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Por que entender o que o tempo de tela faz com o cérebro das crianças é mais complicado do que parece

Outro dia, enquanto eu fazia algumas tarefas domésticas, entreguei o iPad do meu marido ao meu filho mais novo para mantê-lo entretido. Mas, depois de um tempo, me senti desconfortável: eu não estava prestando atenção em quanto tempo ele estava usando o aparelho e nem no que ele estava vendo. Então, disse que era hora de parar.

Uma grande pirraça começou. Ele gritou, deu chutes, se agarrou ao iPad e tentou me empurrar com a força de uma criança com menos de 5 anos. Não foi meu melhor momento como mãe, admito, mas a reação extrema dele me incomodou.

Meus filhos mais velhos navegam nas redes sociais, exploram jogos online e realidade virtual — e às vezes isso também me preocupa. Ouço eles se provocarem dizendo que precisam “tocar na grama”, ou seja, se desconectar e sair de casa.

O falecido Steve Jobs, que era CEO da Apple quando a empresa lançou o iPad, ficou conhecido por não deixar os próprios filhos usarem a tecnologia. Bill Gates já disse que também restringia o acesso dos seus filhos.

Steve Jobs com um iPad na mão
O tempo de tela tem se tornado um sinônimo de más notícias, sendo culpado pelo aumento de casos de depressão entre jovens, problemas de comportamento e privação do sono.

A renomada neurocientista Susan Greenfield foi ainda mais longe ao dizer que o uso da internet e de jogos de computador podem prejudicar o cérebro de adolescentes.

Em 2013, ela comparou o efeito negativo do uso prolongado de telas aos primeiros sinais das mudanças climáticas: uma transformação significativa que as pessoas não estavam levando a sério.

Hoje, o tema é encarado com mais seriedade. Mas os alertas sobre o lado sombrio talvez não contem a história completa.

Um editorial publicado no British Medical Journal argumentou que as alegações de Greenfield sobre o cérebro “não se baseavam em uma avaliação científica justa das evidências e são enganosas para os pais e para o público em geral”.

Agora, outro grupo de cientistas do Reno Unido afirma que faltam evidências científicas concretas sobre os supostos malefícios do uso de telas.

Então, será que estamos errando em nos preocupar com as nossas crianças e tentar limitar o acesso delas a tablets e smartphones?

É tão ruim quanto parece?

Pete Etchells, professor de Psicologia na Bath Spa University, é um dos acadêmicos que alerta sobre a falta de evidências.

Ele analisou centenas de estudos sobre o tempo de tela e saúde mental, além de grandes volumes de dados os hábitos digitais dos jovens. Em seu livro Unlocked: The Real Science of Screen Time (Desbloqueado: a verdadeira ciência do tempo de tela, na tradução livre para o português), ele afirma que a ciência por trás das conclusões alarmantes que estampam as manchetes é inconsistente e, em muitos casos, falha.

“Simplesmente não há evidências científicas concretas que sustentem essas histórias sobre os efeitos terríveis do tempo de tela”, escreve.

Uma criança deitada com o celular na mão
Um estudo publicado pela Associação Americana de Psicologia, em 2021, apresentou conclusões semelhantes.

Os 14 autores, de várias universidades ao redor do mundo, analisaram 33 estudos publicados entre 2015 e 2019. Eles concluíram que o uso de telas, incluindo smartphones, redes sociais e videogames, teve um “impacto pequeno nas questões de saúde mental”.

E embora alguns estudos tenham sugerido que a luz azul — como a emitida por telas — dificulte o sono por suprimir a produção do hormônio melatonina, uma revisão de 2024, que analisou 11 estudos realizados em diferentes países, não encontrou evidências consistentes de que a exposição à luz das telas na hora de dormir realmente dificulte cair no sono.

Problemas com a ciência

Um dos grandes problemas, aponta Etchells, é que a maioria dos dados sobre o tempo de tela depende fortemente do autorrelato. Em outras palavras, os pesquisadores simplesmente perguntam aos jovens quanto tempo acham que passaram diante das telas e como lembram de se sentir.

Ele também argumenta que há milhões de formas possíveis de interpretar essa quantidade de dados. “Temos que tomar cuidado ao analisar correlações”, destaca.

Ele cita o exemplo do aumento estatisticamente significativo tanto nas vendas de sorvete quanto nos casos de câncer de pele durante o verão. Ambos estão relacionados ao clima quente, mas não um ao outro: sorvetes não causam câncer de pele.

Ele também lembra de um projeto de pesquisa inspirado por um clínico geral que havia notado duas coisas: primeiro, que estava tendo mais conversas com jovens sobre depressão e ansiedade; segundo, que muitos jovens usavam seus celulares em salas de espera.

“Nós trabalhamos com o médico e dissemos: ‘Ok, vamos testar isso, podemos usar dados para tentar entender essa relação'”, explica.

Apesar dos dois fatores apresentarem correlação, havia um elemento adicional significante: o tempo que os jovens com depressão ou ansiedade passavam sozinhos.

No fim, o estudo sugeriu que era a solidão que estava levando os jovens a passar por problemas de saúde de mental, e não o uso de telas.

A diferença entre rolar a tela e fazer uso positivo dela

Além disso, há detalhes importantes faltando nas pesquisas: a natureza do tempo de tela em si. O termo “tempo de tela” é vago demais, diz Etchells.

Foi um tempo de tela positivo? Foi útil? Informativo? Ou você apenas ficou rolando o feed sem parar? O jovem estava sozinho ou interagindo com outros amigos online?

Cada um desses fatores gera uma experiência diferente.

Um menino usando o celular e vendo um vídeo

A forma como a criança usa a tela, se está apenas rolando o feed, ou aprendendo algo, faz diferença no impacto para o cérebro

Um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido analisou 11.500 exames cerebrais de crianças entre 9 e 12 anos, junto com avaliações de saúde e relatos delas mesmas sobre o uso de telas.

Embora tenham sido identificados padrões de uso de tela associados a mudanças na forma como as regiões do cérebro se conectam, o estudo não encontrou evidências de que o tempo de tela estivesse ligado a problemas de bem-estar mental ou dificuldades cognitivas, mesmo entre aquelas que passavam horas por dia diante de telas.

