Todos os posts de admin

Quanto mais idiomas você fala, mais jovem seu cérebro pode parecer, indica pesquisa

O segredo para a juventude? Dominar mais de um idioma. Ao menos para a juventude do cérebro. Um estudo recente descobriu que quanto mais línguas você fala, mais jovem seu cérebro parece.

Para isso, os cientistas recrutaram 728 pessoas de diferentes idades do País Basco que falavam de um a quatro dos seguintes idiomas: espanhol, basco, francês e inglês.

Eles observaram a atividade cerebral dessas pessoas e usaram inteligência artificial para analisar os dados e criar um chamado “relógio de envelhecimento cerebral”. E usaram um relógio para avaliar a idade cerebral de um segundo grupo de 144 voluntários. O resultado foi surpreendente.

O cérebro de quem falava dois idiomas parecia cerca de seis anos mais jovem do que o de quem dominava apenas uma língua. Já o de quem falava três idiomas ganhava mais um ano de juventude, chegando a sete. Já o cérebro de quem falava quatro idiomas era 13 anos mais jovem.

Mas antes que você saia adicionando todos os idiomas disponíveis no Duolingo, fica aqui um disclaimer.  Segundo a pesquisadora que liderou a equipe, a idade com que se começa a estudar e o nível de proficiência da língua também influenciam a velocidade de envelhecimento do cérebro.

A equipe também planeja avaliar se idiomas parecidos podem potencializar esse efeito, já que o cérebro teria que se esforçar mais para diferenciá-los.

Por enquanto, os resultados desse estudo inicial foram apresentados no fórum anual da Federação das Sociedades Europeias de Neurociências. Ou seja, ele ainda não foi publicado ou revisado por pares.

Mas já dá para ver que aprender outro idioma tem bem mais vantagens do que simplesmente poder engordar o currículo ou se comunicar melhor.

Quer ter um cérebro turbinado e mais saudável em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital BrainHQ – que a NeuroForma Tecnologias oferece no Brasil e países de lingua portuguesa em parceria com a Posit Science (EUA), disponibiliza mais de 40 cursos e exercícios que ajudam a melhorar performance e a saúde do seu cérebro. Além do treino de velocidade cerebral, a plataforma disponibiliza treinamento de atenção, memória, habilidades sociais, resolução de problemas, entre outros. Somos uma plataforma completa de treinamento cognitivo para aprimorar as funções cerebrais.

Acesse e confira AQUI.

 

Seu cérebro é uma combinação de dois órgãos diferentes, diz novo estudo

Durante muito tempo, a ciência considerou que o cérebro se desenvolvia como um único órgão, formado a partir de uma célula progenitora comum. No entanto, um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, contesta esse modelo. O trabalho indica que as regiões frontal e posterior do cérebro surgem de dois tipos diferentes de células durante o desenvolvimento embrionário. Ou seja, seu cérebro é formado a partir de dois órgãos distintos, que evoluíram de forma independente por milhões de anos.

A descoberta indica que o sistema nervoso, que hoje funciona de maneira integrada, pode ter resultado da união, há centenas de milhões de anos, de duas estruturas ancestrais de células nervosas, que evoluíram separadamente. Esses resultados foram melhor descritos em um artigo publicado nesta sexta-feira (18) na revista Nature Neuroscience.

“Nossa pesquisa sugere que a evolução pegou dois sistemas neurais preexistentes e os uniu espacialmente”, pondera Kyle Loh, autor correspondente do estudo. “Ter o cérebro como um único órgão provavelmente seria mais eficiente, mas dependemos dessa forma primordial de formar o cérebro como duas partes separadas.”

Os dois cérebros dentro de você

A pesquisa tem como ponto central os momentos iniciais da formação do embrião, em uma fase conhecida como gastrulação. É nesse período que diferentes grupos de células começam a assumir destinos específicos e a formar as estruturas que formarão o organismo.

O cérebro adulto possui três grandes regiões: prosencéfalo, mesencéfalo e rombencéfalo. As funções são as seguintes:

 

  • O prosencéfalo corresponde à porção anterior e está associado a funções cognitivas mais complexas, como linguagem, consciência e raciocínio abstrato.
  • Já o mesencéfalo, localizado entre o prosencéfalo e o rombencéfalo, participa do controle de movimentos e de respostas a estímulos visuais e auditivos, além de atuar em mecanismos relacionados à atenção e ao estado de alerta.

O rombencéfalo, na parte posterior do cérebro, dá origem a estruturas envolvidas no controle de funções automáticas essenciais à sobrevivência, como respiração, sono, alimentação e batimentos cardíacos.

Na classificação adotada pelo estudo, prosencéfalo e mesencéfalo pertencem à porção anterior do cérebro e compartilham a mesma origem celular no desenvolvimento embrionário. O rombencéfalo, por outro lado, segue uma trajetória de desenvolvimento separada.

A equipe identificou, em embriões de camundongos, dois tipos distintos de células progenitoras. Uma delas apresentava expressão do gene Otx2 e estava destinada a formar o prosencéfalo e o mesencéfalo. A outra expressava o gene Gbx2, que dava origem ao rombencéfalo.

O aspecto decisivo, segundo o estudo, é que essas duas populações não se misturavam. Elas permaneciam separadas desde os estágios mais iniciais do desenvolvimento, seguindo caminhos paralelos em vez de uma única linhagem celular se dividir para formar todas as regiões do cérebro.

Para além disso, os cientistas encontraram ainda diferenças na cromatina, estrutura que organiza o DNA dentro das células e ajuda a determinar quais genes podem ser ativados ou permanecer inacessíveis. Na prática, isso significa que as células destinadas às regiões anterior e posterior do cérebro já apresentavam configurações moleculares diferentes, o que contribuía para direcioná-las a destinos distintos.

Descoberta explica um problema de décadas

A nova explicação também ajuda a entender por que pesquisadores enfrentaram tantas dificuldades para produzir em laboratório neurônios do rombencéfalo humano.

“Tentativas anteriores de criar neurônios no rombencéfalo provavelmente tentaram induzir progenitores do prosencéfalo e do mesencéfalo a se transformarem em células do rombencéfalo, o que nosso estudo mostra ser impossível”, afirma Rayyan Jokhai, autor do trabalho, em comunicado.

Essa hipótese foi testada novamente com células humanas. Os pesquisadores utilizaram células-tronco pluripotentes, capazes de originar praticamente qualquer tipo de célula do organismo, e aplicaram o conhecimento sobre as duas linhagens embrionárias para direcioná-las ao desenvolvimento de neurônios do rombencéfalo.

O resultado foi a produção, pela primeira vez, de neurônios motores funcionais dessa região. As células apresentaram atividade elétrica característica dos neurônios e produziram proteínas associadas a segmentos responsáveis pelo controle dos músculos faciais e da deglutição.

