Saúde do cérebro: veja alimentos que melhoram o seu funcionamento

Responsável por funções essenciais do dia a dia como a memória, nossas capacidades cognitivas e principalmente por todo o aprendizado ao longo da vida, a saúde do cérebro é algo que não dá para descuidar. Ou seja, todo cuidado é pouco quando falamos desta máquina superpoderosa! Conheça quais alimentos são importantes para turbinar funções do cérebro

E assim como o resto do corpo, para manter o cérebro saudável é necessário cuidar da alimentação, ingerindo os nutrientes necessários para que todas as funções do organismo estejam em dia.

“É fato que nossos hábitos diários impactam diretamente em nossa saúde física e mental. Por isso, vale ressaltar que, além dessa dieta mais saudável com a ingestão de nutrientes e vitaminas, ter bons hábitos como praticar exercícios físicos regularmente, dormir bem, se manter hidratado, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas, é crucial para um bom funcionamento do cérebro”, explica a nutróloga Vera Shukumine.

Mas você sabia que existem alimentos específicos para manter a saúde do cérebro e dar aquele up em funções importantes? Pois é! Para isso, a especialista fez uma lista especial elencando todos os benefícios. Confira!

Brócolis, couve-flor, salmão, soja e fígado

“Estes alimentos são ricos em colina, um nutriente que faz parte do complexo B e é fundamental para manter as habilidades cognitivas. Além disso, age nas funções neurológicas e ajuda na manutenção da memória”, afirma Vera.

Peixes (como salmão, atum), soja, linhaça e abacate

“Possuem ômega-3, que é um ácido graxo não oxidante que potencializa nossa capacidade de aprendizagem e pode melhorar nosso humor”, explica a nutróloga.

Nozes

“Ainda falando em ômega 3, mas especificamente do ácido alfa-linolênico que ajuda a proteger as artérias e baixar a pressão sanguínea. Também são fontes de proteína e gorduras saudáveis”, relata a especialista.

Vegetais e folhas verdes (como couve, espinafre e brócolis)

“Alimentos ricos em vitamina K, luteína, folato, beta-caroteno e sais minerais, como zinco, selênio, ferro e fósforo. Essa combinação nos garante um bom raciocínio, protege nossos neurônios e aumenta nossa capacidade de aprendizagem”, explica Vera Shukumine.

Frutas vermelhas (como morango, amora, cereja)

“São antioxidantes com propriedades anti-inflamatórias e fonte de antocianinas, que ajudam a manter a memória em dia“, reforça a profissional.

E aí, curtiu as informações? Não se esqueça de incluir estes produtos na sua alimentação para garantir que a saúde do cérebro esteja sempre em alta!

Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

Comportamento Pesquisa encontra pela primeira vez um padrão no cérebro dos otimistas


Com o mundo sacudido por guerras, em constante alerta ambiental e rachado por elevados graus de polarização, é natural ver vicejar um pessimismo sobre o futuro. Mais surpreendente, porém, é que a turma dos otimistas siga firme e forte, se atendo justamente àquela metade cheia do copo, sem se deixar levar pelas intempéries da história. Não é por obra do acaso que essa fatia da humanidade se notabiliza pela positividade: a engrenagem que faz com que ela tenda a apostar no bom desfecho faz sabidamente parte de um mecanismo evolutivo mais pronunciado em uns do que em outros, uma valiosíssima ferramenta para o caminhar da espécie. A novidade nesse ascendente campo de estudos é o que revela um inédito mergulho nas profundezas do cérebro do otimista — uma vasta investigação que desvenda essa postura perante as asperezas da vida.

MÃOS À OBRA - O cientista social paulista Marcelo Rocha, 28 anos, é daqueles que transformam otimismo em ação. Integrante do grupo consultivo de jovens da ONU para o clima, ele trabalha para criar frentes de combate ao aquecimento. “O cenário de crise pode nos levar a um mundo melhor”, diz.
MÃOS À OBRA – O cientista social paulista Marcelo Rocha, 28 anos, é daqueles que transformam otimismo em ação. Integrante do grupo consultivo de jovens da ONU para o clima, ele trabalha para criar frentes de combate ao aquecimento. “O cenário de crise pode nos levar a um mundo melhor”, diz. (Clickbycria/.)

Para mapear tais engrenagens na mente, pesquisadores da Universidade de Kobe, no Japão, submeteram uma centena de representantes do grupo, previamente pinçados por meio de testes psicológicos, a sucessivas ressonâncias magnéticas enquanto eram estimulados a imaginar cenários hipotéticos de diferentes matizes: de uma viagem espetacular à perda repentina do emprego. A conclusão, recém-publicada pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, pela primeira vez traçou algo como a fisiologia do otimismo. Os indivíduos claramente mais positivos exibiram ondas de pulso elétrico de impressionante semelhança em uma mesma região voltada para a razão — o córtex pré-frontal medial, zona crucial para tomada de decisões e planejamento (veja a ilustração). Já os pessimistas exibiram uma dinâmica neural irregular, da qual não foi possível extrair um padrão.

Um conjunto de pesquisas sustenta que a positividade se desdobra em efeitos palpáveis, sobretudo no terreno do comportamento. Entre os achados de especialistas das universidades americanas de Michigan e Syracuse, que por quatro anos dissecaram o tópico, está a constatação de que privilegiar o lado bom torna o indivíduo mais resistente a adversidades e mais propenso ao bem-­estar quando exposto a altos níveis de estresse, os quais costuma amenizar selando relacionamentos saudáveis e escapando de um dos grandes males contemporâneos: a solidão. “O otimismo ajuda as pessoas a se conectarem umas às outras”, enfatiza a psicóloga Jeewon Oh, de Syracuse.


