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Os mitos e erros sobre os hemisférios do cérebro

Da mesma forma que o restante do organismo, o cérebro é formado por bilhões de células. Cada tipo de célula tem uma função específica, mas todas elas são perfeitamente sincronizadas e conectadas.

É possível comparar o cérebro com um daqueles relógios antigos com centenas de engrenagens de todas as espécies, trabalhando em uníssono para fornecer a hora certa.

O nosso cérebro é composto de duas metades – os hemisférios cerebrais. Mas, ao contrário do que pode parecer, não se trata de duas estruturas isoladas e independentes.

Os dois hemisférios são extraordinariamente conectados por uma espécie de “cabeamento” que faz a comunicação entre eles. Estamos falando do corpo caloso, formado por mais de 200 milhões de fibras nervosas que levam informações de um hemisfério para o outro.

Esta organização permite realizar e coordenar todas as funções – muitas delas, muito complexas – próprias do sistema nervoso. E, para isso, os hemisférios dividem o seu trabalho.

ESCRITÓRIOS INTERCONECTADOS

Pense em um grande edifício de escritórios de uma mesma empresa. Nele, encontraremos diferentes andares, com diferentes departamentos, diferentes divisões e diferentes pessoas trabalhando em cada uma dessas áreas.

Cada seção tem uma função, mas todas estão interligadas. E, mais do que isso, elas mantêm estreita comunicação entre si, pois a operação correta de umas depende do que fizerem as outras.

Os hemisférios cerebrais funcionam de forma similar. Eles dividem o trabalho a ser realizado.

Ou seja, embora as duas metades intervenham em uma função específica, uma delas pode estar mais relacionada com aquela tarefa do que a outra.

Este processo funciona da mesma forma que o faturamento daquela grande empresa.

O departamento de cobrança é o encarregado da operação, mas outras seções devem fazer sua parte do trabalho para completar o processo. Como o setor de expedição, por exemplo, que fará chegar a fatura ao seu destinatário.

OS HEMISFÉRIOS NÃO SÃO UM DESTINO

É neste ponto que começa o mito de que o cérebro é dividido em duas metades e, dependendo do lado que mais usarmos, teremos esta ou aquela habilidade. É a chamada teoria do “hemisfério dominante”.

Ela defende que, se você for bom em matemática, linguagem ou lógica, é porque o seu hemisfério esquerdo é o dominante. E, se você for uma pessoa artística, com vocação para a pintura ou a música, o hemisfério dominante é o direito.

Esta teoria ajuda a classificar erroneamente as pessoas em dois tipos: objetivas, racionais e analíticas, de um lado; ou passionais, sonhadoras e criativas, de outro.

Nada está mais longe da realidade. Não existe um hemisfério dominante.

Este mito provavelmente tem sua origem na reunião da Sociedade Antropológica de Paris, na França, em 1865.

O culpado pode ter sido, ainda que não intencionalmente, o médico francês Paul Broca. Ele assegurou que “falamos com o hemisfério esquerdo”, em referência às regiões cerebrais com mais influência sobre a função da linguagem, que se encontram naquele lado do cérebro.

O fato de que a maior parte de uma função específica recaia sobre um hemisfério, como ocorre com a linguagem e a metade esquerda do cérebro, não significa que aquele hemisfério seja dominante nas pessoas com maior capacidade linguística.

Quando um cantor memoriza a letra e a melodia de uma canção, por exemplo, as funções relativas à verbalização da letra encontram-se no seu lado esquerdo, mas ele irá usar o hemisfério direito para expressar a musicalidade da canção. Ou seja, é um trabalho de equipe.

EVIDÊNCIAS QUE REFUTAM O MITO

Existem inúmeros estudos neste campo da ciência. Alguns deles chegaram a examinar imagens obtidas por ressonância magnética dos cérebros de mais de mil pessoas.

Seus resultados deixam claro que todos nós usamos os dois hemisférios igualmente, embora a atividade registrada em cada um deles dependerá “do que estivermos fazendo”.

Também se demonstrou que o lado do cérebro utilizado para uma determinada atividade pode não ser o mesmo para todas as pessoas. Análises demonstram que existem variações entre os indivíduos em relação a qual área ou metade do cérebro é empregada para uma ação específica.

O mito do hemisfério dominante ainda está muito presente hoje em dia. Em parte, porque existem muitos aspectos desconhecidos sobre o funcionamento do cérebro humano. E, quanto mais pesquisamos, mais percebemos a sua complexidade.

Por isso, quando são expostos os argumentos para tentar explicar este funcionamento tão complexo, continuam surgindo interpretações simplistas, como a de que as funções são escrupulosamente segregadas em áreas e hemisférios cerebrais.

Se fosse assim, uma lesão em uma dessas áreas tão especializadas faria com que essa zona funcional deixasse de ser útil para a pessoa afetada. Mas não é exatamente assim que acontece. O nosso sistema nervoso possui certa plasticidade.

Já se verificou que, em pessoas que perdem um dos sentidos (como a visão), a área do cérebro encarregada do seu processamento, sem receber a informação visual, às vezes se adapta para melhorar a percepção de outros sentidos, como o tato. Este fenômeno melhora o aprendizado da leitura táctil do alfabeto Braille, por exemplo.

VENDEDORES DE ILUSÕES

Deste desconhecimento científico e social da totalidade do funcionamento do cérebro, sobrevêm, como sempre acontece, os aproveitadores.

São aquelas pessoas que, utilizando linguagem pseudocientífica, apresentam explicações e soluções para tudo, tentando se aproveitar da incerteza dos mais vulneráveis.

Eles fazem as pessoas acreditarem, por exemplo, que podemos decidir qual hemisfério devemos usar para modular nossas habilidades, capacidades e personalidade, ou a forma em que enfrentamos as vicissitudes da vida.

Além disso, como ocorre com outros setores, como a saúde humana, a neurociência não conseguiu se livrar da propagação de mitos e boatos pelas redes sociais.

Mas, embora ainda existam incertezas sobre alguns aspectos do funcionamento do cérebro humano, temos a segurança de que o talento e a personalidade das pessoas não são determinados pela dominância de um hemisfério sobre o outro.

E sempre convém ressaltar, para evitar atitudes antropocêntricas, que não somos o único animal com as funções cerebrais compartimentalizadas.

