Exercício computadorizado reduz em até 48% risco de desenvolver demência
Divulgada na Alzheimer’s Conferences, que terminou no último dia 28 de julho, em Toronto, a pesquisa acompanhou 2,8 mil pessoas durante mais de 10 anos
Uma nova pesquisa, que teve duração de 10 anos, mostrou que o treinamento de velocidade de processamento cerebral – através de exercícios computadorizados que fazem com que os usuários processem informações visuais mais rapidamente – são melhores que os exercícios de memória e de raciocínio, duas outras técnicas populares para o treinamento do cérebro. Os pesquisadores descobriram que um total de 11 a 14 horas de treinamento de velocidade têm o potencial de reduzir em 48% o risco de desenvolver demência 10 anos mais tarde.
Os resultados do estudo, chamado de Active (Advanced Cognitive Training in Vital Elderly ou Treinamento Cognitivo Avançado para a Terceira Idade), foram apresentados na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, que aconteceu de 24 a 28 de julho em Toronto, no Canadá, considerado o maior encontro mundial de pesquisadores de Alzheimer. Acredita-se que o estudo seja a primeira pesquisa a demonstrar que uma intervenção comportamental pode reduzir a incidência de demência. Muitas pessoas praticam diversos exercícios de treinamento do cérebro a fim de manter a mente ágil à medida que envelhecem.
Pesquisas anteriores lançadas como parte do estudo Active mostraram que todos os três tipos de treinamento do cérebro testados levaram a melhorias na função cognitiva e na capacidade de realizar atividades da vida diária, tais como preparar uma refeição e dirigir melhor. O treinamento de velocidade se sobrepôs aos outros exercícios na redução da incidência de acidentes de carro por culpa do condutor e preveniu declínios na saúde, e foi a única intervenção que protegeu contra os sintomas da depressão.
“Se você pode reduzir a chance de desenvolver demência em quase 50% com esse exercício, isso é formidável”, diz Michael Roizen, presidente do Instituto de Bem-estar da Clínica de Cleveland, que não estava envolvido no estudo.
O estudo, que foi financiado pelo Instituto Nacional de Envelhecimento e pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Enfermagem, incluiu 2.832 indivíduos saudáveis, com idades entre 65 a 94, em seis locais de estudo nos Estados Unidos. Os participantes foram randomizados para receber um dos três programas de treinamento cognitivo ou estar num grupo de controle. O treinamento de memória e de raciocínio foram realizados com um instrutor e não em um computador, e não reduziu o risco de desenvolver demência.
Os participantes do treinamento de velocidade realizaram 10 sessões de treino de uma hora ao longo de cinco semanas com um instrutor presente para fornecer ajuda. Alguns tiveram sessões de reforço um ano depois e três anos mais tarde.
Os participantes que fizeram apenas as 10 horas iniciais de treinamento tinham, em média, um risco 33% menor de desenvolver demência 10 anos mais tarde, ao passo que aqueles que receberam as sessões adicionais reduziram seu risco em 48%. A neurocientista Jerri Edwards, diretora da Escola de Estudos de Envelhecimento e do Instituto Byrd de Alzheimer da Universidade do Sul da Flórida, foi a pesquisadora responsável pela pesquisa e análise dos dados mais recente.
“Os resultados do estudo Active vão certamente proporcionar um aumento da credibilidade nesse campo”, diz o Dr. Doraiswamy. O estudo suscita agora qual seria a quantidade ideal de treinamento de velocidade, acrescentando que mais pesquisas serão necessárias para reproduzir os resultados.
O exercício utilizado no estudo faz parte da plataforma de treino cognitivo BrainHQ que a NeuroForma Tecnologias disponibiliza no Brasil e países de língua portuguesa em parceria com a Posit Science. A assinatura mensal, que inclui acesso ao exercício Decisão Dupla, custa R$49 por mês ou 12 parcelas de R$29 reais no plano anual aqui no Brasil. A Posit Science anunciou logo após a divulgação do estudo que a empresa irá apresentar um pedido de dispositivo médico ao FDA (ANVISA americana) com base nas recentes descobertas desses estudos clínicos.
No exercício Decisão Dupla, os usuários devem identificar um objeto no centro do seu olhar e, simultaneamente, identificar um objeto na periferia. Enquanto os jogadores obtiverem respostas corretas, o tempo necessário para identificação visual acelera e elementos distratores são introduzidos, tornando os alvos mais difíceis de serem diferenciar.
Este exercício de velocidade cerebral foi projetado para melhorar a velocidade e precisão do processamento de informações visuais e expandir o campo útil de visão, ou UFOV – área visual sobre o qual uma pessoa pode tomar decisões rápidas e prestar atenção sem mover os olhos ou a cabeça. A UFOV diminui com a idade e está associada com uma diminuição no desempenho em tarefas diárias, especialmente a condução de veículos.
Na sequência do estudo Active, a Dra. Edwards diz que o próximo passo seria investigar a dose ideal de treinamento e compreender como ele afeta o cérebro. Tal pesquisa avaliaria as pessoas em risco de desenvolver demência e as submeteria ao treinamento para ver se o mesmo impede o desenvolvimento da doença.
“O potencial de benefício é enorme e os riscos são inexistentes a mínimos”, ressaltou a neurocientista.
Assista AQUI ao vídeo tutorial do exercício Dupla Decisão em português