MERGULHO NA MENTE - Ressonância magnética: a observação ajudou a traçar uma espécie de fisiologia do otimismo
MERGULHO NA MENTE - Ressonância magnética: a observação ajudou a traçar uma espécie de fisiologia do otimismo (Maria Kray/Getty Images)

A pesquisa da Universidade de Kobe escalou um degrau ao descrever um ciclo virtuoso que se desenrola entre otimistas de plantão. “Como eles estão tecnicamente em sintonia parecida, tendem a interagir muito bem entre si, o que pode explicar seu visível sucesso social”, disse a VEJA Kuniaki Yanagisawa, coordenador do estudo. Todos os seres humanos possuem em algum grau a capacidade inata de acreditar que driblarão as dificuldades na trilha da sobrevivência, como sublinha a neurocientista Tali Sharot, da University College London, no aclamado livro O Viés Otimista. “Subestimamos as chances de nos divorciar, sofrer um acidente ou ter uma doença grave”, exemplifica, apontando que esse tipo de pensamento é fundamental para levantar da cama e seguir em frente. A partir daí, faz-se necessária uma distinção — uma parcela da população mundial apresenta maior disposição ao otimismo do que a outra, situação em parte estabelecida pela genética, conforme a ciência já demonstrou.

arte cérebro otimista

Não é nada, porém, que esteja cravado na pedra, como um pilar inabalável, lembram os pesquisadores. À base de muita observação, eles concordam que o otimismo é, em boa medida, uma habilidade moldável pelo ambiente e passível de ser exercitada. Pode soar autoajuda ligeira, mas se trata de conhecimento sério. “Precisamos desenvolver uma disciplina mental para canalizar pensamentos negativos em direção a ideias neutras ou favoráveis. Aos poucos, a pessoa consegue racionalizar melhor e ir se afastando dos cenários trágicos”, esclarece a psicóloga Ana Maria Rossi, da Associação Internacional de Prevenção e Tratamento de Stress. A escritora carioca Marina Neves, 32 anos, uma das integrantes do pelotão dos otimistas ouvidos por VEJA, conta praticar a lição. “O único controle que temos na vida é sobre como percebemos os acontecimentos ao nosso redor”, reconhece ela, que às vezes sofre, sim, mas tenta “não focar nisso”.

TREINANDO O OLHAR - A escritora carioca Marina Neves, 32 anos, já se apaziguou com a ideia de não ter controle sobre o mundo à sua volta. “O único poder que temos na vida é sobre como percebemos os acontecimentos”, afirma ela, que se esforça para valorizar o que há de positivo ao seu redor.TREINANDO O OLHAR – A escritora carioca Marina Neves, 32 anos, já se apaziguou com a ideia de não ter controle sobre o mundo à sua volta. “O único poder que temos na vida é sobre como percebemos os acontecimentos”, afirma ela, que se esforça para valorizar o que há de positivo ao seu redor. (./Arquivo pessoal)

Sob o ângulo dos indivíduos, dar gás ao otimismo se reflete em cheio na saúde, conforme mostra um trabalho da Universidade de Boston: à medida que as pessoas conseguem se livrar com maior destreza do peso de eventos infelizes, seus níveis de cortisol, o indesejado hormônio do estresse, se mantêm baixos, condição ideal para a vida longa. Também do ponto de vista das sociedades, o filtro da positividade colabora, uma vez que são justamente aqueles mais crédulos na melhora do mundo os mais propensos a se mexer e agir em seu favor. “É no dia a dia que temos a chance de construir um futuro melhor. É preciso ser prático”, afirma o cientista social paulista Marcelo Rocha, 28 anos, que compõe o grupo consultivo de jovens da ONU para ação climática — um assunto, aliás, que arrasta muita gente para a raia do pessimismo nestes tempos de aquecimento global.

“Eu sou um otimista. Não me parece muito útil ser qualquer outra coisa.” - Winston Churchill (1874-1965), ex-primeiro-ministro britânico
“Eu sou um otimista. Não me parece muito útil ser qualquer outra coisa.” – Winston Churchill (1874-1965), ex-primeiro-ministro britânico (Hulton Archive/Getty Images)

Ao elencar tudo de bom que o otimismo proporciona, cabe ponderar que doses excessivas dele podem resvalar para aquilo que a própria ciência classifica como “positividade tóxica”, quando dar as costas à realidade se traduz em falta de pé no chão. Vale também aqui a busca pelo equilíbrio, como gente sábia das mais distintas eras já pontuaram. “Na Grécia Antiga, Aristóteles considerava a esperança o pilar para uma vida plena”, lembra o professor de filosofia Dejalma Cremonese. Autor de primorosos discursos, o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874-1965), que foi do ápice à derrota e soube se reerguer, imprimindo seu nome no panteão da história, deixou palavras simples que não custa revisitar: “Sou um otimista. Não me parece muito útil ser qualquer outra coisa”, declarou, nos anos 1950. Fica a dica.

Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

Como redes sociais, sono insuficiente e obesidade afetam o cérebro da geração Z

Responder mensagens no celular enquanto uma série passa na TV é comum, mas cobra caro do cérebro. Esse multitasking digital, em que realizamos várias tarefas ao mesmo tempo, compromete a memória e a atenção. Entre jovens da geração Z, com idades entre 15 e 28 anos, o comportamento frequentemente está acompanhado de fatores como sono ruim e obesidade, o que pode acelerar o envelhecimento cerebral.

“Esse estilo de vida corrido, em que se faz várias coisas ao mesmo tempo, costuma vir junto de outros hábitos ruins que influenciam no envelhecimento do cérebro”, afirma Clariana Nascimento, neurologista especialista em cognição. “Fazer duas tarefas ao mesmo tempo interfere na atenção e no foco, diminui a capacidade de processamento e armazenamento de informações e causa fadiga mental.”

“A atenção é o primeiro passo para a memória. Sem atenção, não há memória.”

João Brainer

Professor de Neurologia e Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo.

O cérebro não foi programado para executar múltiplas tarefas simultaneamente. Atividades em paralelo sobrecarregam áreas como o córtex frontal, responsável pela cognição e pelo controle motor, aponta Peter Wilson, psicólogo da Universidade Católica da Austrália, em artigo no portal Science Alert. O desvio constante de atenção também prejudica o sistema glinfático, responsável por eliminar resíduos tóxicos do sistema nervoso central.

“Com isso, o cérebro não realiza a limpeza corretamente”, explica João Brainer, professor de Neurologia e Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Nos conteúdos digitais, vídeos curtos e desconexos dividem a atenção e dificultam a formação de associações lógicas.

Interrupção como padrão

Um estudo de 2023 investigou como alternar entre redes sociais e outra atividade afeta a memória prospectiva, responsável por lembrar de tarefas diárias. No experimento, jovens de 19 a 34 anos realizaram no computador um teste que exigia reconhecer e organizar palavras rapidamente. Durante o intervalo, cada grupo descansou por dez minutos ou usou redes sociais (Twitter, YouTube ou TikTok) antes de retomar as tarefas iniciais.

Quem assistiu a vídeos no TikTok teve pior desempenho na relação entre velocidade e precisão. Segundo os pesquisadores, mesmo cientes de que precisavam voltar para o teste, permaneciam cognitivamente engajados com a interrupção. O fluxo contínuo de vídeos curtos ocupa a “memória tampão” (espaço temporário de armazenamento de informações) e reduz recursos para outras tarefas.

