes com propriedades anti-inflamatórias e fonte de antocianinas, que ajudam a manter a memória em dia“, reforça a profissional.

E aí, curtiu as informações? Não se esqueça de incluir estes produtos na sua alimentação para garantir que a saúde do cérebro esteja sempre em alta!

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Comportamento Pesquisa encontra pela primeira vez um padrão no cérebro dos otimistas


Com o mundo sacudido por guerras, em constante alerta ambiental e rachado por elevados graus de polarização, é natural ver vicejar um pessimismo sobre o futuro. Mais surpreendente, porém, é que a turma dos otimistas siga firme e forte, se atendo justamente àquela metade cheia do copo, sem se deixar levar pelas intempéries da história. Não é por obra do acaso que essa fatia da humanidade se notabiliza pela positividade: a engrenagem que faz com que ela tenda a apostar no bom desfecho faz sabidamente parte de um mecanismo evolutivo mais pronunciado em uns do que em outros, uma valiosíssima ferramenta para o caminhar da espécie. A novidade nesse ascendente campo de estudos é o que revela um inédito mergulho nas profundezas do cérebro do otimista — uma vasta investigação que desvenda essa postura perante as asperezas da vida.

MÃOS À OBRA - O cientista social paulista Marcelo Rocha, 28 anos, é daqueles que transformam otimismo em ação. Integrante do grupo consultivo de jovens da ONU para o clima, ele trabalha para criar frentes de combate ao aquecimento. “O cenário de crise pode nos levar a um mundo melhor”, diz.
MÃOS À OBRA – O cientista social paulista Marcelo Rocha, 28 anos, é daqueles que transformam otimismo em ação. Integrante do grupo consultivo de jovens da ONU para o clima, ele trabalha para criar frentes de combate ao aquecimento. “O cenário de crise pode nos levar a um mundo melhor”, diz. (Clickbycria/.)

Para mapear tais engrenagens na mente, pesquisadores da Universidade de Kobe, no Japão, submeteram uma centena de representantes do grupo, previamente pinçados por meio de testes psicológicos, a sucessivas ressonâncias magnéticas enquanto eram estimulados a imaginar cenários hipotéticos de diferentes matizes: de uma viagem espetacular à perda repentina do emprego. A conclusão, recém-publicada pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, pela primeira vez traçou algo como a fisiologia do otimismo. Os indivíduos claramente mais positivos exibiram ondas de pulso elétrico de impressionante semelhança em uma mesma região voltada para a razão — o córtex pré-frontal medial, zona crucial para tomada de decisões e planejamento (veja a ilustração). Já os pessimistas exibiram uma dinâmica neural irregular, da qual não foi possível extrair um padrão.

Um conjunto de pesquisas sustenta que a positividade se desdobra em efeitos palpáveis, sobretudo no terreno do comportamento. Entre os achados de especialistas das universidades americanas de Michigan e Syracuse, que por quatro anos dissecaram o tópico, está a constatação de que privilegiar o lado bom torna o indivíduo mais resistente a adversidades e mais propenso ao bem-­estar quando exposto a altos níveis de estresse, os quais costuma amenizar selando relacionamentos saudáveis e escapando de um dos grandes males contemporâneos: a solidão. “O otimismo ajuda as pessoas a se conectarem umas às outras”, enfatiza a psicóloga Jeewon Oh, de Syracuse.