CLASSIFICAÇÃO DOS ESTUDANTES

Apoiar o mito da dominância dos hemisférios cerebrais é perigoso em muitos aspectos – especialmente no campo da educação, já que limita as oportunidades de aprendizado e desenvolvimento dos estudantes.

Se acreditarmos erroneamente que existem alunos de “cérebro direito” (muito mais criativos) ou de “cérebro esquerdo” (mais analíticos), estamos classificando os estudantes em duas categorias.

E esta classificação limita suas oportunidades de aprendizado, restringindo seus interesses e impedindo que eles se desenvolvam em outras disciplinas. Tudo isso reduz suas futuras trajetórias profissionais.

Em resumo, não existe um hemisfério cerebral mais importante que o outro e os dois funcionam como uma unidade. E, na verdade, a atividade cerebral não é simétrica e varia de uma pessoa para outra.

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Fonte: BBC

* José A. Morales García é pesquisador científico de doenças neurodegenerativas e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Complutense de Madri, na Espanha.

Conchi Lillo é pesquisadora de patologias visuais e professora titular da Faculdade de Biologia da Universidade de Salamanca, na Espanha.

Cientistas identificam áreas do cérebro afetadas pela hipertensão

A hipertensão arterial é um dos maiores fatores de risco modificáveis para doenças cerebrovasculares e demência. Porém, como o cérebro é afetado pela condição ainda não foi totalmente esclarecido. Agora, pela primeira vez, um estudo demonstra quais regiões do órgão são particularmente sensíveis aos efeitos da doença, caracterizada pelo aumento anormal e prolongado da pressão que o sangue faz ao circular pelas artérias. O trabalho foi publicado, ontem, na Revista da Associação Europeia do Coração.

Os pesquisadores, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, e da Faculdade de Medicina da Universidade Jaguelônica, na Polônia, combinaram 4 mil imagens de ressonância magnética funcional, 258 mil análises genéticas e dados observacionais de 30 mil pacientes do banco de dados britânico Biobank para investigar como a hipertensão afeta a função cognitiva. As descobertas foram validadas, em seguida, em um grupo de pessoas residentes na Itália. O Ministério da Saúde italiano, o Conselho Europeu de Pesquisa e a Fundação Britânica do Coração cofinanciaram o estudo.

“Usando essa combinação de imagens, abordagens genéticas e observacionais, identificamos partes específicas do cérebro afetadas por aumentos na pressão sanguínea”, explica o líder da pesquisa, Tomasz Guzik, da Universidade de Edimburgo. “Achamos que essas áreas podem ser onde a pressão alta afeta a função cognitiva, como perda de memória, habilidades de pensamento e demência. Quando verificamos nossas descobertas estudando um grupo de pacientes na Itália com pressão alta, descobrimos que as partes do cérebro que havíamos identificado estavam realmente afetadas”, descreveu.

Especificamente, as alterações cerebrais associadas à hipertensão ocorrem em nove áreas do órgão. Entre elas, o putâmen, uma estrutura redonda na frente do cérebro que regula o movimento e influencia vários tipos de aprendizagem. Outras regiões afetadas foram a radiação talâmica anterior, a corona radiata anterior e o ramo anterior da cápsula interna, integrantes da substância branca que conectam e permitem a sinalização entre diferentes partes cerebrais.

A radiação talâmica anterior está associada a funções executivas, como o planejamento de tarefas diárias simples e complexas, enquanto as outras duas estão envolvidas na tomada de decisões e no gerenciamento das emoções. As mudanças nessas áreas incluíram reduções no volume cerebral e na área de superfície no córtex, mudanças nas conexões entre diferentes partes do órgão e mudanças nas medidas da atividade do cérebro.

Genética

Guzik explica que, ao utilizar diversos parâmetros — físicos, genéticos e observacionais —, os pesquisadores podem afirmar com mais segurança que os efeitos vistos no cérebro dos pacientes estão associados, de fato, à pressão alta. “A randomização mendeliana é uma forma de usar a informação genética para entender como uma coisa afeta a outra. Em particular, testa se algo está potencialmente causando um determinado efeito ou se o efeito é apenas uma coincidência”, diz.

No caso do estudo, foram usadas informações genéticas para avaliar se existe uma relação entre os genes que predispõem a hipertensão e os resultados de imagens. Se há uma associação, o mais provável é que, de fato, a pressão alta cause os efeitos observados. “Isso ocorre porque os genes são transmitidos aleatoriamente dos pais. Portanto, não são influenciados por outros fatores que possam confundir os resultados. Em nosso estudo, se um gene que causa pressão alta também está ligado a certas estruturas cerebrais e suas funções, isso sugere que a pressão alta pode realmente estar causando disfunção cerebral naquele local.”

A expectativa do grupo, segundo Guzik, é de que os resultados possam auxiliar no desenvolvimento de novos tratamentos para o comprometimento cognitivo em pessoas com pressão alta. “Estudar os genes e as proteínas nessas estruturas cerebrais pode nos ajudar a entender como a pressão alta afeta o cérebro e causa problemas cognitivos. Além disso, observando essas regiões específicas do cérebro, podemos prever quem desenvolverá perda de memória e demência mais rapidamente no contexto da pressão alta. Isso pode ajudar na medicina de precisão, para que possamos direcionar terapias mais intensivas para prevenir o desenvolvimento de comprometimento cognitivo em pacientes de maior risco”, detalha.

Controle 

“Sabe-se, há muito tempo, que a pressão alta é um fator de risco para o declínio cognitivo, mas como ela prejudica o cérebro não estava claro. Esse estudo mostra que regiões específicas do cérebro correm um risco particularmente alto de danos pela pressão arterial, o que pode ajudar a identificar pessoas em risco de declínio cognitivo nos estágios iniciais e, potencialmente, direcionar terapias de maneira mais eficaz no futuro”, comentou, em nota, a coautora do estudo Joanna Wardlaw, chefe de ciências de neuroimagem da Universidade de Edimburgo. “Estudar os genes e as proteínas nessas estruturas cerebrais pode nos ajudar a entender como causam problemas cognitivos. Além disso, observando essas regiões específicas, podemos prever quem desenvolverá perda de memória e demência mais rapidamente no contexto da hipertensão”, concorda Guzik.