Entre os 14 fatores de risco para Alzheimer, na juventude brasileira, o baixo acesso à educação é o mais relevante (9,5%)

A preocupação é maior entre os mais jovens da geração Z, cujo córtex pré-frontal, responsável pelo controle de impulsos, ainda se desenvolve. “Parte dessas pessoas faz o que chamamos de desidealização, que é a sensação de não estar no mundo concreto e se comportar como se vivessem constantemente no virtual”, diz Brainer.
O neurologista alerta ainda para o impacto no campo psicológico: “As emoções transmitidas pela tela são dissociadas de algo concreto, levando a pessoa a se projetar na vida do outro, o que pode gerar angústia, comparação e medo.”

Menos horas de sono

O cérebro hiperestimulado tampouco encontra descanso. Um estudo brasileiro de 2024 mostrou que, nas últimas cinco décadas, o tempo médio de sono caiu cerca de duas horas e a parcela de pessoas que dormem menos de seis horas cresceu 6%. A recomendação é de, em média, oito horas por noite.
“Se eu não durmo bem, a informação chega quebrada, mal armazenada. É aquela sensação do dia de prova, quando o aluno diz: ‘Eu sei que sei, mas não lembro’. Ele se recorda da professora, da página do livro, mas não do conteúdo.”
Monica Andersen
Especialista em Medicina do Sono, diretora do Instituto do Sono/AFIP e uma das autoras do estudo.
O sono é essencial para aquisição, armazenamento e evocação da memória. A consolidação está ligada principalmente ao sono REM, caracterizado por movimento rápido dos olhos, atividade cerebral similar à vigília e aumento de respiração e frequência cardíaca. Pesquisas recentes também destacam a importância do sono não-REM (NREM), que inclui o sono leve e profundo.

Cérebro envelhecido

Uma noite mal dormida também “envelhece o cérebro”, afirma Monica, ao explicar que o estresse oxidativo produz substâncias que funcionam como “ferrugem” para o corpo e para o sistema nervoso. Um estudo da Universidade da Califórnia, publicado na revista Neurology, mostrou que pessoas na faixa dos 40 anos com distúrbios do sono, como dificuldade para adormecer ou despertares frequentes, apresentaram idade cerebral entre 1,6 e 2,6 anos mais avançada.
Segundo a especialista em Medicina do Sono, a má qualidade do sono está ligada a fatores socioeconômicos, como o uso intenso de celulares e ambiente online, que promovem atividade interativa e viciante. “Na hora da interação, brotam no cérebro receptores de expectativa, os dopaminérgicos. Quando você faz qualquer pergunta à internet, intuitivamente busca uma resposta imediata. A internet é gratificação”.
Pesquisadores já associavam a obesidade na meia-idade ao risco de declínio cognitivo. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que o ganho de peso constante desde a infância pode acelerar o envelhecimento do cérebro em até 6,5 anos. Publicada em abril no periódico Neurology, a pesquisa sugere que controlar o peso desde jovem pode reduzir o declínio cognitivo mais tarde.
“As principais hipóteses ligam obesidade e declínio cognitivo à saúde metabólica e vascular, ou seja, um efeito indireto.”
Paulo Henrique Lazzaris Coelho
Geriatra autor da tese de doutorado que originou a pesquisa.
A obesidade aumenta o risco de diabetes, hipertensão e colesterol alto, que provocam inflamação e afetam pequenos vasos cerebrais, prejudicando a chegada de nutrientes e acelerando a morte de neurônios. A pesquisa avaliou 11.361 servidores usando silhuetas para mapear o corpo em cinco idades.
Testes de memória, função executiva e linguagem mostraram que quem passou de “normal para sobrepeso” ou manteve “sobrepeso estável” teve declínio cognitivo mais acelerado, principalmente em memória e função executiva. “Outra análise da tese mostra que a obesidade abdominal é o fator mais ligado à piora metabólica e ao declínio cognitivo. Não é só o ganho de peso, mas onde ele ocorre”, conclui Coelho.

E dá para reverter?

Brainer, da Unifesp, explica que a diminuição de atenção, foco e memória pode ser temporária. “Reduzir multitasking, organizar-se melhor, meditar, dormir bem, praticar atividade física, alimentar-se saudavelmente e controlar fatores de risco desacelera o envelhecimento cerebral e reduz chances de problemas graves”, recomenda o neurologista.
Entre os 14 fatores de risco para Alzheimer, na juventude brasileira, o baixo acesso à educação é o mais relevante (9,5%)
De acordo com Monica, não se sabe quanto tempo de sono perdido causaria a fragmentação da memória tampouco quanto precisaria ser reposto para restaurá-la à capacidade inicial – nem se isso seria possível. Quanto à obesidade e sua relação com o declínio cognitivo, o geriatra Coelho lembra que a faixa mais velha da geração Z está chegando aos 30 anos, quando começam a perda muscular e a queda de desempenho. “Quanto antes se cuidarem, mais tempo terão para desacelerar esses processos e envelhecer com qualidade de vida.”Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

Cérebro flex: estudo descobre que gordura é combustível dos neurônios

Por décadas, acreditava-se que neurônios dependiam apenas da glicose para produzir energia e poder fazer o cérebro humano funcionar. Uma pesquisa da University of Queensland, na Austrália, publicada na revista Nature Metabolism nesta terça-feira (30/9), porém, mostra que o órgão é “flex” e que funciona com outros tipos de combustível, incluindo diversos tipos de gordura.

A descoberta pode impactar a forma como entendemos o funcionamento do órgão e até em como pensamos o tratamento de doenças cerebrais.

“Nossa pesquisa mostra que as gorduras são, sem dúvida, parte crucial do metabolismo energético do neurônio e podem ser a chave para reparar e restaurar funções quando elas falham. Compreender esse combustível alternativo do cérebro pode ajudar a abrir caminho para tratamentos mais eficazes de doenças neurológicas”, destaca bioengenheira Merja Joensuu, especialista em lipídios e líder da pesquisa.

Gordura como combustível alternativo

O estudo, na verdade, não tinha como objetivo principal entender quais eram as fontes de alimentação do sistema nervoso. A pesquisa investigava um gene ligado a uma doença rara que afeta os movimentos, a paraplegia espástica. Quando esse gene falha, o cérebro perde o equilíbrio de gorduras e os neurônios deixam de funcionar direito.

Ao entender a doença, os cientistas descobriram que os neurônios também queimam pequenas moléculas de gordura para se comunicar entre si. Quando essa fonte de energia se perde, a atividade cerebral é comprometida e sintomas aparecem.

Os pesquisadores testaram se o combustível recém-descoberto era mesmo funcional. Eles usaram ácidos graxos saturados livres, que são suplementos de gorduras, em animais em laboratório que tinham o defeito no gene estudado, o que comprometia seus cérebros. A experiência mostrou recuperação da energia e da função dos neurônios.