“Na biologia das células-tronco, as pessoas estão sempre focadas em criar o tipo celular final, como o neurônio. Mas é importante começar nos estágios iniciais do desenvolvimento embrionário”, avalia Jokhai.

Dois sistemas nervosos que acabaram unidos

Além de acompanhar o desenvolvimento de camundongos e de células humanas, os pesquisadores buscaram indícios de que essa divisão poderia ser muito mais antiga do que a própria espécie humana.

Para tanto, a equipe analisou embriões de galinhas, peixes-zebra e vermes-bolota. Em todos esses casos, os cientistas encontraram um padrão semelhante de formação do sistema nervoso a partir de duas populações diferentes de células progenitoras.

A semelhança entre espécies tão distintas sugere que essa característica pode remontar a pelo menos 550 milhões de anos, segundo a pesquisa. A análise evolutiva também levou os cientistas a observarem as águas-vivas, que seguiram uma trajetória diferente. Esses animais divergiram da linhagem que levaria aos humanos há cerca de 600 milhões a 700 milhões de anos e possuem dois sistemas nervosos localizados em regiões diferentes do corpo.

Essa interpretação também pode lançar luz sobre a evolução das capacidades cognitivas. De acordo com Loh, pesquisador que assina o estudo, enquanto o sistema nervoso posterior permanecia responsável por funções básicas de manutenção da vida, o desenvolvimento separado do prosencéfalo poderia ter permitido alterações e especializações nessa região ao longo do tempo.

Possíveis impactos para ELA, AME e outras doenças

Os pesquisadores também conseguiram aplicar esse conhecimento para produzir, em laboratório, neurônios motores funcionais do rombencéfalo humano (região ligada ao controle de funções vitais, como respiração, sono, alimentação e batimentos cardíacos). Esse avanço pode facilitar o estudo de doenças neurológicas que afetam essas células, como a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e a atrofia muscular espinhal (AME).

A capacidade de cultivar neurônios do rombencéfalo em laboratório pode ter consequências importantes para a pesquisa biomédica. Até agora, uma das limitações era a dificuldade de obter tecido correspondente ao tronco encefálico de pacientes vivos para estudar diretamente como determinadas doenças afetam essas células.

Na AME, uma doença genética grave que está entre as principais causas genéticas de morte de crianças com menos de 1 ano, determinados neurônios motores deixam de funcionar progressivamente. Já a ELA, doença neurodegenerativa que costuma ser diagnosticada entre os 40 e os 70 anos, também compromete neurônios motores.

Quer ter um cérebro turbinado e mais saudável em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital BrainHQ – que a NeuroForma Tecnologias oferece no Brasil e países de lingua portuguesa em parceria com a Posit Science (EUA), disponibiliza mais de 40 cursos e exercícios que ajudam a melhorar performance e a saúde do seu cérebro. Além do treino de velocidade cerebral, a plataforma disponibiliza treinamento de atenção, memória, habilidades sociais, resolução de problemas, entre outros. Somos uma plataforma completa de treinamento cognitivo para aprimorar as funções cerebrais.

Acesse e confira AQUI.

 

 

Pessoas falam menos a cada ano, e especialistas veem riscos para o cérebro

Era comum ir à casa de alguém só para conversar. No intervalo das aulas, passar tempo com um colega e colocar o papo em dia. Na casa dos pais ou dos avós, atualizar os assuntos da semana. Mas, com a popularização dos celulares, das redes sociais e dos aplicativos de mensagem, essas conversas passaram a caber em uma tela.

Uma análise publicada neste ano na revista Perspectives on Psychological Science calcula que, entre 2005 e 2019, houve uma redução de 338 palavras faladas por dia a cada ano. Ao longo de 12 meses, essa perda diária equivale a mais de 120 mil palavras a menos. No período, a queda estimada chegou a cerca de 28%.

Os autores não apontam uma causa definida para a redução da fala, mas levantam a possibilidade de relação com o avanço da comunicação digital no período. Entre os menores de 25 anos, maiores usuários dessas ferramentas, a queda anual foi 44% maior que entre os adultos mais velhos.

“As pessoas saem menos de casa e, mesmo quando saem, num jantar, por exemplo, sempre estão com o celular e dão uma olhadinha no Instagram, no WhatsApp, no TikTok, e acabam conversando menos”, afirma a fonoaudióloga Luciana Macedo de Rezende, professora na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A especialista aponta que a própria troca de mensagens contribui para uma comunicação com menos palavras, marcada por abreviações e gírias, comportamento que afeta especialmente os jovens. A Folha mostrou, em maio, que gírias da geração Z desafiam a comunicação com as mães, por exemplo.

Mas por que a redução das conversas no dia a dia pode ser preocupante?

Uma conversa presencial é uma tarefa cognitiva complexa. Enquanto ouve o que o outro diz, a pessoa precisa compreender as palavras, acompanhar o contexto, formular uma resposta e perceber elementos como entonação, ritmo da fala, expressões faciais e gestos.

Isso mobiliza habilidades relacionadas à linguagem, à memória, à atenção e às funções executivas, afirma a fonoaudióloga Bárbara Costa Beber, professora na UFCSPA (Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre).

Para o neurologista Fábio Henrique Porto, presidente da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer), a preocupação é que uma menor exposição à linguagem ao longo da vida possa significar menos estímulo a essas habilidades e, consequentemente, ter algum impacto sobre a chamada reserva cognitiva —capacidade do cérebro manter as funções cognitivas mesmo diante de alterações causadas pelo envelhecimento ou por doenças.

Ainda não há evidência de que a redução das conversas observada atualmente esteja diminuindo a reserva cognitiva, que pode retardar o aparecimento de sintomas de demência. Mas Porto afirma que ela é construída ao longo da vida e que hábitos mantidos desde a juventude podem ter repercussões no envelhecimento. “O que eu faço hoje vai importar daqui a 20 anos”, diz.

A menor frequência da fala e, por consequência, das interações sociais também pode estar associada ao isolamento social, fator de risco para ansiedade e depressão em todas as idades e, entre idosos, ao declínio cognitivo e às demências, como a doença de Alzheimer.

Segundo o relatório de 2024 da Comissão Lancet sobre prevenção, intervenção e cuidado da demência, a eliminação do isolamento social na população poderia teoricamente prevenir ou adiar 5% de todos os casos de demência. O contato social, segundo o artigo, ajuda a preservar a reserva cognitiva e a estimular hábitos saudáveis, de modo que sua falta enfraquece essa proteção.

A psicóloga Flávia Marsola Cembranel, do Hospital Brasília, destaca que conversar não serve apenas para transmitir informações, mas também para criar conexão. “Relações não são construídas apenas por grandes conversas ou por momentos que são importantes, elas são sustentadas por pequenos contatos que são repetidos ao longo do tempo”, diz.

Rezende reconhece a importância das redes sociais e das telas em geral para a comunicação e a veiculação de informações, por exemplo. Mas afirma que é importante monitorar o tempo de uso e buscar alternativas no dia a dia para manter a interação social.

