Neurogames podem ajudar idosos com declínio cognitivo leve a manter autonomia no dia a dia; entenda

Além de fortalecerem a cognição, os neurogames podem ajudar a melhorar a capacidade funcional de pessoas idosas com comprometimento cognitivo leve. É o que aponta um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros e publicado na revista GeroScience em janeiro deste ano.

Os neurogames, também chamados de treinamentos cognitivos digitais, são atividades mentais planejadas para estimular e aprimorar diversas funções do cérebro, como memória, atenção, raciocínio e resolução de problemas. “Os exercícios são baseados em princípios de neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de se aperfeiçoar e melhorar suas funções”, explica Rogério Panizzutti, professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor sênior da pesquisa.

Já o comprometimento cognitivo leve (CCL) se caracteriza por um declínio cognitivo que vai além do envelhecimento normal, mas ainda não é grave o suficiente para ser classificado como demência. Nesse estágio, a independência funcional nas atividades cotidianas é preservada, embora a realização das tarefas possa ser mais lenta, menos eficiente e com maior propensão a erros. A fase, no entanto, representa uma janela crítica para prevenir ou retardar um declínio cognitivo mais grave.

“A partir de determinado ponto, o comprometimento cognitivo prejudica o funcionamento da pessoa. Ela passa a ter dificuldade em realizar as tarefas do dia a dia, perde a independência e passa a precisar da ajuda de outras pessoas”, destaca o professor. Com o tempo, as consequências da perda cognitiva podem chegar a uma dependência total.

No estudo, os neurogames foram usados para trabalhar as funções executivas de idosos com CCL, mas há outras aplicações. “Eles também podem ser usados, por exemplo, por pessoas jovens que estudam para concursos e querem trabalhar a atenção”, diz Cíntia Monteiro Carvalho, primeira autora do estudo e pesquisadora do Laboratório de Neurociências e Aprimoramento Cerebral (LabNACe). “Você pode trabalhar memória, funções executivas, linguagem. Depende do seu objetivo”.

Melhora no desempenho e no aprendizado

O estudo contou com a participação de 66 participantes com mais de 60 anos e com comprometimento cognitivo leve. Eles foram divididos em dois grupos. Um passou por testes com neurogames, enquanto o outro participou de sessões com jogos digitais convencionais.

No fim da intervenção, que teve duração de 10 horas, o grupo do treinamento cognitivo digital apresentou uma melhora de 21% no desempenho funcional e de 36,75% no aprendizado em relação ao grupo que testou jogos convencionais.

Os resultados foram medidos por uma ferramenta chamada Canadian Occupational Performance Measure (COPM), que avalia como os próprios participantes percebem sua capacidade de realizar tarefas do cotidiano. “As pessoas se sentiam mais capazes e tinham performances melhores em suas atividades de vida diária”, detalha Panizzutti.

Para a realização dos testes, os pesquisadores usaram o BrainHQ, uma plataforma que oferece mais de duas dezenas de exercícios organizados em seis categorias principais: atenção, velocidade do cérebro, memória, habilidades sociais, inteligência e navegação. Os exercícios são adaptativos e se ajustam automaticamente ao desempenho do usuário para manter um nível equilibrado.

A plataforma está disponível em português e pode ser acessada por meio de computadores ou dispositivos móveis, mas não é gratuita. O usuário tem de pagar uma mensalidade.

Caminhos

Os pesquisadores trabalham em outras pesquisas relacionadas ao tema. Uma delas, de acordo com Cíntia, pretende entender como os exercícios físicos podem interferir nos resultados.

Outro projeto pretende usar estimulação elétrica transcraniana (tDCS) em regiões do cérebro associadas a incapacidades cognitivas. A ideia, conforme Panizzutti, é estimular essas áreas enquanto os pacientes jogam os neurogames.

A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Inclusice os que foram utilizados na pesquisa da Neuroscience. Acesse e confira AQUI.

Estudo lista 17 fatores modificáveis ligados a AVC, demência e depressão tardia

Pesquisadores apontaram 17 fatores modificáveis compartilhados por pelo menos duas de três doenças cerebrais —AVC (acidente vascular cerebral), demência depressão tardia— em um estudo publicado recentemente no Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry.

O estudo revisou pesquisas publicadas entre janeiro de 2000 e setembro de 2023, procurando meta-análises previamente publicadas de fatores de risco associados a doenças cerebrais relacionadas à idade. Os pesquisadores analisaram os dados para identificar fatores modificáveis —aqueles que podem ser alterados por meio de mudanças comportamentais.

Havia associações compartilhadas por pelo menos duas das doenças em 17 categorias modificáveis. Essas incluíam pressão arterial, níveis de glicose no sangue, colesterol, consumo de bebidas alcoólicasdieta, perda auditiva, dor, atividade física, engajamento social e estresse.

A pressão arterial alta e a doença renal grave tiveram o maior impacto negativo na incidência e carga das doenças. O envolvimento em atividades físicas e atividades de lazer com um aspecto cognitivo (por exemplo, resolver quebra-cabeças) foram os fatores mais importantes para reduzir o risco em comparação com os outros fatores.

Os autores disseram esperar que suas descobertas possam guiar estratégias preventivas e informar ferramentas para ajudar as pessoas a reduzir o risco de doenças.