MERGULHO NA MENTE - Ressonância magnética: a observação ajudou a traçar uma espécie de fisiologia do otimismo
MERGULHO NA MENTE - Ressonância magnética: a observação ajudou a traçar uma espécie de fisiologia do otimismo (Maria Kray/Getty Images)

A pesquisa da Universidade de Kobe escalou um degrau ao descrever um ciclo virtuoso que se desenrola entre otimistas de plantão. “Como eles estão tecnicamente em sintonia parecida, tendem a interagir muito bem entre si, o que pode explicar seu visível sucesso social”, disse a VEJA Kuniaki Yanagisawa, coordenador do estudo. Todos os seres humanos possuem em algum grau a capacidade inata de acreditar que driblarão as dificuldades na trilha da sobrevivência, como sublinha a neurocientista Tali Sharot, da University College London, no aclamado livro O Viés Otimista. “Subestimamos as chances de nos divorciar, sofrer um acidente ou ter uma doença grave”, exemplifica, apontando que esse tipo de pensamento é fundamental para levantar da cama e seguir em frente. A partir daí, faz-se necessária uma distinção — uma parcela da população mundial apresenta maior disposição ao otimismo do que a outra, situação em parte estabelecida pela genética, conforme a ciência já demonstrou.

arte cérebro otimista

Não é nada, porém, que esteja cravado na pedra, como um pilar inabalável, lembram os pesquisadores. À base de muita observação, eles concordam que o otimismo é, em boa medida, uma habilidade moldável pelo ambiente e passível de ser exercitada. Pode soar autoajuda ligeira, mas se trata de conhecimento sério. “Precisamos desenvolver uma disciplina mental para canalizar pensamentos negativos em direção a ideias neutras ou favoráveis. Aos poucos, a pessoa consegue racionalizar melhor e ir se afastando dos cenários trágicos”, esclarece a psicóloga Ana Maria Rossi, da Associação Internacional de Prevenção e Tratamento de Stress. A escritora carioca Marina Neves, 32 anos, uma das integrantes do pelotão dos otimistas ouvidos por VEJA, conta praticar a lição. “O único controle que temos na vida é sobre como percebemos os acontecimentos ao nosso redor”, reconhece ela, que às vezes sofre, sim, mas tenta “não focar nisso”.

TREINANDO O OLHAR - A escritora carioca Marina Neves, 32 anos, já se apaziguou com a ideia de não ter controle sobre o mundo à sua volta. “O único poder que temos na vida é sobre como percebemos os acontecimentos”, afirma ela, que se esforça para valorizar o que há de positivo ao seu redor.TREINANDO O OLHAR – A escritora carioca Marina Neves, 32 anos, já se apaziguou com a ideia de não ter controle sobre o mundo à sua volta. “O único poder que temos na vida é sobre como percebemos os acontecimentos”, afirma ela, que se esforça para valorizar o que há de positivo ao seu redor. (./Arquivo pessoal)

Sob o ângulo dos indivíduos, dar gás ao otimismo se reflete em cheio na saúde, conforme mostra um trabalho da Universidade de Boston: à medida que as pessoas conseguem se livrar com maior destreza do peso de eventos infelizes, seus níveis de cortisol, o indesejado hormônio do estresse, se mantêm baixos, condição ideal para a vida longa. Também do ponto de vista das sociedades, o filtro da positividade colabora, uma vez que são justamente aqueles mais crédulos na melhora do mundo os mais propensos a se mexer e agir em seu favor. “É no dia a dia que temos a chance de construir um futuro melhor. É preciso ser prático”, afirma o cientista social paulista Marcelo Rocha, 28 anos, que compõe o grupo consultivo de jovens da ONU para ação climática — um assunto, aliás, que arrasta muita gente para a raia do pessimismo nestes tempos de aquecimento global.

“Eu sou um otimista. Não me parece muito útil ser qualquer outra coisa.” - Winston Churchill (1874-1965), ex-primeiro-ministro britânico
“Eu sou um otimista. Não me parece muito útil ser qualquer outra coisa.” – Winston Churchill (1874-1965), ex-primeiro-ministro britânico (Hulton Archive/Getty Images)

Ao elencar tudo de bom que o otimismo proporciona, cabe ponderar que doses excessivas dele podem resvalar para aquilo que a própria ciência classifica como “positividade tóxica”, quando dar as costas à realidade se traduz em falta de pé no chão. Vale também aqui a busca pelo equilíbrio, como gente sábia das mais distintas eras já pontuaram. “Na Grécia Antiga, Aristóteles considerava a esperança o pilar para uma vida plena”, lembra o professor de filosofia Dejalma Cremonese. Autor de primorosos discursos, o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874-1965), que foi do ápice à derrota e soube se reerguer, imprimindo seu nome no panteão da história, deixou palavras simples que não custa revisitar: “Sou um otimista. Não me parece muito útil ser qualquer outra coisa”, declarou, nos anos 1950. Fica a dica.

