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Jogo de treinamento cerebral pode reduzir o risco de Alzheimer e outras demências

Um certo tipo de treinamento cerebral parece prevenir ou retardar a demência em cerca de 25% em pessoas com mais de 65 anos, segundo novas pesquisas.

Surpreendentemente, não foram tarefas de memória ou de resolução de problemas que fizeram diferença — foi um jogo interativo computadorizado que testava a capacidade de reconhecer duas imagens distintas em sequências cada vez mais rápidas.

O jogo mostra ao usuário um de dois veículos em um cenário de deserto, cidade ou fazenda. Em seguida, um sinal da Route 66 aparece brevemente na visão periférica, cercado por outras placas de trânsito que servem como distração. Para realizar o treino corretamente, o jogador precisa clicar no carro ou trator correto e indicar a localização da placa da Route 66. À medida que os jogadores melhoram, as imagens desaparecem cada vez mais rápido.

“É o que chamamos de tarefa de atenção dividida, na qual você não tem uma estratégia consciente sobre como melhorar”, disse a coautora do estudo, Dra. Marilyn Albert, professora de neurologia na Johns Hopkins University School of Medicine e diretora do Johns Hopkins Alzheimer’s Disease Research Center, em Baltimore.

“Você simplesmente tenta, da melhor forma possível, descobrir como dividir sua atenção”, afirmou. “Também era adaptativo, no sentido de que, à medida que as pessoas melhoravam, ficava mais difícil.”

Aprendizado inconsciente

Iniciado em 1998, o estudo Advanced Cognitive Training for Independent and Vital Elderly, ou ACTIVE, testou três tipos de treinamento cognitivo em mais de 2.800 voluntários com idade média de 74 anos. Todos estavam livres de demência no início e viviam de forma independente em seis comunidades nos Estados Unidos. Um quarto grupo, que não recebeu nenhum treinamento, serviu como grupo de controle.

“Um grande ponto forte do estudo é que foi uma população realmente representativa — 25% dos participantes eram minorias”, disse Albert. “Portanto, podemos afirmar com segurança que os resultados se aplicam a toda a população dos Estados Unidos.”

Um grupo focou na memória, aprendendo técnicas para lembrar listas de palavras, textos e detalhes de histórias. Um segundo grupo recebeu treinamento voltado para o raciocínio, como resolver problemas e identificar padrões que pudessem ajudar na vida cotidiana.

Um terceiro grupo utilizou um jogo cerebral de velocidade com atenção dividida, desenvolvido por professores do Alabama e de Kentucky. Vendido em 2008 aos proprietários da BrainHQ, uma empresa com fins lucrativos de treinamento cerebral, o jogo atualizado passou a se chamar Double Decision. (Outras empresas de treinamento cerebral também desenvolveram jogos de velocidade semelhantes.)

Jogos adaptativos de dupla atenção utilizam aprendizagem implícita, que é a aquisição automática de conhecimentos ou habilidades sem consciência do que está sendo aprendido. A aprendizagem implícita envolve partes diferentes do cérebro em comparação com a resolução de problemas ou a compreensão do significado das palavras, explicou Albert.

Exemplos incluem amarrar os cadarços, reagir a sinais sociais e aprender a andar de bicicleta.

“Se você não anda de bicicleta por 10 anos, ainda assim pode subir em uma bicicleta e pedalar. Sabemos que esse tipo de aprendizagem é muito duradouro”, disse Albert.

No entanto, existe uma distinção importante entre adquirir uma habilidade e esperar que ela traga benefícios amplos em outras áreas, como a prevenção da demência, afirmou Walter Boot, professor Irving Sherwood Wright de geriatria na Weill Cornell Medicine e diretor associado do Center on Aging and Behavioral Research, em Nova York. Ele não participou do estudo.

“Alguém pode aprender a andar de bicicleta e ainda lembrar como fazer isso 20 anos depois, assim como pode aprender a tarefa de ‘velocidade de processamento’ do estudo e continuar tendo bom desempenho nela muitos anos depois”, disse Boot em um e-mail. “O que ainda não está claro é como qualquer uma dessas atividades se traduziria em um risco reduzido de demência.”

Prática extra necessária

Inicialmente, o programa foi intenso. Os voluntários receberam treinamento presencial duas vezes por semana, com sessões de 60 a 75 minutos, ao longo de cinco semanas. Ao final do primeiro ano, cerca de metade das pessoas em cada grupo de treinamento cognitivo participou de um reforço adicional de quatro sessões de uma hora. Outras quatro horas de treinamento também foram realizadas ao final do terceiro ano do estudo, totalizando 22,5 horas.

Não houve mais nenhum treinamento oficial, ainda assim, quando os pesquisadores compararam os três grupos com seus registros do Medicare 20 anos depois, descobriram que apenas o jogo de velocidade com atenção dividida contribuiu para uma redução de 25% nos diagnósticos de demência em comparação com o grupo de controle.

Esse benefício, no entanto, foi observado apenas em uma parte dos voluntários, segundo o estudo publicado na segunda-feira na revista Alzheimer’s & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions.

“A redução de 25% no risco de demência ocorreu apenas nas pessoas que fizeram o treinamento original com o jogo de velocidade e depois participaram das sessões de reforço. Se você não fez as sessões de reforço, não houve benefício”, afirmou Albert.

Embora os resultados de um estudo de 20 anos sejam valiosos, a pesquisa não tinha os dados necessários para demonstrar uma ligação definitiva entre o treinamento computadorizado e a prevenção da demência, disse a Dra. Susan Kohlhaas, diretora executiva de pesquisa e parcerias da Alzheimer’s Research UK, um centro de pesquisa sem fins lucrativos com sede em Cambridge. Ela não participou do estudo.

“Os diagnósticos foram identificados por meio de registros de saúde, e não por testes clínicos especializados, portanto não sabemos se esse treinamento alterou as doenças subjacentes que causam demência ou se afetou tipos específicos de demência”, afirmou ela em comunicado.

