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Estudo revela que Parkinson pode não começar no cérebro


O Parkinson sempre foi tratado como um distúrbio neurológico que começa no cérebro, com a morte progressiva de neurônios produtores de dopamina. Mas um novo estudo, publicado na revista Nature Neuroscience, propõe uma mudança importante nessa visão, ao sugerir que os primeiros sinais da doença podem surgir nos rins.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Wuhan, na China, e analisou o comportamento da proteína alfa-sinucleína (α-Syn), associada ao acúmulo anormal de proteínas que prejudicam o funcionamento do cérebro em pessoas com Parkinson e outras doenças neurodegenerativas.

O que é o Parkinson?

  1. O Parkinson é uma condição crônica e progressiva causada pela neurodegeneração das células do cérebro.

  2. Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas no mundo tenham Parkinson.

  3. A ocorrência é mais comum entre idosos com mais de 65 anos, mas também pode se manifestar em outras idades.

  4. A doença atinge principalmente as funções motoras, causando sintomas como: lentidão dos movimentos, rigidez muscular e tremores.

  5. Os pacientes também podem ter: diminuição do olfato, alterações do sono, mudanças de humor, incontinência ou urgência urinária, dor no corpo e fadiga.

Cerca de 30% das pessoas que vivem com Parkinson desenvolvem demência por associação.

Proteína ligada ao Parkinson aparece primeiro nos rins

O principal achado do estudo é que a alfa-sinucleína patológica pode se formar nos rins e, a partir daí, espalhar-se para o cérebro. Em experimentos com camundongos, os pesquisadores observaram que animais com rins saudáveis conseguiam eliminar os aglomerados da proteína.

Já nos que tinham insuficiência renal, esses aglomerados se acumularam e acabaram migrando para o cérebro. Quando os nervos entre rins e cérebro foram cortados, esse processo foi interrompido.

Análises de tecido humano reforçaram a hipótese. Os cientistas encontraram acúmulo anormal de alfa-sinucleína nos rins de 10 entre 11 pessoas com Parkinson ou demência por corpos de Lewy, uma condição também relacionada a essa proteína.

Em outro grupo, 17 de 20 pacientes com doença renal crônica, mas sem sinais de distúrbios neurológicos, também apresentaram alterações semelhantes.

Os achados indicam, segundo os pesquisadores, que o acúmulo da proteína nos rins pode anteceder os sintomas cerebrais, funcionando como um gatilho inicial da doença.

Novas possibilidades para tratamento e diagnóstico

Outro ponto importante do estudo foi o teste da presença de alfa-sinucleína no sangue. A equipe observou que reduzir os níveis da proteína na circulação também diminuiu os danos ao cérebro, sugerindo que ela pode se espalhar pelo organismo antes de atingir o sistema nervoso central.

Se os resultados forem confirmados por novas pesquisas, pode abrir caminho para formas de diagnóstico mais precoce e tratamentos que impeçam a progressão da doença antes que os sintomas neurológicos apareçam.

Apesar dos resultados promissores, os autores reconhecem que ainda há limitações. O número de amostras humanas foi pequeno e, embora os testes em camundongos sejam úteis, nem sempre refletem exatamente o que ocorre no corpo humano. Ainda assim, o estudo levanta uma nova linha de investigação que pode transformar a forma como o Parkinson é compreendido.

“A remoção de alfa-sinucleína do sangue pode impedir a progressão da doença, fornecendo novas estratégias para o tratamento terapêutico de doenças por corpos de Lewy”, escreveram os pesquisadores.”

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Movimente o corpo, turbine o cérebro: ciência revela hábitos que melhoram cognição e tomada de decisão


Melhorar o foco, tomar decisões com mais clareza e manter a mente afiada são objetivos que muita gente deseja. A boa notícia é que, segundo a ciência, atingi-los é mais fácil do que se imagina.

Pesquisas recentes mostram que adotar hábitos simples podem ter um impacto profundo na capacidade cognitiva, na memória e na inteligência. A seguir, confira quais são eles, conforme relatado pelo palestrante e LinkedIn Top Voice Jeff Haden em artigo publicado no Inc.

Pratique atividade física

Um estudo publicado no Journal of Epidemiology and Community Health descobriu que apenas seis a dez minutos de atividade física de moderada a vigorosa podem melhorar a memória de trabalho e habilidades cognitivas de nível superior, como organização, priorização e planejamento.

Por outro lado, não se exercitar pode ter um impacto negativo nas capacidades mentais. A pesquisa constatou que a cognição diminuiu de 1% a 2% quando oito minutos de exercícios moderados a vigorosos são substituídos por ficar sentado.

O que acontece é que, ao movimentar o corpo, isso retarda ou até mesmo reverte a decadência física do cérebro. “Ao contrário da crença popular, novas células cerebrais podem ser criadas: pesquisas mostram que o exercício pode aumentar o tamanho do hipocampo, mesmo na faixa dos 60 e 70 anos, mitigando assim o impacto da perda de memória relacionada à idade”, escreveu Jeff.

Para ter consistência na prática, a recomendação do especialista é escolher uma atividade que goste e esteja disposto, se não feliz, a fazer todos os dias.

Crie blocos neurais

De acordo com Barbara Oakley, professora de engenharia na Universidade de Oakland e autora do livro Learning How to Learn, “a fragmentação é a mãe de todo aprendizado — quando você sabe algo tão bem que é basicamente muito fácil lembrar-se disso e fazê-lo ou usá-lo. A criação de padrões neurais, blocos neurais, sustenta o desenvolvimento de toda a expertise”.

Mas como criar esses blocos neurais. Jeff recomenda seguir o processo simples de três etapas do escritor Adam Grant:

1.Aprenda algo e depois faça testes. Os testes ajudam a praticar a recuperação de informações (e as tornam mais relevantes).