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Como redes sociais, sono insuficiente e obesidade afetam o cérebro da geração Z

Responder mensagens no celular enquanto uma série passa na TV é comum, mas cobra caro do cérebro. Esse multitasking digital, em que realizamos várias tarefas ao mesmo tempo, compromete a memória e a atenção. Entre jovens da geração Z, com idades entre 15 e 28 anos, o comportamento frequentemente está acompanhado de fatores como sono ruim e obesidade, o que pode acelerar o envelhecimento cerebral.

“Esse estilo de vida corrido, em que se faz várias coisas ao mesmo tempo, costuma vir junto de outros hábitos ruins que influenciam no envelhecimento do cérebro”, afirma Clariana Nascimento, neurologista especialista em cognição. “Fazer duas tarefas ao mesmo tempo interfere na atenção e no foco, diminui a capacidade de processamento e armazenamento de informações e causa fadiga mental.”

“A atenção é o primeiro passo para a memória. Sem atenção, não há memória.”

João Brainer

Professor de Neurologia e Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo.

O cérebro não foi programado para executar múltiplas tarefas simultaneamente. Atividades em paralelo sobrecarregam áreas como o córtex frontal, responsável pela cognição e pelo controle motor, aponta Peter Wilson, psicólogo da Universidade Católica da Austrália, em artigo no portal Science Alert. O desvio constante de atenção também prejudica o sistema glinfático, responsável por eliminar resíduos tóxicos do sistema nervoso central.

“Com isso, o cérebro não realiza a limpeza corretamente”, explica João Brainer, professor de Neurologia e Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Nos conteúdos digitais, vídeos curtos e desconexos dividem a atenção e dificultam a formação de associações lógicas.

Interrupção como padrão

Um estudo de 2023 investigou como alternar entre redes sociais e outra atividade afeta a memória prospectiva, responsável por lembrar de tarefas diárias. No experimento, jovens de 19 a 34 anos realizaram no computador um teste que exigia reconhecer e organizar palavras rapidamente. Durante o intervalo, cada grupo descansou por dez minutos ou usou redes sociais (Twitter, YouTube ou TikTok) antes de retomar as tarefas iniciais.

Quem assistiu a vídeos no TikTok teve pior desempenho na relação entre velocidade e precisão. Segundo os pesquisadores, mesmo cientes de que precisavam voltar para o teste, permaneciam cognitivamente engajados com a interrupção. O fluxo contínuo de vídeos curtos ocupa a “memória tampão” (espaço temporário de armazenamento de informações) e reduz recursos para outras tarefas.

Entre os 14 fatores de risco para Alzheimer, na juventude brasileira, o baixo acesso à educação é o mais relevante (9,5%)

A preocupação é maior entre os mais jovens da geração Z, cujo córtex pré-frontal, responsável pelo controle de impulsos, ainda se desenvolve. “Parte dessas pessoas faz o que chamamos de desidealização, que é a sensação de não estar no mundo concreto e se comportar como se vivessem constantemente no virtual”, diz Brainer.
O neurologista alerta ainda para o impacto no campo psicológico: “As emoções transmitidas pela tela são dissociadas de algo concreto, levando a pessoa a se projetar na vida do outro, o que pode gerar angústia, comparação e medo.”