Embora o treinamento de memória e raciocínio não tenha reduzido o risco de demência, publicações anteriores com dados do estudo ACTIVE mostraram que ambos melhoram a memória e o raciocínio executivo, disse ela. Esse tipo de treinamento também ajuda as pessoas a desenvolver habilidades que permitem viver de forma independente em suas próprias casas.

Por que o treinamento de velocidade pode ajudar o cérebro

Por que apenas o treinamento cognitivo rápido com atenção dividida funcionou contra a demência? Mais importante ainda, por que apenas 22,5 horas desse tipo de treinamento pareceram ter efeito duradouro ao longo dos anos? Embora sejam necessárias mais pesquisas para entender os resultados, Albert tem algumas hipóteses fundamentadas.

“Primeiro, o jogo é bastante exigente e não é particularmente divertido”, disse Albert. “Fazê-lo por uma hora, duas vezes por semana, é trabalhoso. Você está forçando o cérebro de uma maneira que ele normalmente não faria.

“Então, é possível que o treinamento de velocidade ative neurônios em todo o cérebro, criando maior conectividade e aumentando a plasticidade”, afirmou.

O jogo também era adaptativo, tornando-se mais difícil à medida que as pessoas progrediam e mais fácil quando falhavam, explicou o pesquisador em prevenção do Alzheimer, Dr. Richard Isaacson, diretor de pesquisa do Institute for Neurodegenerative Diseases, na Flórida.

Essa interatividade “exercita o cérebro de novas maneiras, o que pode contribuir para a reserva cognitiva necessária para retardar a demência”, disse Isaacson, que não participou do estudo.

Reserva cognitiva é a capacidade do cérebro de se adaptar e manter o funcionamento normal apesar da presença de danos, envelhecimento ou doenças. No caso da doença de Alzheimer, por exemplo, pessoas com maior reserva cognitiva frequentemente atrasam o início dos sintomas, mesmo já apresentando acúmulo de amiloide e tau, duas proteínas que são marcas características desse distúrbio neurológico.

Pode haver ainda outro fator envolvido no impacto positivo de longo prazo do jogo. Um estudo publicado em outubro apontou que o treinamento de velocidade pode preservar a acetilcolina, um neurotransmissor que torna o cérebro mais desperto, focado e atento.

“Estamos falando de uma mudança físico-química fundamental que sabemos ser realmente importante como fator contribuinte para a saúde cerebral”, disse o Dr. Michael Merzenich, professor emérito da Universidade da Califórnia, em São Francisco, em entrevista anterior à CNN. Merzenich é cofundador e diretor científico da Posit Science, empresa proprietária da BrainHQ.

Enquanto os pesquisadores buscam respostas mais definitivas, especialistas afirmam que o treinamento cognitivo é apenas uma parte do caminho para melhorar a saúde do cérebro.

“O Alzheimer e outras demências são transtornos complexos. Você não pode simplesmente comer um mirtilo mágico, jogar um jogo no celular ou fazer apenas uma única coisa”, disse Isaacson.

“É preciso o conjunto completo — seguir uma alimentação saudável para o cérebro, praticar exercícios regularmente, controlar a pressão arterial, ter sono de qualidade, reduzir o estresse, cultivar relacionamentos positivos — tudo isso é necessário para a saúde cerebral.”

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Treino cerebral de semanas pode proteger contra a demência por 20 anos

Um estudo publicado em 9 fevereiro de 2026 na revista Alzheimer’s & Dementia mostrou que um tipo específico de treinamento cerebral pode reduzir o risco de demência, incluindo Alzheimer, até 20 anos depois da intervenção.

A pesquisa feita por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos, acompanhou 2.802 adultos com 65 anos ou mais, com média de idade de 74 anos, ao longo de duas décadas.

Os resultados indicam que participantes que fizeram um treinamento voltado para velocidade de processamento mental, com sessões de reforço, tiveram menos risco de desenvolver demência em comparação com o grupo que não recebeu treinamento.

Os voluntários foram divididos em quatro grupos: o de treinamento de velocidade de processamento (exercícios rápidos no computador), treinamento de memória, treinamento de raciocínio e o grupo controle (sem treino).

As sessões duravam de 60 a 75 minutos, duas vezes por semana, por cerca de cinco a seis semanas. Parte dos participantes também recebeu sessões extras de reforço meses depois. Após 20 anos, o grupo que fez o treinamento de velocidade com reforço apresentou redução significativa no risco de demência.

O que é demência?

  • Demência é um conjunto de sinais e sintomas, incluindo esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, perda de compromissos ou dificuldade em lembrar nomes.
  • Atualmente, o SUS oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar para pessoas com demência, incluindo Alzheimer, em centros de referência e unidades básicas de saúde.
  • Um diagnóstico precoce permite ações terapêuticas que podem retardar sintomas, aliviar a carga familiar e melhorar a qualidade de vida.

Dados do Ministério da Saúde mostram que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou retardados.

Resultados dos testes

Entre os que fizeram o treinamento de velocidade com reforço, 40% desenvolveram demência ao longo do estudo. No grupo controle, o número foi de 49%. A diferença representa uma redução relativa de 25% no risco, segundo os pesquisadores. Já os treinamentos focados em memória e raciocínio não mostraram o mesmo efeito na prevenção da demência.

O treinamento de velocidade foi adaptativo: ele ajustou o nível de dificuldade conforme o desempenho da pessoa. Além disso, trabalhou a agilidade mental e a capacidade de lidar com informações visuais rapidamente, estimulando várias áreas do cérebro ao mesmo tempo. Os pesquisadores acreditam que esse tipo de estímulo pode fortalecer redes cerebrais envolvidas na atenção e no processamento de informações.

