Os ‘detalhes’ da casa que podem afetar o cérebro: como criar um espaço que melhore a qualidade de vida


Diversas disciplinas concordam que o ambiente doméstico afeta os processos cognitivos e emocionais, uma vez que variáveis ​​como luz, ruído, circulação e organização do espaço são constantemente avaliadas pelo cérebro e geram efeitos mensuráveis ​​na qualidade de vida.

O lar não serve apenas como abrigo, mas também desempenha um papel na regulação do humor, do descanso e da vida diária. A forma como um espaço doméstico é organizado pode influenciar a percepção do estresse, a concentração e a interação entre seus habitantes.

O cérebro analisa continuamente fatores como luz, ruído, temperatura e complexidade visual, em um processo automático que produz efeitos mensuráveis. Um estudo de Gary Evans mostrou que o ruído doméstico constante aumenta o cortisol e prejudica a memória de trabalho.

— Ambientes residenciais com alta carga sensorial exigem um esforço cognitivo constante, o que acaba gerando fadiga mental, irritabilidade e menor capacidade de regular as emoções na vida cotidiana — explica Evans.

Fatores ambientais que influenciam o cérebro

A relação entre espaço e bem-estar não depende apenas da ordem visível. A organização do espaço, a circulação e a distribuição de objetos influenciam a carga cognitiva diária. Ambientes com obstáculos ou estímulos excessivos exigem maior esforço de processamento, o que pode levar a sensações de fadiga. A teoria da restauração da atenção, desenvolvida por Stephen Kaplan, indica que certos espaços ajudam a recuperar a capacidade mental.

— Ambientes que oferecem coerência, possibilidade de exploração sem esforço e uma sensação de afastamento psicológico permitem que a atenção dirigida descanse, algo essencial para o equilíbrio emocional e a tomada de decisões — diz Kaplan.

O especialista em design Roger Ulrich demonstrou que ambientes com boa iluminação, organização clara e estímulos previsíveis reduzem o estresse.

— Quando as pessoas estão em espaços com configurações claras, boa iluminação e estímulos previsíveis, o sistema nervoso parassimpático se ativa com mais facilidade, favorecendo uma recuperação emocional rápida diante das demandas do dia — diz.

Iluminação, organização e estímulos moldam o bem-estar

A iluminação também tem papel central. Estudos indicam que luz inadequada afeta a melatonina e o humor. Diretora de pesquisa do Centro de Pesquisa de Iluminação do Instituto Politécnico Rensselaer, Mariana Figueiro diz que “a luz em casa não serve apenas para ver”.

— Ela também envia mensagens biológicas potentes que influenciam o sono, a energia diurna e a estabilidade emocional ao longo da semana.

O ambiente doméstico pode refletir estados internos. A psicóloga Martha Frau descrevia sua casa como “funcional, mas esgotada”, com acúmulo de objetos que refletia sobrecarga emocional.

— Sentia que chegava cansada a lugares aos quais ainda não tinha ido — relata.

O acúmulo de objetos pode indicar fadiga mental, com itens pendentes funcionando como tarefas não concluídas. Estudos de Sabine Kastner mostram que ambientes visualmente saturados reduzem a concentração e aumentam a distração.

— Quando múltiplos objetos disputam atenção simultaneamente, o cérebro precisa filtrar ativamente, o que aumenta o esforço mental e a sensação de esgotamento — explica Sabine.

A desordem funcional também impacta o bem-estar. Dificuldade em encontrar objetos está associada à sobrecarga cognitiva. Pesquisador da Universidade da Califórnia, Anthony Graesch relaciona casas caóticas a mais ansiedade e menor satisfação doméstica.

— A falta de sistemas claros em casa se traduz em uma experiência diária de perda de controle que impacta diretamente o bem-estar emocional — afirma.

Espaço, comportamento e saúde emocional

Espaços pouco utilizados, descritos como “mortos”, podem indicar aspectos emocionais negligenciados. A arquiteta e psicóloga ambiental Clare Cooper Marcus afirma que “os espaços abandonados dentro de uma casa costumam corresponder a necessidades internas não reconhecidas”.

— Ou podem ser lutos não elaborados, e sua simples presença afeta a energia emocional do conjunto — diz.

Mudanças simples podem gerar efeitos concretos

A redução de estímulos também é apontada como relevante. O neurocientista Adam Gazzaley afirma que “o cérebro humano não está preparado para processar múltiplos estímulos constantes”.

— Cada elemento desnecessário consome recursos que poderiam ser destinados a tarefas mais significativas — explica.

Como o ambiente doméstico afeta cérebro, humor e comportamento? Veja o que apontam estudos — Foto: Freepik

Ajustes como separação de áreas, modulação da iluminação e criação de espaços de descanso visual contribuíram para melhorar o ambiente. A luz, novamente, aparece como fator decisivo.

— A luz atua como um poderoso regulador biológico; ajustar sua intensidade e temperatura ao longo do dia pode mudar como dormimos, como nos sentimos e como interagimos com os outros — orienta Mariana Figueiro.

A definição clara de áreas também reduz o estresse cognitivo.

— Quando um espaço comunica com clareza que tipo de atividade se espera nele, o corpo entra mais rapidamente no estado emocional adequado — explica Ulrich.

Elementos sensoriais como sons, aromas, temperatura e texturas também influenciam o sistema nervoso.

— Os aromas têm uma conexão direta com emoção e memória. Modificar a paisagem olfativa da casa pode mudar de forma imediata o tom emocional de uma experiência — diz a neurocientista Rachel Herz.

Os efeitos dessas mudanças podem ser observados na melhora do sono, na redução de conflitos, no aumento da concentração e na sensação de leveza. O ambiente doméstico não é apenas um cenário, mas um agente ativo no bem-estar.