O estudo, realizado entre 2016 e 2018, foi supervisionado pelo professor Andrew Przybylski, da Universidade de Oxford, que estuda os impactos dos videogames e redes sociais na saúde mental. Seus estudos — revisados por pares — indicam que ambos podem, na verdade, melhorar o bem-estar em vez de prejudicá-lo.

“Se as telas realmente mudassem o cérebro para pior, seria possível identificar esse sinal em um banco de dados tão grande como esse. Mas isso não acontece. Então essa ideia de que as telas estão mudando o cérebro de forma consistente ou duradouramente negativa simplesmente não parece se sustentar”, diz Etchells.

Essa visão é compartilhada pelo professor Chris Chambers, chefe do setor de estimulação cerebral da Universidade de Cardiff, que é citado no livro do professor Etchells: “Seria óbvio se houvesse um declínio. Seria fácil olhar para os últimos, digamos, 15 anos de pesquisa…”

“Se nosso sistema cognitivo fosse tão frágil a mudanças no ambiente, nós não estaríamos aqui. Nós teríamos sido extintos há muito tempo.”

‘Combinação terrível para a saúde mental’

Nem o professor Przybylski nem o professor Etchells questionam a gravidade de certos perigos online, como a exposição crescente a conteúdos explícitos ou nocivos. Mas ambos argumentam que o debate atual sobre o tempo de tela corre risco de torná-lo ainda mais ‘clandestino’.

Przybylski se preocupa com os argumentos apresentados para limitar e até mesmo proibi-los o uso de dispositivos, e acredita que, quanto mais rigidamente o tempo de tela for controlado, mais chance dele se tornar “um fruto proibido”.

Muitos discordam. O grupo britânico Smartphone Free Childhood afirma que 150 mil pessoas já assinaram o compromisso de banir smartphones para adolescentes com menos de 14 anos, além de adiar o acesso às redes sociais até os 16.

Quando Jean Twenge, professora de Psicologia da Universidade Estadual de San Diego, nos EUA, começou a pesquisar o aumento das taxas de depressão entre adolescentes americanos, ela não tinha intenção de provar que as redes sociais e os smartphones eram “terríveis”. Mas ela acabou descobrindo nessas tecnologias um único denominador comum.

Hoje, ela acredita que separar crianças e telas é algo óbvio, e faz um apelo para que os pais mantenham os filhos longe dos celulares pelo maior tempo possível.

“Os cérebros [das crianças] estão mais desenvolvidos e maduros aos 16 anos”, argumenta. “E o ambiente social na escola e entre grupos de amigos é muito mais estável aos 16 do que aos 12.”

Uma criança jogando um jogo no iPad

Outros pesquisadores afirmam que a alta exposição a telas leva a menos horas de sono e interação social, o que é ‘uma combinação terrível’ para a saúde mental

Apesar de ela concordar que os dados coletados sobre o uso de tela por jovens seja, em sua maioria, baseados em autorrelato, Twenge argumenta que isso não enfraquece as evidências.

Um estudo dinamarquês publicado em 2024 envolveu 181 crianças de 89 famílias. Por duas semanas, metade delas teve o uso limitado de tela a três horas por semana.

A conclusão foi que a redução do uso de mídias digitais “afetou positivamente os sintomas psicológicos de crianças e adolescentes” e aumentou o “comportamento pró-social”, embora os autores ressaltem que mais pesquisas são necessárias.

Um outro estudo no Reino Unido, em que os participantes foram orientados a registrar o tempo de tela em diários de atividades, observou que um maior uso de redes sociais estava associado a níveis mais altos de sentimentos depressivos entre meninas.

“Se você pegar essa fórmula: mais tempo online — geralmente sozinho com uma tela —, menos horas de sono e menos tempo com os amigos presencialmente, temos uma combinação terrível para a saúde mental”, destaca Twenge.

“Não entendo por que isso é controverso.”

‘Julgamento entre pais’

Quando eu converso com o professor Etchells, é por uma chamada de vídeo. Um de seus filhos e um cachorro entram e saem do cômodo. Eu pergunto a ele se as telas estão realmente “reprogramando” o cérebro das crianças, e ele ri, explicando que tudo muda o cérebro: é dessa forma que os humanos aprendem.

Mas ele também demonstra empatia em relação ao medo dos pais sobre os possíveis perigos das telas.

Não ajuda o fato de que há poucas orientações claras — e que o tema está repleto de vieses e julgamento entre pais.

Jenny Radesky, pediatra da Universidade de Michigan, resumiu bem essa questão ao falar na fundação filantrópica Dana Foundation. Segundo ela, há um “discurso cada vez mais carregado de julgamento entre os pais”.

“Muito do que tem sido discutido parece mais voltado a gerar culpa nos pais do que, de fato, a esclarecer o que a pesquisa científica tem a nos dizer”, afirmou. “E isso é um problema real.”

Olhando para trás, a pirraça do meu filho mais novo por causa do iPad me alarmou na hora, mas, refletindo melhor, já vi reações parecidas dele em situações que não envolviam telas: como quando ele estava brincando de pique-esconde com os irmãos e não queria se preparar para dormir.

O tempo de tela também aparece bastante nas minhas conversas com outros pais. Alguns são mais rígidos do que os outros.

Atualmente, as orientações oficiais são inconsistentes. Nem a Academia Americana de Pediatria, dos EUA, nem do Colégio Real de Pediatria e Saúde Infantil, do Reino Unido, recomendam limites específicos de tempo de tela para crianças.

Duas crianças deitadas no chão com iPads e uma mãe sentada no sofá usando o computador

Julgamento entre pais e sentimento de culpa é comum em discussões sobre uso de telas

Organização Mundial de Saúde (OMS), por sua vez, recomenda que crianças menores de um ano não usem telas de forma alguma, e aquelas com menos de quatro anos não ultrapassem uma hora por dia de uso (embora, ao ler a diretriz, seja perceptível que o foco principal é priorizar a atividade física).

O problema maior é que simplesmente não há ciência suficiente para estabelecer uma recomendação definitiva, e isso está dividindo a comunidade científica — apesar da forte pressão social para limitar o acesso das crianças às telas.

Mas, sem diretrizes definidas, será que estamos criando um cenário desigual entre crianças que já serão fluentes em tecnologia quando adultas e outras que, por não terem esse mesmo contato, estarão mais vulneráveis?