Menos horas de sono

O cérebro hiperestimulado tampouco encontra descanso. Um estudo brasileiro de 2024 mostrou que, nas últimas cinco décadas, o tempo médio de sono caiu cerca de duas horas e a parcela de pessoas que dormem menos de seis horas cresceu 6%. A recomendação é de, em média, oito horas por noite.
“Se eu não durmo bem, a informação chega quebrada, mal armazenada. É aquela sensação do dia de prova, quando o aluno diz: ‘Eu sei que sei, mas não lembro’. Ele se recorda da professora, da página do livro, mas não do conteúdo.”
Monica Andersen
Especialista em Medicina do Sono, diretora do Instituto do Sono/AFIP e uma das autoras do estudo.
O sono é essencial para aquisição, armazenamento e evocação da memória. A consolidação está ligada principalmente ao sono REM, caracterizado por movimento rápido dos olhos, atividade cerebral similar à vigília e aumento de respiração e frequência cardíaca. Pesquisas recentes também destacam a importância do sono não-REM (NREM), que inclui o sono leve e profundo.

Cérebro envelhecido

Uma noite mal dormida também “envelhece o cérebro”, afirma Monica, ao explicar que o estresse oxidativo produz substâncias que funcionam como “ferrugem” para o corpo e para o sistema nervoso. Um estudo da Universidade da Califórnia, publicado na revista Neurology, mostrou que pessoas na faixa dos 40 anos com distúrbios do sono, como dificuldade para adormecer ou despertares frequentes, apresentaram idade cerebral entre 1,6 e 2,6 anos mais avançada.
Segundo a especialista em Medicina do Sono, a má qualidade do sono está ligada a fatores socioeconômicos, como o uso intenso de celulares e ambiente online, que promovem atividade interativa e viciante. “Na hora da interação, brotam no cérebro receptores de expectativa, os dopaminérgicos. Quando você faz qualquer pergunta à internet, intuitivamente busca uma resposta imediata. A internet é gratificação”.
Pesquisadores já associavam a obesidade na meia-idade ao risco de declínio cognitivo. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que o ganho de peso constante desde a infância pode acelerar o envelhecimento do cérebro em até 6,5 anos. Publicada em abril no periódico Neurology, a pesquisa sugere que controlar o peso desde jovem pode reduzir o declínio cognitivo mais tarde.
“As principais hipóteses ligam obesidade e declínio cognitivo à saúde metabólica e vascular, ou seja, um efeito indireto.”
Paulo Henrique Lazzaris Coelho
Geriatra autor da tese de doutorado que originou a pesquisa.
A obesidade aumenta o risco de diabetes, hipertensão e colesterol alto, que provocam inflamação e afetam pequenos vasos cerebrais, prejudicando a chegada de nutrientes e acelerando a morte de neurônios. A pesquisa avaliou 11.361 servidores usando silhuetas para mapear o corpo em cinco idades.
Testes de memória, função executiva e linguagem mostraram que quem passou de “normal para sobrepeso” ou manteve “sobrepeso estável” teve declínio cognitivo mais acelerado, principalmente em memória e função executiva. “Outra análise da tese mostra que a obesidade abdominal é o fator mais ligado à piora metabólica e ao declínio cognitivo. Não é só o ganho de peso, mas onde ele ocorre”, conclui Coelho.

E dá para reverter?

Brainer, da Unifesp, explica que a diminuição de atenção, foco e memória pode ser temporária. “Reduzir multitasking, organizar-se melhor, meditar, dormir bem, praticar atividade física, alimentar-se saudavelmente e controlar fatores de risco desacelera o envelhecimento cerebral e reduz chances de problemas graves”, recomenda o neurologista.
Entre os 14 fatores de risco para Alzheimer, na juventude brasileira, o baixo acesso à educação é o mais relevante (9,5%)
De acordo com Monica, não se sabe quanto tempo de sono perdido causaria a fragmentação da memória tampouco quanto precisaria ser reposto para restaurá-la à capacidade inicial – nem se isso seria possível. Quanto à obesidade e sua relação com o declínio cognitivo, o geriatra Coelho lembra que a faixa mais velha da geração Z está chegando aos 30 anos, quando começam a perda muscular e a queda de desempenho. “Quanto antes se cuidarem, mais tempo terão para desacelerar esses processos e envelhecer com qualidade de vida.”Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