Em muitos casos, os fatores modificáveis também estão conectados.

“Também é importante notar que, ao melhorar um fator de risco modificável, você muitas vezes também melhora indiretamente outros fatores de risco modificáveis”, escreve Sanjula Singh, investigadora principal do Brain Care Labs no Hospital Geral de Massachusetts, em um e mail para o The Washington Post.

“Por exemplo, aumentar a atividade física pode levar a um melhor controle da pressão arterial, melhora nos hábitos de sono e dieta, e até mesmo mais conexão social —ao se juntar a um time de esportes ou grupo de corrida.”

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Cientistas usam “neurogames” e musculação para evitar demência

As demências começam a se desenvolver anos – até décadas – antes do aparecimento dos primeiros sintomas e como ainda não existe nenhum remédio eficaz capaz de reverter o problema uma vez que ele está instalado, muitas iniciativas se concentram em intervenções que podem prevenir ou postergar seu aparecimento.

Uma das iniciativas mais estudadas atualmente é o potencial do uso de neurogames, ou treinamento cognitivo digital, contra a condição. Trata-se do uso de aplicativos e sites que oferecem exercícios de treinamento cerebral para melhorar os processos cognitivos gerais, como velocidade de processamento, atenção e memória de trabalho, com a premissa de que essas melhorias serão traduzidas para ganhos em funcionalidade.

— São exercícios, desenvolvidos e validados cientificamente, que trabalham o processamento cerebral para que o indivíduo consiga processar com mais eficácia e mais rapidez — explica o médico Rogerio Panizzutti, professor e pesquisador da UFRJ.

A mais nova evidência sobre o assunto é um estudo realizado pelo Laboratório de Neurociências e Aprimoramento Cerebral (LabNACe) da UFRJ, que demonstrou que o treinamento cognitivo digital levou a melhorias na funcionalidade de idosos com comprometimento cognitivo leve, condição que indica uma perda cognitiva maior do que a esperada para a idade, indicando maior risco de demência.

— Nessa fase, a perda é muito sutil. Então a pessoa ainda é independente para fazer todas as atividades, mas demora mais tempo para realizá-las ou comete mais erros, como deixa de pagar alguma conta, faz algum erro de cálculo ou se esquece de tomar um medicamento — explica a terapeuta ocupacional Cíntia Monteiro Carvalho, primeira autora do estudo e pesquisadora do LabNACe.

Anteriormente, a mesma equipe havia publicado um trabalho que mostrou que idosos sem problemas de memória apresentaram ganhos na parte cognitiva, de atenção e memória, após fazerem esses exercícios. Já o novo estudo, publicado recentemente na revista científica GeroScience, da American Aging Association, analisou o impacto dos neurogames na melhora da funcionalidade dos participantes, ou seja, na capacidade de realizar tarefas do dia a dia.

— Essa é a fase intermediária entre envelhecimento saudável e demência. Então, é muito interessante e crucial para intervir porque a gente consegue retardar, em muitos casos, essa perda cognitiva — pontua Carvalho.

O treinamento cerebral envolve atividades que desafiam seu cérebro a manter seu pensamento aguçado. No estudo, 66 participantes, com pelo menos 60 anos de idade e comprometimento cognitivo leve foram divididos em dois grupos. Um deles realizou exercícios de treinamento cognitivo digital da versão brasileira do programa BrainHQ, focados principalmente em melhorar as funções executivas, que são fundamentais para a autonomia, a tomada de decisões e a adaptação ao ambiente.

Por exemplo, em um dos jogos que buscava exercitar as habilidades de atenção dividida, o voluntário precisava acompanhar uma bola em movimento na tela. Conforme o jogo seguia, outras bolas, iguais à primeira, surgia. No final da atividade, ele precisava indicar, por meio de um clique no mouse, qual era a bola inicial.

Durante cada sessão de treinamento, os participantes completaram 15 minutos de quatro exercícios diferentes. A recomendação era treinar pelo menos duas vezes por semana, totalizando 10 horas de treinamento. Os exercícios tinham sua velocidade, tipo de estímulo em resposta ao desempenho do participante e nível de dificuldade da tarefa balizados automaticamente de acordo com o desempenho do participante. Os participantes do outro grupo apenas jogaram jogos online pelo mesmo período.

Os resultados mostraram que o treinamento cognitivo digital levou a uma melhoria de 21% na funcionalidade e o aprendizado em relação aos testes em 36,75%, em comparação com o grupo que se envolveu em jogos comuns de computador.

— Idosos com problemas de memória ficam mais capazes de realizar suas rotinas diárias após praticarem games para o cérebro. Isso animou muito a gente porque depois do treino, essas pessoas conseguem aprender melhor, ficam mais confiantes para realizar as tarefas do dia a dia. É o que a gente chama de funcionalidade, que é sempre o nosso sonho de consumo conseguir que a pessoa tenha uma vida melhor — diz Panizzutti, que é o pesquisador responsável pelo novo estudo. — Estes estudos que publicamos são pioneiros na verificação científica de neurogames na população mais velha brasileira.

A fonoaudióloga aposentada Léa Carvalhosa, de 74 anos, é uma das voluntárias do estudo. Ela conta que o treinamento a ajudou a ficar mais atenta e a realizar melhor suas tarefas diárias.