“É muito cômodo você ficar lá rolando nos vídeos infinitos, quando vê já passou duas horas do dia. O problema não é a rede em si, é o tempo que a pessoa passa na rede. Manda mensagem, mas quando possível liga também para conversar com a pessoa”, acrescenta.

A preocupação é maior entre crianças e jovens porque, quanto mais cedo ocorre a redução das interações, por mais tempo seus possíveis efeitos podem acompanhar o desenvolvimento cerebral, afirma Beber.

No curto prazo, não falar pode trazer um alívio. O problema é que esse alívio pode reforçar a própria evitação. Quanto menos a pessoa se expõe às interações, menos oportunidades ela tem de perceber que consegue conversar, tolerar desconforto, cometer uma pequena gafe e continuar presente ali

Um estudo publicado em 2020 na revista Jama Pediatrics analisou 42 pesquisas, com 18.905 crianças, e mostrou que maior tempo de tela estava associado a menores habilidades de linguagem.

A redução das conversas também pode afetar as próprias habilidades de comunicação. Vocabulário, fluência, formulação de frases e a capacidade de iniciar e manter uma conversa são desenvolvidos com a prática.

“Se a gente fala menos, conversa menos, as nossas habilidades conversacionais e de interação também vão ser limitadas”, diz Beber.

Cembranel acrescenta que falar cada vez menos pode criar um ciclo em que a pessoa passa a evitar ainda mais interações.

Quer ter um cérebro turbinado e mais saudável em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital BrainHQ – que a NeuroForma Tecnologias oferece no Brasil e países de lingua portuguesa em parceria com a Posit Science (EUA), disponibiliza mais de 40 cursos e exercícios que ajudam a melhorar performance e a saúde do seu cérebro. Além do treino de velocidade cerebral, a plataforma disponibiliza treinamento de atenção, memória, habilidades sociais, resolução de problemas, entre outros. Somos uma plataforma completa de treinamento cognitivo para aprimorar as funções cerebrais.

Acesse e confira AQUI.

Taxistas raramente sofrem de Alzheimer, mostra estudo: mapas mentais complexos e raciocínio espacial protegem o cérebro

Motoristas de táxi e de ambulância têm menos probabilidade do que trabalhadores de quase qualquer outra profissão de morrer de doença de Alzheimer. Esse foi o surpreendente resultado de um estudo de 2024 que examinou as certidões de óbito de quase 9 milhões de pessoas nos Estados Unidos.

A descoberta chamou minha atenção imediatamente porque essas duas profissões dependem da mesma ferramenta que o meu trabalho: mapas.

Passei mais de duas décadas olhando para mapas. Não mapas de papel pendurados na parede, mas versões digitais com múltiplas camadas: áreas sujeitas a enchentes sobrepostas a setores censitários, pontos críticos de acidentes de trânsito comparados à geometria das vias e dados de satélite sobre precipitação distribuídos por bacias hidrográficas. Grande parte do meu trabalho como engenheiro civil e ambiental é realizada por meio de Sistemas de Informação Geográfica (SIG ou GIS, na sigla em inglês). Engenheiros como eu mantêm simultaneamente diversas relações espaciais na mente, raciocinando sobre onde as coisas estão em relação umas às outras em escalas que vão de um quarteirão a uma bacia hidrográfica inteira.

Sempre imaginei que esse raciocínio espacial entre camadas de mapas fosse apenas uma exigência profissional. Mas o estudo sobre motoristas de táxi e ambulância me fez pensar se todo esse trabalho mental não estaria trazendo algum benefício para o cérebro.

O cérebro dos taxistas

Entre as 9 milhões de certidões de óbito analisadas pelos pesquisadores, referentes ao período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022, motoristas de táxi e de ambulância apresentaram o menor risco de morrer de Alzheimer entre 443 ocupações avaliadas. Após ajustes por idade, sexo, raça, etnia e escolaridade, cerca de 1 em cada 100 desses profissionais morreu em decorrência da doença, contra aproximadamente 1 em cada 60 pessoas na população geral.

Esse padrão não foi observado em outras profissões ligadas à direção de veículos. Os pesquisadores concluíram que o fator protetor não era dirigir em si, mas a navegação contínua em tempo real: o trabalho constante de localizar-se no espaço, acompanhar um destino e atualizar um mapa mental conforme as condições mudam.

Profissionais que dependem de rotas fixas ou predeterminadas, como motoristas de ônibus e pilotos de avião, não pareciam apresentar a mesma vantagem.

Os pesquisadores acreditam que a associação entre ocupações que exigem intensa navegação e menor risco de Alzheimer esteja relacionada ao hipocampo, região do cérebro responsável pela memória e pela navegação espacial. Trata-se de uma das primeiras áreas cerebrais afetadas pela doença: dificuldades de orientação e navegação espacial estão entre os sinais mais precoces do Alzheimer, às vezes surgindo antes das perdas de memória mais evidentes.

Em um estudo clássico publicado em 2000, neurocientistas compararam o cérebro de taxistas licenciados de Londres com o de pessoas que não trabalhavam dirigindo táxis. Os resultados forneceram as primeiras evidências obtidas por neuroimagem de que regiões do cérebro adulto podem sofrer mudanças mensuráveis sob demanda constante de navegação.

Para obter a licença, os taxistas londrinos precisam memorizar mais de 25 mil ruas em um raio de cerca de 10 quilômetros a partir de Charing Cross, um desafio conhecido como The Knowledge (“O Conhecimento”), cuja preparação leva de três a quatro anos.

Os pesquisadores descobriram que os taxistas apresentavam maior volume de substância cinzenta no hipocampo posterior, área cerebral associada ao armazenamento de mapas espaciais em grande escala. Esse volume estava relacionado à experiência: quanto mais tempo a pessoa trabalhava como taxista, maior era essa região do cérebro.

A mudança era resultado da prática, e não de uma característica inata. Embora pessoas naturalmente boas em navegação possam ser atraídas para esse tipo de profissão, o trabalho em si também exerce influência sobre o cérebro.

Juntos, esses dois estudos sustentam uma hipótese consistente: atividades que exercitam intensamente o hipocampo podem remodelá-lo, e essa remodelação talvez ajude a proteger contra uma das doenças mais temidas do envelhecimento.

Onde entram os especialistas em mapas?

Cartógrafos, urbanistas e analistas geoespaciais passam seus dias de trabalho envolvidos em raciocínio espacial contínuo.

Um especialista em sistemas de informação geográfica pode, por exemplo, sobrepor dados populacionais a mapas de áreas sujeitas a enchentes para identificar quem está em risco ou utilizar imagens de satélite para mapear a cobertura do solo após um incêndio florestal. Pesquisadores lidam simultaneamente com várias camadas de dados, sistemas de coordenadas e escalas diferentes.