Cérebro flex: estudo descobre que gordura é combustível dos neurônios

Por décadas, acreditava-se que neurônios dependiam apenas da glicose para produzir energia e poder fazer o cérebro humano funcionar. Uma pesquisa da University of Queensland, na Austrália, publicada na revista Nature Metabolism nesta terça-feira (30/9), porém, mostra que o órgão é “flex” e que funciona com outros tipos de combustível, incluindo diversos tipos de gordura.

A descoberta pode impactar a forma como entendemos o funcionamento do órgão e até em como pensamos o tratamento de doenças cerebrais.

“Nossa pesquisa mostra que as gorduras são, sem dúvida, parte crucial do metabolismo energético do neurônio e podem ser a chave para reparar e restaurar funções quando elas falham. Compreender esse combustível alternativo do cérebro pode ajudar a abrir caminho para tratamentos mais eficazes de doenças neurológicas”, destaca bioengenheira Merja Joensuu, especialista em lipídios e líder da pesquisa.

Gordura como combustível alternativo

O estudo, na verdade, não tinha como objetivo principal entender quais eram as fontes de alimentação do sistema nervoso. A pesquisa investigava um gene ligado a uma doença rara que afeta os movimentos, a paraplegia espástica. Quando esse gene falha, o cérebro perde o equilíbrio de gorduras e os neurônios deixam de funcionar direito.

Ao entender a doença, os cientistas descobriram que os neurônios também queimam pequenas moléculas de gordura para se comunicar entre si. Quando essa fonte de energia se perde, a atividade cerebral é comprometida e sintomas aparecem.

Os pesquisadores testaram se o combustível recém-descoberto era mesmo funcional. Eles usaram ácidos graxos saturados livres, que são suplementos de gorduras, em animais em laboratório que tinham o defeito no gene estudado, o que comprometia seus cérebros. A experiência mostrou recuperação da energia e da função dos neurônios.

Usar doses altas de açúcar, por outro lado, não trouxe resultados, o que pode sugerir que os neurônios se alimentem de diferentes combustíveis para cumprir diferentes funções.

“Foi uma mudança enorme de visão. Mostrou que neurônios saudáveis produzem essas gorduras e as usam como combustível. Em doenças onde esse processo falha, a energia pode ser restaurada com suplementos”, explica Joensuu no comunicado à imprensa.

Segundo a pesquisadora, a descoberta pode ser a peça que faltava do quebra-cabeça para entender várias enfermidades debilitantes, como o Alzheimer.

Caminho até futuros tratamentos

A próxima etapa da pesquisa é avaliar a eficácia terapêutica e a segurança dos ácidos graxos ativados em estudos pré-clínicos. A fase é necessária antes de iniciar testes em humanos e poderá definir a extensão do impacto em doenças metabólicas cerebrais.

Os resultados oferecem esperança para distúrbios antes considerados intratáveis. A mudança de paradigma no metabolismo cerebral pode alterar a forma como a ciência enxerga a energia que mantém a mente em funcionamento.

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A surpreendente relação entre o seu olfato e a saúde do seu cérebro


O cheiro de comida, da chuva ou de especiarias pode acionar memórias de forma quase mágica. Mas, com o envelhecimento — ou por fatores como Covid-19, tabagismo e poluição —, nossa capacidade de sentir cheiros diminui.

Segundo explica o New York Times, estudos mostram que cerca de 11% dos americanos acima de 50 anos têm dificuldade de olfato, número que sobe para 39% entre os maiores de 80 anos.