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Sedentarismo cognitivo: o perigo de “terceirizar” o cérebro

A mente também precisa de certos exercícios para se manter sadia. “Da mesma forma que a gente exercita o nosso corpo, precisamos exercitar as nossas capacidades cognitivas e as nossas funções neurológicas no registro da memória. (Se não o fizermos) haverá impacto na nossa memória de trabalho, na nossa capacidade de resolução de problemas e de manter a atenção sustentada”, afirma o dr. Henrique Freitas, coordenador do Serviço de Neurologia do Mater Dei Santo Agostinho.

Um cérebro sem “malhação” é chamado de sedentarismo cognitivo. “É quando a pessoa passa a não fazer mais um esforço mental ou decide terceirizá-lo, usando (em seu lugar) a tecnologia, como a inteligência artificial. Ela delega processos mentais a recursos externos para poupar essa carga cognitiva ou mesmo porque não está disposta a fazer esse esforço mental”, explica o doutor Philipe Marques da Cunha, neurologista da Afya Educação Médica Belo Horizonte.

Da mesma forma que a ausência de exercícios regulares provoca no corpo uma rápida perda da massa muscular (atrofia), da força e da resistência, além de reduzir o metabolismo e aumentar o acúmulo de gordura, o sedentarismo cognitivo “vai gerar um dano, porque, apesar de já nascermos com a nossa memória e a nossa inteligência, é possível aperfeiçoá-las e melhorá-las”, segundo Marques da Cunha. O sedentarismo cognitivo já existia, mas se tornou mais preocupante com as redes sociais.

“A gente está vendo hoje uma combinação de excesso de estímulos, menos atenção sustentada e mais dependência de resposta pronta. Isso preocupa principalmente nos ambientes de estudo, de trabalho, de formação intelectual, já que a evidência de uso de ferramentas digitais pode reduzir esse engajamento cognitivo e favorecer (o uso de) atalhos mentais. Isso em detrimento a esse pensamento profundo”, observa o médico da Afya, que recorre ao exemplo da calculadora, criada em 1623 por Wilhelm Schickard.

“Mesmo com ela, você não deixa de fazer a soma, os cálculos… Mas hoje a calculadora deixou de ser algo importante, com a maior parte das IAs (as inteligências artificiais) generativas fazendo todo o trabalho e assumindo um papel de resolução de problemas. Muitas pessoas têm usado a IA para substituir o pensamento que elas teriam… E isso vai gerar cada vez mais sedentarismo cognitivo e cada vez mais um prejuízo cognitivo para o paciente”, salienta Marques da Cunha.

Henrique Freitas pondera que a maior preocupação está associada a um possível componente de neuroplasticidade. “Se a gente não usa as vias cerebrais, elas acabam não se desenvolvendo. Isso pode impactar o que chamamos de reserva cognitiva. Se a gente não desafiar o nosso cérebro, criamos menos conexões entre os neurônios e isso pode ter algum impacto no futuro”, detalha o neurologista do Mater Dei, deixando claro que a IA se tornou a grande vilã de um cérebro saudável.

“É um processo que já vem desde a popularização da internet, em que as pesquisas são muito rápidas, muito fáceis. Com a IA generativa, muda a maneira de a gente pensar. Isso gera uma passividade, né? Ao invés de tentarmos tirar as nossas próprias conclusões, já acessamos a inteligência artificial prontamente – e ela está acessível no nosso celular o tempo todo”, lamenta Henrique Freitas. A criatividade, de acordo com o médico do Mater Dei, é uma das grandes prejudicadas.

“Uma vez que a as respostas da IA são baseadas no processamento de grandes volumes de dados, elas tendem a ser homogeneizadas e isso pode ameaçar a inovação. Com isso, as respostas vão ser parecidas para várias pessoas e a gente para de ter as inovações que são características do ser humano”, registra Henrique Freitas. Philipe Marques da Cunha também chama a atenção para as facilidades da IA generativa que comprometem a cognição.

“Essa IA realmente faz parecer que está super bem, fazendo um trabalho mental muito importante, mas ela vai deixar cada vez mais as pessoas dependentes. Ela facilita essa dependência mais precoce e mais intensa com risco de enfraquecer a memória, seja a memória executiva, de trabalho, ou a própria autorregulação. Por isso é tão importante usá-la com limite”, analisa o médico da Afya Educação Médica.

Treinamento para diminuir dependência

O que fazer para evitar a nossa dependência da inteligência artificial? Existe algum “exercício”? “Sim. O cérebro precisa de treino de esforço e não só de consumo de informação. Por exemplo, uma das grandes medidas para você evitar um quadro demencial é treinamento cognitivo. Isso se mostrou efetivo. Na prática, ajuda muito reservar momentos sem inteligência artificial, para poder escrever, lembrar, resumir, planejar, decidir por conta própria”, recomenda Philipe Marques da Cunha, neurologista da Afya Educação Médica Belo Horizonte.

“Ler é uma medida muito importante para o treinamento do cérebro, mas ler com atenção profunda, fazendo perguntas antes de buscar as respostas. A atividade física regular também ajuda a manter a cognição, assim como a interação social. Hoje cada vez mais a gente tem se mantido isolado, mais restrito. Ao treinar a nossa função mental, não vamos deixar a inteligência artificial substituir o nosso pensamento”, comenta o neurologista.

O doutor Henrique Freitas, coordenador do Serviço de Neurologia do Mater Dei Santo Agostinho, acredita que ainda vamos aprender muito com a evolução da própria inteligência artificial, avaliando criticamente os resultados gerados por ela. “Vai ser um longo caminho ainda até entendermos que a tecnologia deve potencializar o pensamento humano, mas não substituí-lo”, afirma.

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O cérebro tem cinco “eras” e o modo adulto começa apenas no início dos 30 anos, diz novo estudo


O cérebro humano tem cinco grandes “eras” de desenvolvimento, de acordo com um dos estudos mais abrangentes até hoje sobre como as conexões neurais se alteram da infância à velhice. O trabalho, publicado na revista científica Nature Communications, se baseou em exames cerebrais de quase 4 mil pessoas com idades entre menos de um ano e 90 anosOs pesquisadores mapearam conexões neurais e como elas evoluem ao longo da vida. Os resultados revelaram cinco fases amplas, divididas por quatro “pontos de virada” cruciais, nos quais a organização cerebral segue uma trajetória diferente, por volta dos 9, 32, 66 e 83 anos de idade.