— Fiz a inscrição e achei surpreendente porque são vários jogos que trabalham todas as questões, atenção, percepção visual, orientação espacial e me ajudou muito.

Os pesquisadores ainda não têm dados de longo prazo para saber quanto tempo o efeito desses jogos vai durar nem se isso será capaz de prevenir o desenvolvimento de demência. Mas um estudo semelhante, realizado nos Estados Unidos, mostrou que pessoas que realizaram esse tipo de exercício apresentaram menos demência.

— Obviamente não podemos falar que é uma bala de prata que vai resolver tudo, mas se você diminuir a chance de a pessoa evoluir para demência, que é o que mostram estudos realizados nos EUA, é um ganho importante — diz o pesquisador.

Diante disso, eles acreditam que o treinamento cognitivo digital tem potencial como uma intervenção não farmacológica para melhoria funcional e cognitiva em indivíduos com comprometimento cognitivo leve.

— A gente pode pensar no treino para promover a saúde cerebral. é como se da mesma forma a gente precisasse fazer atividade física para treinar os nossos músculos, o treino também vai ajudar a gente a aprimorar determinados domínios cognitivos — recomenda Cinthia.

Uma revisão de estudos sobre o impacto de jogos cerebrais para pessoas com mais de 60 anos que não apresentam declínio cognitivo, mostrou essa atividade pode ser eficaz em diversas áreas, incluindo: a capacidade de planejar, focar sua atenção e conciliar múltiplas tarefas; a rapidez com que o cérebro recebe, entende e responde às informações; quão bem uma pessoa se lembra das informações que ouve e a capacidade de reter e recuperar informações, como uma lista de compras ou um número de telefone, temporariamente.

O impacto da atividade física

 

Não é só a atividade cerebral que parece ter impacto positivo sobre a redução do risco de demência. A musculação também protege o cérebro de idosos contra a neurodegeneração, de acordo com um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), publicado na revista científica GeroScience.

No trabalho, a equipe analisou o cérebro e o desempenho da memória de 44 pessoas com comprometimento cognitivo leve. Os participantes foram divididos em dois grupos: um deles praticou musculação de intensidade moderada a alta e com progressão da carga, duas vezes por semana, durante seis meses. Os demais não realizaram o exercício durante o período do estudo e integraram o grupo-controle.

Os resultados revelam que o treino de força não só foi capaz de melhorar o desempenho da memória como também alterar a anatomia cerebral. Após seis meses, os participantes que praticaram musculação apresentaram proteção contra atrofia no hipocampo e pré-cúneo – áreas cerebrais associadas à doença de Alzheimer –, além de melhoras nos parâmetros que refletem a saúde dos neurônios (integridade da substância branca).

Os voluntários que praticaram musculação tiveram melhor desempenho na memória episódica verbal, melhora na integridade dos neurônios e áreas relacionadas à doença de Alzheimer protegidas contra atrofia, ao passo que o grupo-controle apresentou piora nos parâmetros cerebrais.

Diante dos resultados, os pesquisadores acreditam que um período mais longo de treinamento promova resultados ainda mais positivos. A musculação pode proteger o cérebro contra demências estimulando a produção do fator de crescimento neural (proteína importante para o crescimento, manutenção e sobrevivência de neurônios) e promovendo a desinflamação global do organismo.

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Como a aposentadoria afeta o cérebro dos idosos?


A aposentadoria, para muitos, é um destino. Significa descansar e aproveitar a vida após anos dedicados ao ofício. Um merecimento. No entanto, é uma mudança de vida que deve ser feita de forma gradual para evitar perdas cognitivas e isolamento social. Mudar a rotina e o estilo de vida deve ser feito com a calma que uma vida inteira de trabalho merece.

Aposentadoria e perda cognitiva

José Inácio, de 85 anos, lembra que após a aposentadoria, quando completou 62 anos,  veio uma sensação de vazio. “Eu era um auditor fiscal, tinha uma rotina cansativa. De repente, fiquei sem saber o que fazer com os meus dias. Só saía para jogar dominó e beber cerveja… Comecei a me preocupar”, afirma. Depois, começou a usar sua experiência para prestar consultoria em contabilidade. “Uma vez por semana eu volto a utilizar parte do que desenvolvi por toda a minha vida e está sendo ótimo, consigo organizar meus dias e ainda mantenho meu cérebro ativo”.

Um estudo feito com 8 mil aposentados na Europa mostrou que a capacidade de lembrar de algumas palavras após um certo período de tempo se deteriorava mais rapidamente após a aposentadoria do que quando estavam trabalhando.

“Há alguns indícios de que a aposentadoria pode ser ruim para a cognição, porque quando você se aposenta, seu cérebro não é mais tão desafiado”, disse Guglielmo Weber, professor de econometria na Universidade de Pádua, na Itália, que trabalhou no estudo europeu, ao The New York Times. Estas investigações também descobriram uma relação entre a aposentadoria e o início da depressão.

“Passar repentinamente de uma vida profissional agitada para nada pode exacerbar sentimentos de inutilidade, mau humor, tristeza, bem como sintomas depressivos graves e perda de memória”, explicou Xi Chen, professor associado de saúde pública na Universidade de Yale que estuda o envelhecimento.