Mas será que o raciocínio espacial realizado diante de uma tela ativa o hipocampo da mesma forma que a navegação em uma cidade real?

Enquanto um taxista navega a partir da perspectiva de quem está dentro do ambiente, ao nível da rua, profissionais que utilizam GIS visualizam o espaço de cima, na forma de mapas, algo que cientistas cognitivos chamam de raciocínio alocêntrico. Apesar disso, essas duas perspectivas se sobrepõem no cérebro: o hipocampo também constrói mapas mentais a partir de pontos de vista externos, e não apenas da posição do próprio navegador.

Pesquisas sobre mapas cognitivos apontam para a mesma direção do estudo dos taxistas. Em 2023, cientistas aplicaram um modelo de aprendizado de máquina a dados de mais de 22.500 pessoas e conseguiram prever, com 84% de precisão, quais códigos postais apresentavam taxas mais elevadas de Alzheimer com base na complexidade espacial do ambiente.

Pessoas que viviam em locais espacialmente complexos, como áreas com redes viárias densas, muitas interseções, diferentes pontos de interesse, marcos urbanos e múltiplas opções de trajeto, apresentavam menor probabilidade de desenvolver a doença.

Um estudo posterior associou a complexidade geoespacial do ambiente a um maior volume das regiões cerebrais ligadas à navegação espacial. Os pesquisadores levantaram a hipótese de que construir mapas cognitivos rotineiramente exercita justamente os circuitos neurais atacados primeiro pelo Alzheimer. O uso frequente desses sistemas cognitivos poderia ajudar a retardar os sintomas da doença.

No entanto, esses estudos analisaram o local onde as pessoas vivem, e não o trabalho que desempenham. Ainda não se sabe se o raciocínio espacial realizado por meio de uma tela ativa os mesmos circuitos cerebrais envolvidos na navegação em ambientes reais.

Protegendo o cérebro

As implicações dessa possível relação entre raciocínio espacial e proteção cerebral vão muito além dos cartógrafos e motoristas de táxi.

Diversos estudos já identificaram uma associação entre profissões intelectualmente complexas e um declínio cognitivo mais lento, além de menor risco de demência, mesmo após considerar fatores como nível educacional.

O conceito de reserva cognitiva, que descreve a capacidade do cérebro de continuar funcionando apesar da presença de uma doença, ajuda a explicar por que duas pessoas com um grau semelhante de alterações cerebrais podem apresentar níveis muito diferentes de comprometimento cognitivo.

Se o pensamento espacial exigente realmente ajuda a proteger o cérebro, então a forma como sociedades organizam a educação, a formação profissional e até a aposentadoria passa a ser também uma questão de saúde cerebral.

A boa notícia é que o raciocínio espacial pode ser treinado, e oportunidades para esse treinamento já são amplamente disponíveis. O ensino de geoprocessamento, sistemas de informação geográfica e sensoriamento remoto está presente em cursos de geografia, engenharia, saúde pública e ciências ambientais em diversas partes do mundo.|

Se o engajamento contínuo em atividades de raciocínio espacial realmente ajuda o cérebro a fortalecer os circuitos neurais atacados primeiro pelo Alzheimer, seu valor vai muito além das competências técnicas que desenvolve.

Quer ter um cérebro turbinado e mais saudável em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital BrainHQ – que a NeuroForma Tecnologias oferece no Brasil e países de lingua portuguesa em parceria com a Posit Science (EUA), disponibiliza mais de 40 cursos e exercícios que ajudam a melhorar performance e a saúde do seu cérebro. Além do treino de velocidade cerebral, a plataforma disponibiliza treinamento de atenção, memória, habilidades sociais, resolução de problemas, entre outros. Somos uma plataforma completa de treinamento cognitivo para aprimorar as funções cerebrais.

Acesse e confira AQUI.

*Hatim Sharif é professor de Engenharia Civil e Ambiental na Universidade do Texas, em San Antonio.

Tocar um instrumento ajuda a manter o cérebro afiado no envelhecimento, diz estudo

Estudo publicado na revista PLOS Biology apontou que tocar um instrumento por muitos anos pode ajudar adultos idosos a compreender melhor a conversa em locais barulhentos. A habilidade, portanto, seria um meio de combater uma consequência comum do envelhecimento: o declínio das capacidades sensoriais e mentais.

A maneira como usamos os sentidos para captar informações que serão processadas pela mente depende de conexões ativas entre áreas do cérebro. Chamada de conectividade funcional, essa atividade mobiliza o sistema nervoso a recrutar seus recursos cognitivos.

Segundo a ciência, algumas tarefas que solicitam alto processamento mental, como falar mais de um idioma, aprender música e alcançar alta escolaridade constroem a chamada reserva cognitiva, uma “poupança” do cérebro para enfrentar o envelhecimento com integridade.

Para investigar essa questão, os pesquisadores usaram ressonância magnética funcional para medir a atividade cerebral de 25 músicos idosos, 25 idosos não músicos e 24 jovens não músicos. Os participantes foram instruídos a identificar sílabas faladas no meio do ruído.

A análise focou nas respostas neurais do fluxo auditivo dorsal, que inclui áreas auditivas, parietais inferiores e motoras frontais. Essa área é responsável pela associação som-ação e integração sensório-motora no processamento da fala.

Os resultados mostraram um declínio relacionado à idade menos acentuado no desempenho em tarefas de fala com ruído entre os músicos idosos, em comparação com os idosos não músicos.

De acordo com o estudo, os músicos idosos exibiram um padrão de conectividade que se assemelha ao dos jovens não músicos, especialmente no lado direito do fluxo auditivo dorsal. E essa conectividade estava associada ao desempenho na tarefa.

Além disso, o padrão espacial de conectividade funcional dos músicos mais velhos foi mais próximo ao dos jovens, enquanto os idosos não músicos apresentaram um padrão mais desorganizado.

A pesquisa, liderada por Claude Alain, da Baycrest Academy for Research and Education, no Canadá, e Yi Du, da Academia Chinesa de Ciência, sugere que a reserva cognitiva adquirida no treinamento musical ajuda a manter um padrão de conectividade funcional mais “jovem”. Em vez de simplesmente compensar perdas cognitivas relacionadas à idade, essa reserva pode preservar a integridade e a arquitetura funcional das redes neurais, combatendo o declínio do envelhecimento.

“Assim como um instrumento bem afinado não precisa ser tocado mais alto para ser ouvido, os cérebros dos músicos idosos permanecem afinados graças a anos de prática. Nosso estudo mostra que essa experiência musical constrói reserva cognitiva, ajudando o cérebro a evitar o esforço excessivo típico da idade quando tenta entender a fala em locais barulhentos”, disse Yi Du. “Assim como um instrumento bem afinado não precisa ser tocado mais alto para ser ouvido, os cérebros dos músicos idosos permanecem afinados graças a anos de prática. Nosso estudo mostra que essa experiência musical constrói reserva cognitiva, ajudando o cérebro a evitar o esforço excessivo típico da idade quando tenta entender a fala em locais barulhentos.”|

Tocar piano

 

Tocar piano, por exemplo, de acordo com pesquisadores da Escola de Medicina Hanover, na Alemanha, e da Universidade de Genebra, na Suíça, a partir dos 60 anos, pode ajudar a fortalecer a substância branca do cérebro, que se degrada quando os problemas de memória e concentração, característicos da doença, se instalam.