De qualquer forma, o risco é alto. Se as telas estiverem realmente prejudicando as crianças, pode levar anos até que a ciência consiga se atualizar e comprovar isso. Ou, se eventualmente concluir que não há perigo, nós teremos desperdiçado energia e dinheiro, e durante o processo, mantido as crianças longe de algo que pode ser extremamente útil para elas.

Enquanto isso, as telas evoluem para óculos, as redes sociais se reorganizam em torno de comunidades menores, e as pessoas já usam a inteligência artificial para ajudar com o dever de casa e até mesmo como forma de terapia — ou seja, a tecnologia, que já faz parte das nossas vidas, está evoluindo rapidamente, com ou sem a nossa permissão para que as crianças a acessem.

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Estudo revela o que acontece no cérebro quando lemos

Se você chegou até aqui — nesta página e na vida —, é porque conhece os benefícios da leitura. “Ela estimula a criatividade, aguça as emoções e até ajuda a melhorar o sono”, diz o neurologista Guilherme Olival, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Para entender os motivos, cientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, revisaram 163 estudos e apontaram quais áreas do órgão são ativadas quando lemos. O levantamento foi publicado na Neuroscience & Biobehavioral Reviews.

A maior parte do trabalho é feita pelo hemisfério esquerdo do órgão e pelo cerebelo — a depender do que e como é lido. Ler em voz alta, por exemplo, aviva regiões ligadas ao movimento e ao processamento auditivo.

Identificar letras ativa só o córtex occipital, enquanto textos completos mexem também com o temporal. Você lê, os neurônios celebram.

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Estudo revela que Parkinson pode não começar no cérebro


O Parkinson sempre foi tratado como um distúrbio neurológico que começa no cérebro, com a morte progressiva de neurônios produtores de dopamina. Mas um novo estudo, publicado na revista Nature Neuroscience, propõe uma mudança importante nessa visão, ao sugerir que os primeiros sinais da doença podem surgir nos rins.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Wuhan, na China, e analisou o comportamento da proteína alfa-sinucleína (α-Syn), associada ao acúmulo anormal de proteínas que prejudicam o funcionamento do cérebro em pessoas com Parkinson e outras doenças neurodegenerativas.

O que é o Parkinson?

  1. O Parkinson é uma condição crônica e progressiva causada pela neurodegeneração das células do cérebro.

  2. Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas no mundo tenham Parkinson.

  3. A ocorrência é mais comum entre idosos com mais de 65 anos, mas também pode se manifestar em outras idades.

  4. A doença atinge principalmente as funções motoras, causando sintomas como: lentidão dos movimentos, rigidez muscular e tremores.

  5. Os pacientes também podem ter: diminuição do olfato, alterações do sono, mudanças de humor, incontinência ou urgência urinária, dor no corpo e fadiga.

Cerca de 30% das pessoas que vivem com Parkinson desenvolvem demência por associação.

Proteína ligada ao Parkinson aparece primeiro nos rins

O principal achado do estudo é que a alfa-sinucleína patológica pode se formar nos rins e, a partir daí, espalhar-se para o cérebro. Em experimentos com camundongos, os pesquisadores observaram que animais com rins saudáveis conseguiam eliminar os aglomerados da proteína.

Já nos que tinham insuficiência renal, esses aglomerados se acumularam e acabaram migrando para o cérebro. Quando os nervos entre rins e cérebro foram cortados, esse processo foi interrompido.

Análises de tecido humano reforçaram a hipótese. Os cientistas encontraram acúmulo anormal de alfa-sinucleína nos rins de 10 entre 11 pessoas com Parkinson ou demência por corpos de Lewy, uma condição também relacionada a essa proteína.

Em outro grupo, 17 de 20 pacientes com doença renal crônica, mas sem sinais de distúrbios neurológicos, também apresentaram alterações semelhantes.

Os achados indicam, segundo os pesquisadores, que o acúmulo da proteína nos rins pode anteceder os sintomas cerebrais, funcionando como um gatilho inicial da doença.

Novas possibilidades para tratamento e diagnóstico

Outro ponto importante do estudo foi o teste da presença de alfa-sinucleína no sangue. A equipe observou que reduzir os níveis da proteína na circulação também diminuiu os danos ao cérebro, sugerindo que ela pode se espalhar pelo organismo antes de atingir o sistema nervoso central.

Se os resultados forem confirmados por novas pesquisas, pode abrir caminho para formas de diagnóstico mais precoce e tratamentos que impeçam a progressão da doença antes que os sintomas neurológicos apareçam.

Apesar dos resultados promissores, os autores reconhecem que ainda há limitações. O número de amostras humanas foi pequeno e, embora os testes em camundongos sejam úteis, nem sempre refletem exatamente o que ocorre no corpo humano. Ainda assim, o estudo levanta uma nova linha de investigação que pode transformar a forma como o Parkinson é compreendido.

“A remoção de alfa-sinucleína do sangue pode impedir a progressão da doença, fornecendo novas estratégias para o tratamento terapêutico de doenças por corpos de Lewy”, escreveram os pesquisadores.”

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Movimente o corpo, turbine o cérebro: ciência revela hábitos que melhoram cognição e tomada de decisão


Melhorar o foco, tomar decisões com mais clareza e manter a mente afiada são objetivos que muita gente deseja. A boa notícia é que, segundo a ciência, atingi-los é mais fácil do que se imagina.

Pesquisas recentes mostram que adotar hábitos simples podem ter um impacto profundo na capacidade cognitiva, na memória e na inteligência. A seguir, confira quais são eles, conforme relatado pelo palestrante e LinkedIn Top Voice Jeff Haden em artigo publicado no Inc.

Pratique atividade física

Um estudo publicado no Journal of Epidemiology and Community Health descobriu que apenas seis a dez minutos de atividade física de moderada a vigorosa podem melhorar a memória de trabalho e habilidades cognitivas de nível superior, como organização, priorização e planejamento.

Por outro lado, não se exercitar pode ter um impacto negativo nas capacidades mentais. A pesquisa constatou que a cognição diminuiu de 1% a 2% quando oito minutos de exercícios moderados a vigorosos são substituídos por ficar sentado.

O que acontece é que, ao movimentar o corpo, isso retarda ou até mesmo reverte a decadência física do cérebro. “Ao contrário da crença popular, novas células cerebrais podem ser criadas: pesquisas mostram que o exercício pode aumentar o tamanho do hipocampo, mesmo na faixa dos 60 e 70 anos, mitigando assim o impacto da perda de memória relacionada à idade”, escreveu Jeff.