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência e ainda não tem cura. Por isso, estratégias de prevenção são cada vez mais estudadas. Os autores destacam que o treinamento cerebral não substitui hábitos saudáveis, mas pode ser uma ferramenta complementar.

Atividade física, controle da pressão, alimentação equilibrada e convívio social continuam sendo fundamentais para proteger o cérebro. Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que nem todo programa comercial de “treino cerebral” tem comprovação científica. Mais estudos ainda são necessários para entender melhor os mecanismos por trás da proteção observada.

Cochilos à tarde podem limpar o cérebro e melhorar a capacidade de aprendizado, aponta novo estudo

O cérebro está constantemente ativo durante o dia: novas impressões, pensamentos e informações são processados, fortalecendo as conexões entre as células nervosas (sinapses). Essas conexões sinápticas fortalecidas são uma importante base neural para os processos de aprendizagem.

No entanto, elas também levam à saturação, de modo que a capacidade do cérebro de aprender diminui com o tempo. O sono ajuda a regular essa atividade excessiva novamente, sem perda de informações importantes.

E segundo um novo estudo, um rápido cochilo à tarde pode ajudar o cérebro a se recuperar e melhorar sua capacidade de aprendizado. Publicada na revista NeuroImage e realizada pelo Centro Médico Universitário de Freiburg (Alemanha), dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG) e da Universidade de Genebra (UNIGE), a pesquisa mostra que um cochilo de cerca de 45 minutos é suficiente para reorganizar as conexões entre as células nervosas, permitindo que novas informações sejam armazenadas com mais eficácia.

Até agora, sabia-se que esses efeitos ocorriam apenas após uma noite completa de sono.

“Nossos resultados sugerem que mesmo curtos períodos de sono melhoram a capacidade do cérebro de codificar novas informações”, afirma o autor principal do estudo, Christoph Nissen.

O estudo examinou 20 adultos jovens saudáveis que tiraram uma soneca ou permaneceram acordados em duas tardes diferentes. A soneca da tarde durou, em média, 45 minutos.

Como não é possível realizar medições diretas nas sinapses em humanos saudáveis, a equipe de pesquisa utilizou métodos não invasivos já estabelecidos, como estimulação magnética transcraniana (EMT) e eletroencefalografia (EEG), para chegar a conclusões sobre a força e a flexibilidade das sinapses.

Os resultados mostraram que, após o cochilo, a força geral das conexões sinápticas no cérebro foi reduzida — um sinal do efeito restaurador do sono. Ao mesmo tempo, a capacidade do cérebro de formar novas conexões melhorou significativamente.

O cérebro estava, portanto, mais bem preparado para aprender novos conteúdos do que após um período de vigília igualmente longo.

“O estudo nos ajuda a entender a importância de até mesmo curtos períodos de sono para a recuperação mental”, afirma Kai Spiegelhalder, chefe da Seção de Pesquisa Psiquiátrica do Sono e Medicina do Sono do Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia do Centro Médico Universitário de Freiburg.

Segundo ele, um breve cochilo pode ajudar a pensar com mais clareza e a continuar trabalhando com concentração.

Os pesquisadores afirmaram que o estudo pode oferecer uma explicação biológica para o fato de as pessoas geralmente terem um desempenho melhor após um cochilo à tarde. Especialmente em profissões ou atividades que exigem um alto nível de desempenho mental ou físico — como na música, nos esportes ou em áreas críticas para a segurança.

No entanto, eles enfatizam que problemas ocasionais de sono não levam automaticamente a uma queda no desempenho. Em casos de insônia crônica, por exemplo, os sistemas reguladores do ciclo sono-vigília permanecem essencialmente intactos.

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Cérebro ocioso: estudo do MIT revela os efeitos que o uso excessivo da inteligência artificial tem sobre a mente

Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma ferramenta do dia a dia. Sem percebermos, começamos a delegar a ela não apenas a recuperação de informações e a colaboração profissional, mas também a assistência na tomada de decisões importantes, consultas médicas e até mesmo a resposta a perguntas cruciais sobre nossas vidas pessoais.

Mas qual o impacto disso em nossa saúde mental e bem-estar? O estudo mais recente do Instituto MIT, juntamente com reflexões de especialistas em neurociência contemplativa, começa a oferecer algumas respostas.

Quando a IA pensa por nós

Pesquisadores do MIT estudaram como modelos de linguagem (como o ChatGPT) influenciam os processos cognitivos quando interagimos com eles. A principal descoberta é ao mesmo tempo perturbadora e promissora: a IA não apenas fornece informações; ela também molda a maneira como organizamos e avaliamos nossas próprias ideias.

De acordo com experimentos, quando os usuários recebem sugestões de IA, tendem a adotar suas estruturas de raciocínio, padrões argumentativos e até mesmo seu estilo de escrita. Isso pode aumentar a produtividade, mas também pode prejudicar habilidades como memória de trabalho, capacidade de sintetizar informações e tolerância à complexidade.

Em termos simples: quando deixamos a IA pensar por nós, o cérebro começa a se esforçar menos , e isso pode ter um impacto em outras áreas de nossas vidas.

A importância de ‘estar no controle da situação’

Outro ponto fundamental destacado pelos cientistas é que nossa relação com a IA se assemelha muito mais a uma relação com um hábito mental do que a uma interação com uma ferramenta tecnológica. O que está em jogo não é apenas o que fazemos, mas como o fazemos .

Se a IA for usada de forma automática, distraída ou ansiosa, ela reforça esses estados internos. Se a usarmos com intenção e presença, ela pode nos emponderar. Richard Davidson — um dos maiores especialistas mundiais em neurociência — resume assim: “A IA amplifica a mente que a utiliza.”

O risco invisível do cérebro ocioso

A atenção é como um músculo. O que não usamos, enfraquece. E aqui reside o principal risco para o bem-estar mental: quanto mais dependemos da IA ​​para tarefas simples, menos estímulos recebemos para nossa capacidade de manter o foco, lembrar e desenvolver pensamentos profundos.