Relação com Alzheimer e Parkinson

A perda olfativa está ligada a piora da memória, depressão, declínio cognitivo e pode ser um dos primeiros sinais de doenças como Alzheimer e Parkinson.

“Nossos cérebros precisam de muita estimulação olfativa para se manterem saudáveis”, afirma Michael Leon, neurobiólogo da Universidade da Califórnia, Irvine.

Treinamento olfativo pode fortalecer memória

  • Pesquisas indicam que treinar o olfato pode melhorar o humor, a memória e até a estrutura cerebral. Idosos que fizeram exercícios olfativos diários por meses tiveram redução de sintomas de depressão e melhora no vocabulário.
  • Outros estudos mostraram aumento da espessura do hipocampo — região central da memória — em pessoas que treinam regularmente o olfato.
  • Especialistas sugerem práticas simples: cheirar especiarias, café ou frutas duas vezes ao dia por 30 segundos; usar kits de treino ou difusores noturnos de aromas.
  • Para quem suspeita de perda de olfato, testes caseiros podem ajudar a detectar sinais de alerta e indicar quando procurar um médico.

Em resumo, exercitar o olfato pode ser uma ferramenta poderosa para manter o cérebro ativo — e pode começar com algo tão simples quanto parar para cheirar as rosas.

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Evidências robustas sustentam abordagem não farmacológica contra o declínio cognitivo

Um ensaio clínico randomizado de larga escala publicado no periódico JAMA demonstrou que intervenção estruturada no estilo de vida resultou em ganhos significativamente maiores na cognição global de idosos com risco elevado de declínio cognitivo, em comparação com um programa autodirigido. A intervenção analisada envolveu suporte contínuo e metas claras em termos de exercício físico, dieta, estimulação cognitiva e engajamento social.

O estudo US POINTER reúne as evidências mais robustas obtidas até hoje nos Estados Unidos sobre a efetividade de estratégias não farmacológicas na prevenção da demência. Ele incluiu 2.111 participantes entre 60 e 79 anos, recrutados em cinco centros americanos, todos sedentários e com fatores adicionais de risco para declínio cognitivo.

Os indivíduos foram randomizados para dois braços. No grupo de intervenção estruturada, os participantes compareceram a 38 encontros ao longo de dois anos e receberam planos de atividades relacionadas a múltiplos aspectos: prática regular de exercícios aeróbicos, de fortalecimento e flexibilidade, treinamento cognitivo digital e orientações para adesão à dieta do tipo MIND (Mediterranean-DASH Intervention for Neurodegenerative Delay).

O padrão alimentar incentivado neste braço do estudo combina elementos das dietas mediterrânea e DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), com ênfase em consumo elevado de folhas verdes, frutas vermelhas, grãos integrais, peixe, azeite e oleaginosas, enquanto limita o consumo de carnes vermelhas, produtos ultraprocessados e alimentos ricos em gordura saturada, tendo sido previamente associado a menor risco de declínio cognitivo e doença de Alzheimer.

Já o segundo grupo participou de seis encontros de aconselhamento, nos quais os participantes foram encorajados a realizar mudanças de estilo de vida de forma autodirigida. O desfecho primário foi a variação anual na função cognitiva global, avaliada por meio de testes de memória, velocidade de processamento e funções executivas durante o período de dois anos.

Os resultados mostraram que ambos os grupos apresentaram melhora, mas a intervenção estruturada proporcionou ganhos superiores: no grupo que recebeu orientação, a função cognitiva global aumentou em média 0,243 desvios padrão por ano versus 0,213 no grupo autodirigido, uma diferença modesta, mas estatisticamente significativa (0,029 desvios padrão; p = 0,008). Esse efeito foi consistente em diferentes subgrupos, independentemente de sexo, etnia, status de saúde cardiovascular ou presença do alelo APOE ε4, marcador genético de risco para Alzheimer.