2.Ensine outra pessoa. Pesquisas mostram que até mesmo a simples expectativa de ensinar ajuda a aprender com mais eficácia.

3.Conecte o que aprendeu a algo que já sabe. A “aprendizagem associativa” não só cria contexto e significado, como também permite se lembrar apenas de diferenças e nuances.

“A capacidade de tomar decisões intuitivas não é uma habilidade que você tem ou não tem; a capacidade de tomar decisões intuitivas é uma habilidade que resulta de prática extensa e contínua. O que importa quando você precisa tomar uma decisão rápida não é saber por que você sabe. O que importa, no momento, é que você sabe. Porque então você pode agir com base no que sabe”, destacou o autor do artigo do Inc.

Tome decisões no começo do dia

Quanto mais decisões temos de tomar em um dia, mais difícil fica continuar tomando decisões inteligentes. A neurobiologia explica que tarefas mentais difíceis que exigem foco e concentração levam ao acúmulo de glutamato, e o excesso de glutamato no organismo afeta significativamente o córtex pré-frontal lateral – a parte do cérebro responsável pela tomada de decisões e planejamento.

Um estudo publicado na Chronobiology International constatou que tendemos a tomar decisões mais inteligentes e racionais sobre propostas de alto risco no início do dia. E, outro, publicado no Journal of Retailing and Consumer Services, indicou que somos muito mais propensos a tomar decisões de compra por impulso à noite.

“Resumindo? Fique mentalmente cansado e tome decisões piores. Sempre que possível, estruture seu dia para que você possa lidar com tarefas que exigem foco e concentração o mais cedo possível no seu dia de trabalho. Ou logo após o almoço, quando você tiver a chance de recarregar as energias física e mentalmente”, complementou Jeff.

Aposte no combo dieta, exercícios e estilo de vida saudável

Um resumo de vários estudos publicados na Psychophysiology descobriu que a conectividade cerebral muda drasticamente a partir de algum momento por volta dos 40 anos – é quando o cérebro começa a passar pelo que os neurologistas chamam de “reconfiguração radical”.

Em seu artigo, o palestrante apontou que, embora diferentes partes do órgão realizem processos distintos, à medida que envelhecemos o número de domínios separados diminui.

“Com o tempo, o que antes eram redes particionadas, com domínios cognitivos separados responsáveis pelo processamento especializado, tornam-se gradualmente mais integrados. A ‘generalização’ resultante impacta negativamente a função executiva e a atenção: memória de trabalho, inteligência fluida, raciocínio, resolução de problemas, capacidade de pensar abstratamente, etc.”, comentou.

Contudo, pesquisas mostram que os Três Grandes, que são dieta, exercícios e um estilo de vida saudável, podem reduzir drasticamente e até mesmo adiar o efeito da consolidação e generalização da rede cerebral.

“Aceite novos desafios. Aprenda coisas novas. Construa novas conexões sociais. Quanto maior for sua gama de experiências, mais você poderá aproveitar o poder da segmentação. Veja exercícios, dieta e um estilo de vida saudável como algo bom para o seu corpo e sua mente. Porque eles são”, finalizou Jeff.

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Caminhar pode reduzir o risco de declínio cognitivo e aumentar a performance cerebral


Uma caminhada acelerada ou intensa em pessoas com mais de 40 anos está associada a melhora da função cognitiva, maior volume cerebral e uma redução de 5 anos no envelhecimento biológico. Além disso, a prática regular do exercício físico aumenta o ângulo de fase das células musculares e esse fator está associado a um risco 72% menor de comprometimento cognitivo em mulheres na pós menopausa.

Casal de idosos caminha no parque — Foto: iStockNo estudo Association of Neurocognitive and Physical Function With Gait Speed in Midlife, os participantes foram submetidos a uma série de avaliações aos 45 anos, incluindo testes de caminhada em diferentes condições, exames de imagem cerebral e análises bioquímicas para medir a chamada idade biológica.

Os resultados mostraram que quem caminhava mais devagar não apenas tinha volumes cerebrais menores, mas também exibiu declínio cognitivo ao longo da vida, além de aparentar ser mais velho fisicamente.

A pesquisa mostrou ainda que a marcha lenta não está relacionada apenas à força física, mas é um reflexo de todo um histórico de saúde, que inclui desde o desenvolvimento cognitivo na infância até alterações neurológicas visíveis em exames cerebrais.

Essas descobertas reforçam o que outros estudos já vinham apontando: o envelhecimento é um processo multifatorial e precoce. Para os especialistas, esse tipo de teste deve ser incorporado cada vez mais na prática clínica, inclusive em check-ups de rotina.

Além de reforçar a importância do acompanhamento desde cedo, é importante investir em estratégias de prevenção ainda na juventude, como boa alimentação, atividade física e estímulos cognitivos, pois elas podem fazer toda a diferença na qualidade de vida após os 40.

Entre os pontos positivos da caminhada intensa diária, estão:

  • Mulheres podem ter redução de 72% no risco de comprometimento cognitivo;
  • O aumento do ângulo de fase muscular na bioimpedancia se correlacionou com melhor memória, atenção, linguagem e função executiva;
  • Indivíduos que caminham mais rápido possuem maior QI (16 pontos);
  • Indivíduos que caminham mais rápido possuem maior volume cerebral e redução do envelhecimento cerebral em 5 anos;
  • Indivíduos que caminham mais rápido possuem melhor desempenho cognitivo em todos os domínios, incluindo memória e fluência na fala;
  • Não importa a distância ou o tempo, é fundamental respeitar o seu condicionamento físico atual. Por isso procure sempre ter o acompanhamento do educador físico, ele irá te ajudar a ter todos esses benefícios.
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Exercício físico melhora o cérebro e reduz risco de Alzheimer

Ao longo dos últimos anos, a compreensão sobre os benefícios do exercício físico foi ampliada para além da saúde corporal. Pesquisas recentes indicam que a prática regular de atividades físicas desempenha um papel essencial na manutenção da saúde cerebral, influenciando diretamente a cognição, o humor e a prevenção de doenças neurodegenerativas.