“Olhando para trás, muitos de nós sentimos que nossas vidas foram caracterizadas por diferentes fases. Acontece que o cérebro também passa por essas eras”, diz o professor Duncan Astle, pesquisador em neuroinformática da Universidade de Cambridge e autor sênior do estudo, em comunicado. “Compreender que a jornada estrutural do cérebro não é uma questão de progressão constante, mas sim de alguns pontos de virada importantes, nos ajudará a identificar quando e como suas conexões são vulneráveis ​​a interrupções.”

O período de desenvolvimento infantil ocorre do nascimento até os nove anos de idade, quando transita para a fase da adolescência – uma era que dura, em média, até os 32 anos. No início dos 30 anos, a estrutura neural do cérebro muda para o modo adulto – a fase mais longa, com duração superior a três décadas.

Um terceiro ponto de virada, por volta dos 66 anos, marca o início de uma fase de “envelhecimento precoce” da arquitetura cerebral. Finalmente, o cérebro em “envelhecimento tardio” se consolida por volta dos 83 anos.

Os cientistas quantificaram a organização cerebral usando 12 medidas diferentes, incluindo a eficiência das conexões, o grau de compartimentalização e se o cérebro depende fortemente de centros de conectividade ou possui uma rede de conectividade mais difusa.

Da infância à adolescência, nossos cérebros são definidos pela “consolidação da rede”, à medida que a quantidade de sinapses – as conexões entre os neurônios – no cérebro de um bebê diminui, restando apenas as mais ativas. Durante esse período, o estudo constatou que a eficiência das conexões cerebrais diminui.

Enquanto isso, a substância cinzenta e a substância branca crescem rapidamente em volume, de modo que a espessura cortical – a distância entre a substância cinzenta externa e a substância branca interna – atinge um pico, e as pregas corticais, as cristas características na superfície externa do cérebro, se estabilizam.

Na segunda “fase” do cérebro, a adolescência, a substância branca continua a crescer em volume, de modo que a organização das redes de comunicação do cérebro se refina cada vez mais. Essa fase é definida pelo aumento constante da eficiência das conexões em todo o cérebro, o que está relacionado a um melhor desempenho cognitivo.

As épocas foram definidas pelo cérebro mantendo uma tendência constante de desenvolvimento ao longo de um período prolongado, em vez de permanecer em um estado fixo durante todo o tempo.

“Definitivamente, não estamos dizendo que pessoas com quase 30 anos vão se comportar como adolescentes, ou mesmo que seus cérebros se pareçam com os de um adolescente”, pontua Alexa Mousley, que liderou a pesquisa. “Trata-se, na verdade, do padrão de mudança.”

Ela acrescentou que as descobertas podem fornecer informações sobre os fatores de risco para transtornos de saúde mental, que surgem com mais frequência durante a adolescência. Por volta dos 32 anos, observa-se a mudança geral mais acentuada na trajetória.

Eventos da vida, como a maternidade/paternidade, podem desempenhar um papel em algumas das mudanças observadas, embora a pesquisa não tenha testado isso explicitamente.

“Sabemos que o cérebro das mulheres que dão à luz sofre alterações”, diz Mousley. “É razoável supor que possa haver uma relação entre esses marcos e o que acontece no cérebro.”

A partir dos 32 anos, a arquitetura cerebral parece se estabilizar em comparação com as fases anteriores, correspondendo a um “platô na inteligência e na personalidade”, com base em outros estudos. As regiões cerebrais também se tornam mais compartimentalizadas.

Os dois últimos pontos de inflexão foram definidos por diminuições na conectividade cerebral, que se acredita estarem relacionadas ao envelhecimento e à degeneração da substância branca no cérebro.

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Exercício físico fortalece cérebro e pode proteger contra o Alzheimer, diz estudo

Cientistas da Universidade da Califórnia, São Francisco (UCSF) identificaram um processo biológico que pode explicar por que a prática de exercícios físicos melhora o raciocínio e a memória e ajuda a proteger o cérebro contra danos relacionados ao envelhecimento. Segundo o estudo, a atividade física fortalece o sistema de defesa natural do cérebro, reduzindo inflamações associadas ao declínio cognitivo e a doenças como o Alzheimer.

Com o avanço da idade, a chamada barreira hematoencefálica — rede compacta de vasos sanguíneos que protege o cérebro de substâncias nocivas presentes na corrente sanguínea — torna-se mais frágil. Ao longo do tempo, essa estrutura pode apresentar falhas, permitindo a entrada de compostos prejudiciais no tecido cerebral. O resultado é um quadro de inflamação ligado à perda de funções cognitivas e frequentemente observado em distúrbios como a doença de Alzheimer.

Anos atrás, a equipe já havia descoberto que camundongos que se exercitavam produziam níveis mais elevados de uma enzima chamada GPLD1 no fígado. A substância parecia rejuvenescer o cérebro, mas havia um mistério: a enzima não consegue atravessar a barreira hematoencefálica, o que deixava os cientistas sem entender como ela promovia benefícios cognitivos. A nova pesquisa, publicada na revista Cell em 18 de fevereiro, apresenta a resposta.

Como a GPLD1 reduz a inflamação cerebral

Os pesquisadores descobriram que a GPLD1 influencia outra proteína, conhecida como TNAP. À medida que os camundongos envelhecem, a TNAP se acumula nas células que formam a barreira hematoencefálica. Esse acúmulo enfraquece a estrutura e aumenta sua permeabilidade.

Quando os animais praticam exercício, o fígado libera GPLD1 na corrente sanguínea. A enzima viaja até os vasos que circundam o cérebro e remove a TNAP da superfície das células, ajudando a restaurar a integridade da barreira.

“Essa descoberta mostra o quão relevante o corpo é para compreender como o cérebro entra em declínio com a idade”, afirmou Saul Villeda, PhD, diretor associado do UCSF Bakar Aging Research Institute e autor sênior do estudo.