Para ter consistência na prática, a recomendação do especialista é escolher uma atividade que goste e esteja disposto, se não feliz, a fazer todos os dias.

Crie blocos neurais

De acordo com Barbara Oakley, professora de engenharia na Universidade de Oakland e autora do livro Learning How to Learn, “a fragmentação é a mãe de todo aprendizado — quando você sabe algo tão bem que é basicamente muito fácil lembrar-se disso e fazê-lo ou usá-lo. A criação de padrões neurais, blocos neurais, sustenta o desenvolvimento de toda a expertise”.

Mas como criar esses blocos neurais. Jeff recomenda seguir o processo simples de três etapas do escritor Adam Grant:

1.Aprenda algo e depois faça testes. Os testes ajudam a praticar a recuperação de informações (e as tornam mais relevantes).

2.Ensine outra pessoa. Pesquisas mostram que até mesmo a simples expectativa de ensinar ajuda a aprender com mais eficácia.

3.Conecte o que aprendeu a algo que já sabe. A “aprendizagem associativa” não só cria contexto e significado, como também permite se lembrar apenas de diferenças e nuances.

“A capacidade de tomar decisões intuitivas não é uma habilidade que você tem ou não tem; a capacidade de tomar decisões intuitivas é uma habilidade que resulta de prática extensa e contínua. O que importa quando você precisa tomar uma decisão rápida não é saber por que você sabe. O que importa, no momento, é que você sabe. Porque então você pode agir com base no que sabe”, destacou o autor do artigo do Inc.

Tome decisões no começo do dia

Quanto mais decisões temos de tomar em um dia, mais difícil fica continuar tomando decisões inteligentes. A neurobiologia explica que tarefas mentais difíceis que exigem foco e concentração levam ao acúmulo de glutamato, e o excesso de glutamato no organismo afeta significativamente o córtex pré-frontal lateral – a parte do cérebro responsável pela tomada de decisões e planejamento.

Um estudo publicado na Chronobiology International constatou que tendemos a tomar decisões mais inteligentes e racionais sobre propostas de alto risco no início do dia. E, outro, publicado no Journal of Retailing and Consumer Services, indicou que somos muito mais propensos a tomar decisões de compra por impulso à noite.

“Resumindo? Fique mentalmente cansado e tome decisões piores. Sempre que possível, estruture seu dia para que você possa lidar com tarefas que exigem foco e concentração o mais cedo possível no seu dia de trabalho. Ou logo após o almoço, quando você tiver a chance de recarregar as energias física e mentalmente”, complementou Jeff.

Aposte no combo dieta, exercícios e estilo de vida saudável

Um resumo de vários estudos publicados na Psychophysiology descobriu que a conectividade cerebral muda drasticamente a partir de algum momento por volta dos 40 anos – é quando o cérebro começa a passar pelo que os neurologistas chamam de “reconfiguração radical”.

Em seu artigo, o palestrante apontou que, embora diferentes partes do órgão realizem processos distintos, à medida que envelhecemos o número de domínios separados diminui.

“Com o tempo, o que antes eram redes particionadas, com domínios cognitivos separados responsáveis pelo processamento especializado, tornam-se gradualmente mais integrados. A ‘generalização’ resultante impacta negativamente a função executiva e a atenção: memória de trabalho, inteligência fluida, raciocínio, resolução de problemas, capacidade de pensar abstratamente, etc.”, comentou.

Contudo, pesquisas mostram que os Três Grandes, que são dieta, exercícios e um estilo de vida saudável, podem reduzir drasticamente e até mesmo adiar o efeito da consolidação e generalização da rede cerebral.

“Aceite novos desafios. Aprenda coisas novas. Construa novas conexões sociais. Quanto maior for sua gama de experiências, mais você poderá aproveitar o poder da segmentação. Veja exercícios, dieta e um estilo de vida saudável como algo bom para o seu corpo e sua mente. Porque eles são”, finalizou Jeff.

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Caminhar pode reduzir o risco de declínio cognitivo e aumentar a performance cerebral


Uma caminhada acelerada ou intensa em pessoas com mais de 40 anos está associada a melhora da função cognitiva, maior volume cerebral e uma redução de 5 anos no envelhecimento biológico. Além disso, a prática regular do exercício físico aumenta o ângulo de fase das células musculares e esse fator está associado a um risco 72% menor de comprometimento cognitivo em mulheres na pós menopausa.

Casal de idosos caminha no parque — Foto: iStockNo estudo Association of Neurocognitive and Physical Function With Gait Speed in Midlife, os participantes foram submetidos a uma série de avaliações aos 45 anos, incluindo testes de caminhada em diferentes condições, exames de imagem cerebral e análises bioquímicas para medir a chamada idade biológica.

Os resultados mostraram que quem caminhava mais devagar não apenas tinha volumes cerebrais menores, mas também exibiu declínio cognitivo ao longo da vida, além de aparentar ser mais velho fisicamente.

A pesquisa mostrou ainda que a marcha lenta não está relacionada apenas à força física, mas é um reflexo de todo um histórico de saúde, que inclui desde o desenvolvimento cognitivo na infância até alterações neurológicas visíveis em exames cerebrais.

Essas descobertas reforçam o que outros estudos já vinham apontando: o envelhecimento é um processo multifatorial e precoce. Para os especialistas, esse tipo de teste deve ser incorporado cada vez mais na prática clínica, inclusive em check-ups de rotina.

Além de reforçar a importância do acompanhamento desde cedo, é importante investir em estratégias de prevenção ainda na juventude, como boa alimentação, atividade física e estímulos cognitivos, pois elas podem fazer toda a diferença na qualidade de vida após os 40.

Entre os pontos positivos da caminhada intensa diária, estão:

  • Mulheres podem ter redução de 72% no risco de comprometimento cognitivo;
  • O aumento do ângulo de fase muscular na bioimpedancia se correlacionou com melhor memória, atenção, linguagem e função executiva;
  • Indivíduos que caminham mais rápido possuem maior QI (16 pontos);
  • Indivíduos que caminham mais rápido possuem maior volume cerebral e redução do envelhecimento cerebral em 5 anos;
  • Indivíduos que caminham mais rápido possuem melhor desempenho cognitivo em todos os domínios, incluindo memória e fluência na fala;
  • Não importa a distância ou o tempo, é fundamental respeitar o seu condicionamento físico atual. Por isso procure sempre ter o acompanhamento do educador físico, ele irá te ajudar a ter todos esses benefícios.
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Exercício físico melhora o cérebro e reduz risco de Alzheimer

Ao longo dos últimos anos, a compreensão sobre os benefícios do exercício físico foi ampliada para além da saúde corporal. Pesquisas recentes indicam que a prática regular de atividades físicas desempenha um papel essencial na manutenção da saúde cerebral, influenciando diretamente a cognição, o humor e a prevenção de doenças neurodegenerativas.