Os pesquisadores recrutaram 121 pessoas, na faixa dos sessenta e setenta anos de idade, que nunca haviam tocado um instrumento musical. Metade dos voluntários deveria realizar aulas semanais de piano, com uma hora de duração, ao longo de seis meses. Eles também deveriam praticar o instrumento diariamente, por pelo menos meia hora, durante esse período.

A outra metade dos participantes apenas assistiu apresentações semanais sobre diferentes tipos de música e foi incentivada a ouvir diferentes gêneros musicais. Durante o período do estudo, esse grupo foi impedido de tocar, cantar ou até mesmo bater palmas.

Todos os participantes foram submetidos a exames de imagem cerebral no início e no fim do experimento, que analisou alterações no fórnix, região que desempenha um papel importante na cognição e na memória.

Os resultados do exame final revelaram que os alunos que fizeram aulas de piano perderam pouco ou nada da densidade de substância branca nessa região, sugerindo que não houve declínio na função cerebral. Por outro lado, aqueles que apenas ouviram música, tiveram um declínio significativo na densidade da substância branca, aumentando a probabilidade de desenvolver demência e problemas de memória.

Quer ter um cérebro turbinado e mais saudável em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital BrainHQ – que a NeuroForma Tecnologias oferece no Brasil e países de lingua portuguesa em parceria com a Posit Science (EUA), disponibiliza mais de 40 cursos e exercícios que ajudam a melhorar performance e a saúde do seu cérebro. Além do treino de velocidade cerebral, a plataforma disponibiliza treinamento de atenção, memória, habilidades sociais, resolução de problemas, entre outros. Somos uma plataforma completa de treinamento cognitivo para aprimorar as funções cerebrais.

Acesse e confira AQUI.

 

O cérebro na era das notificações: batalha por atenção afeta o funcionamento do órgão

 

Vivemos na era das multinotificações. Com o desenvolvimento da tecnologia, os smartphones dominaram o mercado e agora acompanham o usuário do momento em que ele acorda até a hora de dormir. Na tela, a cada minuto brotam lembretes de emails, comentários em redes sociais, notícias, aplicativos mostrando que música está tocando, compromissos e promoções.

Hoje, se troca de aplicativo com um movimento do dedo, aceleramos vídeos em que as pessoas aparentemente falam muito devagar e é difícil manter a atenção por mais de um minuto e chegar ao fim de um texto breve sem algum esforço.

Estudos recentes mostram que uma pessoa normal desbloqueia o celular mais de 100 vezes por dia. Nem sempre por que apareceu uma notificação — agora, estamos condicionados a dar uma olhadinha no aparelho mesmo sem que ele chame nossa atenção.

A comunidade científica está interessada em entender o que está acontecendo. Uma pesquisa publicada na revista Scientific Reports em 2023 colocou jovens adultos para fazer um teste de concentração. Parte deles, com o celular perto, e o restante, sem o apoio emocional do aparelho.

Os resultados indicaram pior desempenho quando o smartphone estava presente, sugerindo que ele consome parte dos recursos cognitivos disponíveis, mesmo quando não está sendo utilizado.

Por outro lado, um levantamento de 2025 publicado na revista European Journal in Health Psychology and Education aponta que essa relação não é tão direta. Os pesquisadores não encontraram diferença significativa no desempenho só por causa da presença do aparelho, mas pessoas com uso mais intenso do smartphone cometeram um pouco mais de erros.

Na prática, os dados indicam que o problema não está apenas em ter o celular por perto, mas em como ele é usado no dia a dia. Uma coisa é certa: o aparelho mudou o nosso cérebro e como o ser humano interage com o mundo.

Hiperestimulação não é só tempo de tela

Para tentar explicar esta nova fase do desenvolvimento humano, foi criado o conceito de hiperestimulação cognitiva. Ele descreve situações em que o cérebro é exposto a um volume e a uma velocidade de estímulos acima da sua capacidade de processá-los — algo que está mais ligado à forma de uso do que ao tempo total diante das telas. É o famoso brain rot, ou cérebro “podre”, que parece “desligar” quanto se vê superestimulado.

“A alternância constante entre redes sociais, mensagens, vídeos curtos e notificações reduz as oportunidades de atenção sustentada e de elaboração do que foi recebido”, explica o psiquiatra Antônio Egidio Nardi, professor da Faculdade de Medicina e no Instituto de Psiquiatria (IPUB) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

Apesar disso, ele destaca que o tempo de tela, isoladamente, não explica o fenômeno. “Duas pessoas podem passar seis horas diante de uma tela e ter experiências completamente diferentes. Uma pode estudar ou escrever de forma concentrada. Outra pode alternar centenas de vezes entre conteúdos curtos. O segundo caso impõe muito mais mudanças rápidas de foco”, afirma.

O cérebro evoluiu ao longo dos tempos para focar em uma tarefa e descansar antes de passar para a próxima. Porém, hoje isso é impossível: a atenção é demandada em vários lugares ao mesmo tempo e o órgão deixa de operar em ciclos mais longos de concentração e para trabalhar em fragmentos, com interrupções frequentes.

Close-up das mãos de um hipster usando um smartphone com tela sensível ao toque; cores vintage. Metrópoles
Uso excessivo de telas está associado a piora da saúde mental e da concentração

Recompensa, novidade e repetição moldam o hábito

O funcionamento das plataformas digitais também contribui para essa dinâmica. Segundo a psicóloga Maria Clotilde Tavares, professora do departamento de Ciências Fisiológicas da Universidade de Brasília (UnB), o ambiente online opera com recompensas imprevisíveis, que estimulam a busca constante por novidade.

“A cada rolagem de tela há a expectativa de encontrar algo interessante, o que gera pequenos picos de dopamina”, aponta.

Com a exposição frequente, o cérebro se adapta. A tendência é que estímulos mais lentos percam atratividade, enquanto conteúdos rápido dominam a atenção. “A pessoa passa a precisar de estímulos mais intensos e rápidos para manter o mesmo nível de engajamento”, afirma.

O psiquiatra Nardi ressalta que o fenômeno não deve ser simplificado. A dopamina não está ligada apenas ao prazer: ela participa da motivação e da aprendizagem por recompensa.