Usar doses altas de açúcar, por outro lado, não trouxe resultados, o que pode sugerir que os neurônios se alimentem de diferentes combustíveis para cumprir diferentes funções.

“Foi uma mudança enorme de visão. Mostrou que neurônios saudáveis produzem essas gorduras e as usam como combustível. Em doenças onde esse processo falha, a energia pode ser restaurada com suplementos”, explica Joensuu no comunicado à imprensa.

Segundo a pesquisadora, a descoberta pode ser a peça que faltava do quebra-cabeça para entender várias enfermidades debilitantes, como o Alzheimer.

Caminho até futuros tratamentos

A próxima etapa da pesquisa é avaliar a eficácia terapêutica e a segurança dos ácidos graxos ativados em estudos pré-clínicos. A fase é necessária antes de iniciar testes em humanos e poderá definir a extensão do impacto em doenças metabólicas cerebrais.

Os resultados oferecem esperança para distúrbios antes considerados intratáveis. A mudança de paradigma no metabolismo cerebral pode alterar a forma como a ciência enxerga a energia que mantém a mente em funcionamento.

Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

A surpreendente relação entre o seu olfato e a saúde do seu cérebro


O cheiro de comida, da chuva ou de especiarias pode acionar memórias de forma quase mágica. Mas, com o envelhecimento — ou por fatores como Covid-19, tabagismo e poluição —, nossa capacidade de sentir cheiros diminui.

Segundo explica o New York Times, estudos mostram que cerca de 11% dos americanos acima de 50 anos têm dificuldade de olfato, número que sobe para 39% entre os maiores de 80 anos.

Relação com Alzheimer e Parkinson

A perda olfativa está ligada a piora da memória, depressão, declínio cognitivo e pode ser um dos primeiros sinais de doenças como Alzheimer e Parkinson.

“Nossos cérebros precisam de muita estimulação olfativa para se manterem saudáveis”, afirma Michael Leon, neurobiólogo da Universidade da Califórnia, Irvine.

Treinamento olfativo pode fortalecer memória

  • Pesquisas indicam que treinar o olfato pode melhorar o humor, a memória e até a estrutura cerebral. Idosos que fizeram exercícios olfativos diários por meses tiveram redução de sintomas de depressão e melhora no vocabulário.
  • Outros estudos mostraram aumento da espessura do hipocampo — região central da memória — em pessoas que treinam regularmente o olfato.
  • Especialistas sugerem práticas simples: cheirar especiarias, café ou frutas duas vezes ao dia por 30 segundos; usar kits de treino ou difusores noturnos de aromas.
  • Para quem suspeita de perda de olfato, testes caseiros podem ajudar a detectar sinais de alerta e indicar quando procurar um médico.

Em resumo, exercitar o olfato pode ser uma ferramenta poderosa para manter o cérebro ativo — e pode começar com algo tão simples quanto parar para cheirar as rosas.

Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

Evidências robustas sustentam abordagem não farmacológica contra o declínio cognitivo

Um ensaio clínico randomizado de larga escala publicado no periódico JAMA demonstrou que intervenção estruturada no estilo de vida resultou em ganhos significativamente maiores na cognição global de idosos com risco elevado de declínio cognitivo, em comparação com um programa autodirigido. A intervenção analisada envolveu suporte contínuo e metas claras em termos de exercício físico, dieta, estimulação cognitiva e engajamento social.

O estudo US POINTER reúne as evidências mais robustas obtidas até hoje nos Estados Unidos sobre a efetividade de estratégias não farmacológicas na prevenção da demência. Ele incluiu 2.111 participantes entre 60 e 79 anos, recrutados em cinco centros americanos, todos sedentários e com fatores adicionais de risco para declínio cognitivo.

Os indivíduos foram randomizados para dois braços. No grupo de intervenção estruturada, os participantes compareceram a 38 encontros ao longo de dois anos e receberam planos de atividades relacionadas a múltiplos aspectos: prática regular de exercícios aeróbicos, de fortalecimento e flexibilidade, treinamento cognitivo digital e orientações para adesão à dieta do tipo MIND (Mediterranean-DASH Intervention for Neurodegenerative Delay).

O padrão alimentar incentivado neste braço do estudo combina elementos das dietas mediterrânea e DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), com ênfase em consumo elevado de folhas verdes, frutas vermelhas, grãos integrais, peixe, azeite e oleaginosas, enquanto limita o consumo de carnes vermelhas, produtos ultraprocessados e alimentos ricos em gordura saturada, tendo sido previamente associado a menor risco de declínio cognitivo e doença de Alzheimer.

Já o segundo grupo participou de seis encontros de aconselhamento, nos quais os participantes foram encorajados a realizar mudanças de estilo de vida de forma autodirigida. O desfecho primário foi a variação anual na função cognitiva global, avaliada por meio de testes de memória, velocidade de processamento e funções executivas durante o período de dois anos.

Os resultados mostraram que ambos os grupos apresentaram melhora, mas a intervenção estruturada proporcionou ganhos superiores: no grupo que recebeu orientação, a função cognitiva global aumentou em média 0,243 desvios padrão por ano versus 0,213 no grupo autodirigido, uma diferença modesta, mas estatisticamente significativa (0,029 desvios padrão; p = 0,008). Esse efeito foi consistente em diferentes subgrupos, independentemente de sexo, etnia, status de saúde cardiovascular ou presença do alelo APOE ε4, marcador genético de risco para Alzheimer.

Além disso, indivíduos com desempenho cognitivo mais baixo no início do estudo tiveram benefícios mais pronunciados. Em termos de segurança, a intervenção estruturada foi bem tolerada e resultou em menos eventos adversos graves do que a versão autodirigida, reforçando a viabilidade da sua implementação em larga escala.

Diálogo com a literatura internacional

Os achados do US POINTER dialogam com pesquisas internacionais prévias. O estudo FINGER, realizado na Finlândia e publicado no periódico The Lancet há 10 anos, já havia mostrado que uma intervenção multidomínio poderia reduzir o declínio cognitivo em idosos com maior risco, mas analisou uma população mais homogênea e relativamente pequena. Outros ensaios, como o MAPT na França, obtiveram resultados mais modestos, mas apontaram benefícios em subgrupos específicos, como indivíduos com maior risco cardiovascular. Mais recentemente, o ensaio chinês MIND-CHINA reforçou a importância de programas comunitários adaptados culturalmente, indicando que intervenções de baixo custo também podem ter impacto na preservação da cognição. Nesse contexto, o US POINTER acrescenta uma dimensão de diversidade populacional, pois incluiu participantes de diferentes etnias, o que amplia a generalização dos achados para a realidade dos EUA.