Estudos científicos realizados até 2025 apontam que manter o corpo em movimento pode ser uma das estratégias mais eficazes para preservar a função cerebral ao longo da vida. O exercício físico, além de promover bem-estar geral, atua como um aliado importante na proteção contra condições como Alzheimer e Parkinson, contribuindo para uma vida mais ativa e saudável.

Como o exercício físico beneficia o cérebro?

A relação entre atividade física e saúde cerebral é explicada por diversos mecanismos biológicos. Um dos principais efeitos é o aumento do fluxo sanguíneo para o cérebro, o que garante o fornecimento adequado de oxigênio e nutrientes essenciais para o funcionamento dos neurônios. Esse processo favorece a clareza mental e pode melhorar o desempenho em tarefas cognitivas.

Outro ponto relevante é a estimulação da neurogênese, ou seja, a formação de novos neurônios, especialmente em áreas associadas à memória e ao aprendizado. Além disso, a prática de exercícios promove a liberação de fatores neurotróficos, como o BDNF, uma proteína que auxilia no crescimento e na sobrevivência das células cerebrais. Esses fatores funcionam como verdadeiros “fertilizantes” para o cérebro, fortalecendo as conexões neurais.

  • Aumento do fluxo sanguíneo: mais oxigênio e nutrientes para o cérebro.
  • Estimulação da neurogênese: formação de novos neurônios.
  • Liberação de fatores neurotróficos: proteção e fortalecimento das células cerebrais.
    Redução da inflamação: combate a processos que podem prejudicar o cérebro.

Exercício físico melhora o cérebro e reduz risco de Alzheimer

Exercício físico pode prevenir doenças neurodegenerativas?

Pesquisas apontam que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de desenvolver doenças como demência, Alzheimer e Parkinson. Modalidades que exigem coordenação motora, raciocínio e memória, como dança, esportes coletivos e artes marciais, parecem oferecer benefícios ainda mais expressivos para a saúde mental.

Além de atuar na prevenção, a atividade física pode contribuir para retardar a progressão de doenças neurodegenerativas já diagnosticadas. Isso ocorre porque o exercício reduz processos inflamatórios e o estresse oxidativo, fatores que podem acelerar o declínio cognitivo. Dessa forma, investir em um estilo de vida ativo representa uma estratégia eficaz para preservar a qualidade de vida e a autonomia ao longo dos anos.

  1. Praticar atividades aeróbicas regularmente.
  2. Incluir exercícios que estimulem a coordenação e o raciocínio.
  3. Manter uma rotina consistente de movimentação.

O entendimento atual reforça que cuidar do corpo é também cuidar da mente. A adoção de hábitos saudáveis, com destaque para a prática de exercícios físicos, pode ser decisiva para garantir um cérebro ativo e uma vida mais saudável em todas as fases.

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O que o nosso cérebro pode fazer que a IA (ainda) não pode

inteligência artificial já faz parte das novas vidas, ajudando a realizar uma série de tarefas e economizando a nossa energia. A ideia é que, no futuro, esta ferramenta fique cada vez mais parecida ao cérebro humano.

No entanto, existem alguns obstáculos para isso. Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Amsterdã, na Holanda (Países Baixos), identificou ativações cerebrais únicas e que talvez não possam ser reproduzidas por máquinas.

cérebro
Ativações cerebrais únicas foram identificadas no novo trabalho (Imagem: Alexander Supertramp/Shutterstock)

Experimento revelou capacidade impressionante do cérebro

Segundo a equipe responsável pelo trabalho, estas capacidades refletem como podemos mover nossos corpos através de determinado ambiente. Usando um scanner de ressonância magnética, os cientistas investigaram o que acontece no cérebro quando as pessoas olham para várias fotos de ambientes internos e externos.

Os participantes usaram um botão para indicar se a imagem os convidava a caminhar, andar de bicicleta, dirigir, nadar, andar de barco ou escalar. Durante todo o experimento, a atividade cerebral das pessoas foi medida.

Imagem do cérebro representando conceito de neuroplasticidade
Esta capacidade cerebral não pode ser reproduzida pelas máquinas com a mesma eficácia (Imagem: nobeastsofierce/Shutterstock)

A conclusão foi que certas áreas do córtex visual se tornam ativas de uma forma que não pode ser explicada por objetos visíveis na imagem. Essas possibilidades de ação são, portanto, processadas automaticamente.

Em outras palavras, mesmo que você não pense conscientemente sobre o que pode fazer em um ambiente, seu cérebro ainda registra isso. As descobertas foram descritas em estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Cérebro com os dizeres "AI" dentroInteligência artificial apresentou resultados diferentes (Imagem: Anggalih Prasetya/Shutterstock)

 

IA apresentou limitações na mesma tarefa

  • Ao mesmo tempo, os pesquisadores analisaram o quão bem os algoritmos de IA podem estimar o que você pode fazer em um determinado ambiente.
  • O resultado foi que a inteligência artificial, quando treinada especificamente para o reconhecimento de ações, podia se aproximar um pouco dos julgamentos humanos.
  • No entanto, os padrões do cérebro não correspondiam aos cálculos internos dos modelos.
  • Mesmo os melhores modelos de IA não dão exatamente as mesmas respostas que os humanos, embora esta seja uma tarefa simples para nós, destacou o estudo.
  • Isso não quer dizer que as ferramentas não consigam atingir esta capacidade no futuro.
  • Neste momento, entretanto, esta é uma limitação da máquina em relação ao cérebro.A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

 

 

 

Cérebro é propenso à negatividade, mas ciência tem dicas para ser mais positivo

Você foi surpreendido por um colega de trabalho com um cookie de chocolate, mas um membro da sua equipe criticou seu relatório. Ao longo do dia, é mais provável que você fique remoendo a crítica do que o ato de gentileza.