Essa dificuldade de atenção é um conhecido indicador de angústia, impulsividade e estresse. O cérebro humano precisa de um certo nível de esforço cognitivo para se manter saudável, assim como o corpo precisa de movimento.

Como usar a IA de forma saudável?

Os especialistas propõem três práticas simples:

  1. Faça pausas conscientes antes de perguntar. Pergunte a si mesmo: “Consigo pensar sobre isso sozinho antes de perguntar à IA?” Não é um teste. É um exercício mental.
  2. Use a IA como um espelho, não como um substituto. Peça à IA que questione, expanda ou desafie suas ideias, em vez de criá-las do zero.
  3. Alternar entre produção humana e assistência artificial. Por exemplo: escrever um primeiro rascunho à mão e só depois solicitar melhorias à IA. Isso preserva a autonomia cognitiva.

Mais reflexão, não menos

A questão central não é mais se a IA mudará nossas mentes: ela já está mudando. A verdadeira questão é que tipo de mentes queremos cultivar enquanto essa mudança acontece?

A questão central não é mais se a IA mudará nossas mentes: ela já está mudando . A verdadeira questão é que tipo de mentes queremos cultivar enquanto essa mudança acontece?

Se aprendermos a usar essa tecnologia como uma aliada — e não como uma substituta — ela poderá se tornar uma ferramenta para aprofundar a introspecção, enriquecer nossa criatividade e aliviar a carga cognitiva sem prejudicar nosso bem-estar.

Em resumo, e como já afirmaram diversos especialistas no assunto, o futuro não pertencerá àqueles que delegam tudo à inteligência artificial, mas sim àqueles que mantêm viva a inspiração, a criatividade e a inteligência humana que a guiam.

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Neurônios não morrem: o enigma do envelhecimento cerebral pode mudar tratamento de Alzheimer e Parkinson

Um estudo publicado na revista científica Nature traçou o mapa mais detalhado já feito do envelhecimento cerebral humano — e revelou que o processo não ocorre por perda maciça de neurônios, como se acreditava, mas pela queda de eficiência dos genes que mantêm essas células funcionando.

A equipe analisou mais de 360 mil células do córtex pré-frontal, região ligada à memória, atenção e tomada de decisões, em cérebros de pessoas de idades que vão de recém-nascidos a centenários.

O que se sabia antes

Até agora, a ciência explicava o envelhecimento cerebral sobretudo por dois mecanismos:

  1. Perda de neurônios ao longo da vida, o que reduziria a capacidade de processamento do cérebro.
  2. Acúmulo de proteínas tóxicas, como beta-amiloide e tau, associadas a doenças como Alzheimer.

    Essas ideias ajudaram a criar terapias que atuam nos sintomas (como os inibidores de colinesterase, usados desde os anos 80) ou em proteínas defeituosas (como os anticorpos monoclonais aprovados em 2023 e 2024). Mas ainda não havia clareza sobre o que acontece nas células saudáveis durante o envelhecimento.

    O que o novo estudo mostrou

    O trabalho traz novidades fundamentais:

    Neurônios preservados, mas menos eficientes. As células continuam existindo, mas perdem vitalidade porque os genes ligados a funções básicas — energia, reparo, transporte e metabolismo — entram em declínio, principalmente após os 40 anos.

    Acúmulo de mutações somáticas. Cada neurônio acumula, em média, 15 mutações por ano. Essas alterações não são herdadas dos pais, mas adquiridas ao longo da vida, como resultado de desgaste, exposição ambiental e falhas nos mecanismos de reparo.

    Genes longos protegidos, genes curtos vulneráveis. Genes mais curtos e muito ativos, responsáveis pela manutenção celular, sofrem mais mutações e tendem a perder expressão. Já genes longos específicos dos neurônios, ligados a funções cognitivas, parecem ter mecanismos extras de proteção e se mantêm mais estáveis.

    Desequilíbrio na comunicação neural. Em cérebros mais velhos, há redução de genes inibitórios como SST e VIP, que funcionam como “freios” da atividade cerebral. Isso aumenta o “ruído” nas conexões, favorecendo declínio cognitivo e risco de doenças neurodegenerativas.

    Diferença entre infância e velhice

    Em bebês e crianças, foram identificados grupos de neurônios e astrócitos imaturos ligados ao desenvolvimento. Já no envelhecimento, há queda de células precursoras de mielina, reduzindo a capacidade de regeneração das conexões.

    Virada de chave

    Para o especialista em doenças raras e PhD em genética reprodutiva Ciro Martinhago, esses genes, ligados a reparo, metabolismo e energia, “perdem eficiência com a idade — e essa queda fica mais evidente depois dos 40 anos, quando os mecanismos de reparo deixam de dar conta do desgaste acumulado”.

    Esse detalhe ajuda a explicar por que, apesar de preservarem sua identidade, os neurônios tornam-se menos eficientes com o tempo. Neurologista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Renato Anghinah ressalta que os genes específicos dessas células permanecem estáveis, mas a “maquinaria básica que garante seu funcionamento entra em declínio”. Segundo ele, isso reforça que o cérebro envelhece em sintonia com o corpo, em um processo de desgaste global.

    A consequência prática, ressalta o neurocirurgião e pós-doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Helder Picarelli, é um deslocamento de foco:

    “Sempre tentamos tratar as consequências do envelhecimento — cálcio para ossos, colágeno para pele, vitaminas para memória. O diferencial deste trabalho é mostrar que talvez seja possível intervir nas causas moleculares, atacando a origem do problema.”

    Se hoje a prevenção ainda depende de hábitos como sono de qualidade, dieta equilibrada e controle de doenças crônicas, os especialistas veem no horizonte terapias capazes de preservar a eficiência genética das célulasMais do que aliviar sintomas, a ciência passa a vislumbrar a chance de retardar de fato o relógio biológico do cérebro.