Emily Fessler, professora assistente da Weill Cornell Medicine especializada em cuidados geriátricos, afirma que pessoas que se aposentam  “por causa de problemas de saúde ou preconceito de idade”, ou que enfrentam dificuldades financeiras na aposentadoria, podem sofrer efeitos mais severos. Além disso, afirma que os homens são os mais afetados: “As mulheres podem ter menos probabilidade de sofrer grande declínio mental ou cognitivo pronunciado, talvez porque sejam mais propensas do que os homens a continuar se socializando e passando tempo com a família após a aposentadoria”.

Como se adaptar à nova realidade?

Especialistas são unânimes em reafirmar os efeitos benéficos dos exercícios físicos para o corpo e a mente. Por isso, a ordem é dedicar uns minutinhos do dia para atividades físicas. Uma caminhada, dança somadas à musculação vão ajudar a manter o cérebro renovado. Além disso, que tal dedicar parte deste tempo livre para ajudar quem precisa? Um trabalho voluntário pode ser um caminho para evitar a depressão e o declínio cognitivo devido ao possível isolamento social na terceira idade.

Por fim, especialistas concordam que seria ideal incorporar novas rotinas que sejam mental e fisicamente atraentes alguns anos antes de deixar o trabalho. Alison Moore, chefe da divisão de geriatria, gerontologia e cuidados paliativos da Universidade da Califórnia, dá a dica: “O ideal é planejar a aposentadoria com antecedência, mesmo que você não implemente as mudanças na rotina  imediatamente. Adiar essas decisões para depois de se aposentar torna mais difícil lidar com uma mudança de forma tão abrupta”. 

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Exercício faz bem pro cérebro: meia hora é o suficiente pra ajudar memória

Há muitos anos, cientistas vêm encontrando evidências de que a prática frequente de atividades físicas proporciona benefícios ao funcionamento cerebral. E há indícios de que não é preciso se esforçar muito para obter essas vantagens. Publicado na revista Communications Psychology, um estudo recente aponta que malhar apenas durante alguns minutos é o suficiente para beneficiar diversas áreas cerebrais.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, nos Estados Unidos, analisaram 113 trabalhos científicos publicados entre 1995 e 2023 que envolveram 4.390 pessoas, com idades de 18 a 45 anos. Eles concluíram que uma sessão pontual de exercícios já aprimorou diversas funções cognitivas, em especial a memória, a atenção, o processamento de informações e a função executiva, que está ligada ao planejamento e a execução e manutenção de tarefas.

Também ficou evidente que as atividades vigorosas têm os maiores efeitos no cérebro — o treinamento intervalado de alta intensidade, conhecido como HIIT, apresentou os resultados mais consistentes. Além disso, a repercussão foi maior após o treino, em comparação aos testes feitos durante os exercícios. Os resultados foram mais significativos após sessões de menos de 30 minutos do que após as que ultrapassaram meia hora.

Esses achados são ainda mais importantes levando em conta que os participantes eram adultos. “A maioria dos trabalhos dessa natureza é focada em idosos e crianças e, nesse caso, temos dados interessantes sobre uma população pouco estudada, mas que merece atenção”, avalia o educador físico Caio Novaes, do Espaço Einstein – Esporte e Reabilitação, do Hospital Israelita Albert Einstein. Adultos são os mais afetados por fatores como estresse, ansiedade e diminuição do sono, gerados por múltiplas tarefas envolvendo trabalho, estudo e filhos, o que pode gerar prejuízos cognitivos.

De acordo com os pesquisadores dos EUA, uma única sessão de exercícios desencadeia uma cascata de reações químicas similar à que acontece quando a pessoa treina com frequência. Isso inclui um aumento na síntese dos neurotransmissores dopamina (proporciona prazer), acetilcolina (regula a memória, o aprendizado e o sono) e ácido gama-aminobutírico, conhecido como GABA, que tem efeito relaxante. Os fatores neurotróficos — substâncias que atuam na sobrevivência, na manutenção e no desenvolvimento de células do sistema nervoso — também são estimulados.

“As atividades físicas também elevam o IGF-1 [fator de crescimento que desempenha papel fundamental no desenvolvimento celular] e, graças a tudo isso, melhoram a plasticidade sináptica, ou seja, a capacidade do sistema nervoso de se adaptar a estímulos, permitindo o aprendizado e a formação da memória, em vários locais do cérebro”, explica o neurologista Ricardo Mário Arida, chefe da disciplina de Neurofisiologia e Fisiologia do Exercício do Departamento de Fisiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Estudos em animais têm mostrado também que os exercícios aumentam a neurogênese, a formação de novos neurônios no hipocampo, região do cérebro envolvida na aprendizagem e na memória.

Melhores resultados a longo prazo

Apesar de a pesquisa realizada na Califórnia ter demonstrado que é possível notar melhoras cognitivas com sessões isoladas e curtas de exercícios, os especialistas ouvidos pela Agência Einstein afirmam que os efeitos da atividade regular são mais eficazes.

“Realmente, a prática realizada por períodos prolongados promove mais adaptações funcionais e estruturais no cérebro, o que chamamos de plasticidade cerebral, mais duradouras do que os exercícios pontuais”, afirma Arida. De acordo com o neurologista, já foi demonstrado que atividades que envolvem estratégia, contato social, estímulos sensoriais e ativação mais intensa do sistema respiratório, como danças, esportes coletivos e lutas, promovem melhor neuroplasticidade.