Estudos científicos realizados até 2025 apontam que manter o corpo em movimento pode ser uma das estratégias mais eficazes para preservar a função cerebral ao longo da vida. O exercício físico, além de promover bem-estar geral, atua como um aliado importante na proteção contra condições como Alzheimer e Parkinson, contribuindo para uma vida mais ativa e saudável.

Como o exercício físico beneficia o cérebro?

A relação entre atividade física e saúde cerebral é explicada por diversos mecanismos biológicos. Um dos principais efeitos é o aumento do fluxo sanguíneo para o cérebro, o que garante o fornecimento adequado de oxigênio e nutrientes essenciais para o funcionamento dos neurônios. Esse processo favorece a clareza mental e pode melhorar o desempenho em tarefas cognitivas.

Outro ponto relevante é a estimulação da neurogênese, ou seja, a formação de novos neurônios, especialmente em áreas associadas à memória e ao aprendizado. Além disso, a prática de exercícios promove a liberação de fatores neurotróficos, como o BDNF, uma proteína que auxilia no crescimento e na sobrevivência das células cerebrais. Esses fatores funcionam como verdadeiros “fertilizantes” para o cérebro, fortalecendo as conexões neurais.

  • Aumento do fluxo sanguíneo: mais oxigênio e nutrientes para o cérebro.
  • Estimulação da neurogênese: formação de novos neurônios.
  • Liberação de fatores neurotróficos: proteção e fortalecimento das células cerebrais.
    Redução da inflamação: combate a processos que podem prejudicar o cérebro.

Exercício físico melhora o cérebro e reduz risco de Alzheimer

Exercício físico pode prevenir doenças neurodegenerativas?

Pesquisas apontam que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de desenvolver doenças como demência, Alzheimer e Parkinson. Modalidades que exigem coordenação motora, raciocínio e memória, como dança, esportes coletivos e artes marciais, parecem oferecer benefícios ainda mais expressivos para a saúde mental.

Além de atuar na prevenção, a atividade física pode contribuir para retardar a progressão de doenças neurodegenerativas já diagnosticadas. Isso ocorre porque o exercício reduz processos inflamatórios e o estresse oxidativo, fatores que podem acelerar o declínio cognitivo. Dessa forma, investir em um estilo de vida ativo representa uma estratégia eficaz para preservar a qualidade de vida e a autonomia ao longo dos anos.

  1. Praticar atividades aeróbicas regularmente.
  2. Incluir exercícios que estimulem a coordenação e o raciocínio.
  3. Manter uma rotina consistente de movimentação.

O entendimento atual reforça que cuidar do corpo é também cuidar da mente. A adoção de hábitos saudáveis, com destaque para a prática de exercícios físicos, pode ser decisiva para garantir um cérebro ativo e uma vida mais saudável em todas as fases.

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O que o nosso cérebro pode fazer que a IA (ainda) não pode

inteligência artificial já faz parte das novas vidas, ajudando a realizar uma série de tarefas e economizando a nossa energia. A ideia é que, no futuro, esta ferramenta fique cada vez mais parecida ao cérebro humano.

No entanto, existem alguns obstáculos para isso. Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Amsterdã, na Holanda (Países Baixos), identificou ativações cerebrais únicas e que talvez não possam ser reproduzidas por máquinas.

cérebro
Ativações cerebrais únicas foram identificadas no novo trabalho (Imagem: Alexander Supertramp/Shutterstock)

Experimento revelou capacidade impressionante do cérebro

Segundo a equipe responsável pelo trabalho, estas capacidades refletem como podemos mover nossos corpos através de determinado ambiente. Usando um scanner de ressonância magnética, os cientistas investigaram o que acontece no cérebro quando as pessoas olham para várias fotos de ambientes internos e externos.

Os participantes usaram um botão para indicar se a imagem os convidava a caminhar, andar de bicicleta, dirigir, nadar, andar de barco ou escalar. Durante todo o experimento, a atividade cerebral das pessoas foi medida.

Imagem do cérebro representando conceito de neuroplasticidade
Esta capacidade cerebral não pode ser reproduzida pelas máquinas com a mesma eficácia (Imagem: nobeastsofierce/Shutterstock)

A conclusão foi que certas áreas do córtex visual se tornam ativas de uma forma que não pode ser explicada por objetos visíveis na imagem. Essas possibilidades de ação são, portanto, processadas automaticamente.

Em outras palavras, mesmo que você não pense conscientemente sobre o que pode fazer em um ambiente, seu cérebro ainda registra isso. As descobertas foram descritas em estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Cérebro com os dizeres "AI" dentroInteligência artificial apresentou resultados diferentes (Imagem: Anggalih Prasetya/Shutterstock)

 

IA apresentou limitações na mesma tarefa

  • Ao mesmo tempo, os pesquisadores analisaram o quão bem os algoritmos de IA podem estimar o que você pode fazer em um determinado ambiente.
  • O resultado foi que a inteligência artificial, quando treinada especificamente para o reconhecimento de ações, podia se aproximar um pouco dos julgamentos humanos.
  • No entanto, os padrões do cérebro não correspondiam aos cálculos internos dos modelos.
  • Mesmo os melhores modelos de IA não dão exatamente as mesmas respostas que os humanos, embora esta seja uma tarefa simples para nós, destacou o estudo.
  • Isso não quer dizer que as ferramentas não consigam atingir esta capacidade no futuro.
  • Neste momento, entretanto, esta é uma limitação da máquina em relação ao cérebro.A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, rapidez de raciocínio, habilidades sociais,  inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

 

 

 

Cérebro é propenso à negatividade, mas ciência tem dicas para ser mais positivo

Você foi surpreendido por um colega de trabalho com um cookie de chocolate, mas um membro da sua equipe criticou seu relatório. Ao longo do dia, é mais provável que você fique remoendo a crítica do que o ato de gentileza.

