Exercício de treinamento cerebral pode reduzir o risco de Alzheimer e outras demências


O treinamento cerebral com exercícios da plataforma BrainHQ – que a Neuroforma Tecnologias disponibiliza no Brasil – pode prevenir ou retardar a demência, segundo novas pesquisas.

Surpreendentemente, não foram tarefas de memória ou de resolução de problemas que fizeram diferença — e sim um exercício de velocidade de processamento cerebral que testava a capacidade de reconhecer duas imagens distintas em sequências cada vez mais rápidas: o exercício Dupla Decisão, que já é disponível na plataforma em língua portuguesa.

O exercício exibe rapidamente ao usuário um veículo em um cenário de deserto, cidade ou campo. Em seguida, uma placa/sinal aparece brevemente na visão periférica, cercado por outros sinais de trânsito que servem como elementos de distração. Para realizar o treino corretamente, o usuário precisa clicar no veículo correto e indicar a localização da placa da Route 66. À medida que os praticantes evoluem no treino, as imagens desaparecem cada vez mais rápido.

“É o que chamamos de tarefa de atenção dividida, na qual você não tem uma estratégia consciente sobre como melhorar”, disse a coautora do estudo, Dra. Marilyn Albert, professora de neurologia na Johns Hopkins University School of Medicine e diretora do Johns Hopkins Alzheimer’s Disease Research Center, em Baltimore.

“Você simplesmente tenta, da melhor forma possível, descobrir como dividir sua atenção”, afirmou. “Também é adaptativo, no sentido de que, à medida que as pessoas evoluem, ficava mais difícil.”

Aprendizado inconsciente

Iniciado em 1998, o estudo Advanced Cognitive Training for Independent and Vital Elderly, ou ACTIVE, testou três tipos de treinamento cognitivo em mais de 2.800 voluntários com idade média de 74 anos. Todos estavam livres de demência no início e viviam de forma independente em seis comunidades nos Estados Unidos. Um quarto grupo, que não recebeu nenhum treinamento, serviu como grupo de controle.

“Um grande ponto forte do estudo é que foi uma população realmente representativa — 25% dos participantes eram minorias”, disse Albert. “Portanto, podemos afirmar com segurança que os resultados se aplicam a toda a população dos Estados Unidos.”

Um grupo focou na memória, aprendendo técnicas para lembrar listas de palavras, textos e detalhes de histórias. Um segundo grupo recebeu treinamento voltado para o raciocínio, como resolver problemas e identificar padrões que pudessem ajudar na vida cotidiana.

Um terceiro grupo utilizou o exercício cerebral de velocidade com atenção dividida, desenvolvido orginalmente por neurocientistas do Alabama e de Kentucky, cujos direitos e patentes foram adquirido em 2008 pela empresa Posit Science, desenvolvedora da plataforma BrainHQ. O exercício passou a se chamar Double Decision (Dupla Decisão).

Exercícios adaptativos de dupla atenção utilizam aprendizagem implícita, que é a aquisição automática de conhecimentos ou habilidades sem consciência do que está sendo aprendido. A aprendizagem implícita envolve partes diferentes do cérebro em comparação com a resolução de problemas ou a compreensão do significado das palavras, explicou Albert.

Exemplos incluem amarrar os cadarços, reagir a sinais sociais e aprender a andar de bicicleta.

“Se você não anda de bicicleta por 10 anos, ainda assim pode subir em uma bicicleta e pedalar. Sabemos que esse tipo de aprendizagem é muito duradouro”, disse Albert.

No entanto, existe uma distinção importante entre adquirir uma habilidade e esperar que ela traga benefícios amplos em outras áreas, como a prevenção da demência, afirmou Walter Boot, professor Irving Sherwood Wright de geriatria na Weill Cornell Medicine e diretor associado do Center on Aging and Behavioral Research, em Nova York. Ele não participou do estudo.

“Alguém pode aprender a andar de bicicleta e ainda lembrar como fazer isso 20 anos depois, assim como pode aprender a tarefa de ‘velocidade de processamento’ do estudo e continuar tendo bom desempenho nela muitos anos depois”, disse Boot em um e-mail. “O que ainda não está claro é como qualquer uma dessas atividades se traduziria em um risco reduzido de demência.”

Prática extra necessária

Inicialmente, o programa foi intenso. Os voluntários receberam treinamento presencial duas vezes por semana, com sessões de 60 a 75 minutos, ao longo de cinco semanas. Ao final do primeiro ano, cerca de metade das pessoas em cada grupo de treinamento cognitivo participou de um reforço adicional de quatro sessões de uma hora. Outras quatro horas de treinamento também foram realizadas ao final do terceiro ano do estudo, totalizando 22,5 horas.

Não houve mais nenhum treinamento oficial, ainda assim, quando os pesquisadores compararam os três grupos com seus registros do Medicare 20 anos depois, descobriram que apenas o jogo de velocidade com atenção dividida contribuiu para uma redução de 25% nos diagnósticos de demência em comparação com o grupo de controle.

Esse benefício, no entanto, foi observado apenas em uma parte dos voluntários, segundo o estudo publicado na segunda-feira na revista Alzheimer’s & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions.

“A redução de 25% no risco de demência ocorreu apenas nas pessoas que fizeram o treinamento original com o jogo de velocidade e depois participaram das sessões de reforço. Se você não fez as sessões de reforço, não houve benefício”, afirmou Albert.