Em relação às modalidades que têm resultados mais intensos ao bem-estar mental, os aeróbios se destacam na literatura científica. “Modalidades como corrida e ciclismo têm demonstrado ser os melhores aliados da cognição e ainda aliviam o estresse e a ansiedade, entre outros benefícios, contribuindo ainda mais para a parte psicológica do praticante”, ressalta Novaes. Segundo ele, é importante combinar essas práticas com exercícios de força para evitar lesões.

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Semente, fruta, batata-doce: conheça a dieta recomendada por especialista de Harvard para fortalecer o cérebro e melhorar a memória


Do momento em que acordamos até o final do dia, a alimentação é essencial para qualquer ser humano. Com um cardápio cheio de variações, cada um pode escolher as vitaminas e minerais que melhor atendem às suas necessidades. Isto foi afirmado por Jeffrey Karp, cientista e pesquisador biomédico da Universidade de Harvard. Entre seus conceitos, um se destaca: comer bem e de forma saudável ajuda a fortalecer o cérebro.

Muitas vezes ouvimos que se o cérebro estiver saudável, nossa memória e concentração serão ótimas. Para isso, o pesquisador incluiu uma série de itens a serem levados em consideração na hora de escolher melhor a sua dieta.

A sensação de gratidão e saciedade na hora das refeições é essencial. Para isso, você deve consultar primeiramente um nutricionista ou profissional de saúde que fará um estudo preliminar do seu corpo, para chegar às conclusões que melhor atendam às suas necessidades.

Dieta especializada de Harvard para fortalecer o cérebro

De acordo com Jeffrey Karp, você deve esperar duas horas e meia depois de acordar para comer alimentos sólidos no café da manhã. Entre as opções destacadas pelo cientista estão biscoitos de aveia, nozes, avelãs e qualquer outra fruta seca que possa servir como um lanche saudável, além disso, sementes de qualquer tipo e cor, laticínios — de preferência à base de aveia — e mirtilos, uma pequena fruta que é fonte de vitaminas.

Ao planejar o almoço e o jantar, Karp se concentrou nos FODMAPs, um grupo de carboidratos encontrados em alguns alimentos que causam inflamação e desconforto no corpo. Dentro desta classificação estão o alho, a cebola, o trigo e os cereais. Segundo o especialista, é preciso buscar substitutos para evitar efeitos colaterais.

Outro ponto muito importante, não só para essa abordagem, mas para a vida em geral, é o consumo de água. A hidratação é vital para as pessoas e, portanto, aproximadamente dois litros por dia devem ser consumidos para manter o corpo estável. Ainda no mesmo ponto, Karp explicou que devemos comer alimentos e frutas ricos em água, como laranja, toranja, maçã, entre outros.

Você deve beber café?

Sobre o café, uma das bebidas mais consumidas, o cientista afirmou que as pessoas devem beber um ou dois copos por semana, limitando assim sua influência na dieta.

Segundo Karp, essa bebida pode, a longo prazo, levar a transtornos de ansiedade e estresse que afetarão a saúde mental, o cérebro e suas funções.

Dieta especializada de Harvard para fortalecer o cérebro

De acordo com Jeffrey Karp, você deve esperar duas horas e meia depois de acordar para comer alimentos sólidos no café da manhã. Entre as opções destacadas pelo cientista estão biscoitos de aveia, nozes, avelãs e qualquer outra fruta seca que possa servir como um lanche saudável, além disso, sementes de qualquer tipo e cor, laticínios — de preferência à base de aveia — e mirtilos, uma pequena fruta que é fonte de vitaminas.

Ao planejar o almoço e o jantar, Karp se concentrou nos FODMAPs, um grupo de carboidratos encontrados em alguns alimentos que causam inflamação e desconforto no corpo. Dentro desta classificação estão o alho, a cebola, o trigo e os cereais. Segundo o especialista, é preciso buscar substitutos para evitar efeitos colaterais.

Outro ponto muito importante, não só para essa abordagem, mas para a vida em geral, é o consumo de água. A hidratação é vital para as pessoas e, portanto, aproximadamente dois litros por dia devem ser consumidos para manter o corpo estável. Ainda no mesmo ponto, Karp explicou que devemos comer alimentos e frutas ricos em água, como laranja, toranja, maçã, entre outros.

Você deve beber café?

Sobre o café, uma das bebidas mais consumidas, o cientista afirmou que as pessoas devem beber um ou dois copos por semana, limitando assim sua influência na dieta.

Segundo Karp, essa bebida pode, a longo prazo, levar a transtornos de ansiedade e estresse que afetarão a saúde mental, o cérebro e suas funções.

A abordagem de Karp em relação ao horário das refeições e à seleção cuidadosa de cada item alimentar não é apenas comprovada cientificamente, mas também recebeu o endosso da Universidade de Harvard, uma das universidades mais prestigiadas do mundo em pesquisas sobre a função cerebral.

É importante observar que antes de incorporar qualquer alimento novo à sua dieta, você deve consultar um médico especialista.