Implicações clínicas e perspectivas

As implicações clínicas são amplas. Em primeiro lugar, o estudo reforça que mudanças de estilo de vida podem de fato alterar trajetórias cognitivas em indivíduos vulneráveis, sustentando uma abordagem preventiva integrada para além da farmacoterapia. O fato de mesmo a versão autodirigida do programa ter levado a melhoras cognitivas sugere que qualquer incentivo estruturado para a adoção de hábitos saudáveis já traz benefício mensurável, embora o suporte intensivo seja mais eficaz. Isso abre portas para modelos híbridos de intervenção adaptados à disponibilidade de recursos locais e indica que, em sistemas de saúde sobrecarregados, a simples disponibilização de guias pode ser um avanço inicial. No entanto, a criação de programas estruturados em centros comunitários, com orientação e monitoramento, parece ser a estratégia mais eficaz para modificar riscos populacionais em larga escala.

Além disso, os dados do US POINTER corroboram a ideia de que a prevenção do declínio cognitivo deve ser iniciada precocemente, antes do surgimento de sintomas clínicos significativos. Esse ponto é particularmente relevante no contexto da falta de tratamentos farmacológicos curativos para Alzheimer e outros tipos de demência. Ao evidenciar que ganhos cognitivos são possíveis mesmo em idosos com risco elevado, o ensaio dá respaldo para políticas públicas que estabeleçam intervenções não farmacológicas como pilares da saúde cerebral.

A literatura reforça que o impacto pode ir além da cognição. O FINGER e o MIND-CHINA já haviam associado intervenções de estilo de vida à redução de fatores de risco cardiovasculares e metabólicos, sugerindo benefícios sistêmicos. O US POINTER deverá ainda analisar dados de biomarcadores, neuroimagem e função física nos próximos anos, o que poderá esclarecer mecanismos biológicos e confirmar a durabilidade dos efeitos observados. Se os resultados forem mantidos, a estratégia multidomínio poderá ser comparável, em termos de impacto populacional, a medidas clássicas de saúde pública, como o controle da hipertensão ou o combate ao tabagismo.

Em suma, o US POINTER oferece as evidências mais sólidas até o momento de que intervenções de estilo de vida, quando estruturadas e apoiadas por programas de suporte clínico, podem preservar a cognição em idosos com maior risco de demência. Embora os efeitos numéricos sejam modestos em nível individual, sua aplicação populacional pode ser um marco no combate ao aumento global de casos de demência. Ao lado de experiências internacionais, o estudo consolida a noção de que um estilo de vida saudável não apenas previne doenças cardiovasculares e metabólicas, mas também é fundamental para manter a saúde cerebral.

Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

Videogames ou redes sociais? Saiba qual o menos nocivo para o cérebro e seus impactos na cognição

Com conteúdo inesgotável e um algoritmo preparado para atender às suas expectativas, o celular prontamente gera pequenos prazeres através da dopamina, neurotransmissor produzido no cérebro. Rolar a tela sem controle possui efeitos negativos comprovados cientificamente. Entretanto, um artifício antes mal visto por parte das pessoas, hoje é fuga para quem quer se divertir e exercitar a capacidade cognitiva.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, descobriu que videogames estão associados ao aumento do foco, enquanto mídias sociais estão relacionadas à diminuição dele.

Publicado no Scientific Reports, o estudo revelou que os níveis de hemoglobina oxigenada (HbO) aumentaram mais após o uso das redes, enquanto os de hemoglobina desoxigenada (HbR) subiram depois de jogar. Na segunda situação, o cérebro estava usando ativamente mais do oxigênio que recebia.

“Essas descobertas sugerem que tipos interativos de entretenimento realmente deixam o cérebro mais envolvido”, diz Alexandra Gaillard, autora principal do estudo.

O estigma em relação aos jogos surgiu anos atrás, associado ao vício, ao isolamento social e, em alguns casos, à violência. Para Amanda Bastos, neuropsicóloga, ainda existem resquícios desse preconceito — mais sutis que antes — em algumas gerações que cresceram ouvindo críticas sobre o ato de jogar.

Rogério Panizzutti, neurocientista e coordenador do Laboratório de Neurociência e Aprimoramento Cerebral da UFRJ, atribui a “alienação” como outro fator responsável por essa percepção.

— Hoje, mesmo que o adolescente esteja isolado no quarto, muitas vezes ele está jogando com amigos ou com pessoas que conheceu através do jogo, formando um grupo social. Isso desmistificou a ideia de que o videogame precisava ser algo negativo — afirma o especialista.

De acordo com Amanda, o cenário atual é diferente no âmbito da psicologia cognitiva e da neurociência. Hoje, os videogames auxiliam na avaliação de funções cognitivas e neuropsicológicas, em uma estratégia de gamificação.

— É possível avaliar funções executivas e cognitivas, como tomada de decisão, planejamento, resolução de problemas e engajamento com a tarefa — explica.

No cotidiano, os elementos dos jogos ajudam a estimular a concentração e aumentar a atividade da região do córtex pré-frontal dorsolateral. Amanda destaca o fato do jogador receber uma resposta imediata — seja visual ou auditiva — em relação ao seu desempenho.

Em contrapartida, as redes sociais, por serem caracterizadas por seu consumo imediato, aumentam a produção de dopamina e ativam no cérebro mecanismos de condicionamento, que incentiva o consumidor a continuar procurando conteúdos.

— O videogame também ativa essa região, mas costuma ter fases, um tempo de jogabilidade maior e exige algum grau de interação com a tarefa. Você não fica passivamente assistindo: participa ativamente — destaca Amanda.

Guilherme Nery, estudante de 28 anos, joga desde os 6. O interesse surgiu a partir do incentivo do pai, que possuía os tão conhecidos consoles de videogame Atari e MegaDrive. A paixão dura até hoje, e o jovem costuma jogar todos os dias, de 2 a 3 horas. Quando está com os amigos, ultrapassa 5 horas.

— Jogando, me sinto entretido e fazendo um bom uso do meu tempo. Costumo dizer que, se eu ficar um dia sem jogar, não tenho lazer — afirma.

Guilherme Nery costuma jogar todos os dias, de 2 a 3 horas — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo
Guilherme Nery costuma jogar todos os dias, de 2 a 3 horas — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo

Entre seus jogos favoritos estão os de FPS (First-Person Shooter, ou Tiro em Primeira Pessoa), futebol e aqueles com as melhores histórias. Para ele, os que envolvem armas auxiliam mais no foco, visto que a atenção é crucial. Além disso, afirma que jogos online também contribuem para sua comunicação.