O papel da TNAP no declínio cognitivo

Para entender como a GPLD1 exerce seus efeitos, a equipe concentrou-se na principal função da enzima: cortar proteínas específicas da superfície das células. Os pesquisadores buscaram tecidos que contivessem possíveis alvos e suspeitaram que algumas dessas proteínas pudessem se acumular com o envelhecimento.

As células da barreira hematoencefálica chamaram a atenção por carregarem vários alvos potenciais. Em testes de laboratório, apenas uma proteína foi efetivamente “aparada” pela GPLD1: a TNAP.

Experimentos adicionais reforçaram sua importância. Camundongos jovens geneticamente modificados para produzir excesso de TNAP na barreira hematoencefálica apresentaram problemas de memória e cognição semelhantes aos observados em animais mais velhos.

Já quando os pesquisadores reduziram os níveis de TNAP em camundongos de 2 anos — idade equivalente a cerca de 70 anos humanos — a barreira tornou-se menos permeável, a inflamação diminuiu e os animais tiveram melhor desempenho em testes de memória.

“Conseguimos ativar esse mecanismo em um estágio avançado da vida, no caso dos camundongos, e ainda assim funcionou”, disse Gregor Bieri, PhD, pesquisador de pós-doutorado no laboratório de Villeda e coautor principal do estudo.

Novas perspectivas para o Alzheimer

Os resultados sugerem que o desenvolvimento de medicamentos capazes de remover proteínas como a TNAP pode representar uma nova estratégia para restaurar a barreira hematoencefálica, mesmo após seu enfraquecimento pelo envelhecimento.

“Estamos desvendando uma biologia que a pesquisa sobre Alzheimer tem amplamente negligenciado”, afirmou Villeda. “Isso pode abrir novas possibilidades terapêuticas além das estratégias tradicionais que se concentram quase exclusivamente no cérebro.”

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Exercício de treinamento cerebral pode reduzir o risco de Alzheimer e outras demências


O treinamento cerebral com exercícios da plataforma BrainHQ – que a Neuroforma Tecnologias disponibiliza no Brasil – pode prevenir ou retardar a demência, segundo novas pesquisas.

Surpreendentemente, não foram tarefas de memória ou de resolução de problemas que fizeram diferença — e sim um exercício de velocidade de processamento cerebral que testava a capacidade de reconhecer duas imagens distintas em sequências cada vez mais rápidas: o exercício Dupla Decisão, que já é disponível na plataforma em língua portuguesa.

O exercício exibe rapidamente ao usuário um veículo em um cenário de deserto, cidade ou campo. Em seguida, uma placa/sinal aparece brevemente na visão periférica, cercado por outros sinais de trânsito que servem como elementos de distração. Para realizar o treino corretamente, o usuário precisa clicar no veículo correto e indicar a localização da placa da Route 66. À medida que os praticantes evoluem no treino, as imagens desaparecem cada vez mais rápido.

“É o que chamamos de tarefa de atenção dividida, na qual você não tem uma estratégia consciente sobre como melhorar”, disse a coautora do estudo, Dra. Marilyn Albert, professora de neurologia na Johns Hopkins University School of Medicine e diretora do Johns Hopkins Alzheimer’s Disease Research Center, em Baltimore.

“Você simplesmente tenta, da melhor forma possível, descobrir como dividir sua atenção”, afirmou. “Também é adaptativo, no sentido de que, à medida que as pessoas evoluem, ficava mais difícil.”

Aprendizado inconsciente

Iniciado em 1998, o estudo Advanced Cognitive Training for Independent and Vital Elderly, ou ACTIVE, testou três tipos de treinamento cognitivo em mais de 2.800 voluntários com idade média de 74 anos. Todos estavam livres de demência no início e viviam de forma independente em seis comunidades nos Estados Unidos. Um quarto grupo, que não recebeu nenhum treinamento, serviu como grupo de controle.

“Um grande ponto forte do estudo é que foi uma população realmente representativa — 25% dos participantes eram minorias”, disse Albert. “Portanto, podemos afirmar com segurança que os resultados se aplicam a toda a população dos Estados Unidos.”

Um grupo focou na memória, aprendendo técnicas para lembrar listas de palavras, textos e detalhes de histórias. Um segundo grupo recebeu treinamento voltado para o raciocínio, como resolver problemas e identificar padrões que pudessem ajudar na vida cotidiana.

Um terceiro grupo utilizou o exercício cerebral de velocidade com atenção dividida, desenvolvido orginalmente por neurocientistas do Alabama e de Kentucky, cujos direitos e patentes foram adquirido em 2008 pela empresa Posit Science, desenvolvedora da plataforma BrainHQ. O exercício passou a se chamar Double Decision (Dupla Decisão).

Exercícios adaptativos de dupla atenção utilizam aprendizagem implícita, que é a aquisição automática de conhecimentos ou habilidades sem consciência do que está sendo aprendido. A aprendizagem implícita envolve partes diferentes do cérebro em comparação com a resolução de problemas ou a compreensão do significado das palavras, explicou Albert.

Exemplos incluem amarrar os cadarços, reagir a sinais sociais e aprender a andar de bicicleta.

“Se você não anda de bicicleta por 10 anos, ainda assim pode subir em uma bicicleta e pedalar. Sabemos que esse tipo de aprendizagem é muito duradouro”, disse Albert.

No entanto, existe uma distinção importante entre adquirir uma habilidade e esperar que ela traga benefícios amplos em outras áreas, como a prevenção da demência, afirmou Walter Boot, professor Irving Sherwood Wright de geriatria na Weill Cornell Medicine e diretor associado do Center on Aging and Behavioral Research, em Nova York. Ele não participou do estudo.

“Alguém pode aprender a andar de bicicleta e ainda lembrar como fazer isso 20 anos depois, assim como pode aprender a tarefa de ‘velocidade de processamento’ do estudo e continuar tendo bom desempenho nela muitos anos depois”, disse Boot em um e-mail. “O que ainda não está claro é como qualquer uma dessas atividades se traduziria em um risco reduzido de demência.”