Deborah Levine, que pesquisa prevenção de derrame e disfunção cognitiva associada a fatores de risco vasculares na Faculdade de Medicina Monte Sinai, nos Estados Unidos, destaca que resultados como esse demonstram a importância de se fazer o controle dos fatores de risco da hipertensão. “Controlar a pressão arterial é uma das maneiras mais eficazes de reduzir o risco de derrame e demência. Em uma época em que existem muitos medicamentos, especialistas e médicos que podem tratar a pressão alta em níveis ideais, não há realmente nenhuma razão para alguém ter a pressão descontrolada”, acredita a médica, que não participou do estudo.

Celular é o novo cigarro: como o cérebro reage às notificações de apps e por que elas viciam tanto

Conferir notificações, curtidas e o feed de redes sociais já são hábitos comuns para quem tem um smartphone na mão. O simples som de uma notificação pode trazer uma sensação boa, mas, ao mesmo tempo, afetar o controle dos nossos impulsos. E, assim como o cigarro ou outros vícios, o uso constante do celular também pode se tornar uma dependência.

Tudo isso é um processo químico, que ocorre dentro do nosso cérebro através da dopamina. Estimulado por comentários e curtidas, o neurotransmissor é liberado, provocando prazer satisfação.

⚠️Alerta: Só que a dopamina vicia. Checar o celular o tempo todo, clicar em notificações, ficar rolando infinitamente as timelines sem buscar algo determinado, pode gerar um looping altamente perigoso para a saúde.

“Quanto mais a pessoa entra em contato com esses estímulos que causam recompensas rápidas e imediatas, maior a tendência de aumentar o comportamento. E aí ela começa a sentir falta quando não está perto do celular”, resume a médica psiquiatra Julia Khoury, mestre e doutora em Medicina Molecular pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Nesta reportagem, você vai saber mais sobre:

🧠 Como o cérebro reage às notificações
📲 Como a dependência digital afeta a saúde
🧘 O que fazer para se desligar totalmente (ou um pouco, pelo menos)

1 – As notificações dentro do cérebro

Julia Khoury, que fez mestrado e doutorado em dependência digital, afirma que o mundo digital é uma fonte inesgotável de estímulos rápidos, capaz de nos dar pequenas doses de alívio frente à vida real.
“As pessoas vão em busca desses estímulos rápidos que geram prazer para se livrar de sentimentos ruins ou para ter pequenos prazeres ao longo do dia”, diz a médica psiquiatra.

Você pode não perceber, mas, ao receber uma mensagem do “crush” ou um elogio inesperado em uma foto postada, um neurotransmissor começa a correr dentro do cérebro: é a dopamina;
A dopamina, então, se desloca até a parte central do cérebro e, ao ser liberada ali, causa imediatamente sensações como prazer e satisfação na pessoa;
Mas ela também vai até a parte da frente do cérebro. Liberada, inibe as funções dessa região, chamada de córtex pré-frontal e responsável pelo controle dos impulsos, moderação do comportamento e tomada de decisões;
Com isso, pode causar impulsividade e afetar o controle do uso – nesse caso, uso do celular.
processo é o mesmo em outros tipos de vícios, como em jogos ou drogas.

“O vício em smartphones é causado por causa desse tipo de recompensa rápida”, afirma a psiquiatra. “Como temos estímulos rápidos no celular, o cérebro não treina mais para se concentrar por um tempo maior. E isso diminui a capacidade de concentração”, diz Julia.

Como o cérebro reage ao contato com o celular — Foto: Wagner Magalhães/Arte g1

2 – Quando a dependência digital acontece

O smartphone é uma máquina caça-níquel, afirma o psicólogo Cristiano Nabuco. “Na máquina, quando você coloca as fichas, ela te dá pontuação farta no começo. A partir do momento que você começa a ficar mais tempo jogando, você começa a perder”, compara.

“Seu cérebro também pode criar uma tolerância, e um ciclo vicioso começa a ser instalado. As notificações têm como objetivo ‘adestrar’ o usuário de uma maneira que ele possa, no fundo, no fundo, ficar cada vez mais conectado”, explica o psicólogo.

Um exemplo é a rolagem infinita: o hábito de pegar o celular (sem receber nenhuma notificação), abrir um aplicativo e ficar passando pelo feed com o polegar, de baixo para cima – principalmente em momentos de ócio e procrastinação.
“Eu vou te oferecendo, oferecendo, oferecendo, criando um efeito looping onde, em um determinado momento, você não tem mais a noção do tempo que gastou. O indivíduo entra em uma condição de êxtase, procurando de maneira compulsiva, sem racionalizar”, afirma Nabuco.
“Isso criou um tipo de estimulação contínua, em que a saúde mental das pessoas não está sendo observada”, diz o psicólogo.
Mas como saber se sou dependente digital? De acordo com a psiquiatra Julia Khoury, um dos principais sinais de quem abusa da tecnologia ou é viciado nela é a síndrome de FOMO.
A palavra é uma sigla em inglês de “fear of missing out”, que, traduzida para o português, seria algo como “medo de ficar de fora”.

” O tempo todo que a pessoa recebe notificação é um convite para um ritual de checagem regular, porque ela fica olhando para a tela, principalmente quando recebe uma notificação, por medo de perder coisas importantes, informações que ela considera importantes.
— Julia Khoury, psiquiatra

A consequência é o desenvolvimento de sintomas de ansiedade e problemas de atenção, o que pode evoluir para quadros mais graves, como a Síndrome de Burnout, causada pelo esgotamento mental, ou o Transtorno de Déficit de Atenção (TDA).
“A pessoa se sente o tempo todo com excesso de estímulo, não consegue descansar”, explica a psiquiatra. “A gente tem visto uma prevalência cada vez maior de pessoas com dificuldade de concentração”, afirma também.

“O que a gente tem visto é uma epidemia silenciosa, onde a busca por essa dopamina se tornou quase que uma doença mundial, em que, quanto mais eu uso as telas, mais um determinado tipo de operação é recrutada no meu cérebro”, diz Nabuco.