— Você precisa ficar atento para acertar os outros jogadores e se sair bem nas pontuações — destaca Guilherme. — Jogos que demandam trabalho em equipe aprimoram a minha habilidade de comunicação, a organização para alcançar e cumprir objetivos.

O jovem compartilha que o tempo investido em jogos é muito mais benéfico do que aquele gasto nas redes sociais. Ressalta que os sentimentos obtidos ao utilizá-las nem sempre são positivos, o que ele define como um “misto de humor e conhecimento exagerado da vida alheia”.

Equilíbrio é a chave

Os resultados da pesquisa australiana corroboram para a preocupação quanto aos efeitos em crianças e jovens adultos, cujos cérebros ainda não estão totalmente desenvolvidos. Rogério Panizzutti alerta que, mesmo com benefícios, é preciso maneirar no uso.

— O estímulo à atividade física e à socialização é fundamental. Entre 4 e 8 anos, o cérebro motor se desenvolve, e se a criança passa muito tempo apenas jogando, suas habilidades físicas podem ficar prejudicadas. Já o cérebro social se desenvolve na adolescência, e se o jovem se isola nos jogos, suas capacidades sociais podem ser atrasadas — ressalta.

Com equilíbrio, é possível garantir apenas os efeitos positivos dos videogames.

Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

Como a respiração pode transformar suas emoções e seu cérebro

Em tempos modernos, a busca por formas naturais de acalmar a mente e transformar as emoções ganhou um novo aliado: o ato de respirar conscientemente. Este hábito, muitas vezes considerado trivial, revelou-se poderoso em influenciar tanto o bem-estar emocional quanto o funcionamento cerebral. Pesquisas recentes começaram a desvendar o que se encontra por trás do chamado breathwork, demonstrando sua capacidade de impacto direto no cérebro e no equilíbrio emocional.

Uma equipe da Brighton and Sussex Medical School, liderada por Amy Amla Kartar, investigou o papel da respiração intensa em conjunto com música evocadora e descobriu mudanças cerebrais significativas.

O estudo, publicado na revista PLOS One, utilizou tecnologias sofisticadas como a neuroimagem para observar essas transformações em tempo real. A pesquisa incluiu participantes que realizaram sessões de 20 a 30 minutos de respiração rápida, enquanto a resposta fisiológica foi cuidadosamente monitorada.

Como a respiração induz alterações no cérebro?
Como a respiração pode transformar suas emoções e seu cérebro

Os resultados desse estudo mostraram que a prática de breathwork está associada a alterações notáveis na ativação do sistema nervoso simpático, evidentes através da diminuição da variabilidade da frequência cardíaca.

Além disso, foi observado um fluxo sanguíneo reduzido em áreas cerebrais como o opérculo esquerdo e a ínsula posterior, regiões ligadas à percepção corporal interna. Em contraste, a amígdala direita e o hipocampo anterior, ambos envolvidos no processamento de memórias emocionais, apresentaram aumento do fluxo sanguíneo.

O que é o fenômeno ‘oceanic boundlessness’?

Um dos aspectos mais fascinantes do estudo foi a identificação do fenômeno denominado ‘oceanic boundlessness’. Muitos participantes relataram sensações intensas de unidade, paz e clareza mental, popularmente associadas a práticas espirituais profundas ou ao uso de substâncias psicodélicas.

Contudo, neste estudo, tais sensações emergiram apenas através da combinação de trabalho respiratório e música evocadora, sem efeitos colaterais desfavoráveis.

Quais são as implicações terapêuticas do breathwork?

O impacto do breathwork como uma ferramenta terapêutica promissora se torna evidente com as descobertas do estudo. A Dr. Alessandro Colasanti, pesquisador líder, destacou que a respiração guiada representa uma poderosa forma de neuromodulação natural, regulando não apenas o metabolismo cerebral, mas também sistematicamente em todo o corpo.

Esse método potencializa intervenções clínicas, especialmente para condições emocionais difíceis, sem recorrer a medicamentos.

Apesar das conclusões promissoras, os pesquisadores enfatizam a necessidade de estudos adicionais. Com experimentos mais extensos e participação controlada, será possível isolar fatores como a influência da música, garantindo uma compreensão mais profunda dos mecanismos por trás do breathwork.

No entanto, é inegável que a respiração guiada se estabelece como uma prática acessível, segura e eficaz para a promoção da saúde emocional, abrindo portas para novas formas de terapia não-farmacológica.

Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

Parar de trabalhar ajuda ou prejudica o cérebro? Pesquisas analisam o impacto da aposentadoria na saúde mental

Para milhões de americanos que se aposentam todos os anos, deixar o trabalho pode parecer uma pausa merecida. Mas a mudança também pode desencadear transformações significativas na saúde do cérebro, incluindo maior risco de declínio cognitivo e depressão.

Antes da aposentadoria, há uma rotina clara: acordar cedo, socializar com colegas e lidar com os desafios mentais do trabalho, explica Ross Andel, professor da Universidade Estadual do Arizona, que pesquisa envelhecimento cognitivo. “De repente, após 50 anos, essa rotina desaparece”, afirma.

Segundo ele, existe a ideia de que corpo e cérebro “se adaptam quando não são mais necessários”. É nesse momento, acrescenta, que a deterioração se manifesta como resposta natural à inatividade.

Por outro lado, a aposentadoria também pode ser uma chance de fortalecer a saúde cognitiva e emocional, com mais tempo para interações sociais e hobbies. Mesmo quem já percebe sinais iniciais de declínio pode recuperar a função cerebral, afirma Giacomo Pasini, professor de econometria da Universidade Ca’ Foscari de Veneza, que estuda os impactos das políticas econômicas na saúde mental de idosos.

Um declínio na cognição e no humor

Uma análise com mais de 8 mil aposentados na Europa mostrou que a memória verbal — a capacidade de lembrar palavras após certo intervalo — tende a cair mais rápido depois da aposentadoria do que durante a vida profissional. Outro estudo realizado na Inglaterra identificou queda acentuada na memória verbal, embora habilidades como o raciocínio abstrato não tenham sido afetadas.

“Há evidências de que a aposentadoria pode prejudicar a cognição, porque o cérebro deixa de ser desafiado”, diz Guglielmo Weber, professor de econometria da Universidade de Pádua, que participou da pesquisa europeia.

Outros estudos também relacionam a aposentadoria ao surgimento da depressão. A transição repentina de uma “vida profissional intensa para uma vida sem engajamento” pode amplificar sentimentos de inutilidade, tristeza e até provocar “sintomas depressivos graves e perda de memória”, alerta Xi Chen, professor associado de saúde pública em Yale.