“O problema é a combinação de recompensa imprevisível, novidade e repetição, que reforça o comportamento de verificar o celular constantemente”, explica. Segundo ele, notificações, curtidas e conteúdos novos funcionam como recompensas que não seguem um padrão fixo, o que aumenta a tendência de checar o aparelho várias vezes ao longo do dia.

 

Esse tipo de estímulo, rápido e facilmente acessível, acaba condicionando a busca frequente por novidade e gratificação imediata. Como consequência, atividades que exigem mais tempo e concentração, como ler um texto longo ou estudar, podem parecer menos atrativas.

O mecanismo ajuda a explicar um comportamento comum na rotina. A pessoa pega o celular para uma tarefa rápida e, quando percebe, já passou um longo período rolando a tela. A atenção se desvia do objetivo inicial — o desenho das redes é feito para garantir que o usuário ficará o máximo possível dentro o aplicativo, ainda que sem absorver nenhuma informação.

A dificuldade de concentração também está relacionada à forma como a atenção é exercitada. Segundo Maria Clotilde, trata-se de uma habilidade que depende de treino contínuo.

“A alternância constante entre conteúdos curtos reduz a necessidade de reter informações por mais tempo. Tarefas longas exigem esforço deliberado e não oferecem recompensa imediata, o que faz o cérebro evitá-las”, destaca.

 

Esse comportamento aparece na rotina. Atividades como leitura prolongada, estudo ou trabalho sem interrupções passam a exigir mais esforço. Ao mesmo tempo, cresce a tendência de buscar distrações a cada sinal de tédio.


Dicas para manter o foco ao estudar ou trabalhar

  • Escolha um ambiente que o ajude a se concentrar. Vale usar fone de ouvido, virar a mesa para a parede ou escolher uma sala silenciosa.
  • Feche abas ou recursos que não são necessários para a atividade.
  • Estabeleça metas claras, o cérebro precisa de objetivos definidos para manter o foco.
  • Divida tarefas longas em várias fases e faça pequenos intervalos ao terminar cada uma.
  • Faça perguntas a si mesmo sobre o conteúdo que está lendo, pense em como organizar as informações em um resumo.
  • Acabe com o modo multitarefa e foque em concluir uma tarefa antes de começar a próxima.
  • Fique longe do celular: algumas pessoas colocam o aparelho em outro cômodo, ou dentro de uma gaveta. De toda forma, desligue as notificações.
  • Práticas como a meditação ajudam a manter a atenção e reduzir a suscetibilidade a distrações.
  • Durma bem. O sono de qualidade é essencial para o funcionamento do cérebro e restauração cognitiva.

Efeitos se conectam ao sono e à ansiedade

O uso intenso de tecnologias também está associado a sintomas como ansiedade, irritabilidade e dificuldade de foco. Segundo Nardi, essa relação ocorre em dois sentidos. “O ambiente digital pode intensificar os sintomas, enquanto pessoas mais ansiosas ou impulsivas tendem a usar mais as ferramentas”, afirma.

Entre os fatores envolvidos estão a disponibilidade permanente, a expectativa por respostas rápidas e a interrupção constante das atividades. A comparação com outras pessoas nas redes e o medo de perder algo importante também contribuem para esse cenário, aumentando a sensação de urgência e de vigilância contínua.

Esse comportamento tem reflexos diretos no bem-estar. Uma pesquisa Datafolha de 2022, que ouviu mais de 2 mil brasileiros, apontou que o uso intenso de redes sociais está associado a sentimentos como cobrança para se manter ativo online, medo de julgamento e insatisfação com a própria vida. Esses fatores, quando somados, podem favorecer quadros de ansiedade e depressão.

O uso do celular à noite é outro ponto crítico. A exposição prolongada às telas pode prejudicar o sono, tanto pela estimulação mental quanto pela dificuldade de se desconectar. “Privação de sono, ansiedade e dificuldade de concentração frequentemente se retroalimentam”, diz Nardi.

 

Essa relação também aparece em estudos científicos. Uma revisão publicada em 2024 na revista Springer indica que o uso de redes sociais está ligado à piora da qualidade do sono e a alterações na saúde mental, especialmente entre jovens. Os autores destacam que o efeito não depende apenas do tempo de uso, mas também da forma como as plataformas são consumidas e do envolvimento emocional do usuário.

Na prática, pessoas expostas a estímulos rápidos por longos períodos podem apresentar distração, impaciência, dificuldade para realizar tarefas mais repetitivas e problemas de organização. Esse conjunto de sinais pode lembrar quadros de déficit de atenção, mas os especialistas fazem uma distinção importante.

“Hiperestimulação digital não é sinônimo de TDAH”, afirma o psiquiatra. O transtorno tem base no neurodesenvolvimento e não pode ser explicado apenas pelo uso de telas.

Capacidade de foco pode ser treinada novamente

Apesar dos efeitos observados, a capacidade de atenção não está perdida de forma permanente. A psicóloga Giana Bitencourt Frizzo, professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), explica que o cérebro responde às mudanças de hábito ao longo da vida.

“A atenção sustentada pode ser recuperada com intervenções, embora não seja um processo simples”, diz.

Segundo ela, a capacidade de manter o foco é desenvolvida desde a infância e depende de prática. Crianças que se acostumam a alternar rapidamente entre conteúdos tendem a ter mais dificuldade para sustentar a atenção em atividades mais longas, como leitura ou tarefas escolares. Esse mesmo mecanismo pode se repetir na vida adulta.

“Quando a pessoa se habitua a estímulos muito rápidos, ela passa a ter mais dificuldade de ficar concentrada em uma única tarefa por mais tempo”, explica.

 

A reversão desse quadro é possível, mas exige mudanças consistentes na rotina. E, segundo a psicóloga, não se trata apenas de reduzir o tempo de tela. “Não basta retirar o celular. É preciso preencher esse tempo com outras atividades”, ressalta.

Mulher jovem e sorridente vestindo top esportivo e leggings, praticando exercícios enquanto olha alegremente para a câmera em um tapete de ioga num parque da cidade. Metrópoles
Atividade física ajuda a manter o cérebro ativo e favorece foco e memória

Entre as estratégias apontadas estão a prática regular de atividade física, a criação de momentos do dia sem uso de telas e a reorganização de hábitos cotidianos. Situações simples, como evitar o celular durante as refeições ou antes de dormir, já fazem diferença.

A chamada higiene do sono aparece como um dos pontos centrais. O uso do celular à noite mantém o cérebro em estado de alerta e dificulta o relaxamento necessário para o descanso. Além disso, a recomendação é incluir atividades que estimulem a atenção por mais tempo, como leitura, esportes ou interações presenciais. A ideia é substituir parte dos estímulos rápidos por experiências que exigem maior envolvimento.

Sem essa troca, a tendência é manter o mesmo comportamento. Por isso, a mudança passa não só por reduzir o uso, mas por reorganizar a rotina.