Prática extra necessária

Inicialmente, o programa foi intenso. Os voluntários receberam treinamento presencial duas vezes por semana, com sessões de 60 a 75 minutos, ao longo de cinco semanas. Ao final do primeiro ano, cerca de metade das pessoas em cada grupo de treinamento cognitivo participou de um reforço adicional de quatro sessões de uma hora. Outras quatro horas de treinamento também foram realizadas ao final do terceiro ano do estudo, totalizando 22,5 horas.

Não houve mais nenhum treinamento oficial, ainda assim, quando os pesquisadores compararam os três grupos com seus registros do Medicare 20 anos depois, descobriram que apenas o jogo de velocidade com atenção dividida contribuiu para uma redução de 25% nos diagnósticos de demência em comparação com o grupo de controle.

Esse benefício, no entanto, foi observado apenas em uma parte dos voluntários, segundo o estudo publicado na segunda-feira na revista Alzheimer’s & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions.

“A redução de 25% no risco de demência ocorreu apenas nas pessoas que fizeram o treinamento original com o jogo de velocidade e depois participaram das sessões de reforço. Se você não fez as sessões de reforço, não houve benefício”, afirmou Albert.

Embora os resultados de um estudo de 20 anos sejam valiosos, a pesquisa não tinha os dados necessários para demonstrar uma ligação definitiva entre o treinamento computadorizado e a prevenção da demência, disse a Dra. Susan Kohlhaas, diretora executiva de pesquisa e parcerias da Alzheimer’s Research UK, um centro de pesquisa sem fins lucrativos com sede em Cambridge. Ela não participou do estudo.

“Os diagnósticos foram identificados por meio de registros de saúde, e não por testes clínicos especializados, portanto não sabemos se esse treinamento alterou as doenças subjacentes que causam demência ou se afetou tipos específicos de demência”, afirmou ela em comunicado.

Embora o treinamento de memória e raciocínio não tenha reduzido o risco de demência, publicações anteriores com dados do estudo ACTIVE mostraram que ambos melhoram a memória e o raciocínio executivo, disse ela. Esse tipo de treinamento também ajuda as pessoas a desenvolver habilidades que permitem viver de forma independente em suas próprias casas.

Por que o treinamento de velocidade pode ajudar o cérebro?

Por que apenas o treinamento cognitivo rápido com atenção dividida funcionou contra a demência? Mais importante ainda, por que apenas 22,5 horas desse tipo de treinamento pareceram ter efeito duradouro ao longo dos anos? Embora sejam necessárias mais pesquisas para entender os resultados, Albert tem algumas hipóteses fundamentadas.

“Primeiro, o exercício é bastante exigente e não é particularmente divertido”, disse Albert. “Fazê-lo por uma hora, duas vezes por semana, é trabalhoso. Você está forçando o cérebro de uma maneira que ele normalmente não faria.

“Então, é possível que o treinamento de velocidade ative neurônios em todo o cérebro, criando maior conectividade e aumentando a plasticidade”, afirmou.

O exercício também era adaptativo, tornando-se mais difícil à medida que as pessoas progrediam e mais fácil quando falhavam, explicou o pesquisador em prevenção do Alzheimer, Dr. Richard Isaacson, diretor de pesquisa do Institute for Neurodegenerative Diseases, na Flórida.

Essa interatividade “exercita o cérebro de novas maneiras, o que pode contribuir para a reserva cognitiva necessária para retardar a demência”, disse Isaacson, que não participou do estudo.

Reserva cognitiva é a capacidade de o cérebro se adaptar e manter o funcionamento normal apesar da presença de danos, envelhecimento ou doenças. No caso da doença de Alzheimer, por exemplo, pessoas com maior reserva cognitiva frequentemente atrasam o início dos sintomas, mesmo já apresentando acúmulo de amiloide e tau, duas proteínas que são marcas características desse distúrbio neurológico.

Pode haver ainda outro fator envolvido no impacto positivo de longo prazo da pratica do exercício Dupla Decisão. Um estudo publicado em outubro apontou que o treinamento de velocidade pode preservar a acetilcolina, um neurotransmissor que torna o cérebro mais desperto, focado e atento.

“Estamos falando de uma mudança físico-química fundamental que sabemos ser realmente importante como fator contribuinte para a saúde cerebral”, disse o Dr. Michael Merzenich, professor emérito da Universidade da Califórnia, em São Francisco, em entrevista anterior à CNN. Merzenich é cofundador e diretor científico da Posit Science, empresa proprietária da plataforma BrainHQ.

Enquanto os pesquisadores buscam respostas mais definitivas, especialistas afirmam que o treinamento cognitivo é apenas uma parte do caminho para melhorar a saúde do cérebro.

“O Alzheimer e outras demências são transtornos complexos. Você não pode simplesmente comer um mirtilo mágico, jogar um jogo no celular ou fazer apenas uma única coisa”, disse Isaacson.

“É preciso o conjunto completo — seguir uma alimentação saudável para o cérebro, praticar exercícios regularmente, controlar a pressão arterial, ter sono de qualidade, reduzir o estresse, cultivar relacionamentos positivos — tudo isso é necessário para a saúde cerebral.”

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Treino cerebral de semanas pode proteger contra a demência por 20 anos

Um estudo publicado em 9 fevereiro de 2026 na revista Alzheimer’s & Dementia mostrou que um tipo específico de treinamento cerebral pode reduzir o risco de demência, incluindo Alzheimer, até 20 anos depois da intervenção.

A pesquisa feita por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos, acompanhou 2.802 adultos com 65 anos ou mais, com média de idade de 74 anos, ao longo de duas décadas.

Os resultados indicam que participantes que fizeram um treinamento voltado para velocidade de processamento mental, com sessões de reforço, tiveram menos risco de desenvolver demência em comparação com o grupo que não recebeu treinamento.

Os voluntários foram divididos em quatro grupos: o de treinamento de velocidade de processamento (exercícios rápidos no computador), treinamento de memória, treinamento de raciocínio e o grupo controle (sem treino).