3 – O que fazer para se “desligar” (totalmente ou não)

Para quem quer tentar sair um pouco da frente das telas, principalmente nos momentos de lazer, ou até mesmo fugir da dependência digital, os especialistas dão algumas dicas:

Buscar o equilíbrio: quem precisa ficar de olho no celular por conta da profissão, por exemplo, deve ficar atento não apenas na quantidade do uso, mas também na sua relação com o aparelho;
De acordo com a psiquiatra Julia Khoury, pessoas que estão em momentos de lazer, longe do trabalho, e não conseguem se desligar, possuem um risco maior à dependência do que quem usa por uma grande quantidade de tempo, mas apenas quando está trabalhando;
Estabelecer limites entre o trabalho e a vida pessoal: uma das alternativas é concentrar a troca de mensagens do trabalho em um celular diferente do usado para fins pessoais;
Zonas livres de tecnologia ou desafios de detox digital: com família ou amigos, estabelecer ambientes ou períodos onde o celular não pode ser usado, como em uma viagem, por exemplo;
A vida offline também é boa: atividades ao ar livre, prática de exercícios físicos e de esportes, ou reunir os amigos no mundo real, longe do celular, também são aliadas.

“Um chefe ou um cliente te mandam uma mensagem e você está em descanso. Aí ele escreve: ‘Não precisa olhar agora, é para quando você voltar’. Isso já tirou a sua mente do descanso e já te levou para o trabalho, porque você parou de descansar para se lembrar de um problema que, por mais que você não resolva na hora, você fica pensando”, afirma Julia.

Não há problema em usar as telas: mas deve-se ficar atento para que o acesso não seja simultâneo a outras plataformas. Isso acontece, por exemplo, quando você está focado em uma tarefa e para tudo para conferir uma mensagem recebida em aplicativos.

Segundo o psicólogo Cristiano Nabuco, o melhor é não ser interrompido. “Você demora 23 minutos para retomar o mesmo nível de concentração anterior ao recebimento da mensagem”.

Desligar as notificações: nos momentos de lazer, ameniza os efeitos do uso do celular;
Curtir o ócio: é importante aproveitar os momentos à toa, sem os apitos das notificações. Segundo os especialistas, a pausa – real e digital – é importante para descansar a mente, estimular a criatividade e o desenvolvimento do cérebro.

“A gente precisa de tempo ocioso. Olhar para a janela durante uma viagem e não para a tela de um tablet”, diz o psicólogo.

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Fonte: G1


Alimentos ricos em açúcar e gordura ‘viciam’ o cérebro, revela novo estudo

Um doce em vez de fruta. Um lanche fast food no lugar de uma refeição balanceada. Por que temos tanta dificuldade em fazer boas escolhas alimentares? A resposta está em como o cérebro reage ao ingerirmos certos tipos de comida: uma dieta rica em açúcar e gordura gera um tipo de “vício” que faz nosso corpo sempre preferir alimentos com este mesmo padrão. É o que revela um estudo feito por pesquisadores do Max Planck Institute for Metabolism Research, na Alemanha, e da Universidade Yale, nos Estados Unidos. O trabalho foi publicado na revista científica Cell Metabolism.

“Nossa tendência de comer alimentos com alto teor de gordura e açúcar, a chamada dieta ocidental, pode ser inata ou se desenvolver como resultado do excesso de peso. Mas pensamos que o cérebro aprende essa preferência”, explicou Sharmili Edwin Thanarajah, uma das principais autoras do estudo e pesquisadora do Max Planck Institute for Metabolism Research, em comunicado.

Para testar essa hipótese, os pesquisadores deram a um grupo de voluntários, todos os dias por oito semanas, um pequeno pudim contendo muita gordura e açúcar, além de sua dieta normal. O outro grupo recebeu um pudim que continha o mesmo número de calorias, mas menos gordura. A atividade cerebral dos 49 voluntários que participou do experimento foi medida antes e durante e depois das oito semanas.

A resposta do cérebro a alimentos com alto teor de gordura e alto teor de açúcar aumentou muito no grupo que comeu o pudim com alto teor de açúcar e de gordura após oito semanas. Isso ativou particularmente o sistema dopaminérgico, a região do cérebro responsável pela motivação e recompensa.

“Nossas medições da atividade cerebral mostraram que o cérebro se reprograma por meio do consumo de salgadinhos. Ele aprende a preferir alimentos gratificantes. Por meio dessas mudanças no cérebro, inconscientemente sempre iremos preferir os alimentos que contêm muita gordura e açúcar”, disse Marc Tittgemeyer, outro pesquisador que liderou o estudo, em comunicado.

Durante o período do estudo, as pessoas do teste não ganharam mais peso do que as pessoas do grupo de controle e seus valores sanguíneos, como açúcar no sangue ou colesterol, também não mudaram. No entanto, os pesquisadores assumem que a preferência por alimentos açucarados continuará após o final do estudo.

“Novas conexões são feitas no cérebro e não se dissolvem tão rapidamente. Afinal, o objetivo do aprendizado é que, uma vez que você aprende algo, não o esqueça tão rapidamente”, pontua Tittgemeyer.

Sistema de recompensa

O sistema de recompensa é uma rede neural complexa que inclui várias áreas do cérebro, como o córtex pré-frontal, o núcleo accumbens e o córtex cingulado anterior. É responsável por regular comportamentos relacionados à busca de recompensas, como prazer, motivação e aprendizado. Quando o sistema de recompensa é ativado, ocorre a liberação de dopamina, um neurotransmissor associado ao prazer e à motivação.

O consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura é conhecido por estimular a liberação de dopamina no sistema de recompensa. Essa resposta é uma parte importante do nosso sistema de sobrevivência, uma vez que alimentos altamente calóricos eram escassos em ambientes ancestrais e, portanto, valiosos. No entanto, o consumo excessivo de alimentos ricos em açúcar e gordura pode levar a disfunções nesse sistema, o que pode contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares, como a compulsão alimentar.

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Fonte: Jornal O Globo



Fonte: O Globo

Imagens do cérebro ficam 64 milhões de vezes mais nítidas; veja vídeo

Pesquisadores esperam que nova tecnologia ajude a desvendar mudanças na conectividade do órgão durante o envelhecimento e em doenças como o Alzheimer

Após um esforço de quase quatro décadas, cientistas do Centro para Microscopia In Vivo da Universidade Duke, nos Estados Unidos, divulgaram as imagens mais nítidas já realizadas de um cérebro, com uma resolução até 64 milhões de vezes melhor do que as técnicas de ressonância magnética cerebral utilizadas hoje na prática clínica.