Eventos negativos parecem psicologicamente mais intensos do que os positivos, graças a uma tendência cognitiva chamada viés de negatividade. Isso é verdade mesmo quando os acontecimentos têm o mesmo peso.

“De forma muito simples, o ruim é mais forte que o bom. Respondemos mais fortemente a coisas que podem nos machucar ou prejudicar do que a coisas que podem nos beneficiar”, diz Catherine Norris, professora associada de psicologia e neurociência da Faculdade Swarthmore.

O viés de negatividade é importante para o funcionamento humano, pois nos ajuda a nos proteger de danos. Mas em alguns indivíduos, pode estar correlacionado com estresse, depressão e ansiedade. Existem maneiras de gerenciar esse ponto, segundo especialistas, para que ele possa nos beneficiar.

O viés de negatividade evoluiu com o tempo

Os cientistas teorizam que o viés de negatividade evoluiu como um “mecanismo baseado na sobrevivência”, explica Norris. “A sobrevivência é realmente o principal objetivo de qualquer indivíduo.”

“Se você está caminhando para buscar água e encontra um tigre, é uma ótima ideia manter o foco no tigre” e não no belo pôr do sol, completa Alison Ledgerwood, professora de psicologia da Universidade da Califórnia, em Davis.

Esse foco “se generaliza para qualquer informação negativa, mesmo quando não é um perigo no nível de um tigre”, afirma ela.

Atualmente, a maioria de nós não se preocupa em ser devorada por animais selvagens, mas ainda enfrenta ameaças que podem parecer esmagadoras, de acordo com os pesquisadores.

“Muitas pessoas perderam seus empregos e não conseguem acessar os cuidados de saúde de que precisam”, diz Ledgerwood. “Eu colocaria esse tipo de coisa mais no nível dos tigres… Porque são acontecimentos realmente negativos e que precisam da nossa atenção.”

Nossos cérebros respondem mais fortemente a estímulos negativos

Usando imagens por ressonância magnética funcional, um tipo de exame cerebral, e outros métodos, pesquisadores descobriram que imagens negativas provocam uma resposta do cérebro mais forte do que as positivas, diz Norris em um artigo de revisão de 2021.

Além disso, impressões negativas podem durar muito mais tempo. As pessoas tendem a se dessensibilizar quando veem uma imagem repetidamente, completa Norris. No entanto, com imagens negativas, “o cérebro se levanta e presta atenção. Ele realmente começa a prestar mais atenção quando o mesmo estímulo negativo é repetido” ao longo do tempo, diz ela.

Estudos mostraram que tais reações negativas podem permanecer estáveis por até um ano.

Algumas pessoas têm mais viés de negatividade

Norris diz que em sua pesquisa viu uma grande variedade no grau de viés de negatividade de pessoa para pessoa. Como a tendência pode ser uma adaptação evolutiva, a seleção natural e as variações levariam a diferenças, segundo ela.

Pesquisas mostram que, em média, as mulheres tendem a ter um viés de negatividade mais forte, como demonstrado por suas reações mais intensas a imagens de mutilações, cadáveres e outros assuntos altamente desagradáveis. Em contraste, “os homens exibem um viés de negatividade menor, possivelmente encorajando comportamentos de maior risco”, escreve Norris em seu artigo de revisão.

Nas sociedades de caçadores-coletores, esperava-se que os homens se aventurassem para explorar e proteger o grupo, disse ela. “Eles talvez precisassem ser um pouco menos cuidadosos, um pouco mais curiosos”, diz Norris.

O viés de negatividade às vezes pode ser útil

A negatividade tem má reputação, mas pode ser útil, diz Ledgerwood: “Sentimentos negativos contêm informações.”

Focar em negatividades pode nos estimular a resolver problemas e fazer as coisas de maneira diferente, afirma Emma McAdam, terapeuta licenciada em casamento e família em Provo, Utah, nos Estados Unidos.

No entanto, pessoas com “um viés de negatividade muito alto” correm o risco de ter “níveis extremamente altos de ansiedade”, completa Norris.

Como gerenciar o viés de negatividade

É mais difícil para as pessoas se afastarem do pensamento negativo do que do pensamento positivo, diz Ledgerwood.

“Nossa pesquisa mostra que, uma vez que as pessoas pensam sobre informações negativas, essa forma de pensar tende a ficar em nossas mentes e resiste a tentativas subsequentes de mudá-la”, afirma Ledgerwood.

Conhecer o viés de negatividade não resolverá as coisas, segundo ela.

Em vez disso, Ledgerwood recomenda que “canalizemos a negatividade para algum tipo de ação produtiva”. Além disso, é interessante tentar equilibrar —não substituir— a negatividade mesmo com medidas simples, como fazer uma caminhada.

“É importante fazer ambos”, segundo ela. “Se você apenas se apoiar nas informações contidas no negativo e usá-las para se motivar à ação, apenas fazer isso não funcionará. Vai se esgotar. Então, também precisamos adicionar alguma positividade.”