As sessões duravam de 60 a 75 minutos, duas vezes por semana, por cerca de cinco a seis semanas. Parte dos participantes também recebeu sessões extras de reforço meses depois. Após 20 anos, o grupo que fez o treinamento de velocidade com reforço apresentou redução significativa no risco de demência.

O que é demência?

  • Demência é um conjunto de sinais e sintomas, incluindo esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, perda de compromissos ou dificuldade em lembrar nomes.
  • Atualmente, o SUS oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar para pessoas com demência, incluindo Alzheimer, em centros de referência e unidades básicas de saúde.
  • Um diagnóstico precoce permite ações terapêuticas que podem retardar sintomas, aliviar a carga familiar e melhorar a qualidade de vida.

Dados do Ministério da Saúde mostram que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou retardados.

Resultados dos testes

Entre os que fizeram o treinamento de velocidade com reforço, 40% desenvolveram demência ao longo do estudo. No grupo controle, o número foi de 49%. A diferença representa uma redução relativa de 25% no risco, segundo os pesquisadores. Já os treinamentos focados em memória e raciocínio não mostraram o mesmo efeito na prevenção da demência.

O treinamento de velocidade foi adaptativo: ele ajustou o nível de dificuldade conforme o desempenho da pessoa. Além disso, trabalhou a agilidade mental e a capacidade de lidar com informações visuais rapidamente, estimulando várias áreas do cérebro ao mesmo tempo. Os pesquisadores acreditam que esse tipo de estímulo pode fortalecer redes cerebrais envolvidas na atenção e no processamento de informações.

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e ainda não tem cura. Por isso, estratégias de prevenção são cada vez mais estudadas. Os autores destacam que o treinamento cerebral não substitui hábitos saudáveis, mas pode ser uma ferramenta complementar.

Atividade física, controle da pressão, alimentação equilibrada e convívio social continuam sendo fundamentais para proteger o cérebro. Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que nem todo programa comercial de “treino cerebral” tem comprovação científica. Mais estudos ainda são necessários para entender melhor os mecanismos por trás da proteção observada.

Cochilos à tarde podem limpar o cérebro e melhorar a capacidade de aprendizado, aponta novo estudo

O cérebro está constantemente ativo durante o dia: novas impressões, pensamentos e informações são processados, fortalecendo as conexões entre as células nervosas (sinapses). Essas conexões sinápticas fortalecidas são uma importante base neural para os processos de aprendizagem.

No entanto, elas também levam à saturação, de modo que a capacidade do cérebro de aprender diminui com o tempo. O sono ajuda a regular essa atividade excessiva novamente, sem perda de informações importantes.

E segundo um novo estudo, um rápido cochilo à tarde pode ajudar o cérebro a se recuperar e melhorar sua capacidade de aprendizado. Publicada na revista NeuroImage e realizada pelo Centro Médico Universitário de Freiburg (Alemanha), dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG) e da Universidade de Genebra (UNIGE), a pesquisa mostra que um cochilo de cerca de 45 minutos é suficiente para reorganizar as conexões entre as células nervosas, permitindo que novas informações sejam armazenadas com mais eficácia.

Até agora, sabia-se que esses efeitos ocorriam apenas após uma noite completa de sono.

“Nossos resultados sugerem que mesmo curtos períodos de sono melhoram a capacidade do cérebro de codificar novas informações”, afirma o autor principal do estudo, Christoph Nissen.

O estudo examinou 20 adultos jovens saudáveis que tiraram uma soneca ou permaneceram acordados em duas tardes diferentes. A soneca da tarde durou, em média, 45 minutos.

Como não é possível realizar medições diretas nas sinapses em humanos saudáveis, a equipe de pesquisa utilizou métodos não invasivos já estabelecidos, como estimulação magnética transcraniana (EMT) e eletroencefalografia (EEG), para chegar a conclusões sobre a força e a flexibilidade das sinapses.

Os resultados mostraram que, após o cochilo, a força geral das conexões sinápticas no cérebro foi reduzida — um sinal do efeito restaurador do sono. Ao mesmo tempo, a capacidade do cérebro de formar novas conexões melhorou significativamente.

O cérebro estava, portanto, mais bem preparado para aprender novos conteúdos do que após um período de vigília igualmente longo.

“O estudo nos ajuda a entender a importância de até mesmo curtos períodos de sono para a recuperação mental”, afirma Kai Spiegelhalder, chefe da Seção de Pesquisa Psiquiátrica do Sono e Medicina do Sono do Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia do Centro Médico Universitário de Freiburg.

Segundo ele, um breve cochilo pode ajudar a pensar com mais clareza e a continuar trabalhando com concentração.

Os pesquisadores afirmaram que o estudo pode oferecer uma explicação biológica para o fato de as pessoas geralmente terem um desempenho melhor após um cochilo à tarde. Especialmente em profissões ou atividades que exigem um alto nível de desempenho mental ou físico — como na música, nos esportes ou em áreas críticas para a segurança.

No entanto, eles enfatizam que problemas ocasionais de sono não levam automaticamente a uma queda no desempenho. Em casos de insônia crônica, por exemplo, os sistemas reguladores do ciclo sono-vigília permanecem essencialmente intactos.

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Cérebro ocioso: estudo do MIT revela os efeitos que o uso excessivo da inteligência artificial tem sobre a mente

Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma ferramenta do dia a dia. Sem percebermos, começamos a delegar a ela não apenas a recuperação de informações e a colaboração profissional, mas também a assistência na tomada de decisões importantes, consultas médicas e até mesmo a resposta a perguntas cruciais sobre nossas vidas pessoais.

Mas qual o impacto disso em nossa saúde mental e bem-estar? O estudo mais recente do Instituto MIT, juntamente com reflexões de especialistas em neurociência contemplativa, começa a oferecer algumas respostas.