O tubérculo para melhorar a memória e cuidar da visão

Um dos alimentos mais recomendados para melhorar a memória, a visão e a saúde do cérebro é a batata-doce. Este tubérculo, nativo da América Central e do Sul, é cultivado há mais de 5.000 anos.

As civilizações pré-colombianas já conheciam suas propriedades nutricionais e medicinais, utilizando-a não apenas como alimento, mas também em remédios tradicionais para fortalecer o corpo.

Entre seus principais nutrientes está a vitamina C, essencial para a formação de neurotransmissores como a dopamina e a norepinefrina, que influenciam na memória e na atenção.

Ele também fornece vitamina B6, necessária para a síntese de serotonina, um neurotransmissor que regula o humor e promove o desempenho cognitivo.

Além dos benefícios para a memória e a função cerebral, a batata-doce é uma importante aliada para a saúde ocular. Seu alto teor de betacarotenos, precursores da vitamina A, ajuda a manter uma boa visão e a proteger os olhos dos danos causados ​​pela luz azul e pelo envelhecimento. Esta vitamina é essencial para a regeneração das células da retina.

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Por que ler artigos e matérias com base científica (como este) pode ajudar você a manter sua mente jovem

Alguns centenários conseguem ter uma mente mais jovem do que o próprio corpo, eles mantém raciocínios lógicos durante jogos e são ágeis em dar respostas inteligentes. Mas como isso é possível? Segundo um estudo publicado na revista científica Science Advances, o segredo está em não abandonar as habilidades cognitivas ao longo da vida.

“Uma descoberta central da nossa análise é que os perfis de habilidades por idade diferem significativamente pelo uso das habilidades. Essa descoberta está intimamente relacionada à pesquisa psicológica e neurocientífica que mostra que o envelhecimento cognitivo não é inevitável, mas depende de fatores de contexto social e cultural, bem como do comportamento e da genética dos indivíduos”, explicam os autores do estudo.

Os cientistas descobriram que utilizar frequentemente suas habilidades de leitura, fala e cálculo garante que essas habilidades não se atrofie. Isso pode ser feito lendo um artigo ou matéria com base científica, para o qual tanto a interpretação de texto quanto o foco para a leitura são necessários. Outras ações do dia a dia benéficas são fazer planilhas de gastos mensais com o supermercado ou até mesmo ler um e-mail mais longo.

Ao longo do tempo as habilidades cognitivas tendem ao declínio como parte das mudanças causadas pelo envelhecimento natural. Por isso, a equipe investigou os resultados de testes de habilidade individuais desenvolvidos em participantes alemães e também os dados de amostras populacionais representativas de países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), para compará-los.

Como resultado, eles perceberam um aumento acentuado na faixa dos 40 anos nas habilidades de alfabetização e numeração para logo em seguida ter uma diminuição pequena na capacidade de leitura e escrita e grande na capacidade de lidar com números.

Outro ponto indicado pelos pesquisadores é que as habilidades declinam em idades mais avançadas apenas para aqueles com uso de habilidades abaixo da média. Um exemplo claro disso é que pessoas com empregos de cargos altos e com ensino superior mostram conseguem evoluir sua cognição mesmo após os quarenta anos.

Já as maiores perdas foram observadas em mulheres, que apresentam uma piora particular em lidar com números e cálculos.

“As competências cognitivas da população, como a letramento e a numeracia [capacidade de usar números], são importantes não só para os rendimentos individuais, mas também para o crescimento econômico dos países. Como resultado, o envelhecimento das populações mundiais apresenta uma preocupação económica se os declínios comumente assumidos destas competências com a idade se mantiverem”, explicam os autores.

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Cérebro de homens e mulheres envelhece de formas diferentes, diz estudo

Com o passar dos anos, o cérebro sofre um processo de envelhecimento natural, que pode ser responsável pelo aparecimento de sintomas típicos do comprometimento cognitivo e demência. Mas a forma como esse envelhecimento acontece pode ser diferente em homens e mulheres, de acordo com um novo estudo publicado nesta quarta-feira (27).

Publicado no jornal científico Science Translational Medicine, o estudo fornece novas percepções sobre a relação entre envelhecimento do cérebro e a quebra de angiogênese (formação de vasos sanguíneos).

Os vasos sanguíneos do corpo também envelhecem como outras partes do corpo, mas a quebra de pequenos vasos pode ser perigosa para a saúde e pode estar relacionada às formas de demência e comprometimento cognitivo. Por isso, entender esse processo é fundamental para desenvolver novas terapias para a demência.

Os pesquisadores, então, decidiram examinar o envelhecimento cerebral e a angiogênese em grupo de 435 pessoas, além de um conjunto de dados externos de 80 indivíduos idosos para validação. Eles estudaram imagens cerebrais, dados clínicos e marcadores sanguíneos de angiogênese.

Os cientistas identificaram trajetórias de alguns marcadores de formação de vasos sanguíneos associados à melhor função executiva e à menor atrofia cerebral em mulheres mais jovens, mas não em homens. No entanto, essas trajetórias se reverteram aos 75 anos, o que sugere que tanto o sexo quanto a idade são variáveis críticas para estudar.

“A abordagem de modelagem que adotamos neste estudo fornece um modelo para investigação de biomarcadores plasmáticos de doença neurodegenerativa vascular, com grande promessa para diagnósticos futuros e intervenções em ensaios clínicos”, escrevem os autores.