Por que ler ficção faz bem para o seu cérebro

Os livros de ficção têm o poder de nos transportar para outros lugares, países e até universos. Por meio de histórias escritas por outras pessoas, experimentamos sensações e vivências distantes do nosso cotidiano, estimulando a imaginação e a criatividade.

Não à toa, nosso primeiro contato com a literatura costuma ser através da ficção: seja na infância, com os contos de fadas e as fábulas; seja na adolescência, com os clássicos da escola. Mas ler títulos ficcionais é muito mais do que um entretenimento delicioso. Estudos mostram que esse hábito pode melhorar nossas capacidades cognitivas e a forma como enxergamos o mundo.

Novas perspectivas

Pesquisa recente realizada por pesquisadores da Maximilian University of Würzburg, na Alemanha, confirmou que a ficção tem um impacto positivo na empatia e na compreensão do pensamento alheio. O estudo ainda apontou que ler é mais benéfico do que assistir às mesmas histórias na tela, além de fortalecer habilidades verbais, de raciocínio e de resolução de problemas.

De acordo com outra pesquisa publicada em 2013 na revista Science, ler ficção aumenta a nossa capacidade de compreender os estados mentais dos outros e de entender que as pessoas podem ter crenças, valores e ideias diferentes das nossas.

Temos o luxo de frequentar esse espaço em que a gente só quer segurar a mão de pessoas que não existem ou conversar com alguém que pode ter morrido há séculos, e isso é absurdamente poderoso”, disse o tradutor e ensaísta Caetano Galindo em uma conversa sobre o poder da ficção, mediada pelo The Summer Hunter na 23ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).

Além de ampliar a empatia e a compreensão do outro, a leitura de ficção atua diretamente sobre funções essenciais do cérebro. Ao acompanhar narrativas complexas, universos imaginários e personagens multifacetados, o leitor exercita a criatividade e a imaginação de forma profunda e contínua. Diferente de estímulos audiovisuais, o texto exige participação ativa: é preciso construir cenários mentalmente, interpretar intenções, antecipar desfechos. Esse processo fortalece a memória, a atenção e a capacidade de concentração.

A ficção também favorece o desenvolvimento do pensamento crítico, pois estimula o leitor a questionar motivações, analisar conflitos e refletir sobre dilemas morais e sociais apresentados na história. Ao entrar em contato com pontos de vista distintos, épocas diferentes e realidades diversas, ampliamos nosso repertório simbólico e nossa capacidade de interpretar o mundo com mais nuance e sensibilidade.

A mente em outro ritmo

Ler ficção também pode funcionar como uma poderosa ferramenta de redução do estresse, ajudando a desacelerar o ritmo mental e a criar momentos de pausa em meio à rotina acelerada. O envolvimento com histórias promove relaxamento, diminui a ansiedade e contribui para uma sensação geral de equilíbrio.

A longo prazo, esse hábito também está associado à chamada longevidade cognitiva: manter o cérebro ativo, curioso e desafiado por meio da leitura pode retardar o declínio de funções mentais, especialmente com o avanço da idade.

Além disso, ao oferecer novas lentes para compreender comportamentos humanos, relações sociais e estruturas culturais, a ficção aprofunda nossa compreensão da sociedade e de nós mesmos. Ler histórias não apenas entretém —amplia horizontes, fortalece o pensamento e nos torna leitores mais atentos do mundo que nos cerca.

Retomando o hábito

Apesar de todos esses benefícios, estamos lendo cada vez menos. Segundo a edição mais recente da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada a cada cinco anos, a média anual de livros lidos pelos brasileiros diminuiu de 4,95 em 2019 para 3,96 em 2024. Apenas 47% da população com mais de cinco anos de idade havia lido pelo menos parte de um livro nos três meses anteriores ao estudo.
Quando perguntados sobre os motivos pelos quais estão lendo menos, 46% dos brasileiros responderam “falta de tempo”. Em parte, isso tem a ver com as horas que passamos com o celular na mão, o que soma mais um fator a essa equação: o excesso de telas e a enxurrada de estímulos digitais tornam cada vez mais difícil focar em uma única atividade por muito tempo —e a leitura acaba ficando em segundo plano.
E aí entram, novamente, os livros de ficção, já que podem ser um ótimo jeito de retomar —ou até começar — o hábito de leitura. A curiosidade para descobrir o que acontece nos próximos capítulos e a conexão com os personagens são fatores que ajudam a manter o ritmo e diminuem as chances de abandonar a história na metade. E nem precisa de muito: lendo em torno de oito a dez páginas por dia, já dá para terminar um ou até mais livros por mês.

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Hobbies criativos mantêm o cérebro jovem, revela estudo; veja quais são os melhores

Atividades criativas como música, dança, pintura e até mesmo jogos eletrônicos podem ajudar a manter o cérebro biologicamente “mais jovem”, de acordo com um grande estudo internacional publicado na revista científica Nature Communications. Mesmo breves períodos de atividade criativa, como algumas semanas jogando videogames de estratégia, apresentaram benefícios notáveis.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores de 13 países analisaram dados cerebrais de mais de 1.400 adultos de todas as idades ao redor do mundo. Eles coletaram dados cerebrais de pessoas com experiência avançada em tango, música, artes visuais e jogos de estratégia, mas também recrutaram pessoas sem experiência para fins de comparação. Além disso, um terceiro grupo de iniciantes passou por um treinamento de curta duração em StarCraft II, um videogame de estratégia, para que os pesquisadores pudessem observar como o aprendizado de uma nova habilidade criativa afeta o cérebro em apenas algumas semanas.