Caminhos práticos para recuperar o foco

Os especialistas também apontam medidas que podem ser incorporadas no dia a dia. Uma delas é criar barreiras físicas para o uso do celular, como deixá-lo em outro ambiente durante tarefas que exigem concentração.

Outra estratégia é reduzir estímulos, desativando notificações não essenciais. Também é recomendado organizar períodos de trabalho em blocos de monotarefa, com pausas curtas entre eles. “A recuperação do foco envolve mudanças no ambiente e no comportamento”, afirma Maria Clotilde.

Treinar a tolerância ao tédio também faz parte do processo. Evitar recorrer ao celular em momentos de espera ajuda o cérebro a se readaptar a ritmos menos acelerados.

Quer ter um cérebro turbinado e mais saudável em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital BrainHQ – que a NeuroForma Tecnologias oferece no Brasil e países de lingua portuguesa em parceria com a Posit Science (EUA), disponibiliza mais de 40 cursos e exercícios que ajudam a melhorar performance e a saúde do seu cérebro. Além do treino de velocidade cerebral, a plataforma disponibiliza treinamento de atenção, memória, habilidades sociais, resolução de problemas, entre outros. Somos uma plataforma completa de treinamento cognitivo para aprimorar as funções cerebrais.

Acesse e confira AQUI.

 

 

O cérebro não deve ficar parado

A demência não começa necessariamente quando alguém esquece um nome, repete uma pergunta ou se perde no caminho de casa. Pode começar décadas antes, na pressão alta sem controle, no cigarro que parecia apenas um hábito, no diabetes mal tratado, na perda auditiva ignorada, no isolamento social que virou rotina e nos dias em que o corpo quase não se mexeu.

Durante muito tempo, a demência foi tratada como uma sentença escrita pela idade ou pela genética. Como se o cérebro envelhecesse sozinho, trancado dentro do crânio, imune ao que acontece no resto do corpo. A ciência tem mostrado outra história. O cérebro envelhece junto com as artérias, com o sono, com o metabolismo, com os músculos, com os vínculos sociais e até com o ar que respiramos.

Em julho de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou novas diretrizes para redução do risco de declínio cognitivo e demência. O dado que mais chama atenção é este: até 45% do risco de demência pode estar relacionado a fatores modificáveis. Não significa que exista uma fórmula capaz de impedir quase metade dos casos em qualquer pessoa. É uma estimativa populacional, baseada na soma de vários fatores ao longo da vida. Mas o recado é poderoso: a demência não deve ser vista apenas como destino inevitável. Existe uma parte da história sobre a qual podemos agir.

Entre esses fatores estão tabagismo, álcool, isolamento social, inatividade física, poluição do ar, hipertensão e diabetes. A lista é ampla, mas há um ponto especialmente democrático: mexer o corpo. A atividade física não exige tecnologia sofisticada, não depende de uma descoberta futurista e não precisa começar com desempenho de atleta. Pode começar com uma caminhada.

O mais interessante é que o exercício não protege o cérebro apenas por melhorar o corpo. Ele também parece agir diretamente sobre a mente. Uma grande análise publicada em 2025 reuniu 30 revisões científicas, 383 estudos e mais de 18 mil participantes, e mostrou que uma única sessão de exercício já produz melhora modesta da cognição no mesmo dia, especialmente em atenção, memória, função executiva e velocidade de processamento.

A palavra “modesta” evita exageros, mas não tira a força do achado. Ninguém volta de uma caminhada com supermemória. Ainda assim, há algo fascinante em saber que o cérebro responde antes do espelho, antes da balança e antes do condicionamento físico. O exercício não é apenas uma aposta para proteger a mente no futuro. É também um estímulo imediato para um cérebro que entende movimento como sinal de vida.

Parte dessa resposta passa pelo aumento do fluxo de sangue cerebral. Parte passa por moléculas que funcionam como mensageiros entre músculo, vasos e neurônios. Uma delas é o BDNF, descrito como uma espécie de fertilizante cerebral, porque favorece adaptação e comunicação entre neurônios. Até o lactato, por muito tempo tratado apenas como resíduo do esforço muscular, ganhou novo papel: pode participar de sinais ligados à memória e à plasticidade cerebral. É como se o músculo em movimento enviasse bilhetes químicos ao cérebro dizendo: acorde, adapte-se, funcione melhor.

No longo prazo, a história fica ainda mais relevante. A atividade física ajuda a controlar a pressão, melhora a sensibilidade à insulina, reduz risco vascular, preserva massa muscular, melhora o sono e combate parte do isolamento que acompanha o envelhecimento. Demência, na vida real, raramente nasce de um único caminho. Costuma ser a soma de vulnerabilidades acumuladas.

A pergunta prática é inevitável: quanto exercício é preciso? A resposta mais honesta é que qualquer movimento sustentado já é melhor do que a imobilidade. As recomendações gerais continuam sendo uma boa bússola: atividade aeróbica regular, fortalecimento muscular e redução do tempo sentado. Caminhar, nadar, pedalar, dançar, subir escadas ou fazer musculação são formas diferentes de mandar a mesma mensagem ao cérebro: ainda estamos em uso.

Nenhum exercício garante que alguém nunca terá demência. Mas a imobilidade também não é inocente. O cérebro não foi feito para envelhecer sentado, assistindo à vida passar. Ele precisa de sangue, estímulo, músculo, mundo. Talvez cuidar da memória seja, antes de tudo, isto: levantar-se enquanto ainda lembramos o caminho.

Quer ter um cérebro turbinado e mais saudável em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital BrainHQ – que a NeuroForma Tecnologias oferece no Brasil e países de lingua portuguesa em parceria com a Posit Science (EUA), disponibiliza mais de 40 cursos e exercícios que ajudam a melhorar performance e a saúde do seu cérebro. Além do treino de velocidade cerebral, a plataforma disponibiliza treinamento de atenção, memória, habilidades sociais, resolução de problemas, entre outros. Somos uma plataforma completa de treinamento cognitivo para aprimorar as funções cerebrais.

Acesse e confira AQUI.

Estudo descobre novo impacto de dificuldades financeiras na cognição e no cérebro; entenda

Pesquisadores da University College de Londres descobriram que dificuldades financeiras persistentes aceleram o declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento. O estudo, publicado na Innovation in Aging, analisou dados de 2.759 britânicos e constatou que a renda baixa e dificuldades financeiras afetam negativamente a saúde cerebral e o desempenho cognitivo. Os resultados ressaltam a importância de políticas para reduzir a pobreza e apoiar indivíduos em dificuldades financeiras, contribuindo para prevenir o declínio cognitivo e a demência.

Atividade física promove ‘limpeza’ do cérebro, diz estudo

Cada vez que você fica em pé, dá um passo ou simplesmente contrai o abdômen, algo curioso acontece dentro da sua cabeça: o cérebro se move. E esse movimento, por menor que seja, pode não apenas fortalecer músculos e coração, mas também desempenhar um papel importante na saúde cerebral.