A natureza do trabalho — e a forma como ele é encarado — influencia o risco de declínio. Segundo pesquisadores, profissionais que ocuparam cargos de alto escalão podem apresentar piora cognitiva mais rápida, possivelmente porque suas identidades estavam mais ligadas às carreiras, afirma Chen.

O estudo europeu também revelou que pessoas que se aposentaram antes da idade padrão apresentaram um declínio menor do que aquelas que pararam de trabalhar mais tarde, segundo Weber. Uma explicação possível é que empregos menos exigentes mentalmente levem a uma transição mais gradual.

Quem se aposenta de forma forçada, seja por questões de saúde, discriminação etária ou dificuldades financeiras, tende a sentir impactos mais severos, diz Emily Fessler, professora-assistente da Weill Cornell Medicine. Mulheres, por sua vez, podem ser menos afetadas, pois tendem a manter uma vida social ativa mesmo após deixar o trabalho, avalia Weber.

O valor de ter um plano

A aposentadoria pode representar crescimento, não declínio, afirmam especialistas. O segredo é planejar com antecedência.

“Não espere se aposentar para pensar na aposentadoria. O plano não pode ser: ‘Trabalhei tanto que agora vou tirar férias longas e depois resolvo o resto’”, diz Andel.

Segundo Alison Moore, chefe da divisão de geriatria da Universidade da Califórnia em San Diego, o ideal é criar rotinas mental e fisicamente estimulantes alguns anos antes de parar de trabalhar. Mesmo que não sejam implementadas de imediato, essas decisões devem ser preparadas. Adiar planos — como passar parte do ano viajando — torna a adaptação mais difícil, diz ela. O objetivo, afirma, é “mudar de um tipo de vida cotidiana para outro” de forma natural.

Encontre um novo propósito

“Quem via seu propósito na contribuição pelo trabalho precisa encontrar algo para substituir isso”, afirma John Beard, professor de envelhecimento produtivo na Universidade Columbia. Pesquisas mostram que pessoas com senso de propósito têm menor risco de declínio cognitivo relacionado à idade.

O trabalho voluntário pode ajudar, diz Chen. Estudos indicam que aposentados engajados em atividades voluntárias envelhecem biologicamente mais devagar e preservam a cognição por se manterem ativos, mas sem o estresse do emprego integral.

Mantenha-se socialmente ativo

A aposentadoria costuma reduzir vínculos sociais, observa David Richter, professor da Freie Universität Berlin. “Temos evidências sólidas de que, primeiro, os contatos sociais diminuem — e depois vem o declínio cognitivo”, afirma.

Para evitar depressão, perda cognitiva e mortalidade precoce associadas ao isolamento, Richter recomenda substituir a socialização do trabalho por encontros presenciais ou virtuais regulares. Atividades que estimulam a mente, como clubes do livro, são mais benéficas que interações passivas. “Ouvir rádio ou assistir TV não têm o mesmo efeito”, diz ele. “Precisamos de conversas reais, de ida e volta.”

Experimente coisas novas

Atividades criativas ajudam a dar propósito e manter o cérebro ativo, diz Jonathan Schooler, professor de ciências psicológicas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara. Criatividade pode ser treinada como qualquer habilidade: escrever alguns minutos por dia ou testar uma receita ousada já são exercícios. E a prática regular de atividade física segue essencial para o cérebro envelhecido — inclusive ao experimentar novas modalidades.

Segundo Schooler, a criatividade também reforça a sensação de significado na vida. “Há fortes evidências de que encontrar propósito gera grande satisfação pessoal”, afirma.

Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

 

Cérebro de um “superidoso” de 80 anos funciona como o de uma pessoa de 50

O cérebro humano encolhe com a idade, afetando a memória — isso faz parte da vida. No entanto, existe um pequeno grupo de sortudos, chamados de “superidosos”, que possuem um cérebro que resiste a esse processo. Para essas pessoas, as memórias permanecem tão nítidas quanto há 30 ou mais anos.

Carol Siegler, moradora do subúrbio de Palatine, em Chicago, é uma superidosa. Aos 82 anos, ela venceu o American Crossword Puzzle Tournament em sua categoria de idade, no qual, segundo ela, entrou “como uma brincadeira”. “Fiz testes duas vezes para o ‘Jeopardy!’ e me saí bem o suficiente para ser convidada para as audições ao vivo. Foi quando a Covid-19 chegou”, disse Siegler em 2022, aos 85 anos.

Hoje, Siegler continua forte, a caminho de seu 90º aniversário, disse Tamar Gefen, professora associada de psiquiatria e ciências comportamentais no Mesulam Institute for Cognitive Neurology and Alzheimer’s Disease da Northwestern University (Centro Mesulam para Neurologia Cognitiva e Doença de Alzheimer da Universidade de Northwestern, em português) , em Chicago.

Gefen conduz pesquisas no SuperAging Program da Northwestern, que atualmente estuda 113 superidosos. Nos últimos 25 anos, 80 superidosos doaram tecido cerebral para o programa, o que levou a descobertas fascinantes.

CNN conversou com Gefen sobre essas décadas de trabalho. Ela é coautora de uma nova análise da pesquisa que foi publicada na quinta-feira na revista Alzheimer’s & Dementia, da Alzheimer’s Association.

CNN: Como você define um superidoso e o que descobriram sobre o comportamento deles ao longo dos anos?

Tamar Gefen: Para ser um superidoso em nosso programa na Northwestern, a pessoa deve ter mais de 80 anos e passar por testes cognitivos rigorosos. A aceitação no estudo ocorre apenas se a memória episódica da pessoa — a capacidade de recordar eventos cotidianos e a história pessoal passada — for tão boa ou melhor do que a de pessoas cognitivamente normais entre 50 e 60 anos.

Examinamos cerca de 2 mil indivíduos que pensavam ser superidosos, e menos de 10% deles preenchem os critérios. Nos últimos 25 anos, estudamos cerca de 300 superidosos, e vários deles doaram o cérebro para pesquisa.

Carol Seigler aos 85 anos • Jennifer Boyle via CNN Newsource
Carol Seigler aos 85 anos • Jennifer Boyle via CNN Newsource

Uma característica-chave dos superidosos é que eles parecem ser pessoas altamente sociáveis. Eles valorizam a conexão e costumam ser ativos em suas comunidades. Isso é interessante porque sabemos que o isolamento é um fator de risco para o desenvolvimento de demência, e, portanto, manter-se socialmente ativo é uma característica protetora conhecida.