O feito foi atingido cerca de 50 anos depois que a primeira imagem por ressonância magnética foi gerada, técnica que permite visualizar tecidos que são difíceis de analisar apenas com raios-X. A nova tecnologia, porém, amplia essa capacidade, com um voxel – menor unidade em espessura na imagem tomográfica – medindo apenas 5 mícrons, o que é dezenas de milhões de vezes menor que os exames atuais.

No novo estudo, publicado ontem na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, os pesquisadores focaram em cérebros de camundongos, porém destacam que a nova maneira de visualizar as conectividades no órgão do animal levará a melhores entendimentos sobre mudanças cerebrais também em humanos, como as que ocorrem com o envelhecimento, com alterações na alimentação e com doenças neurológicas, como o Alzheimer.

“É algo verdadeiramente capacitador. Podemos começar a olhar para as doenças neurodegenerativas de uma maneira totalmente diferente”, afirma G. Allan Johnson, principal autor do estudo e professor de radiologia, física e engenharia biomédica da Duke, em comunicado.

O trabalho contou ainda com cientistas de outras instituições renomadas dos Estados Unidos, como o Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Tennessee, a Universidade da Pensilvânia, a Universidade de Pittsburgh e a Universidade de Indiana.

Durante as quatro décadas em que trabalharam na técnica que amplia a nitidez das imagens, os pesquisadores incorporaram diferentes tecnologias para atingir o resultado. Algumas das principais que permitiram o feito foram um ímã mais potente. Enquanto a maioria das ressonâncias magnéticas clínicas depende de um ímã de 1,5 a 3 tesla (unidade usada para densidade de fluxo magnético), os cientistas utilizaram um aparelho de 9,4 tesla.

Além disso, a nova técnica contou com um conjunto especial de bobinas de gradiente (componentes eletromagnéticos) que são 100 vezes mais fortes do que as de um exame clínico, além de um computador de alto desempenho equivalente a quase 800 laptops para gerar a imagem de apenas um cérebro.

Investigação de doenças

Os pesquisadores utilizam ainda uma técnica diferente chamada microscopia de folha de luz, que permite rotular grupos específicos de células no cérebro, como células emissoras de dopamina, para observar a progressão da doença de Parkinson, por exemplo.

Com isso, conseguem uma visão melhor das células cerebrais, “muito mais precisa anatomicamente e (que) fornece uma visão vívida das células e circuitos em todo o cérebro”, diz a equipe em comunicado. Assim, eles afirmam ser possível analisar em detalhes partes do cérebro de “maneiras nunca antes possíveis”.

Eles coletaram no experimento um conjunto de imagens que mostra como essa conectividade se altera à medida que os camundongos envelheceram, assim como regiões específicas como a ligada à memória, que passou por mais mudanças no período. Em outro animal, com uma simulação da doença de Alzheimer, eles observaram como se comportaram as redes neurais com o avanço do diagnóstico.

“Pesquisas apoiadas pelo Instituto Nacional do Envelhecimento descobriram que intervenções dietéticas e medicamentosas modestas podem levar os animais a viver 25% mais”, disse Johnson. “Então, a questão é: o cérebro deles ainda está intacto durante essa vida útil prolongada? Eles ainda poderiam fazer palavras cruzadas? Eles serão capazes de fazer Sudoku mesmo vivendo 25% mais? E nós temos a capacidade agora de olhar para isso. E ao fazermos isso, podemos traduzir isso diretamente na condição humana”.


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Fonte: Jornal O Globo

Cientistas descobrem áreas do cérebro que só se ativam pelo vício

Um grupo de cientistas do laboratório Cold Spring Harbor, nos Estados Unidos, publicou, nessa quarta (5/4), um artigo na revista Nature no qual afirma ter encontrado áreas do cérebro que se ativam só com os prazeres do vício. Os pesquisadores identificaram e mapearam as amígdalas cerebrais, regiões relacionadas ao prazer e às emoções.

Usando ratos viciados em açúcar, eles descobriram que as zonas são especialmente estimuladas quando há a expectativa de consumir a substância.

A pesquisa é importante para planejar o atendimento médico de pessoas viciadas em drogas, segundo os autores do estudo. Os resultados encontrados por eles mostram que, ao neutralizar a zona do cérebro específica do prazer, os efeitos da abstinência e do desejo de voltar a consumir as substâncias desapareciam.

A investigação dos neurologistas foi feita medindo a atividade cerebral dos roedores. Os médicos deram grandes quantidades de açúcar aos animais sempre que tocava uma música específica. Com o tempo, só a melodia já era suficiente para ativar as sensações de desejo e prazer semelhantes ao uso da droga.

Os cientistas fizeram ressonâncias nos ratinhos, e descobriram as zonas específicas do cérebro energizadas pela expectativa de receber o prazer do açúcar. Antes desse estudo, os pesquisadores achavam que as amígdalas cerebrais se ativavam igualmente em emoções boas ou ruins, mas, com o mapeamento feito nos ratos, descobriram que há zonas específicas para cada sentimento.

Chance de tratamento ao vício

Quando os neurologistas conseguiram desabilitar a comunicação de prazer entre essas zonas do cérebro e a memória anterior, eles perceberam que os ratos deixavam de ter uma relação de euforia com o açúcar.

Na prática, o estudo apontou que reduzindo a atividade das amídalas cerebrais, o desejo de consumir açúcar nos ratos viciados diminuía significativamente.

“Sem a ativação destes neurônios, não há a liberação de dopamina e de felicidade que vemos regularmente”, afirmou Bo Li, médico que chefiou o estudo. “Isso pode nos ajudar a repensar o tratamento de viciados em opioides, álcool ou, até mesmo, de pessoas que sofrem com ansiedade”, defende o neurologista, em entrevista para o site do laboratório.

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Fonte: Metrópolis

Como a língua materna configura cada cérebro

Como a língua materna configura cada cérebro – Contrariando a tese de que linguagem é universal, estudo mostra que regiões do córtex cerebral diferentes se encarregam de processar idiomas diversos. Um saber promissor para o futuro do estudo de línguas estrangeiras.Ao conversar, um falante nativo do árabe precisa escutar com muita atenção: seu interlocutor se refere a kitabun (????) ou katib (????): “livro” ou “escritor”? Ambos os vocábulos se baseiam no mesmo radical, k-t-b ( ? – ? – ?), muito frequente no idioma.