Quando a IA pensa por nós

Pesquisadores do MIT estudaram como modelos de linguagem (como o ChatGPT) influenciam os processos cognitivos quando interagimos com eles. A principal descoberta é ao mesmo tempo perturbadora e promissora: a IA não apenas fornece informações; ela também molda a maneira como organizamos e avaliamos nossas próprias ideias.

De acordo com experimentos, quando os usuários recebem sugestões de IA, tendem a adotar suas estruturas de raciocínio, padrões argumentativos e até mesmo seu estilo de escrita. Isso pode aumentar a produtividade, mas também pode prejudicar habilidades como memória de trabalho, capacidade de sintetizar informações e tolerância à complexidade.

Em termos simples: quando deixamos a IA pensar por nós, o cérebro começa a se esforçar menos , e isso pode ter um impacto em outras áreas de nossas vidas.

A importância de ‘estar no controle da situação’

Outro ponto fundamental destacado pelos cientistas é que nossa relação com a IA se assemelha muito mais a uma relação com um hábito mental do que a uma interação com uma ferramenta tecnológica. O que está em jogo não é apenas o que fazemos, mas como o fazemos .

Se a IA for usada de forma automática, distraída ou ansiosa, ela reforça esses estados internos. Se a usarmos com intenção e presença, ela pode nos emponderar. Richard Davidson — um dos maiores especialistas mundiais em neurociência — resume assim: “A IA amplifica a mente que a utiliza.”

O risco invisível do cérebro ocioso

A atenção é como um músculo. O que não usamos, enfraquece. E aqui reside o principal risco para o bem-estar mental: quanto mais dependemos da IA ​​para tarefas simples, menos estímulos recebemos para nossa capacidade de manter o foco, lembrar e desenvolver pensamentos profundos.

Essa dificuldade de atenção é um conhecido indicador de angústia, impulsividade e estresse. O cérebro humano precisa de um certo nível de esforço cognitivo para se manter saudável, assim como o corpo precisa de movimento.

Como usar a IA de forma saudável?

Os especialistas propõem três práticas simples:

  1. Faça pausas conscientes antes de perguntar. Pergunte a si mesmo: “Consigo pensar sobre isso sozinho antes de perguntar à IA?” Não é um teste. É um exercício mental.
  2. Use a IA como um espelho, não como um substituto. Peça à IA que questione, expanda ou desafie suas ideias, em vez de criá-las do zero.
  3. Alternar entre produção humana e assistência artificial. Por exemplo: escrever um primeiro rascunho à mão e só depois solicitar melhorias à IA. Isso preserva a autonomia cognitiva.

Mais reflexão, não menos

A questão central não é mais se a IA mudará nossas mentes: ela já está mudando. A verdadeira questão é que tipo de mentes queremos cultivar enquanto essa mudança acontece?

A questão central não é mais se a IA mudará nossas mentes: ela já está mudando . A verdadeira questão é que tipo de mentes queremos cultivar enquanto essa mudança acontece?

Se aprendermos a usar essa tecnologia como uma aliada — e não como uma substituta — ela poderá se tornar uma ferramenta para aprofundar a introspecção, enriquecer nossa criatividade e aliviar a carga cognitiva sem prejudicar nosso bem-estar.

Em resumo, e como já afirmaram diversos especialistas no assunto, o futuro não pertencerá àqueles que delegam tudo à inteligência artificial, mas sim àqueles que mantêm viva a inspiração, a criatividade e a inteligência humana que a guiam.

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Neurônios não morrem: o enigma do envelhecimento cerebral pode mudar tratamento de Alzheimer e Parkinson

Um estudo publicado na revista científica Nature traçou o mapa mais detalhado já feito do envelhecimento cerebral humano — e revelou que o processo não ocorre por perda maciça de neurônios, como se acreditava, mas pela queda de eficiência dos genes que mantêm essas células funcionando.

A equipe analisou mais de 360 mil células do córtex pré-frontal, região ligada à memória, atenção e tomada de decisões, em cérebros de pessoas de idades que vão de recém-nascidos a centenários.

O que se sabia antes

Até agora, a ciência explicava o envelhecimento cerebral sobretudo por dois mecanismos:

  1. Perda de neurônios ao longo da vida, o que reduziria a capacidade de processamento do cérebro.
  2. Acúmulo de proteínas tóxicas, como beta-amiloide e tau, associadas a doenças como Alzheimer.

    Essas ideias ajudaram a criar terapias que atuam nos sintomas (como os inibidores de colinesterase, usados desde os anos 80) ou em proteínas defeituosas (como os anticorpos monoclonais aprovados em 2023 e 2024). Mas ainda não havia clareza sobre o que acontece nas células saudáveis durante o envelhecimento.

    O que o novo estudo mostrou

    O trabalho traz novidades fundamentais:

    Neurônios preservados, mas menos eficientes. As células continuam existindo, mas perdem vitalidade porque os genes ligados a funções básicas — energia, reparo, transporte e metabolismo — entram em declínio, principalmente após os 40 anos.

    Acúmulo de mutações somáticas. Cada neurônio acumula, em média, 15 mutações por ano. Essas alterações não são herdadas dos pais, mas adquiridas ao longo da vida, como resultado de desgaste, exposição ambiental e falhas nos mecanismos de reparo.

    Genes longos protegidos, genes curtos vulneráveis. Genes mais curtos e muito ativos, responsáveis pela manutenção celular, sofrem mais mutações e tendem a perder expressão. Já genes longos específicos dos neurônios, ligados a funções cognitivas, parecem ter mecanismos extras de proteção e se mantêm mais estáveis.

    Desequilíbrio na comunicação neural. Em cérebros mais velhos, há redução de genes inibitórios como SST e VIP, que funcionam como “freios” da atividade cerebral. Isso aumenta o “ruído” nas conexões, favorecendo declínio cognitivo e risco de doenças neurodegenerativas.

    Diferença entre infância e velhice

    Em bebês e crianças, foram identificados grupos de neurônios e astrócitos imaturos ligados ao desenvolvimento. Já no envelhecimento, há queda de células precursoras de mielina, reduzindo a capacidade de regeneração das conexões.