Aqui estão algumas maneiras baseadas em pesquisas para gerenciar o viés de negatividade:

  • Tente mudar a atenção para o positivo. McAdam diz que frequentemente vê pessoas atoladas na negatividade. “Quando expressam o problema que estão tendo, muitas vezes usam linguagem como: ‘Tudo é terrível, o mundo está pior do que nunca, meu casamento é um completo desastre'”, explica.
    Quando nossos cérebros recorrem ao negativo por padrão, poderíamos tentar “mudar ativamente nossa atenção para outra coisa, porque a atenção é nosso maior superpoder”, diz McAdam.
    Por exemplo, se você está remoendo a crença de que seu marido não consegue fazer nada certo porque esqueceu de tirar as lixeiras, corrija seu viés lembrando que ele acabou de lavar a roupa, explica McAdam. “Temos que começar a notar isso porque há coisas boas em toda parte ao nosso redor. Muitas vezes somos cegos a isso por causa do nosso viés de negatividade”, completa.
  • Faça da gratidão um hábito. Estabeleça um momento a cada dia para anotar algumas coisas pelas quais você é grato, diz McAdam.
    Nomear o que se aprecia “está ajudando a treinar seu cérebro em um novo hábito. É difícil no início, e quanto mais você faz, mais fácil fica, mais automático fica”, afirma Ledgerwood. Isso “pode aumentar substancialmente o bem-estar das pessoas”.
  • Use o negativo para quebrar maus hábitos. Se você quer mudar um mau hábito —como parar de fumar, beber menos ou reduzir a ingestão de açúcar— vá para o negativo. Norris diz que sua pesquisa sugere que “aumentar o quão mal nos sentimos nessa situação é mais eficaz na criação de mudança comportamental”.
    “Se você se concentrar no fato de que os cigarros são viciantes, cheiram mal, estão lhe dando câncer e todas essas consequências negativas, isso ajudará a diminuir esse comportamento e, esperançosamente, acabar parando”, completa ela.
  • Conecte-se com outras pessoas de maneira construtiva. “Às vezes, quando estamos ruminando sobre coisas negativas, ficamos muito autocentrados”, diz Ledgerwood. Encontrar maneiras de ajudar os outros “pode ser esse atalho para sair desse foco em si mesmo” e nos faz sentir melhor, segundo ela.
    Em uma escala mais ampla, as pessoas podem canalizar sentimentos negativos em ações positivas, de acordo com Ledgerwood. “Podemos usá-los para dizer: ‘Há um problema. Quem mais está experimentando esse problema? Como posso me conectar com eles?'”, diz.
    “A parte da ação é realmente importante”, afirma, “por exemplo, com a raiva, usá-la como motivação para fazer algo sobre o que parece injusto”.
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Por que o nosso cérebro divide informações entre os hemisférios? Entenda

Embora a maioria de nós tenha crescido com a visão equivocada de que o hemisfério esquerdo do cérebro é “lógico” e o direito é “criativo”, há um fundo de verdade nisso. O cérebro não só divide a percepção do espaço visual, mas usa esse mecanismo para processar informações de forma mais eficiente.

Em uma nova revisão de estudos, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, apresentam o que a neurociência tem aprendido sobre essa divisão de tarefas, os esforços integrativos que ela envolve e as estratégias que o próprio cérebro adota para superá-la.

Apesar de todos os mitos sobre cérebro esquerdo e cérebro direito, ou pessoas do lado direito serem opostas àquelas do lado esquerdo, a verdade é que “Você pensa com todo o seu cérebro”, explica em um comunicado o coautor Earl K. Miller, do Departamento de Ciências Cerebrais e Cognitivas do MIT.

No caso de informações visuais, a separação hemisférica levanta algumas questões: como mantemos continuidade perceptiva quando objetos cruzam nosso campo de visão? A informação simplesmente desaparece de um hemisfério e ressurge no outro durante movimentos oculares ou de objetos?

“É por um bom motivo”, garante Miller. Na revisão, publicada recentemente na revista Neuropsychologia, em parceria com o cientista pesquisador do Instituto Picower, Scott Brincat, os dois explicam que o cérebro desenvolve recursos neurais separados para cada lado do campo visual como estratégia adaptativa.

A divisão hemisférica otimiza a nossa capacidade perceptiva limitada. “Se sua capacidade estiver totalmente amarrada no lado direito do olhar, você pode perder uma ameaça que se aproxima à esquerda. Dividir recursos entre os dois lados ajuda a evitar pontos cegos perceptivos perigosos”, diz Miller.

Segundo Miller, ele aprendeu em sua pós-graduação que a percepção visual era dividida entre hemisférios até chegar ao córtex pré-frontal, onde se misturava. No entanto, duas décadas de pesquisas refinaram essa compreensão, revelando que a coisa é bem mais complexa no cérebro..

Os estudos mostraram que, mesmo no córtex pré-frontal, o cérebro continua processando informações visuais com preferência pelo hemisfério contralateral, ou seja, oposto ao campo visual onde o objeto aparece. Isso sugere que os hemisférios operam com certa independência, inclusive em funções cognitivas de alto nível.

As ondas cerebrais mostram dois tipos de evidências dessa especialização hemisférica. A primeira é neurofisiológica: as ondas gama (atividades elétricas rápidas do cérebro) ficam mais potentes nos hemisférios frontais quando estes processam informações visuais do lado oposto do campo visual.

A segunda evidência é comportamental: desde 1971, pesquisas demonstraram que tanto humanos quanto animais memorizam mais quando as informações são divididas entre os hemisférios, fenômeno conhecido como “vantagem bilateral”.

Apesar de o cérebro tirar proveito da divisão visual entre os hemisférios, essa estratégia tem limites. Isso porque as pessoas rastreiam melhor um objeto em cada lado do campo visual do que quando tentamos acompanhar múltiplos objetos distribuídos pelos dois lados.

É importante destacar que essa divisão hemisférica, segundo os estudos de Miller e Brincat, se aplica somente à informação espacial (localização). Já outras características, como cor e forma, são processadas pelos dois hemisférios.

Compreender melhor como os hemisférios cerebrais se comunicam é um primeiro passo para tratamentos eficazes • Anna Shvets/Pexels

Apesar da divisão hemisférica no processamento visual, não ficamos confusos quando objetos atravessam nosso campo de visão. Para Miller, “experimentamos um mundo perfeito”, porque o cérebro integra as informações com tanta eficiência que a continuidade é preservada.

Essa percepção visual ininterrupta e coerente do mundo se mantém porque o cérebro realiza uma espécie de transferência de informações de um hemisfério para o outro, semelhante à passagem de sinal entre torres de celular. Pesquisas realizadas em 2014 e 2021 documentaram o fenômeno.