Um nativo de alemão, por sua vez, deve se concentrar em especial na estrutura da oração: Leihst du dir das Buch von deinem Lieblingsschriftsteller aus? (Pegas emprestado o livro do teu escritor preferido?) Na língua germânica, é comum as partes de verbos separáveis (trennbare Verbe) como “ausleihen” aparecerem espalhadas pela frase.

Os idiomas árabe e alemão são extremamente diversos entre si. Mas essas diferenças serão detectáveis também nos cérebros dos falantes nativos? Essa foi a questão que se colocou a equipe de pesquisadores do Instituto Max Planck de Ciências Cognitivas e Neurológicas, liderada pela doutoranda e principal autora Xuehu Wie.

Para respondê-la, selecionaram-se dois grupos de 47 indivíduos, nativos do alemão e do árabe, respectivamente. Todos haviam crescido em uma só língua, não possuindo, portanto, mais de um idioma materno, além do qual só sabiam um pouco de inglês.

Os participantes foram então submetidos a um tomógrafo de ressonância magnética (MRT) especial. Além de rastreamentos cerebrais de alta definição, esse exame também forneceu informações sobre as ligações entre as fibras nervosas, dados que permitiram à equipe calcular quão fortes eram as conexões entre as diversas áreas linguísticas.

Pronúncia e significado versus estrutura

“O resultado nos surpreendeu muito, pois sempre partimos do princípio que a linguagem é universal”, comenta Alfred Anwander, pesquisador do Departamento de Neuropsicologia do Instituto Max Planck de Leipzig e coautor do estudo. “Pensávamos que não dependesse do idioma, de onde é processada no cérebro ou da intensidade das ligações entre as diversas áreas.”

No entanto, constatou-se que, entre os nativos do árabe, os hemisférios cerebrais esquerdo e direito são mais fortemente conectados entre si. O mesmo se aplica aos lobos temporais, situados dos lados do córtex cerebrai, e envolvendo também a parte mediana, o lobo parietal.

A constatação é totalmente plausível, pois essas regiões são responsáveis por processar a pronúncia e o significado da língua falada, e um arabofalante precisa se concentrar muito atentamente nos sons emitidos para extrair o sentido – como no caso de kitabun e katib.

Entre os germanófonos, os cientistas encontraram conexões mais fortes no hemisfério esquerdo e com o lobo frontal. Também esta é uma conclusão bem plausível, pois nessas duas áreas se processa a estrutura fraseológica. Por isso os nativos do alemão não têm problemas em compreender as complexas frases do idioma – por vezes, verdadeiras “bonecas russas” sintáticas.

O sonho do aprendizado de línguas sob medida

“Nosso estudo fornece novos dados sobre como o cérebro se adapta às exigências cognitivas: nossa rede estrutural da linguagem é, portanto, marcada pelo idioma materno”, resume o coautor Anwander. Contudo, ressalva, tal diversidade de ligações não representa nem vantagens nem desvantagens para os falantes, pois “a conectividade é simplesmente diferente, nem melhor, nem pior”.

Por outro lado, o saber em torno das ligações dos centros linguísticos poderá ser vantajoso para os diferentes falantes nativos. Por exemplo, na terapia dos pacientes de acidentes vasculares cerebrais (AVC) que sofram distúrbios da fala. Dependendo de sua língua materna, se aplicariam abordagens diversas, tornando mais eficaz o tratamento da afasia.

Numa segunda fase do estudo, se examinará o que ocorre nos cérebros dos arabófonos enquanto aprendem alemão. “Estamos curiosos para ver como a rede neurológica se modifica durante o aprendizado de uma nova língua”, diz Anwander.

Seria bem-vinda uma pesquisa com mais participantes, para confirmar as conclusões. “Além disso, será bem enriquecedor ampliar as análises a mais idiomas”, observa o neuropsicólogo. Em outro estudo cujos resultados ainda não foram apresentados, os pesquisadores liderados por Xuehu Wie examinaram nativos de alemão, inglês e chinês.

Uma aplicação importante dessas pesquisas será aprimorar os métodos de ensino de línguas estrangeiras, adaptando-os aos diferentes tipos neurológicos e seus idiomas maternos. Contudo, “ainda estamos muito longe da estratégia didática individual com base num MRT”, esclarece Anwander: é preciso ainda muita pesquisa e, até lá, as anotações de vocabulário continuam sendo o melhor amigo dos alunos.

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Autor: Katrin Ewert / Fonte: Uol Notícias

COMO O HÁBITO DE LER AFETA NOSSO CÉREBRO

Da mesma forma que o corpo precisa de atividade física para se manter saudável, o cérebro também se beneficia de exercícios. Segundo especialistas, o hábito de leitura pode ser um estímulo que melhora a qualidade da saúde mental

“A leitura, por envolver imaginação, mentalização, antecipação e aprendizagem, funciona como um ‘exercício’ para o cérebro humano. Apesar de não ser um músculo, o nosso cérebro precisa ser estimulado”, destaca Augusto Buchweitz, pesquisador do Instituto do Cérebro (InsCer), em entrevista à Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), publicada no site da instituição. 

LEITURA FAVORECE UM ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL

Estudos apontam que ler pode ser uma forma de proteger a mente contra o surgimento de doenças neurodegenerativas. Isso porque, segundo o texto da PUC, ler melhora o funcionamento cerebral, o que atrasa o aparecimento de sintomas de doenças como demência e Alzheimer

O artigo científico A atividade de leitura previne o declínio a longo prazo da função cognitiva em idosos: evidências de um estudo longitudinal, publicado em 2020 na revista International Psychogeriatrics, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), diz que a leitura protege a função cognitiva no cérebro durante a terceira idade. O estudo acompanhou mais de 1,9 mil pessoas acima dos 60 anos ao longo de 14 anos. 

A conclusão do estudo é que atividades de leitura frequente – de pelo menos uma vez por semana – representam um risco reduzido de declínio cognitivo para adultos mais velhos, independentemente do nível educacional. 

As evidências apontam a leitura como uma forma de ter um envelhecimento saudável, já que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a manutenção da função cognitiva é importante para uma velhice com maiores taxas de satisfação com a vida e bem-estar. 