Todos os participantes foram submetidos a exames cerebrais de eletroencefalograma e magnetoencefalografia, cujos dados foram inseridos em modelos de aprendizado de máquina para estimar a “idade cerebral”, ou relógios cerebrais, que calculam a idade aparente do cérebro em termos biológicos versus cronológicos. Os pesquisadores então utilizaram modelos computacionais avançados para explorar por que a criatividade pode proteger o cérebro e descobriram que os hobbies ajudam a fortalecer as redes responsáveis ​​pela coordenação, atenção, movimento e resolução de problemas, que podem enfraquecer com a idade.

Pessoas com anos de prática criativa apresentaram as maiores reduções na idade cerebral, mas mesmo iniciantes observaram melhorias, com jogos de estratégia impulsionando os marcadores de idade cerebral após aproximadamente 30 horas de treinamento.

“Uma de nossas principais conclusões é que você não precisa ser um especialista para se beneficiar da criatividade”, diz o médico Carlos Coronel, primeiro autor e pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Saúde Cerebral Global do Trinity College Dublin e da Universidade Adolfo Ibáñez, em comunicado. “De fato, descobrimos que os participantes se beneficiaram de breves sessões de treinamento com videogames.”

Segundo os pesquisadores, esta foi a primeira evidência em larga escala a ligar diretamente múltiplas áreas criativas ao envelhecimento cerebral mais lento, embora pesquisas anteriores já tivessem relacionado a criatividade à melhora do humor e do bem-estar.

“A criatividade surge como um poderoso determinante da saúde cerebral, comparável ao exercício físico ou à dieta”, afirma o médico Agustin Ibanez, do Trinity College Dublin, autor sênior do estudo. “Nossos resultados abrem novos caminhos para intervenções baseadas na criatividade, visando proteger o cérebro contra o envelhecimento e doenças.”

O estudo também mostrou que os relógios cerebrais, uma ferramenta relativamente nova que vem ganhando força na neurociência, podem ser usados ​​para monitorar intervenções destinadas a melhorar a saúde cerebral. No entanto, os pesquisadores alertaram que os resultados são preliminares e ressaltam que a maioria dos participantes eram adultos saudáveis, muitos subgrupos eram pequenos e o estudo não acompanhou os participantes a longo prazo para verificar se cérebros com aparência mais jovem realmente levam a um menor risco de demência ou a um melhor funcionamento diário.

Pessoas criativas geralmente têm outras vantagens, observaram os pesquisadores, como maior escolaridade, vida social ativa e melhor acesso às artes e atividades, e o estudo não conseguiu separar completamente esses fatores dos efeitos da própria criatividade. Nos próximos passos, os pesquisadores realizarão estudos mais abrangentes que incluam outras áreas criativas e relacionem medidas de idade cerebral a resultados no mundo real, como memória, habilidades de raciocínio e risco de doenças.

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Assistir a vídeos acelerados traz impactos para o cérebro, diz estudo

A pressa virou parte do cotidiano – e até o aprendizado entrou nesse ritmo acelerado. Hoje, é comum ver pessoas ouvindo podcasts, assistindo videoaulas e consumindo conteúdo em vídeos em velocidades maiores, como 1,5x ou até 2x. Para muitos jovens, inclusive, esse é o novo normal.

Uma pesquisa feita com estudantes da Califórnia revelou que 89% ajustam a velocidade de reprodução das aulas online. A justificativa parece lógica: aprender mais em menos tempo, revisar o conteúdo com rapidez e manter a concentração. Mas será que o cérebro acompanha esse ritmo?

A mente também tem limites

De acordo com estudos sobre a memória e o processamento cognitivo, nosso cérebro precisa de tempo para decodificar e compreender as informações recebidas. Quando escutamos alguém falando, o processo mental envolve três etapas principais: codificação, armazenamento e recuperação.

A fase de codificação, quando entendemos e damos sentido às palavras, é especialmente sensível à velocidade. O cérebro humano entende bem cerca de 150 palavras por minuto, e até o dobro disso (300 palavras) ainda é aceitável. Mas, a partir daí, o excesso de estímulos pode gerar sobrecarga cognitiva: a mente recebe mais informações do que consegue processar e acaba perdendo parte delas.

Isso acontece porque a memória de trabalho, responsável por organizar o que ouvimos antes de armazenar o conhecimento de forma duradoura, tem uma capacidade limitada. Quando bombardeada por dados muito rapidamente, ela não consegue transformar tudo em aprendizado real.

O que a ciência descobriu sobre o “modo rápido”

Uma grande revisão científica que reuniu 24 estudos sobre aprendizado com vídeos mostrou que aumentar a velocidade de reprodução prejudica o desempenho em testes. Nos experimentos, um grupo assistia ao vídeo na velocidade normal e outro em versões aceleradas (1,25x, 1,5x, 2x ou 2,5x). Depois, ambos faziam as mesmas provas. O resultado foi claro: até 1,5x, o impacto era pequeno. Mas, acima disso, o desempenho caía de forma considerável. Em termos práticos: se um estudante tirava 75% na velocidade normal, ver o mesmo vídeo a 2,5x poderia reduzir sua nota média em até 17 pontos percentuais.

E os mais velhos?

Os efeitos da aceleração parecem ainda mais fortes em adultos acima dos 60 anos. Pesquisas mostram que, com o envelhecimento, a memória de trabalho e o tempo de processamento diminuem naturalmente. Isso faz com que assistir a conteúdos muito rápidos seja mais desafiador e reduza a retenção de informações. Nesses casos, especialistas recomendam que os vídeos sejam vistos em velocidade normal ou até mais lenta, para garantir que o aprendizado realmente se consolide.

O cérebro pode se adaptar?

Ainda não há consenso. É possível que pessoas acostumadas a consumir vídeos acelerados desenvolvam certa tolerância à carga cognitiva, conseguindo lidar melhor com o excesso de informações. Por outro lado, também há hipóteses de que o hábito possa gerar cansaço mental a longo prazo, reduzindo a motivação e o prazer de aprender. Curiosamente, alguns estudos mostram que, mesmo quando a velocidade 1,5x não prejudica a memória, ela torna a experiência menos prazerosa. Ou seja, aprender rápido pode funcionar, mas talvez não seja tão agradável.