    Virada de chave

    Para o especialista em doenças raras e PhD em genética reprodutiva Ciro Martinhago, esses genes, ligados a reparo, metabolismo e energia, “perdem eficiência com a idade — e essa queda fica mais evidente depois dos 40 anos, quando os mecanismos de reparo deixam de dar conta do desgaste acumulado”.

    Esse detalhe ajuda a explicar por que, apesar de preservarem sua identidade, os neurônios tornam-se menos eficientes com o tempo. Neurologista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Renato Anghinah ressalta que os genes específicos dessas células permanecem estáveis, mas a “maquinaria básica que garante seu funcionamento entra em declínio”. Segundo ele, isso reforça que o cérebro envelhece em sintonia com o corpo, em um processo de desgaste global.

    A consequência prática, ressalta o neurocirurgião e pós-doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Helder Picarelli, é um deslocamento de foco:

    “Sempre tentamos tratar as consequências do envelhecimento — cálcio para ossos, colágeno para pele, vitaminas para memória. O diferencial deste trabalho é mostrar que talvez seja possível intervir nas causas moleculares, atacando a origem do problema.”

    Se hoje a prevenção ainda depende de hábitos como sono de qualidade, dieta equilibrada e controle de doenças crônicas, os especialistas veem no horizonte terapias capazes de preservar a eficiência genética das célulasMais do que aliviar sintomas, a ciência passa a vislumbrar a chance de retardar de fato o relógio biológico do cérebro.

Por que ler ficção faz bem para o seu cérebro

Os livros de ficção têm o poder de nos transportar para outros lugares, países e até universos. Por meio de histórias escritas por outras pessoas, experimentamos sensações e vivências distantes do nosso cotidiano, estimulando a imaginação e a criatividade.

Não à toa, nosso primeiro contato com a literatura costuma ser através da ficção: seja na infância, com os contos de fadas e as fábulas; seja na adolescência, com os clássicos da escola. Mas ler títulos ficcionais é muito mais do que um entretenimento delicioso. Estudos mostram que esse hábito pode melhorar nossas capacidades cognitivas e a forma como enxergamos o mundo.

Novas perspectivas

Pesquisa recente realizada por pesquisadores da Maximilian University of Würzburg, na Alemanha, confirmou que a ficção tem um impacto positivo na empatia e na compreensão do pensamento alheio. O estudo ainda apontou que ler é mais benéfico do que assistir às mesmas histórias na tela, além de fortalecer habilidades verbais, de raciocínio e de resolução de problemas.

De acordo com outra pesquisa publicada em 2013 na revista Science, ler ficção aumenta a nossa capacidade de compreender os estados mentais dos outros e de entender que as pessoas podem ter crenças, valores e ideias diferentes das nossas.

Temos o luxo de frequentar esse espaço em que a gente só quer segurar a mão de pessoas que não existem ou conversar com alguém que pode ter morrido há séculos, e isso é absurdamente poderoso”, disse o tradutor e ensaísta Caetano Galindo em uma conversa sobre o poder da ficção, mediada pelo The Summer Hunter na 23ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).

Além de ampliar a empatia e a compreensão do outro, a leitura de ficção atua diretamente sobre funções essenciais do cérebro. Ao acompanhar narrativas complexas, universos imaginários e personagens multifacetados, o leitor exercita a criatividade e a imaginação de forma profunda e contínua. Diferente de estímulos audiovisuais, o texto exige participação ativa: é preciso construir cenários mentalmente, interpretar intenções, antecipar desfechos. Esse processo fortalece a memória, a atenção e a capacidade de concentração.

A ficção também favorece o desenvolvimento do pensamento crítico, pois estimula o leitor a questionar motivações, analisar conflitos e refletir sobre dilemas morais e sociais apresentados na história. Ao entrar em contato com pontos de vista distintos, épocas diferentes e realidades diversas, ampliamos nosso repertório simbólico e nossa capacidade de interpretar o mundo com mais nuance e sensibilidade.

A mente em outro ritmo

Ler ficção também pode funcionar como uma poderosa ferramenta de redução do estresse, ajudando a desacelerar o ritmo mental e a criar momentos de pausa em meio à rotina acelerada. O envolvimento com histórias promove relaxamento, diminui a ansiedade e contribui para uma sensação geral de equilíbrio.

A longo prazo, esse hábito também está associado à chamada longevidade cognitiva: manter o cérebro ativo, curioso e desafiado por meio da leitura pode retardar o declínio de funções mentais, especialmente com o avanço da idade.

Além disso, ao oferecer novas lentes para compreender comportamentos humanos, relações sociais e estruturas culturais, a ficção aprofunda nossa compreensão da sociedade e de nós mesmos. Ler histórias não apenas entretém —amplia horizontes, fortalece o pensamento e nos torna leitores mais atentos do mundo que nos cerca.

Retomando o hábito

Apesar de todos esses benefícios, estamos lendo cada vez menos. Segundo a edição mais recente da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada a cada cinco anos, a média anual de livros lidos pelos brasileiros diminuiu de 4,95 em 2019 para 3,96 em 2024. Apenas 47% da população com mais de cinco anos de idade havia lido pelo menos parte de um livro nos três meses anteriores ao estudo.
Quando perguntados sobre os motivos pelos quais estão lendo menos, 46% dos brasileiros responderam “falta de tempo”. Em parte, isso tem a ver com as horas que passamos com o celular na mão, o que soma mais um fator a essa equação: o excesso de telas e a enxurrada de estímulos digitais tornam cada vez mais difícil focar em uma única atividade por muito tempo —e a leitura acaba ficando em segundo plano.
E aí entram, novamente, os livros de ficção, já que podem ser um ótimo jeito de retomar —ou até começar — o hábito de leitura. A curiosidade para descobrir o que acontece nos próximos capítulos e a conexão com os personagens são fatores que ajudam a manter o ritmo e diminuem as chances de abandonar a história na metade. E nem precisa de muito: lendo em torno de oito a dez páginas por dia, já dá para terminar um ou até mais livros por mês.

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