Eventos negativos parecem psicologicamente mais intensos do que os positivos, graças a uma tendência cognitiva chamada viés de negatividade. Isso é verdade mesmo quando os acontecimentos têm o mesmo peso.

“De forma muito simples, o ruim é mais forte que o bom. Respondemos mais fortemente a coisas que podem nos machucar ou prejudicar do que a coisas que podem nos beneficiar”, diz Catherine Norris, professora associada de psicologia e neurociência da Faculdade Swarthmore.

O viés de negatividade é importante para o funcionamento humano, pois nos ajuda a nos proteger de danos. Mas em alguns indivíduos, pode estar correlacionado com estresse, depressão e ansiedade. Existem maneiras de gerenciar esse ponto, segundo especialistas, para que ele possa nos beneficiar.

O viés de negatividade evoluiu com o tempo

Os cientistas teorizam que o viés de negatividade evoluiu como um “mecanismo baseado na sobrevivência”, explica Norris. “A sobrevivência é realmente o principal objetivo de qualquer indivíduo.”

“Se você está caminhando para buscar água e encontra um tigre, é uma ótima ideia manter o foco no tigre” e não no belo pôr do sol, completa Alison Ledgerwood, professora de psicologia da Universidade da Califórnia, em Davis.

Esse foco “se generaliza para qualquer informação negativa, mesmo quando não é um perigo no nível de um tigre”, afirma ela.

Atualmente, a maioria de nós não se preocupa em ser devorada por animais selvagens, mas ainda enfrenta ameaças que podem parecer esmagadoras, de acordo com os pesquisadores.

“Muitas pessoas perderam seus empregos e não conseguem acessar os cuidados de saúde de que precisam”, diz Ledgerwood. “Eu colocaria esse tipo de coisa mais no nível dos tigres… Porque são acontecimentos realmente negativos e que precisam da nossa atenção.”

Nossos cérebros respondem mais fortemente a estímulos negativos

Usando imagens por ressonância magnética funcional, um tipo de exame cerebral, e outros métodos, pesquisadores descobriram que imagens negativas provocam uma resposta do cérebro mais forte do que as positivas, diz Norris em um artigo de revisão de 2021.

Além disso, impressões negativas podem durar muito mais tempo. As pessoas tendem a se dessensibilizar quando veem uma imagem repetidamente, completa Norris. No entanto, com imagens negativas, “o cérebro se levanta e presta atenção. Ele realmente começa a prestar mais atenção quando o mesmo estímulo negativo é repetido” ao longo do tempo, diz ela.

Estudos mostraram que tais reações negativas podem permanecer estáveis por até um ano.

Algumas pessoas têm mais viés de negatividade

Norris diz que em sua pesquisa viu uma grande variedade no grau de viés de negatividade de pessoa para pessoa. Como a tendência pode ser uma adaptação evolutiva, a seleção natural e as variações levariam a diferenças, segundo ela.

Pesquisas mostram que, em média, as mulheres tendem a ter um viés de negatividade mais forte, como demonstrado por suas reações mais intensas a imagens de mutilações, cadáveres e outros assuntos altamente desagradáveis. Em contraste, “os homens exibem um viés de negatividade menor, possivelmente encorajando comportamentos de maior risco”, escreve Norris em seu artigo de revisão.

Nas sociedades de caçadores-coletores, esperava-se que os homens se aventurassem para explorar e proteger o grupo, disse ela. “Eles talvez precisassem ser um pouco menos cuidadosos, um pouco mais curiosos”, diz Norris.

O viés de negatividade às vezes pode ser útil

A negatividade tem má reputação, mas pode ser útil, diz Ledgerwood: “Sentimentos negativos contêm informações.”

Focar em negatividades pode nos estimular a resolver problemas e fazer as coisas de maneira diferente, afirma Emma McAdam, terapeuta licenciada em casamento e família em Provo, Utah, nos Estados Unidos.

No entanto, pessoas com “um viés de negatividade muito alto” correm o risco de ter “níveis extremamente altos de ansiedade”, completa Norris.

Como gerenciar o viés de negatividade

É mais difícil para as pessoas se afastarem do pensamento negativo do que do pensamento positivo, diz Ledgerwood.

“Nossa pesquisa mostra que, uma vez que as pessoas pensam sobre informações negativas, essa forma de pensar tende a ficar em nossas mentes e resiste a tentativas subsequentes de mudá-la”, afirma Ledgerwood.

Conhecer o viés de negatividade não resolverá as coisas, segundo ela.

Em vez disso, Ledgerwood recomenda que “canalizemos a negatividade para algum tipo de ação produtiva”. Além disso, é interessante tentar equilibrar —não substituir— a negatividade mesmo com medidas simples, como fazer uma caminhada.

“É importante fazer ambos”, segundo ela. “Se você apenas se apoiar nas informações contidas no negativo e usá-las para se motivar à ação, apenas fazer isso não funcionará. Vai se esgotar. Então, também precisamos adicionar alguma positividade.”

Aqui estão algumas maneiras baseadas em pesquisas para gerenciar o viés de negatividade:

  • Tente mudar a atenção para o positivo. McAdam diz que frequentemente vê pessoas atoladas na negatividade. “Quando expressam o problema que estão tendo, muitas vezes usam linguagem como: ‘Tudo é terrível, o mundo está pior do que nunca, meu casamento é um completo desastre'”, explica.
    Quando nossos cérebros recorrem ao negativo por padrão, poderíamos tentar “mudar ativamente nossa atenção para outra coisa, porque a atenção é nosso maior superpoder”, diz McAdam.
    Por exemplo, se você está remoendo a crença de que seu marido não consegue fazer nada certo porque esqueceu de tirar as lixeiras, corrija seu viés lembrando que ele acabou de lavar a roupa, explica McAdam. “Temos que começar a notar isso porque há coisas boas em toda parte ao nosso redor. Muitas vezes somos cegos a isso por causa do nosso viés de negatividade”, completa.
  • Faça da gratidão um hábito. Estabeleça um momento a cada dia para anotar algumas coisas pelas quais você é grato, diz McAdam.
    Nomear o que se aprecia “está ajudando a treinar seu cérebro em um novo hábito. É difícil no início, e quanto mais você faz, mais fácil fica, mais automático fica”, afirma Ledgerwood. Isso “pode aumentar substancialmente o bem-estar das pessoas”.
  • Use o negativo para quebrar maus hábitos. Se você quer mudar um mau hábito —como parar de fumar, beber menos ou reduzir a ingestão de açúcar— vá para o negativo. Norris diz que sua pesquisa sugere que “aumentar o quão mal nos sentimos nessa situação é mais eficaz na criação de mudança comportamental”.
    “Se você se concentrar no fato de que os cigarros são viciantes, cheiram mal, estão lhe dando câncer e todas essas consequências negativas, isso ajudará a diminuir esse comportamento e, esperançosamente, acabar parando”, completa ela.
  • Conecte-se com outras pessoas de maneira construtiva. “Às vezes, quando estamos ruminando sobre coisas negativas, ficamos muito autocentrados”, diz Ledgerwood. Encontrar maneiras de ajudar os outros “pode ser esse atalho para sair desse foco em si mesmo” e nos faz sentir melhor, segundo ela.
    Em uma escala mais ampla, as pessoas podem canalizar sentimentos negativos em ações positivas, de acordo com Ledgerwood. “Podemos usá-los para dizer: ‘Há um problema. Quem mais está experimentando esse problema? Como posso me conectar com eles?'”, diz.
    “A parte da ação é realmente importante”, afirma, “por exemplo, com a raiva, usá-la como motivação para fazer algo sobre o que parece injusto”.
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Por que o nosso cérebro divide informações entre os hemisférios? Entenda

Embora a maioria de nós tenha crescido com a visão equivocada de que o hemisfério esquerdo do cérebro é “lógico” e o direito é “criativo”, há um fundo de verdade nisso. O cérebro não só divide a percepção do espaço visual, mas usa esse mecanismo para processar informações de forma mais eficiente.

Em uma nova revisão de estudos, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, apresentam o que a neurociência tem aprendido sobre essa divisão de tarefas, os esforços integrativos que ela envolve e as estratégias que o próprio cérebro adota para superá-la.

Apesar de todos os mitos sobre cérebro esquerdo e cérebro direito, ou pessoas do lado direito serem opostas àquelas do lado esquerdo, a verdade é que “Você pensa com todo o seu cérebro”, explica em um comunicado o coautor Earl K. Miller, do Departamento de Ciências Cerebrais e Cognitivas do MIT.

No caso de informações visuais, a separação hemisférica levanta algumas questões: como mantemos continuidade perceptiva quando objetos cruzam nosso campo de visão? A informação simplesmente desaparece de um hemisfério e ressurge no outro durante movimentos oculares ou de objetos?

“É por um bom motivo”, garante Miller. Na revisão, publicada recentemente na revista Neuropsychologia, em parceria com o cientista pesquisador do Instituto Picower, Scott Brincat, os dois explicam que o cérebro desenvolve recursos neurais separados para cada lado do campo visual como estratégia adaptativa.

A divisão hemisférica otimiza a nossa capacidade perceptiva limitada. “Se sua capacidade estiver totalmente amarrada no lado direito do olhar, você pode perder uma ameaça que se aproxima à esquerda. Dividir recursos entre os dois lados ajuda a evitar pontos cegos perceptivos perigosos”, diz Miller.

Segundo Miller, ele aprendeu em sua pós-graduação que a percepção visual era dividida entre hemisférios até chegar ao córtex pré-frontal, onde se misturava. No entanto, duas décadas de pesquisas refinaram essa compreensão, revelando que a coisa é bem mais complexa no cérebro..

Os estudos mostraram que, mesmo no córtex pré-frontal, o cérebro continua processando informações visuais com preferência pelo hemisfério contralateral, ou seja, oposto ao campo visual onde o objeto aparece. Isso sugere que os hemisférios operam com certa independência, inclusive em funções cognitivas de alto nível.

As ondas cerebrais mostram dois tipos de evidências dessa especialização hemisférica. A primeira é neurofisiológica: as ondas gama (atividades elétricas rápidas do cérebro) ficam mais potentes nos hemisférios frontais quando estes processam informações visuais do lado oposto do campo visual.

A segunda evidência é comportamental: desde 1971, pesquisas demonstraram que tanto humanos quanto animais memorizam mais quando as informações são divididas entre os hemisférios, fenômeno conhecido como “vantagem bilateral”.

Apesar de o cérebro tirar proveito da divisão visual entre os hemisférios, essa estratégia tem limites. Isso porque as pessoas rastreiam melhor um objeto em cada lado do campo visual do que quando tentamos acompanhar múltiplos objetos distribuídos pelos dois lados.

É importante destacar que essa divisão hemisférica, segundo os estudos de Miller e Brincat, se aplica somente à informação espacial (localização). Já outras características, como cor e forma, são processadas pelos dois hemisférios.

Compreender melhor como os hemisférios cerebrais se comunicam é um primeiro passo para tratamentos eficazes • Anna Shvets/Pexels

Apesar da divisão hemisférica no processamento visual, não ficamos confusos quando objetos atravessam nosso campo de visão. Para Miller, “experimentamos um mundo perfeito”, porque o cérebro integra as informações com tanta eficiência que a continuidade é preservada.

Essa percepção visual ininterrupta e coerente do mundo se mantém porque o cérebro realiza uma espécie de transferência de informações de um hemisfério para o outro, semelhante à passagem de sinal entre torres de celular. Pesquisas realizadas em 2014 e 2021 documentaram o fenômeno.

“À medida que um alvo rastreado se aproxima da linha média visual, o hemisfério prestes a receber o alvo mostra um aumento de atividade bem antes do tempo de travessia, como se estivesse antecipando o alvo”, afirmam os autores.

De forma surpreendente, o hemisfério que estava processando a informação mantém sua atividade elevada mesmo depois de “passar o bastão”, criando uma janela de processamento duplo que pode durar cerca de um segundo. Essa redundância garante que nenhuma informação se perca na transição.

Falhas identificadas pelos pesquisadores nessa passagem de bastão neural aparecem em distúrbio neurológios e psiquiátricos como Alzheimer, ansiedade, depressão, esquizofrenia, TOC e autismo.

Os autores esperam que compreender melhor como os hemisférios cerebrais se comunicam sirva de ponto de partida para tratamentos mais eficazes, capazes de corrigir falhas nas redes neurais que conectam diferentes regiões do cérebro.