Os achados deverão, ainda, ser validados por estudos futuros, mas poderão orientar novas pesquisas e terapias para demência e distúrbios vasculares do cérebro.

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Veja o que acontece com seu cérebro quando você faz uma pausa nas redes sociais


Você acha que passa muito tempo navegando no seu celular? Você não está sozinho. O adulto norte-americano médio registra mais de duas horas por dia nas redes sociais, enquanto os adolescentes dobram esse tempo em plataformas como TikTok e Instagram.

Como os especialistas alertam sobre os recursos viciantes das redes sociais, mais pessoas estão procurando maneiras de se libertar – o que é comprovado por um aumento de 60% nas pesquisas do Google por “desintoxicação de mídia social” nos últimos meses.

Mas será que se afastar do seu feed realmente faz diferença? Os pesquisadores dizem que sim, e os benefícios para seu cérebro e bem-estar podem surpreendê-lo.

Efeitos das redes sociais no cérebro

Muitos de nós suspeitamos que passamos muito tempo rolando a tela dos nossos celulares – uma preocupação ressaltada pela Oxford University Press, que escolheu “brain rot” (“apodrecimento do cérebro”, em tradução livre) como a palavra do ano de 2024.

No entanto, encontrar a força de vontade para reduzir o tempo na Internet não é uma tarefa fácil, graças à forma como as redes sociais se ligam ao sistema de recompensa do nosso cérebro.

Anna Lembke, especialista em medicina do vício e autora do livro “Dopamine Nation: Finding Balance in the Age of Indulgence”, explica que as pessoas podem ficar viciadas em mídia digital da mesma forma que podem ficar viciadas em drogas.

Com base no que sabemos sobre como as drogas e o álcool afetam o cérebro, podemos inferir que um processo semelhante ocorre quando verificamos as redes sociais, sendo que cada curtida, comentário ou vídeo de gato fofo desencadeia uma onda de dopamina, a substância química do cérebro que faz o cérebro se sentir bem.

Entretanto, nosso cérebro foi projetado para manter um equilíbrio geral de dopamina – o que Lembke descreve como um mecanismo de gangorra. A rolagem interminável nas redes acaba perturbando esse equilíbrio, levando o cérebro a compensar produzindo menos dopamina ou diminuindo sua transmissão. Com o tempo, isso pode nos levar a um estado de “déficit de dopamina”, em que precisamos de mais tempo online para voltar a nos sentir “normais”.

Fazer uma “pausa” nesse ciclo de dopamina induzido pela mídia social pode permitir que o cérebro redefina as vias de recompensa, explica Lembke, permitindo que paremos o tipo de consumo excessivo compulsivo que leva ao “brain rot” (“podridão cerebral”, em português).

Não existe uma solução única quando se trata de desintoxicação das redes sociais, afirma Paige Coyne, coautora de um estudo sobre os impactos na saúde de uma desintoxicação da mídia social de duas semanas em 31 jovens adultos.

“O uso excessivo de redes sociais pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes”, diz ela, acrescentando que o essencial é estabelecer metas realistas para reduzir nosso consumo habitual das redes. “Algumas pessoas podem querer desistir totalmente, enquanto outras podem querer reduzir pela metade o tempo gasto nas redes sociais.”

Para ajudar a reconectar as vias de recompensa do cérebro, Lembke recomenda que você se abstenha pelo maior tempo possível – de preferência, pelo menos quatro semanas. Mas até mesmo pequenas pausas se mostraram eficazes para melhorar a saúde mental. Um estudo com 65 meninas de 10 a 19 anos descobriu que fazer uma pausa de três dias nas redes sociais melhorou a autoestima e a autocompaixão, resultando em menos vergonha do corpo.

Como lidar com a abstinência das redes sociais

Se você decidir parar de usar as redes sociais por algumas semanas ou limitar seu uso diário por algum tempo, provavelmente descobrirá que os primeiros dias são os mais difíceis de superar, comenta Sarah Woodruff, coautora do estudo de desintoxicação da mídia social com Coyne.

É normal sentir “sintomas de abstinência, como desejos ou ansiedade, diz Lembke, pois o cérebro se ajusta aos níveis mais baixos de dopamina. Mas suportar essas sensações desconfortáveis permite que as vias de recompensa do nosso cérebro sejam reiniciadas e interrompam o ciclo de desejo e consumo.

Eventualmente, os desejos cessarão e será mais fácil passar o dia sem os constantes acessos de dopamina. “Com o passar dos dias, as pessoas descobriram que a desintoxicação foi mais fácil do que esperavam”, diz Woodruff. “Assim que entraram em um ritmo, a maioria das pessoas gostou.”

Ao final da desintoxicação de duas semanas, em que o consumo de mídia social foi limitado a 30 minutos por dia, a maioria dos participantes relatou benefícios para a saúde mental, como maior satisfação com a vida, redução dos níveis de estresse e melhora do sono em comparação com o período anterior ao estudo.

Superar o obstáculo pode ser mais fácil se você unir forças com um ou mais amigos de desintoxicação. No estudo com meninas adolescentes, Tomi-Ann Roberts, professora de psicologia do Colorado College, nos Estados Unidos, pediu aos participantes que se comunicassem por meio de um grupo do WhatsApp durante cada dia do experimento para obter apoio. “Descobrimos que as meninas tinham sentimentos de desconexão e medo de ficar de fora”, diz Roberts, ”mas elas podiam compartilhar suas experiências com outras pessoas e se sentiam menos sozinhas.”