“À medida que um alvo rastreado se aproxima da linha média visual, o hemisfério prestes a receber o alvo mostra um aumento de atividade bem antes do tempo de travessia, como se estivesse antecipando o alvo”, afirmam os autores.

De forma surpreendente, o hemisfério que estava processando a informação mantém sua atividade elevada mesmo depois de “passar o bastão”, criando uma janela de processamento duplo que pode durar cerca de um segundo. Essa redundância garante que nenhuma informação se perca na transição.

Falhas identificadas pelos pesquisadores nessa passagem de bastão neural aparecem em distúrbio neurológios e psiquiátricos como Alzheimer, ansiedade, depressão, esquizofrenia, TOC e autismo.

Os autores esperam que compreender melhor como os hemisférios cerebrais se comunicam sirva de ponto de partida para tratamentos mais eficazes, capazes de corrigir falhas nas redes neurais que conectam diferentes regiões do cérebro.

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Saiba como é o sono ideal para um cérebro saudável

Uma boa noite de sono não se resume apenas ao número de horas dormidas. Ter um sono de qualidade — aquele que faz você se sentir renovado e pronto para o dia — é fundamental para a saúde do cérebro.

Pessoas com distúrbios do sono, como insônia ou apneia, têm um risco maior de desenvolver demência do que aquelas sem problemas de sono.

Um sono ruim também pode prejudicar o cérebro de outras maneiras. Um estudo descobriu que pessoas na casa dos 30 e 40 anos e com sono muito perturbado (como despertares frequentes ou muitos movimentos) eram de duas a três vezes mais propensas a apresentar desempenho inferior em funções executivas, memória de trabalho e velocidade de processamento cerca de uma década depois.

Cientistas acreditam que o sono profundo e o sono REM (sigla em inglês para Rapid Eye Movement, ou movimento rápido dos olhos) são particularmente influentes quando se trata da saúde cerebral e do risco de demência.

Um estudo publicado no mês passado sobre pessoas com deficiências em sono profundo e REM revelou que o cérebro desses indivíduos apresentaram sinais de atrofia em exames de ressonância magnética (MRI) de 13 a 17 anos após a observação das deficiências; a atrofia se assemelhava à observada nos estágios iniciais da doença de Alzheimer.

O que os cientistas sabem até agora

Quando você dorme, seu cérebro passa continuamente por quatro fases distintas: duas etapas de sono leve, quando o corpo relaxa e a frequência cardíaca e a temperatura corporal diminuem; sono profundo ou de ondas lentas, quando a atividade cerebral desacelera; e o sono REM, quando geralmente ocorrem os sonhos.

O cérebro leva, em média, cerca de 90 minutos para completar todas as quatro fases e, então, reinicia o ciclo.

O sono profundo e o REM ajudam o cérebro a “se curar” da fadiga e do estresse e consolidam memórias, explica Matthew Pase, professor associado da Escola de Ciências Psicológicas da Universidade Monash, em Melbourne, Austrália. Durante o sono profundo, o cérebro regula o metabolismo e os hormônios; ele também atua como uma espécie de “lavagem”, eliminando resíduos. No REM, o cérebro processa emoções e novas informações adquiridas enquanto você estava acordado.

Essas duas fases influenciam o risco de demência de maneiras diferentes, segundo os cientistas.

Como parte do processo de limpeza no sono profundo, o cérebro elimina proteínas amiloides, um dos principais sinais da doença de Alzheimer. Anos de sono profundo interrompido e limpeza incompleta — um fenômeno conhecido como falha do sistema glinfático — podem acelerar o aparecimento da demência, informa Maiken Nedergaard, professora de neurologia no Centro Médico da Universidade de Rochester e pesquisadora do sistema glinfático.

Cientistas compreendem menos sobre como o REM está ligado ao risco de demência, observa Roneil Malkani, professor associado de medicina do sono na Feinberg School of Medicine da Universidade Northwestern.

Um estudo de 2017 com mais de 300 pessoas acima dos 60 anos descobriu que a redução do tempo de sono REM por noite, além de uma demora maior para atingir essa fase em cada ciclo de sono, foram ambos preditores de demência no futuro. Isso pode acontecer porque o REM é “vitalmente importante” para armazenar e processar memórias, e perder essa capacidade enfraquece as defesas do cérebro contra o declínio cognitivo e pode acelerar a atrofia em partes do cérebro que ficam menos usadas, especula Pase, que coescreveu o estudo.

Também é difícil desvendar a relação de “quem veio primeiro” entre sono e demência, e saber se o sono ruim definitivamente causa demência, pondera Pase. Adultos (especialmente mulheres) passam naturalmente menos tempo no sono profundo e REM conforme envelhecem. Sabe-se que o próprio envelhecimento aumenta o risco de demência, mas a demência também tende a piorar o sono. É possível que esses dois processos “se reforcem mutuamente”, ele explica.

Dicas para uma noite de sono melhor

Geralmente é difícil melhorar fases específicas do sono isoladamente e, à medida que envelhecemos, pode ser ainda mais complicado alterar os ciclos de sono do cérebro. Mas não há nenhum mal em melhorar sua higiene do sono, que é uma maneira eficaz de impulsionar o sono de forma geral, inclusive o profundo e o REM, diz Malkani.

Dormir cerca de sete horas por noite é o passo mais simples que você pode adotar. Isso dá ao cérebro tempo suficiente para passar pelos ciclos entre quatro e sete vezes, ele informa.

Pesquisas mostraram que pessoas que dormem seis horas ou menos por noite, em seus 50, 60 e 70 anos, têm um risco 30% maior de desenvolver demência no futuro, sugerindo que nunca é tarde demais para melhorar o sono, ressalta Bryce Mander, professor associado de psiquiatria e comportamento humano na Universidade da Califórnia, Irvine.