Em um mundo que valoriza produtividade e multitarefa, é natural querer fazer tudo mais rápido. Mas o cérebro humano continua precisando de pausas, atenção e repetição para transformar informação em conhecimento. Assistir aulas ou ouvir podcasts acelerados pode ser útil em algumas situações, mas o equilíbrio é essencial. Afinal, aprender bem não é apenas acumular dados – é dar tempo para o cérebro respirar e compreender.

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Adolescência até os 30 anos e as quatro outras fases do cérebro durante a vida, segundo novo estudo

Cerca de 4.000 pessoas de até 90 anos fizeram exames que mostraram as conexões entre suas células cerebrais.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge (Reino Unido) afirmam que o cérebro permanece na fase adolescente até o início dos 30 anos, quando “atinge o auge”.

Eles dizem que os resultados da pesquisa podem ajudar a explicar por que o risco de transtornos mentais e demência varia conforme a idade.

Uma médica observa o monitor de um aparelho de ressonância magnética; a tela exibe cinco diferentes imagens do cérebro.

Crédito,Monty Rakusen / Getty Images

Legenda da foto,Pesquisadores identificaram cinco fases distintas no desenvolvimento do cérebro

O cérebro muda constantemente em resposta a novos conhecimentos e experiências, mas o estudo mostra que esse processo não segue um padrão contínuo do nascimento à morte. Não é linear.

Segundo os autores, há cinco fases cerebrais:

  • Infância – do nascimento aos 9 anos
  • Adolescência – dos 9 aos 32 anos
  • Vida adulta – dos 32 aos 66 anos
  • Envelhecimento inicial – dos 66 aos 83 anos
  • Envelhecimento avançado – dos 83 anos em diante

“O cérebro se reconecta ao longo da vida. Ele está sempre fortalecendo e enfraquecendo ligações, e isso não ocorre de forma constante — há oscilações e fases de reconexão”, explica à BBC a pesquisadora Alexa Mousley.

Algumas pessoas chegam a essas etapas antes ou depois, mas os pesquisadores afirmam que chama atenção o fato de essas idades se destacarem de forma nítida nos dados.

Esses padrões só agora aparecem devido ao volume de exames cerebrais reunidos no estudo, publicado na revista científica Nature Communications.

Duas mulheres jovens comemoram. Uma abraça a outra enquanto levanta a perna no ar. Atrás delas há fios prateados de enfeites.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Pesquisadores da Universidade de Cambridge afirmam que o cérebro permanece na fase adolescente até o início dos 30 anos

As cinco fases do cérebro

Infância – O primeiro período é marcado pelo rápido crescimento do cérebro e pelo afinamento do excesso de conexões entre neurônios, que são as sinapses, formadas no início da vida.

O funcionamento se torna menos eficiente. O cérebro age como uma criança que passeia pelo parque sem rumo definido, em vez de ir direto do ponto A ao ponto B.

Um bebê sorri e estende a mão em direção à câmera enquanto está deitado com uma manta macia sobre o peito.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,O cérebro passa por suas mudanças mais rápidas na infância

Adolescência – Isso muda de forma abrupta a partir dos 9 anos, quando as conexões passam por um processo intenso de ganho de eficiência. “É uma mudança enorme”, diz Mousley, ao descrever a alteração mais profunda entre as fases cerebrais.

É também o período de maior risco para o surgimento de transtornos mentais.

A adolescência começa perto da puberdade, mas as evidências indicam que termina muito mais tarde do que se supunha. Já se pensou que se limitava à juventude, até que a neurociência mostrou que avançava para os 20 e agora até o início dos 30.

Essa é a única fase em que a rede de neurônios fica mais eficiente.

Mousley afirma que isso reforça medidas de desempenho cerebral que apontam um pico no começo dos 30 anos, mas destaca ser “muito interessante” que o cérebro permaneça na mesma fase dos 9 aos 32.

Imagem de um exame cerebral mostrando áreas vermelhas no centro, cercadas por regiões em amarelo, verde e azul-claro.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Os pesquisadores afirmam que os resultados podem ajudar a entender por que o risco de transtornos mentais e demência varia ao longo da vida

Vida adulta – Depois vem um período de estabilidade para o cérebro, a fase mais longa, que dura três décadas.

As mudanças diminuem em comparação às transformações anteriores, mas é aqui que vemos a eficiência começar a cair.

Segundo Mousley, isso “se alinha com um platô de inteligência e personalidade” que muitos já observaram ou vivenciaram.

Duas mulheres riem enquanto uma segura um prato com bolos e velas acesas.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Os pesquisadores afirmam que a vida adulta é o período mais longo do desenvolvimento do cérebro, quando ocorrem menos mudanças

Envelhecimento inicial – Tem início aos 66 anos, mas não representa uma queda brusca. Ocorrem mudanças nos padrões de conexão.

O cérebro deixa de funcionar como um único conjunto integrado e passa a se dividir em regiões que trabalham de forma mais independente, como integrantes de uma banda que começam projetos solo.

Embora o estudo tenha analisado cérebros saudáveis, essa é também a idade em que surgem sinais de demência e hipertensão, que afetam a saúde cerebral.

Envelhecimento avançado – Aos 83 anos, começa a etapa final. Há menos dados sobre esse grupo, já que é mais difícil encontrar cérebros saudáveis para escaneamento. As mudanças seguem a lógica do envelhecimento inicial, mas de forma mais acentuada.

Mousley diz que o que mais a surpreendeu foi a “coerência entre as idades e marcos importantes”, como puberdade, problemas de saúde mais comuns na velhice e até mudanças sociais marcantes no início dos 30, como a parentalidade.