Outro ponto em comum em todos os superidosos é um senso de autonomia, liberdade e independência. Eles tomam decisões e vivem a vida da maneira que desejam.

Acredito firmemente que o envelhecimento bem-sucedido não se resume apenas à sociabilidade. Se uma pessoa se sente encurralada, presa ou sobrecarregada, especialmente em um estado vulnerável como problemas de saúde ou idade avançada, acho que isso pode comprometer todo o seu bem-estar psicossocial.

Mas, em termos de hábitos saudáveis, os superidosos são muito diversos. Temos superidosos com doenças cardíacas, diabetes, que não são fisicamente ativos, que não se alimentam melhor do que seus pares da mesma idade.

Há um superidoso que bebe quatro cervejas todas as noites. Ele ri e diz: “Talvez isso tenha me feito mal, mas nunca saberei”. Ele não tem um irmão gêmeo idêntico para comparar seu comportamento, então ele teria vivido até os 108 em vez de 98 anos? Não sabemos.


CNN: Muitas de suas descobertas mais intrigantes vieram do estudo do tecido cerebral de doadores. O que vocês descobriram sobre o centro de memória do cérebro de um superidoso?

Gefen: Nossos estudos mostraram que uma área do cérebro responsável pela atenção, motivação e engajamento cognitivo — conhecida como córtex do cíngulo — é mais espessa nos superidosos, até mesmo em comparação com pessoas entre 50 e 60 anos.

No hipocampo, o centro de memória do cérebro, descobrimos que os superidosos têm três vezes menos emaranhados de tau em comparação com seus pares “normais”. A formação anormal de proteínas tau é um dos principais sinais do Alzheimer.

Na doença de Alzheimer, a tau também atinge os neurônios do sistema colinérgico — que é responsável por sustentar nossa atenção na vida diária. Mas isso não acontece no cérebro de um superidoso. Portanto, o sistema colinérgico parece ser mais forte, e provavelmente mais plástico e flexível, por razões que ainda não temos certeza.

Isso é interessante, pois vejo os superidosos como pessoas focadas. Eles conseguem prestar muita atenção, se engajar e ouvir ativamente. Como mais eles conseguiriam se lembrar de 13 de 15 palavras aleatórias após 30 minutos? Eu os imagino gravando as palavras em seu córtex com um cinzel.

Os cérebros dos superidosos também têm células maiores e mais saudáveis no córtex entorrinal, uma área essencial para a memória e o aprendizado, que tem conexões diretas com o hipocampo. O córtex entorrinal, a propósito, é uma das primeiras áreas do cérebro a ser atingida pela doença de Alzheimer.

Em outro estudo, examinamos cada camada de células dentro do córtex entorrinal de superidosos e medimos minuciosamente o tamanho dos neurônios. Descobrimos que na camada dois, que é a mais importante para a transmissão de informações, os superidosos tinham neurônios no córtex entorrinal enormes, cheios, intactos, lindos e gigantes.

Foi uma descoberta incrível, porque os neurônios entorrinais deles eram ainda maiores do que os de indivíduos muito mais jovens, alguns até mesmo na faixa dos 30 anos. Isso nos disse que há um componente de integridade estrutural em jogo — como a arquitetura, os ossos, o esqueleto do próprio neurônio é mais resistente.

Estamos expandindo os estudos desses neurônios para entender suas assinaturas bioquímicas, determinar o que os torna especiais e ver se essas assinaturas são encontradas em outros tipos de neurônios no cérebro dos superidosos. Esses mesmos neurônios são particularmente vulneráveis naqueles com a doença de Alzheimer, e se sim, como e por quê?

CNN: O que vocês aprenderam com a pesquisa sobre como o cérebro de um superidoso reage a lesões, doenças e estresse?

Gefen: Estamos analisando o sistema inflamatório no cérebro dos superidosos, com o objetivo de entender como as células imunes em seus cérebros respondem à doença e se adaptam ao estresse. A inflamação, uma vez que ultrapassa um certo limite, é um componente importante da perda celular na doença de Alzheimer e em quase todas as outras doenças neurodegenerativas.

Em comparação com o cérebro de pessoas da mesma idade, os superidosos têm menos micróglia ativada, as células imunes residentes do cérebro, em sua substância branca. A substância branca é a superestrada do cérebro, transportando informações de uma parte do cérebro para outra.

É assim que funciona: a micróglia é ativada porque há algum tipo de antígeno ou doença, geralmente algo destrutivo no cérebro. Em alguns casos, no entanto, a micróglia e outras células imunes se tornam hiperativas e entram em ação, causando inflamação e possível dano.

O cérebro de um superidoso, no entanto, tem menos micróglia ativada. Na verdade, os níveis de micróglia estavam em linha com os de pessoas entre 30, 40 e 50 anos. Isso pode significar que há menos “lixo” ou doença no cérebro de um SuperIdoso, então a micróglia não precisa estar ativa. Ou pode significar que a micróglia está respondendo eficientemente na limpeza de doenças ou toxinas e, por serem mais plásticas e adaptáveis, a micróglia consegue ativar, responder e depois se acalmar.

Tudo isso é fascinante — pode ser que, no nível celular, o sistema imunológico do cérebro de um superidoso seja mais forte ou mais adaptável, assim como as camadas de células que encontramos no córtex entorrinal.


CNN: Se você nasceu ou não com os genes certos para proteger seu cérebro, parece uma questão de sorte. O que isso significa para o futuro?

Gefen: A genética é complicada. Não se trata apenas de ter ou não um gene, mas de como seu ambiente interno e externo trabalham juntos para influenciar como um gene é “ligado”, ou expresso — alguns podem ser mais altamente expressos, outros terão uma expressão mais baixa. Esta é a parte epigenética do quebra-cabeça.

Há uma lista de genes candidatos que estamos começando a estudar com muito cuidado, são genes que também têm um papel em aspectos de longevidade, senescência, reparo celular e reserva cognitiva, para citar alguns. Estou entusiasmada com isso, não apenas pela genética herdável dos pais, mas também pela genética no nível celular, que permite que cada neurônio ou célula imune realize sua respectiva função dentro do cérebro. Com a tecnologia avançando tão rapidamente, tenho certeza de que chegaremos a um ponto em que a prevenção ou modificação no nível genético fará parte do manual.

Claramente, não existe uma única solução para a doença de Alzheimer. Sei que todos queremos essa correção fácil, mas isso simplesmente não vai acontecer.

Será preciso que muitas equipes e muitos especialistas se unam para criar um tipo de coquetel personalizado para prevenção ou tratamento. Acho que é possível, mas vai levar tempo.

Quer ter um cérebro turbinado em qualquer idade? A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.