Embora os resultados de um estudo de 20 anos sejam valiosos, a pesquisa não tinha os dados necessários para demonstrar uma ligação definitiva entre o treinamento computadorizado e a prevenção da demência, disse a Dra. Susan Kohlhaas, diretora executiva de pesquisa e parcerias da Alzheimer’s Research UK, um centro de pesquisa sem fins lucrativos com sede em Cambridge. Ela não participou do estudo.

“Os diagnósticos foram identificados por meio de registros de saúde, e não por testes clínicos especializados, portanto não sabemos se esse treinamento alterou as doenças subjacentes que causam demência ou se afetou tipos específicos de demência”, afirmou ela em comunicado.

Embora o treinamento de memória e raciocínio não tenha reduzido o risco de demência, publicações anteriores com dados do estudo ACTIVE mostraram que ambos melhoram a memória e o raciocínio executivo, disse ela. Esse tipo de treinamento também ajuda as pessoas a desenvolver habilidades que permitem viver de forma independente em suas próprias casas.

Por que o treinamento de velocidade pode ajudar o cérebro?

Por que apenas o treinamento cognitivo rápido com atenção dividida funcionou contra a demência? Mais importante ainda, por que apenas 22,5 horas desse tipo de treinamento pareceram ter efeito duradouro ao longo dos anos? Embora sejam necessárias mais pesquisas para entender os resultados, Albert tem algumas hipóteses fundamentadas.

“Primeiro, o exercício é bastante exigente e não é particularmente divertido”, disse Albert. “Fazê-lo por uma hora, duas vezes por semana, é trabalhoso. Você está forçando o cérebro de uma maneira que ele normalmente não faria.

“Então, é possível que o treinamento de velocidade ative neurônios em todo o cérebro, criando maior conectividade e aumentando a plasticidade”, afirmou.

O exercício também era adaptativo, tornando-se mais difícil à medida que as pessoas progrediam e mais fácil quando falhavam, explicou o pesquisador em prevenção do Alzheimer, Dr. Richard Isaacson, diretor de pesquisa do Institute for Neurodegenerative Diseases, na Flórida.

Essa interatividade “exercita o cérebro de novas maneiras, o que pode contribuir para a reserva cognitiva necessária para retardar a demência”, disse Isaacson, que não participou do estudo.

Reserva cognitiva é a capacidade de o cérebro se adaptar e manter o funcionamento normal apesar da presença de danos, envelhecimento ou doenças. No caso da doença de Alzheimer, por exemplo, pessoas com maior reserva cognitiva frequentemente atrasam o início dos sintomas, mesmo já apresentando acúmulo de amiloide e tau, duas proteínas que são marcas características desse distúrbio neurológico.

Pode haver ainda outro fator envolvido no impacto positivo de longo prazo da pratica do exercício Dupla Decisão. Um estudo publicado em outubro apontou que o treinamento de velocidade pode preservar a acetilcolina, um neurotransmissor que torna o cérebro mais desperto, focado e atento.

“Estamos falando de uma mudança físico-química fundamental que sabemos ser realmente importante como fator contribuinte para a saúde cerebral”, disse o Dr. Michael Merzenich, professor emérito da Universidade da Califórnia, em São Francisco, em entrevista anterior à CNN. Merzenich é cofundador e diretor científico da Posit Science, empresa proprietária da plataforma BrainHQ.

Enquanto os pesquisadores buscam respostas mais definitivas, especialistas afirmam que o treinamento cognitivo é apenas uma parte do caminho para melhorar a saúde do cérebro.

“O Alzheimer e outras demências são transtornos complexos. Você não pode simplesmente comer um mirtilo mágico, jogar um jogo no celular ou fazer apenas uma única coisa”, disse Isaacson.

“É preciso o conjunto completo — seguir uma alimentação saudável para o cérebro, praticar exercícios regularmente, controlar a pressão arterial, ter sono de qualidade, reduzir o estresse, cultivar relacionamentos positivos — tudo isso é necessário para a saúde cerebral.”

Quer ter um cérebro turbinado e mais saudável em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital BrainHQ – que a NeuroForma Tecnologias oferece no Brasil e países de lingua portuguesa em parceria com a Posit Science (EUA), disponibiliza mais de 40 cursos e exercícios que ajudam a melhorar performance e a saúde do seu cérebro. Além do treino de velocidade cerebral, a plataforma disponibiliza treinamento de atenção, memória, habilidades sociais, resolução de problemas, entre outros.

Acesse e confira AQUI.

  • Treinamento Cerebral Cientificamente Testado: A NeuroForma utiliza o BrainHQ, uma plataforma online com mais de 40 cursos e exercícios focados em velocidade de processamento, atenção, memória e inteligência.
  • Fundamentação Científica: Os exercícios são baseados em pesquisas de cientistas de universidades como Stanford e Yale, adaptados no Brasil pelo neurocientista, médico PhD, Prof. Rogério Panizzutti.
  • Benefícios: Os treinos visam o aprimoramento cognitivo para melhorar o desempenho no trabalho, educação e vida diária, além de ajudar na prevenção de demências.
  • Planos: A plataforma oferece planos mensais, semestrais e anuais para acesso aos exercícios.
O objetivo do Neuroblog é educar sobre o funcionamento do cérebro, enquanto a plataforma pratica a “academia para o cérebro”.