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Fonte: National Geographic

Os 7 sinais de que seu cérebro precisa de uma pausa

Você está no meio do expediente quando se pega olhando as redes sociais ou brincando em algum joguinho de celular. Apesar de o mundo todo afirmar que isto é errado, desviar a atenção para algo mais leve é necessário. Especialistas afirmam: você deve fazer uma pausa.

— As quedas cerebrais são reais. Não podemos esperar levantar pesos sem parar o dia todo, e também não podemos esperar usar foco e atenção sustentados por longos períodos de tempo — diz Gloria Mark, professora de informática da Universidade da Califórnia, em Irvine.

Embora seu cérebro não seja um músculo, a analogia é boa, pois manter o foco exige que nosso cérebro queime energia, explica Marta Sabariego, professora assistente do Mount Holyoke College, que estuda sobre atenção.

Mas o motivo mais convincente para fazer uma pausa cerebral é que isso pode melhorar sua capacidade de fazer um trabalho de qualidade. Uma revisão sistemática de 2022 publicada na revista PLoS ONE descobriu que mesmo pausas curtas com duração de 10 minutos ou menos reduziram a fadiga mental e aumentaram o vigor (o que significa a disposição de persistir quando o trabalho se tornou difícil).

Essas pausas melhoraram especialmente o desempenho em tarefas que exigem criatividade. A análise descobriu que quanto mais longa a pausa, melhor o aumento de desempenho. Como poucos de nós podem fazer pausas ilimitadas, o truque é usar o tempo que você tem com sabedoria — mesmo que isso signifique ignorar o olhar de reprovação de seu chefe enquanto você joga no celular.

Os mecanismos do foco

Prestar atenção não é tanto uma ação, mas uma forma de processar informações, explica Sabariego. Quando estamos focados, as “redes relacionadas a tarefas” de nossos cérebros filtram as distrações, desde o cheiro de peixe no micro-ondas do escritório até o toque incessante da caneta de um colega de trabalho.

Quando estamos sem foco, nossos cérebros mudam para a rede de modo padrão, afirma o psiquiatra Srini Pillay. Ele às vezes chama isso, brincando, de sistema “não fazer quase nada”, porque está ativo quando estamos sonhando acordados.

No cérebro da maioria das pessoas, “quando um está funcionando, o outro está desligado”, comenta Sabariego. A rede relacionada a tarefas é ótima para verificar itens de sua lista de tarefas, mas geralmente apenas um de cada vez. A solução de problemas e a inovação geralmente exigem deixar sua mente vagar para pensar em possíveis soluções usando a rede de modo padrão.

— A rede de modo padrão pode realmente recuperar detalhes dos cantos e recantos nas memórias de sua mente que o cérebro lógico não pode recuperar e é por isso que às vezes as pessoas dizem que têm suas melhores ideias no chuveiro — pontua Pillay. Para aflorarmos a criatividade, precisamos dar espaço aos nossos pensamentos — de preferência fazendo uma pausa.

Tempo é tudo

O desejo de verificar o Instagram a cada dois minutos é mais universal do que você imagina. Mark tem estudado como trabalhadores que ficam sentados em frente aos computadores o dia todo gastam seu tempo durante o dia de trabalho desde o início dos anos 2000. Sua pesquisa envolve o rastreamento da frequência com que os funcionários alternam entre as guias de seus computadores — de e-mail a planilhas, aplicativos de bate-papo e vice-versa.

Em 2012, Mark fez um estudo com 13 desses trabalhadores e descobriu que o tempo médio que eles passavam em uma tela ou guia — seja um programa relacionado ao trabalho ou mídia social — era de 75 segundos. À medida que sua pesquisa avançava ao longo dos anos, esse tempo “começou a declinar”. Em 2020, um dos alunos de pós-graduação de Mark rastreou 50 trabalhadores e descobriu que o tempo médio gasto em uma guia era de 44 segundos.

O problema é que “você só consegue pensar conscientemente em uma ou duas coisas por vez”, alerta Johann Hari, autor de “Stolen Focus: Why You Can’t Pay Attention — and How to Think Deeply Again” (“Foco roubado: por que você não consegue prestar atenção — e como pensar profundamente novamente”, em tradução livre do inglês).

— Essa é uma limitação fundamental do cérebro humano. Ser multitarefa, ou alternar entre planilhas e e-mail , pode aumentar os erros, reduzir a criatividade e causar fadiga — acrescenta Hari.

Se o seu trabalho exige que você seja multitarefa, é provável que você precise fazer pausas com mais frequência.

Mas com que frequência? O cérebro de cada pessoa funciona de maneira diferente, então não há uma regra rígida e rápida, pondera Sabariego. Também depende do que você está fazendo. Você pode ficar focado por 90 minutos ou mais fazendo o trabalho que considera desafiador e gratificante, exemplifica.

Tarefas servis ou chatas não produzem a recompensa de dopamina que recebemos quando nos envolvemos com algo interessante.

— A dopamina nos ajuda a estreitar nosso mundo visual e auditivo e aumenta nossa motivação — conta Sabariego, acrescentando que você pode precisar de pausas mais frequentes ao realizar esse tipo de tarefa.

Você também pode desenvolver o foco ao longo do tempo. Se você precisar de uma pausa a cada 30 minutos, tente definir um cronômetro e permanecer na tarefa por 32, 35 e 40 minutos para ajudá-lo a espaçar ainda mais as pausas.

Não desista cedo demais

Uma coisa a observar: a popular técnica Pomodoro, que envolve trabalhar por 25 minutos antes de fazer uma pausa de três a cinco minutos, é mais um método para combater a procrastinação do que otimizar o foco profundo. Leva tempo para voltar ao trabalho após uma interrupção, pontua Hari. Se o cronômetro disparar, mas você ainda estiver no meio de uma tarefa, continue.

Considere seus próprios ritmos circadianos antes de definir arbitrariamente as pausas. Muitas pessoas têm picos em sua capacidade de prestar atenção por volta das 11h e 15h, com as coisas geralmente parando depois do almoço, indica Mark. Você pode se concentrar por mais tempo pela manhã, mas precisa de pausas mais frequentes no final do dia.

Quebre seus modos sedentários

Sair para fazer algum tipo de atividade física na natureza é uma das melhores maneiras de dar um descanso ao seu cérebro, aconselha Mark. Ela trabalhou em um estudo com a Microsoft Research que descobriu que os trabalhadores que faziam uma caminhada de 20 minutos na natureza voltavam ao trabalho com maior “atenção divergente”, o que significa que tinham mais ideias criativas ao retornar do que aqueles que continuaram trabalhando.