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Saiba como é o sono ideal para um cérebro saudável

Uma boa noite de sono não se resume apenas ao número de horas dormidas. Ter um sono de qualidade — aquele que faz você se sentir renovado e pronto para o dia — é fundamental para a saúde do cérebro.

Pessoas com distúrbios do sono, como insônia ou apneia, têm um risco maior de desenvolver demência do que aquelas sem problemas de sono.

Um sono ruim também pode prejudicar o cérebro de outras maneiras. Um estudo descobriu que pessoas na casa dos 30 e 40 anos e com sono muito perturbado (como despertares frequentes ou muitos movimentos) eram de duas a três vezes mais propensas a apresentar desempenho inferior em funções executivas, memória de trabalho e velocidade de processamento cerca de uma década depois.

Cientistas acreditam que o sono profundo e o sono REM (sigla em inglês para Rapid Eye Movement, ou movimento rápido dos olhos) são particularmente influentes quando se trata da saúde cerebral e do risco de demência.

Um estudo publicado no mês passado sobre pessoas com deficiências em sono profundo e REM revelou que o cérebro desses indivíduos apresentaram sinais de atrofia em exames de ressonância magnética (MRI) de 13 a 17 anos após a observação das deficiências; a atrofia se assemelhava à observada nos estágios iniciais da doença de Alzheimer.

O que os cientistas sabem até agora

Quando você dorme, seu cérebro passa continuamente por quatro fases distintas: duas etapas de sono leve, quando o corpo relaxa e a frequência cardíaca e a temperatura corporal diminuem; sono profundo ou de ondas lentas, quando a atividade cerebral desacelera; e o sono REM, quando geralmente ocorrem os sonhos.

O cérebro leva, em média, cerca de 90 minutos para completar todas as quatro fases e, então, reinicia o ciclo.

O sono profundo e o REM ajudam o cérebro a “se curar” da fadiga e do estresse e consolidam memórias, explica Matthew Pase, professor associado da Escola de Ciências Psicológicas da Universidade Monash, em Melbourne, Austrália. Durante o sono profundo, o cérebro regula o metabolismo e os hormônios; ele também atua como uma espécie de “lavagem”, eliminando resíduos. No REM, o cérebro processa emoções e novas informações adquiridas enquanto você estava acordado.

Essas duas fases influenciam o risco de demência de maneiras diferentes, segundo os cientistas.

Como parte do processo de limpeza no sono profundo, o cérebro elimina proteínas amiloides, um dos principais sinais da doença de Alzheimer. Anos de sono profundo interrompido e limpeza incompleta — um fenômeno conhecido como falha do sistema glinfático — podem acelerar o aparecimento da demência, informa Maiken Nedergaard, professora de neurologia no Centro Médico da Universidade de Rochester e pesquisadora do sistema glinfático.

Cientistas compreendem menos sobre como o REM está ligado ao risco de demência, observa Roneil Malkani, professor associado de medicina do sono na Feinberg School of Medicine da Universidade Northwestern.

Um estudo de 2017 com mais de 300 pessoas acima dos 60 anos descobriu que a redução do tempo de sono REM por noite, além de uma demora maior para atingir essa fase em cada ciclo de sono, foram ambos preditores de demência no futuro. Isso pode acontecer porque o REM é “vitalmente importante” para armazenar e processar memórias, e perder essa capacidade enfraquece as defesas do cérebro contra o declínio cognitivo e pode acelerar a atrofia em partes do cérebro que ficam menos usadas, especula Pase, que coescreveu o estudo.

Também é difícil desvendar a relação de “quem veio primeiro” entre sono e demência, e saber se o sono ruim definitivamente causa demência, pondera Pase. Adultos (especialmente mulheres) passam naturalmente menos tempo no sono profundo e REM conforme envelhecem. Sabe-se que o próprio envelhecimento aumenta o risco de demência, mas a demência também tende a piorar o sono. É possível que esses dois processos “se reforcem mutuamente”, ele explica.

Dicas para uma noite de sono melhor

Geralmente é difícil melhorar fases específicas do sono isoladamente e, à medida que envelhecemos, pode ser ainda mais complicado alterar os ciclos de sono do cérebro. Mas não há nenhum mal em melhorar sua higiene do sono, que é uma maneira eficaz de impulsionar o sono de forma geral, inclusive o profundo e o REM, diz Malkani.

Dormir cerca de sete horas por noite é o passo mais simples que você pode adotar. Isso dá ao cérebro tempo suficiente para passar pelos ciclos entre quatro e sete vezes, ele informa.

Pesquisas mostraram que pessoas que dormem seis horas ou menos por noite, em seus 50, 60 e 70 anos, têm um risco 30% maior de desenvolver demência no futuro, sugerindo que nunca é tarde demais para melhorar o sono, ressalta Bryce Mander, professor associado de psiquiatria e comportamento humano na Universidade da Califórnia, Irvine.

Ter horários consistentes para dormir e acordar pode ajudar a adormecer mais facilmente, afirma Zsófia Zavecz, pesquisadora de pós-doutorado no Laboratório do Cérebro Adaptativo da Universidade de Cambridge.

Além disso, áreas do cérebro que são muito utilizadas de dia tendem a apresentar ondas cerebrais mais lentas durante o sono. Assim, fazer algo que “envolva o cérebro de forma significativa por um tempo”, como aprender uma nova habilidade, pode esgotar certas partes do cérebro e aumentar sua necessidade de sono restaurador de ondas lentas, destaca Zsófia.

Exercitar-se também pode manter o cérebro mais engajado e aumentar o fluxo sanguíneo cerebral, o que ajuda na limpeza glinfática, nota Maiken. Minimizar o estresse é outra medida que favorece esse processo, ela acrescenta.

Então, como saber se você está dormindo o suficiente? Rastreadores vestíveis ou aplicativos de celular podem estimar o tempo que você passa em cada ciclo, mas Malkani afirma que é mais útil se perguntar: “Como me sinto ao acordar?” E, se você acordar no meio da noite, refletir: “Quanto tempo demorei para voltar a dormir?”

Em geral, reservar tempo suficiente para dormir é a melhor maneira de garantir que seu cérebro alcance estágios mais profundos — e, dependendo das necessidades, ele poderá passar mais tempo em REM ou sono profundo conforme os ciclos se repetem, diz Pase. “Deixe o cérebro fazer o seu trabalho, ele se reorganizará conforme necessário”, afirma.

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