Ter horários consistentes para dormir e acordar pode ajudar a adormecer mais facilmente, afirma Zsófia Zavecz, pesquisadora de pós-doutorado no Laboratório do Cérebro Adaptativo da Universidade de Cambridge.

Além disso, áreas do cérebro que são muito utilizadas de dia tendem a apresentar ondas cerebrais mais lentas durante o sono. Assim, fazer algo que “envolva o cérebro de forma significativa por um tempo”, como aprender uma nova habilidade, pode esgotar certas partes do cérebro e aumentar sua necessidade de sono restaurador de ondas lentas, destaca Zsófia.

Exercitar-se também pode manter o cérebro mais engajado e aumentar o fluxo sanguíneo cerebral, o que ajuda na limpeza glinfática, nota Maiken. Minimizar o estresse é outra medida que favorece esse processo, ela acrescenta.

Então, como saber se você está dormindo o suficiente? Rastreadores vestíveis ou aplicativos de celular podem estimar o tempo que você passa em cada ciclo, mas Malkani afirma que é mais útil se perguntar: “Como me sinto ao acordar?” E, se você acordar no meio da noite, refletir: “Quanto tempo demorei para voltar a dormir?”

Em geral, reservar tempo suficiente para dormir é a melhor maneira de garantir que seu cérebro alcance estágios mais profundos — e, dependendo das necessidades, ele poderá passar mais tempo em REM ou sono profundo conforme os ciclos se repetem, diz Pase. “Deixe o cérebro fazer o seu trabalho, ele se reorganizará conforme necessário”, afirma.

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Sedentarismo cognitivo: uma das consequências inesperadas da inteligência artificial que pode prejudicar seu cérebro

Você já parou para pensar no quanto a tecnologia facilita a nossa vida? Hoje em dia, é possível pedir comida, resolver problemas do trabalho e até tirar dúvidas complexas com poucos cliques — tudo graças aos avanços da inteligência artificial. É claro que isso tem seu lado positivo: a praticidade é enorme e o tempo que ganhamos é valioso. Mas, por trás de tanta eficiência, existe um efeito colateral que quase ninguém percebe: o chamado sedentarismo cognitivo.

Assim como o corpo precisa de movimento para se manter saudável, o cérebro também exige estímulo constante para continuar funcionando bem. Quando deixamos de exercitar nossas habilidades mentais — como a memória, o raciocínio lógico e a criatividade — porque a tecnologia resolve tudo por nós, corremos o risco de deixar o cérebro “preguiçoso”. E isso pode trazer consequências reais para a saúde mental e a capacidade de aprendizado ao longo do tempo.

Sedentarismo cognitivo: o efeito negativo da tecnologia

A inteligência artificial revolucionou diversos setores da sociedade, impactando positivamente o trabalho, o entretenimento, a educação e outras áreas. No entanto, uma consequência inesperada surgiu: o sedentarismo cognitivo.

Embora o termo “estilo de vida sedentário” seja comumente usado para descrever a inatividade física, o sedentarismo cognitivo se refere à falta — ou à limitação — de atividade mental, resultado da quantidade de tarefas que a inteligência artificial pode realizar por nós. Ou seja, ela pode incentivar a passividade mental, se não for usada de maneira consciente.

De assistentes virtuais a algoritmos preditivos, a inteligência artificial simplificou muitas tarefas do dia a dia — e isso pode levar à dependência passiva, com consequências significativas.

Assim, o sedentarismo cognitivo pode contribuir para o esgotamento mental, perda de memória, redução da capacidade de concentração e aumento do risco de problemas como ansiedade e depressão, afetando diretamente a saúde mental.

Portanto, embora a inteligência artificial possa (e deva) ser usada no cotidiano para facilitar nossas rotinas, é fundamental estimular a mente com regularidade, exercitando-a por meio de quebra-cabeças, leituras desafiadoras e atividades criativas que combatam a passividade mental promovida pela tecnologia atual.

Utilizar a inteligência artificial como ferramenta para a aprendizagem ativa é a melhor escolha, pois exige pensamento crítico e, ao mesmo tempo, estabelece limites para que o uso passivo não se torne prejudicial.

Sem dúvida, o sedentarismo cognitivo é uma consequência inesperada do avanço da inteligência artificial — mas que pode ser evitada ou combatida para preservar a saúde do cérebro.

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Como a “junk food” engana os nossos cérebros – escondendo-se nas nossas memórias

Os desejos alimentares podem parecer impulsivos, mas novos estudos sugerem que estão frequentemente enraizados na memória. Os cientistas descobriram que o cérebro codifica os alimentos altamente calóricos de uma forma que pode influenciar silenciosamente aquilo que comemos – mesmo quando não temos fome.

Na próxima vez que se lembrar de que tem um chocolate numa gaveta da secretária, o seu cérebro poderá não estar apenas a lembrar-se do chocolate, mas a tentar activamente obrigá-lo a ir buscá-lo.

Um estudo recentemente publicado na Nature Metabolism sugere a existência de uns neurónios específicos no hipocampo que mantêm um registo dos pormenores sensoriais e emocionais dos alimentos ricos em calorias. Em experiências realizadas com ratos, estes neurónios desencadearam desejos alimentares, levando-os a comer em excesso, mesmo quando os animais não tinham fome. Quando os investigadores silenciaram esses neurónios, os roedores diminuíram a sua ingestão de açúcar, evitando assim a obesidade induzida pela alimentação.

“Todos os animais precisam de comer, por isso sentimos impulsos de fome que nos ajudam a sobreviver”, afirma Guillaume de Lartigue, membro associado do Monell Chemical Senses Center e co-autor do novo estudo. Tradicionalmente, os cientistas distinguiam entre a fome metabólica – a necessidade de energia do corpo – e a fome hedonista, que se manifesta quando os alimentos têm umaspecto ou cheiro tentador. No entanto, este novo estudo acrescenta uma terceira camada: fome causada pela memória.