Se você não pode sair para contemplar a natureza, uma caminhada pelo escritório também trará benefícios. Pillay refere-se à atividade física do meio-dia como um “intervalo de reforço”, com base em um estudo de 2013 que descobriu que trabalhadores que fizeram uma pausa de 15 minutos para exercícios físicos relataram redução do estresse e maior interação social em seus locais de trabalho.

Guarde seu telefone

— Desvalorizamos a ideia do que é uma pausa. Ela não pode ser sinônimo de “parei de ver meus e-mails no meu computador para poder dar uma volta e ver meus e-mails no meu telefone'” — afirma Hari. Verificar e-mails ainda está desafiando seu cérebro a permanecer na rede relacionada à tarefa, então você não está exatamente deixando sua mente vagar. Até mesmo navegar nas redes sociais pode não ser o alívio para o cérebro que você pensa que é.

— Se você vir algo perturbador no Twitter, isso pode atrapalhar seu trabalho — argumenta Mark.

Quando isso acontecer, você não começará sua próxima tarefa revigorado e pronto para se concentrar, que era o objetivo de sua pausa.

Deixe sua ‘mente pequena’ brincar

Em um artigo do Daily Beast de 2013, a escritora e poetisa Maya Angelou se referiu ao seu processo de trabalho como alternando entre sua “ mente grande e sua mente pequena”. Sua grande mente fez o trabalho pesado, elaborando os poemas pelos quais ela se tornou famosa. Sua cabecinha, que ela usava entre as sessões de escrita, adorava fazer palavras cruzadas.

— A mente pequena permite que sua mente grande se atualize e reabasteça — avalia Mark.

Resolver um cubo mágico, tricotar ou até mesmo jogar um jogo simples em seu telefone pode ter o mesmo efeito que um jogo de palavras cruzadas, acrescentou ela. No entanto, tome cuidado para não ser sugado por rodadas intermináveis ​​de Candy Crush. Considere definir um cronômetro para 15 a 20 minutos, o que deve ser suficiente para dar um descanso à sua rede orientada a tarefas.

Tire uma soneca ou coma um lanche

Poucos trabalhadores têm a opção de tirar uma soneca ao meio-dia, mas se você tirar, tire. Mesmo uma soneca de cinco a 15 minutos pode trazer clareza, embora você precise de um descanso mais longo para aumentar a criatividade, afirma Pillay. Geralmente, o corpo leva cerca de 90 minutos para entrar no sono REM, que os pesquisadores associaram ao aumento da criatividade.

Ou fazer um lanche. As células cerebrais precisam de glicose, e gastam muita energia para entrar em foco, pontua Sabariego. No entanto, comer uma grande quantidade de comida pode ativar o sistema nervoso parassimpático, deixando-nos sonolentos. Para este lanche, Pillay sugere uma maçã.

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Fonte: O Globo

Brown noise: como esse tipo de ruído age no cérebro e ajuda a dormir

Ouvir o estrondo de um trovão distante, o barulho de água de um rio, das ondas do mar ou da chuva no telhado. Esses sons são chamados de brown noise (ruído marrom, em tradução livre do inglês) e, segundo cientistas, podem ajudar a dormir.

Segundo Dan Berlau, neurocientista e professor da Regis University School of Pharmacy em Denver, Colorado, o ruído marrom provoca um “mascaramento de som”, ou seja, cria um “cobertor” que abafa todos os demais ruídos. Isso ajuda a reduzir as distrações do ambiente, favorecendo o relaxamento cerebral e levando a pessoa ao sono.

Um estudo feito por pesquisadores coreanos e publicado na revista científica Sensors apoiou a teoria de que os efeitos indutores do sono ao ouvir ruído marrom são devidos ao mascaramento do som.

Em vez de prescrever medicamentos para tratar a insônia, o estudo coreano sugeriu que o ruído branco, marrom ou rosa poderia ajudar contra o problema. Após analisarem os diários de sono dos participantes, os pesquisadores constataram que ouvir ruídos coloridos os ajudou participantes a adormecer cerca de 10 minutos mais cedo do que o normal.

O white noise (ruído branco) é uma mistura de todas as frequências que os humanos podem ouvir, de cerca de 20 Hz a 20 mil Hz, todas com a mesma intensidade ao mesmo tempo. Na prática, o som lembra uma televisão ou rádio fora de sintonia. O pink noise (ruído rosa) é menos áspero, soa mais profundo, mais como uma forte tempestade.

Para Gemma Paech, especialista em sono da Universidade de Newcastle, na Austrália, há outros motivos que levam as pessoas a adormecerem mais rápido como ruído marrom além do mascaramento do som.

“Pode haver uma ‘resposta condicionada’. Se alguém adormeceu regularmente ouvindo esses ruídos no passado, o cérebro começa a associar esses ruídos ao sono, de modo que, quando tocados, o cérebro adormece”, afirmou a especialista em entrevista ao portal Daily Mail.”Algumas pessoas podem achar esses sons relaxantes, o que pode ajudar a colocar o cérebro em um estado pronto para dormir”.

Ela dá o exemplo de pessoas que têm associações positivas com o barulho de chuva caindo sobre o telhado: ouvir sons semelhantes geram efeito calmante, favorecendo o adormecer.

Mas o ruído marrom é apenas uma solução rápida e não resolve a causa do distúrbio do sono, enfatiza Peach. Se o estresse e a ansiedade estão causando distúrbios do sono em vez de ruído externo, esses sons não necessariamente resolverão seus problemas de sono a longo prazo.

Apesar de o ruído marrom não funcionar para todos a depender das causas da insônia, Berlau recomenda que as pessoas — principalmente aquelas que estão desesperadas sem conseguir dormir — pelo menos experimentem o brown noise para tentar dormir.

Ele acredita que ouvir sons é mais seguro do que tomar muitos remédios.

“Existem muitos medicamentos para dormir, muitos dos quais têm efeitos colaterais fortes. Portanto, se houver terapias não farmacológicas que possam ajudar no sono, seria ótimo. As desvantagens do ruído marrom são mínimas, a menos que você esteja ouvindo tão alto que vai machucar seus ouvidos”, pontuou o especialista.

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Fonte: O Globo