Além disso, indivíduos com desempenho cognitivo mais baixo no início do estudo tiveram benefícios mais pronunciados. Em termos de segurança, a intervenção estruturada foi bem tolerada e resultou em menos eventos adversos graves do que a versão autodirigida, reforçando a viabilidade da sua implementação em larga escala.

Diálogo com a literatura internacional

Os achados do US POINTER dialogam com pesquisas internacionais prévias. O estudo FINGER, realizado na Finlândia e publicado no periódico The Lancet há 10 anos, já havia mostrado que uma intervenção multidomínio poderia reduzir o declínio cognitivo em idosos com maior risco, mas analisou uma população mais homogênea e relativamente pequena. Outros ensaios, como o MAPT na França, obtiveram resultados mais modestos, mas apontaram benefícios em subgrupos específicos, como indivíduos com maior risco cardiovascular. Mais recentemente, o ensaio chinês MIND-CHINA reforçou a importância de programas comunitários adaptados culturalmente, indicando que intervenções de baixo custo também podem ter impacto na preservação da cognição. Nesse contexto, o US POINTER acrescenta uma dimensão de diversidade populacional, pois incluiu participantes de diferentes etnias, o que amplia a generalização dos achados para a realidade dos EUA.

Implicações clínicas e perspectivas

As implicações clínicas são amplas. Em primeiro lugar, o estudo reforça que mudanças de estilo de vida podem de fato alterar trajetórias cognitivas em indivíduos vulneráveis, sustentando uma abordagem preventiva integrada para além da farmacoterapia. O fato de mesmo a versão autodirigida do programa ter levado a melhoras cognitivas sugere que qualquer incentivo estruturado para a adoção de hábitos saudáveis já traz benefício mensurável, embora o suporte intensivo seja mais eficaz. Isso abre portas para modelos híbridos de intervenção adaptados à disponibilidade de recursos locais e indica que, em sistemas de saúde sobrecarregados, a simples disponibilização de guias pode ser um avanço inicial. No entanto, a criação de programas estruturados em centros comunitários, com orientação e monitoramento, parece ser a estratégia mais eficaz para modificar riscos populacionais em larga escala.

Além disso, os dados do US POINTER corroboram a ideia de que a prevenção do declínio cognitivo deve ser iniciada precocemente, antes do surgimento de sintomas clínicos significativos. Esse ponto é particularmente relevante no contexto da falta de tratamentos farmacológicos curativos para Alzheimer e outros tipos de demência. Ao evidenciar que ganhos cognitivos são possíveis mesmo em idosos com risco elevado, o ensaio dá respaldo para políticas públicas que estabeleçam intervenções não farmacológicas como pilares da saúde cerebral.

A literatura reforça que o impacto pode ir além da cognição. O FINGER e o MIND-CHINA já haviam associado intervenções de estilo de vida à redução de fatores de risco cardiovasculares e metabólicos, sugerindo benefícios sistêmicos. O US POINTER deverá ainda analisar dados de biomarcadores, neuroimagem e função física nos próximos anos, o que poderá esclarecer mecanismos biológicos e confirmar a durabilidade dos efeitos observados. Se os resultados forem mantidos, a estratégia multidomínio poderá ser comparável, em termos de impacto populacional, a medidas clássicas de saúde pública, como o controle da hipertensão ou o combate ao tabagismo.

Em suma, o US POINTER oferece as evidências mais sólidas até o momento de que intervenções de estilo de vida, quando estruturadas e apoiadas por programas de suporte clínico, podem preservar a cognição em idosos com maior risco de demência. Embora os efeitos numéricos sejam modestos em nível individual, sua aplicação populacional pode ser um marco no combate ao aumento global de casos de demência. Ao lado de experiências internacionais, o estudo consolida a noção de que um estilo de vida saudável não apenas previne doenças cardiovasculares e metabólicas, mas também é fundamental para manter a saúde cerebral.

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