Embora a investigação tenha sido realizada com animais, corrobora um crescente corpo de evidências segundo as quais as memórias da gordura e do açúcar podem moldar, silenciosamente, o nosso comportamento alimentar – frequentemente, sem que tenhamos consciência disso. E, num mundo onde os alimentos altamente calóricos estão por toda a parte, esses padrões neuronais podem ajudar a explicar por que razão parece impossível resistir a alguns desejos alimentares.

Por que MOTIVO os nossos cérebros não conseguem fazer frente à junk food

O trabalho de qualquer organismo é perceber como navegar no seu ambiente e fazer as melhores escolhas para obter alimento, diz Dana Small, psicóloga, neurocientista e Investigadora de Excelência do Metabolismo e do Cérebro do Canadá (Canada Excellence Research Chair in Metabolism and the Brain).

Segundo Small, nos primórdios da história humana, quando as calorias eram escassas, aprendemos a recorrer a pistas sensoriais – olfacto, visão e localização para identificar alimentos ricos em energia. Depois de comermos, o cérebro armazena essa informação, juntamente com a forma como a comida nos fez sentir, criando uma “base de dados mental” de sabores e dos seus efeitos. Basicamente, quando comemos, estamos, subliminarmente, a integrar os mundos interno e externo – que é exactamente a memória”, diz Small.

Estes sinais influenciam alibertação de dopaminanas vias de recompensa do cérebro. Em seguida, o cérebro actualiza o valor de um alimento, com base nesta informação, e usa esses dados quando voltamos a encontrar o sabor. Por isso, na vez seguinte que passamos por uma padaria, por exemplo, esse registo interno, ou memória, activa-se, desencadeando um desejo alimentar.

O estudo de Monell também descobriu que as memórias da gordura e do açúcar são armazenadas através de vias diferentes, mas ambas resultam na libertação de dopamina. Embora a maioria dos alimentos contenham gordura ou hidratos de carbono, os alimentos ultra-processados contêm ambos. Alimentos que juntam esses macronutrientes podem activar ambas as vias em simultâneo, como se verificou nos ratos do estudo, desencadeando, potencialmente, uma resposta ampliada da recompensa, o que pode ajudar a explicar por que razão é difícil resistir a esses alimentos.

No mundo actual, este tipo de alimentos altamente calóricos, contendo esta poderosa combinação, existem por toda a parte e são de fácil acesso, oprimindo os sistemas de tomada de decisões do nosso cérebro e fazendo com que seja mais difícil escolher opções saudáveis.

Poderá a terapia ou a medicação ajudar-nos a parar de desejar junk food?

A boa notícia é que o cérebro é adaptável. Tal como aprende a desejar determinados alimentos, também pode aprender novas respostas, diz Amy Egbert, professora assistente de ciências psicológicas na Universidade do Connecticut. O primeiro passo é identificar a causa dos desejos alimentares. Será fome, emoção ou outra coisa?

Depois de compreender o gatilho, poderá começar a desaprender o circuito do desejo alimentar. É aqui que as abordagens terapêuticas entram em cena. “As terapias de exposição e as técnicas cognitivas são das ferramentas mais eficazes de que dispomos”, diz Egbert. Estes métodos podem ajudar indivíduos a desmontar a forma como desenvolveram determinadas relações com a comida e a reprogramarem as suas respostas ao longo do tempo.

Small concorda que a terapia de exposição pode ser útil, mas diz que não se aplica de forma genérica aos sabores. Cada sabor tem de ser abordado de forma individual, tornando o processo trabalhoso. Ela acrescenta que medicamentos como os agonistas dos receptores do GLP-1 – incluindo o Ozempic – parecem promissores na diminuição dos sinais de recompensa libertados pelo cérebro depois de comer. “Conseguem reduzir o condicionamento, reduzir a libertação de dopamina e ajudar a reduzir os desejos alimentares no cérebro”, diz Small.

No entanto, devemos ter em conta que, embora estes medicamentos possam gerir o apetite a curto prazo, não resolvem a raiz do problema que leva alguém a comer em excesso. “É fantástico termos um fármaco que diminui isso, porque ajuda-nos a gerir a nossa ingestão de alimentos. Mas, quando paramos de tomá-lo, o problema subjacente ainda lá está”, diz Lartigue.

Enquanto os investigadores ainda estão a explorar a forma exacta como estes medicamentos afectam os sistemas de recompensa e de memória do cérebro, o melhor é focarmo-nos em como e por que razão comemos aquilo que comemos e examinarmos sobre essas questões, a par das intervenções farmacêuticas.

Como programar o cérebro a resistir à junk food

O estilo de vida contemporâneo faz com que seja particularmente difícil resistir aos desejos alimentares. As nossas vidas quotidianas funcionam contra nós – em muitos casos, não temos recursos, seja tempo ou dinheiro, para preparar uma refeição mais saudável que seja igualmente deliciosa para os nossos sistemas. Para complicar ainda mais as coisas, o cérebro pode formar uma memória alimentar após uma única exposição, fazendo com que seja praticamente impossível resistir a um desejo alimentar.

Mesmo assim, Lartigue crê que o simples facto de sabermos que a memória pode desencadear a ingestão de alimentos é importante. “O conhecimento de que a própria memória é um gatilho para comer em excesso, pode ajudar-nos a mudar o nosso comportamento. Muitas destas coisas são subconscientes, por isso, se ganharmos consciência delas, poderemos interromper o ciclo da memória e dos desejos”, afirma.

Os desejos alimentares podem parecer impulsivos ou permissivos, mas devem-se frequentemente a esquemas neuronais profundamente enraizados. Quanto melhor compreendermos esses padrões, mais probabilidades teremos de conseguir reformulá-los – e recuperarmos o controlo sobre aquilo que comemos.

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