Além de reconectar as vias de recompensa do cérebro, fazer uma pausa temporária nas redes sociais pode nos tornar mais conscientes de nosso relacionamento com as plataformas de mídia social. “Podemos usar esse tempo para dar um passo atrás e ficar mais conscientes do que fazemos [nas redes sociais] e se isso nos beneficia”, explica Woodruff. “Coisas como: será que eu consigo fazer tudo o que preciso em um dia ou estou perdendo a interação cara a cara por causa das redes sociais?”

Como manter o equilíbrio com as redes sociais

Após um período de desintoxicação, é importante criar barreiras de proteção para evitar voltar ao consumo excessivo compulsivo, diz Lembke. “Recomendo a criação de barreiras físicas ou mentais entre nós e as redes sociais”, afirma ela. “Coisas como não deixar o telefone celular no quarto ou desativar as notificações.”

Substituir as batidas rápidas de dopamina por tipos de gratificação menos instantâneos também pode ajudar a manter as vias de recompensa do cérebro em equilíbrio. “Fontes saudáveis de dopamina geralmente vêm com trabalho inicial”, diz Lembke, citando coisas como tocar um instrumento ou cozinhar. ”Quando nos envolvemos em ações que exigem nossa atenção, nosso cérebro libera dopamina com algum atraso, mantendo o equilíbrio geral sob controle.”

Por fim, os especialistas recomendam programar períodos de desintoxicação das redes sociais ao longo do ano para manter um uso equilibrado dessas mídias. “Não podemos nos livrar completamente delas atualmente”, afirma Woodruff, ”mas fazer uma pausa de vez em quando pode nos ajudar a reiniciar e fazer um balanço de como estamos usando essas plataformas e como elas nos fazem sentir.”

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Novo estudo aponta que casos de demência aumentarão nos EUA nas próximas décadas

Segundo um novo estudo, o número de pessoas nos Estados Unidos que desenvolvem demência anualmente duplicará nos próximos 35 anos, atingindo cerca de um milhão por ano até 2060, e o número de novos casos anuais entre americanos negros triplicará.

A causa principal do aumento será o envelhecimento da população, já que muitos norte-americanos estão vivendo mais do que as gerações anteriores. Até 2060, alguns dos baby boomers (pessoas nascidas entre 1945 e 1964) mais jovens estarão na casa dos 90 anos, e muitos dos millenials, como é chamada a geração posterior, estarão na casa dos 70. A idade avançada é o maior fator de risco para a demência. O estudo descobriu que a maior parte do risco aumentado da condição ocorreu depois dos 75 anos, crescendo ainda mais à medida que as pessoas atingiram os 95 anos.

O estudo publicado na semana passada na revista “Nature Medicine” descobriu que os adultos com mais de 55 anos apresentavam um risco 42% maior de desenvolver demência ao longo da vida. Este número está bem acima das estimativas anteriores de risco no decorrer da vida. Os autores atribuem esse resultado a informações atualizadas sobre a saúde e a longevidade dos norte-americanos e ao fato de que sua população de estudo era mais diversa do que a de estudos anteriores, cuja maior participação foi de pessoas brancas.

Alguns especialistas afirmaram que a nova estimativa de risco ao longo da vida e o aumento projetado dos casos anuais talvez estejam excessivamente altos, mas concordam que os casos de demência tendem a aumentar nas próximas décadas. “Mesmo que a taxa de crescimento real seja significativamente menor do que a prevista no estudo, ainda vai ser grande o número de pessoas afetadas pela doença. Vamos ver também um aumento no fardo familiar e social que a demência provoca, devido apenas ao crescimento do número de idosos, tanto nos Estados Unidos quanto em outros países”, diz Kenneth Langa, professor de medicina da Universidade do Michigan, que pesquisou o risco de demência e não esteve envolvido no novo estudo.

demência já tem um impacto enorme nas famílias dos EUA e no sistema de saúde do país. Atualmente, mais de 6 milhões de norte-americanos têm demência. Isso abrange quase 10% das pessoas com 65 anos ou mais, segundo a pesquisa. Especialistas dizem que, a cada ano nos Estados Unidos, a demência causa mais de cem mil mortes e é responsável por um gasto de mais de US$ 600 bilhões em cuidados e outros custos associados.

Se as novas projeções forem confirmadas, cerca de 12 milhões de norte-americanos terão demência em 2060, afirma Josef Coresh, diretor do Instituto Grossman de Envelhecimento Ideal da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York e um dos líderes do estudo que envolveu cerca de cem pesquisadores em dez universidades.

Os autores e outros especialistas observaram que o estudo reforça a urgência de tentar prevenir ou retardar o início da demência. Suas principais recomendações são: melhorar a saúde cardiovascular com medicamentos e mudanças no estilo de vida; aumentar os esforços para prevenir e tratar derrames, que podem levar à demência; e encorajar o uso de aparelhos auditivos, que ajudam a prevenir a demência, já que permitem que as pessoas estejam mais engajadas no âmbito social e no cognitivo.

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