Um casal idoso. A mulher aparece em primeiro plano vestindo um sari vermelho e branco, e o homem, desfocado ao fundo, veste uma camisa branca.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Os cientistas afirmam que o envelhecimento avançado começa aos 83 anos

‘Um estudo muito interessante’

O estudo não analisou diferenças entre homens e mulheres, mas surgem questões como o impacto da menopausa.

Duncan Astle, professor de neuroinformática da Universidade de Cambridge, afirma: “Muitos transtornos do neurodesenvolvimento, de saúde mental e neurológicos estão ligados ao modo como o cérebro é conectado. Diferenças nessa conectividade influenciam atenção, linguagem, memória e vários tipos de comportamento.”

Tara Spires-Jones, diretora do centro de ciências cerebrais da Universidade de Edimburgo (Reino Unido), diz: “É um estudo muito interessante que destaca o quanto nossos cérebros mudam ao longo da vida”.

Spires-Jones afirma que os resultados “se encaixam bem” no entendimento atual sobre envelhecimento cerebral, mas adverte que “nem todos vão apresentar essas mudanças exatamente nas mesmas idades”.

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Cientistas concluem primeiro esboço de atlas do cérebro em desenvolvimento

Cientistas alcançaram um marco em uma iniciativa para mapear como os diversos tipos de células cerebrais surgem e amadurecem desde os estágios embrionários até a idade adulta. O resultado desse trabalho pode levar ao surgimento de novas formas de abordar certas condições, como autismo e esquizofrenia.

Os pesquisadores fizeram um primeiro esboço dos atlas do cérebro humano em desenvolvimento e do cérebro de mamíferos em desenvolvimento. Os achados foram detalhados nesta quarta-feira (5) em uma coleção de estudos publicados na revista Nature.

A pesquisa concentrou-se em células cerebrais humanas e de camundongos —há ainda trabalhos voltados a células cerebrais de macacos. No esboço inicial, mapeou-se o desenvolvimento de diferentes tipos de células cerebrais, rastreando como nascem, diferenciam-se e amadurecem em vários tipos com funções únicas. Também foi possível acompanhar como os genes são ativados ou desativados nessas células ao longo do tempo.

Houve a identificação de genes-chave que controlam processos cerebrais e a descoberta de semelhanças no desenvolvimento das células cerebrais entre cérebros humanos e de outros animais, bem como alguns aspectos únicos do cérebro humano, incluindo a identificação de tipos celulares anteriormente desconhecidos.

A pesquisa faz parte da Rede de Atlas Celular da Iniciativa Brain (Bican), dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos EUA, uma colaboração científica internacional para criar um atlas abrangente do cérebro humano.

“Nosso cérebro possui milhares de tipos de células com extraordinária diversidade em suas propriedades e funções celulares, e esses diversos tipos celulares trabalham juntos para gerar uma variedade de comportamentos, emoções e cognição”, disse a neurocientista Hongkui Zeng, diretora de ciência cerebral no Instituto Allen em Seattle. Ela é líder de dois dos estudos que saíram.

Pesquisadores encontraram mais de 5.000 tipos de células no cérebro de camundongos. Acredita-se que haja pelo menos essa quantidade no cérebro humano.

“O cérebro em desenvolvimento é uma estrutura incrivelmente enigmática —difícil de acessar, formado por muitos tipos distintos de células e muda rapidamente. Embora conhecêssemos as grandes mudanças que ocorrem durante o desenvolvimento cerebral, agora temos uma compreensão muito mais detalhada das partes do cérebro em desenvolvimento graças a este conjunto de atlas”, disse a neurocientista Aparna Bhaduri, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, também envolvida na pesquisa.

O estudo promete importantes aplicações práticas.

“Primeiro, ao estudar e comparar o desenvolvimento cerebral em humanos e outros animais, compreenderemos melhor a especialização humana e de onde vem nossa inteligência única. Segundo, ao entender o desenvolvimento cerebral, teremos mais informações para estudar quais mudanças estão acontecendo em cérebros doentes —quando e onde— tanto em tecidos humanos doentes quanto em modelos animais de doenças”, explicou Zeng.

Ao obter esse conhecimento, os cientistas esperam alcançar terapias genéticas e celulares mais precisas para uma variedade de doenças humanas, de acordo com Zeng. A esperança é que as descobertas proporcionem uma compreensão mais profunda do autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, esquizofrenia e outras condições conhecidas por se manifestarem durante o desenvolvimento cerebral.

As regiões cerebrais para as quais os pesquisadores criaram atlas de desenvolvimento de tipos celulares incluíram o neocórtex, que é a parte da camada mais externa do cérebro onde se origina a função cognitiva superior, e o hipotálamo, uma pequena estrutura localizada nas profundezas do cérebro que ajuda a regular a temperatura corporal, pressão arterial, humor, sono, desejo sexual, fome e sede.

Os pesquisadores identificaram alguns aspectos únicos do cérebro humano. Um exemplo foi o processo prolongado de diferenciação nos tipos de células corticais devido ao longo período de desenvolvimento do cérebro humano, desde o feto até a adolescência, em comparação com o cronograma de desenvolvimento mais rápido nos animais.

Entre os tipos de células cerebrais recém-identificados estavam alguns no neocórtex e na região do estriado, que controla o movimento e certas outras funções.

Há mais trabalho pela frente.

“O objetivo é, em última análise, entender não apenas quais são as partes do cérebro em desenvolvimento, mas descrever o que acontece em distúrbios do neurodesenvolvimento e neuropsiquiátricos que desenvolvem vulnerabilidade durante o desenvolvimento”, afirmou Bhaduri.

“Isso também é relevante para câncer cerebral, que meu laboratório também estuda, pois durante o câncer cerebral essas partes do desenvolvimento reaparecem. Levará tempo para entender completamente e tratar todos esses distúrbios. Mas esse conjunto de artigos é um bom avanço”, acrescentou a neurocientista.

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