É o que indica um novo estudo publicado na Nature Neuroscience por uma equipe da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, que identificou um possível mecanismo por trás de algo que os cientistas já suspeitavam havia algum tempo: o exercício não beneficia o cérebro apenas de forma indireta, mas pode contribuir para processos de “limpeza” cerebral ao favorecer o movimento de fluidos envolvidos na eliminação de resíduos.

O abdômen como gatilho do movimento cerebral

A chave estaria no abdômen. Cada vez que os músculos abdominais se contraem, mesmo com a tensão mínima necessária para caminhar, eles deslocam sangue por meio de uma rede de veias conhecida como plexo venoso vertebral, conectada à cavidade abdominal e à medula espinhal.

Essa pressão chega ao cérebro e provoca um leve deslocamento dentro do crânio. De acordo com as simulações feitas pelos pesquisadores, esse movimento também favorece a circulação do líquido cefalorraquidiano (LCR), o fluido que envolve e protege o cérebro, ajudando potencialmente a redistribuir substâncias de descarte associadas à atividade neuronal.

“Quando os músculos abdominais se contraem, eles empurram o sangue do abdômen em direção à medula espinhal, como em um sistema hidráulico, exercendo pressão sobre o cérebro e fazendo com que ele se mova”, explicou Patrick Drew, autor principal do estudo, em comunicado.

 

O que os experimentos com camundongos revelaram

Os pesquisadores comprovaram esse efeito em camundongos. Utilizando uma técnica que permite obter imagens de alta definição de tecidos vivos eles observaram, por meio de pequenas janelas abertas no crânio dos animais, que o cérebro mudava sutilmente de posição quando os músculos abdominais eram ativados para colocar o corpo em movimento.

Para confirmar que essa era de fato a causa, os cientistas aplicaram uma pressão suave e controlada sobre o abdômen de camundongos anestesiados. Mesmo com os animais imóveis, a pressão abdominal foi suficiente para provocar novamente o deslocamento do cérebro. Quando a pressão cessava, ele retornava à posição original.

Em seguida, para entender como o líquido cefalorraquidiano circulava, a equipe recorreu a simulações computacionais. Segundo esses modelos, o leve movimento do cérebro poderia favorecer o deslocamento do LCR em direção ao espaço entre o cérebro e o crânio, com um padrão de circulação diferente daquele observado durante o sono.

Sono, movimento e circulação cerebral

“O cérebro tem uma estrutura semelhante à de uma esponja, no sentido de que possui um esqueleto macio e o fluido pode se mover através dele (…). Como se limpa uma esponja suja? Coloca-se debaixo da torneira e depois se espreme”, explicou Francesco Costanzo, responsável pela modelagem matemática do estudo.

Esse detalhe é significativo porque as simulações sugerem que o líquido cefalorraquidiano pode circular de maneira diferente durante o movimento e durante o sono. Segundo os pesquisadores, essa diferença pode ajudar a compreender melhor como diversas atividades do corpo influenciam a circulação de fluidos dentro e ao redor do cérebro.

“Esse tipo de movimento é muito leve, mas pode fazer uma grande diferença para a saúde do cérebro”, concluiu Drew.

Quer ter um cérebro turbinado e mais saudável em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital BrainHQ – que a NeuroForma Tecnologias oferece no Brasil e países de lingua portuguesa em parceria com a Posit Science (EUA), disponibiliza mais de 40 cursos e exercícios que ajudam a melhorar performance e a saúde do seu cérebro. Além do treino de velocidade cerebral, a plataforma disponibiliza treinamento de atenção, memória, habilidades sociais, resolução de problemas, entre outros. Somos uma plataforma completa de treinamento cognitivo para aprimorar as funções cerebrais.

Acesse e confira AQUI.

Uma única noite sem dormir já afeta as conexões do cérebro; entenda como o sono pode ‘reiniciá-las’

Dormir pode ser mais importante para o cérebro do que se imaginava. Após uma noite em claro, pesquisadores detectaram mudanças mensuráveis nas conexões entre neurônios, sugerindo que o sono desempenha um papel importante na reorganização da atividade cerebral.

A pesquisa, publicada na revista científica PLOS Biology, analisou 40 adultos saudáveis. Metade dos participantes passou uma noite inteira acordada, enquanto o restante seguiu sua rotina normal de sono. Ao analisar marcadores ligados à comunicação entre os neurônios, os cientistas observaram diferenças entre os dois grupos.

Os resultados mostraram que os participantes que permaneceram acordados por aproximadamente 28 horas apresentaram níveis mais elevados desse marcador em diferentes regiões cerebrais, entre elas o hipocampo, associado à formação de memórias, e o tálamo, responsável por atuar como um importante centro de transmissão de informações no cérebro.

Segundo os pesquisadores, as descobertas reforçam uma das principais teorias sobre a função do sono, a hipótese da homeostase sináptica, que propõe que as conexões entre os neurônios se fortalecem ao longo do dia com o aprendizado e o processamento de informações.

Esse processo, no entanto, exige energia e leva ao acúmulo de proteínas e atividade neural. O sono seria responsável por reorganizar e reajustar essas conexões, restaurando o equilíbrio do sistema para o dia seguinte

Até então, a maior parte das evidências que apoiavam essa teoria vinha de estudos realizados em animais. A nova pesquisa fornece indícios de que mecanismos semelhantes também podem ocorrer em seres humanos.

Em uma segunda etapa do estudo, os participantes privados de sono puderam tirar um cochilo de duas horas. Os pesquisadores observaram que aqueles que apresentavam níveis mais altos do marcador cerebral também registraram maior atividade de ondas lentas durante o descanso, um padrão associado ao sono profundo e à necessidade acumulada de dormir.

Apesar de os pesquisadores apontarem que se trata de um indicador indireto e de mudanças pequenas, os resultados reforçam a ligação entre a necessidade de sono e o funcionamento das conexões cerebrais.

– Durante a privação de sono, o cérebro permanece acordado por mais tempo e continua processando estímulos e informações. Nosso estudo mostra que, após aproximadamente 28,5 horas de vigília, um marcador da densidade sináptica aumenta em diversas regiões cerebrais. Isso sugere que a privação de sono não provoca apenas fadiga, mas também é acompanhada por mudanças mensuráveis nas conexões neurais – afirmam os autores.

Quer ter um cérebro turbinado e mais saudável em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital BrainHQ – que a NeuroForma Tecnologias oferece no Brasil e países de lingua portuguesa em parceria com a Posit Science (EUA), disponibiliza mais de 40 cursos e exercícios que ajudam a melhorar performance e a saúde do seu cérebro. Além do treino de velocidade cerebral, a plataforma disponibiliza treinamento de atenção, memória, habilidades sociais, resolução de problemas, entre outros. Somos uma plataforma completa de treinamento cognitivo para aprimorar as funções cerebrais.

Acesse e confira AQUI.