Estudo liderado por brasileiros identifica como antidepressivos atuam no cérebro

coronavirussofrimentomentalPesquisa pode ajudar a desenvolver medicamentos mais precisos, já que mecanismo de funcionamento foi melhor entendido.

Um estudo liderado por cientistas brasileiros traz luz para uma velha questão na psiquiatria: a atuação dos antidepressivos no cérebro humano. Os medicamentos usados em larga escala para tratar depressão e ansiedade no mundo todo ainda se baseiam em diretrizes da tentativa e erro. Isso significa que no decorrer do tratamento os médicos buscam as doses corretas e a combinação ideal de antidepressivos que traga o conforto terapêutico desejado, porém nem sempre a melhora diante do tratamento ocorre como o esperado.

O uso dos antidepressivos para o tratamento dessas doenças se baseia, sobretudo, na chamada hipótese monoaminérgica, segundo a qual os distúrbios do humor são causados por uma deficiência no nível de neurotransmissores como serotonina, norepinefrina e dopamina. Esses medicamentos visam aumentar a concentração dessas substâncias no cérebro para eliminar a doença. Entretanto, a melhora diante do tratamento medicamentoso nem sempre é certa.

Considerada o mal do século 21, a depressão atinge cerca de 4,4% da população do planeta e é a principal causa de incapacidade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). De 10% a 30% das pessoas com depressão não apresentam melhora depois do início do tratamento com remédios, segundo estudos de 2019.

Novas descobertas

A chave para finalmente entender a atuação dos antidepressivos nos neurônios está na identificação da partícula celular responsável por facilitar a atuação dos medicamentos. É o que mostra o estudo liderado pelos brasileiros Plínio Casarotto e Caroline Biojone, atualmente contratados como pesquisadores no grupo do professor Eero Castrén, da Universidade de Helsinki (Finlândia). O estudo contou também com a participação de outro brasileiro, o pesquisador Cassiano Ricardo Alves Faria Diniz, que realiza pós-doutoramento na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Embora com mecanismos de ação diferentes, acreditava-se que tanto os antidepressivos tradicionais quanto a ketamina, que promove um efeito terapêutico quase que imediato, conduziam à melhora dos sintomas da depressão e da ansiedade ao aumentarem os níveis cerebrais de uma proteína chamada BDNF. Essa proteína, por sua vez, ao atuar sobre receptores denominados como TRKB, aumentariam a capacidade de adaptação do cérebro promovendo a recuperação do paciente.

O estudo publicado na revista científica americana ‘Cell’ mostra que, tanto os antidepressivos clássicos quanto os de efeito rápido são bem sucedidos ao promover a ativação direta de outro receptor, o TRKB. “Antes, acreditávamos que o efeito sobre o receptor TRKB era indireto, uma consequência de outros mecanismos de ação, e agora entendemos que o TRKB é na verdade o protagonista”, explica Cassiano Ricardo Alves Faria Diniz. “Isso muda substancialmente o que compreendemos sobre estas drogas, e sugere também que a latência para os efeitos terapêuticos dos antidepressivos tradicionais ocorre porque essas drogas levam tempo para atingir as concentrações necessárias dentro do sistema nervoso central para agir sobre o TRKB”, completa.

Para chegar a esse resultado o grupo se valeu de testes in vitro (realizadas com células) in silico (usando simulações computacionais de alta performance) e testes in vivo (com animais de laboratório) para confirmar que de fato os efeitos dos antidepressivos, mesmo sobre organismos complexos, dependem ainda dessa ação direta sobre o TRKB.

Essa descoberta é importante porque pode trazer assertividade a um tratamento que foi por décadas incerto. Desde que o primeiro antidepressivo foi utilizado no tratamento de distúrbios de humor, em 1956, as drogas são administradas com doses baseadas em tentativa e erro.

“A partir de agora, a indústria farmacêutica pode desenvolver drogas melhores porque até então eles estavam desenvolvendo drogas baseadas em um mecanismo de ação que não era o correto”, defende Caroline Biojone.

Colesterol no cérebro

O estudo também relevou, pela primeira vez, uma importante relação entre os níveis de colesterol no cérebro com a eficácia do tratamento realizado com drogas antidepressivas. De acordo com a investigação, há uma quantidade considerada ideal de colesterol no cérebro que facilita a ativação do receptor TRKB, o que promoveria um tratamento mais eficaz.

Mitos e verdades sobre a ação da Covid-19 no cérebro

fotoMédico neurocirurgião aponta os mitos e verdades sobre a interferência da Covid-19 na saúde do cérebro

Com muitas especulações sobre o que a Covid-19 causa no organismo, as sequelas, os sintomas, o neurocirurgião da UNICAMP, Dr. Marcelo Valadares, que ministra a disciplina de Neurocirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e do Hospital Albert Einstein esclarece alguns pontos e desvenda o que é mito e verdade.

A Covid-19 pode interferir nas funções cognitivas? Verdade.

Trabalho publicado pelp InCor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), aponta que após o fim da infecção podem surgir  perda de memória, dificuldade em manter o foco e dificuldades com a percepção visual.

A perda do olfato é sintoma incomum após o paciente ser infectado? Mito.

Com a infecão é comum que lesões nos nervos e bulbos olfatórios provoquem à perda de olfato. Pesquisa feita na Europa em 2020 aponta que em 87% dos pacientes a perda do olfato foi um dos sintomas mais comuns. A incidência de casos permanentes seja cerca de 5%.

A infecção por Covid-19 aumenta as chances do AVC? Verdade.

A infecção pela Covid-19 está relacionada ao aumento na formação de coágulos em artérias, e isso pode provocar o AVC. Nos Estados Unidos, pesquisas internacionais identificaram que muitos pacientes jovens com a Covid-19 também foram diagnosticados com Acidente Vascular Cerebral.

O vírus pode ter sequelas neurológicas permanentes? Mito.

A infecção pela Covid-19 demonstrou causar sintomas de longo prazo. Além da perda do olfato, os pacientes podem sentir dores de cabeça crônica, a já citada sensação de fadiga no corpo, tontura, fraqueza generalizada e até mesmo ansiedade e depressão.

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Como o cérebro reage ao estresse gerado pela pandemia?

site-copiaEstresse e isolamento social

O isolamento social foi muito estudado pela neurociência e, segundo os especialistas, está comprovado que pode causar danos psicológicos significativos e duradouros.

“Na pandemia temos o isolamento social e físico forçados, o que leva ao aumento dos casos de ansiedade, estresse e depressão. As mulheres são mais propensas à ansiedade, pois estão sobrecarregadas com os afazeres domésticos, filhos e trabalhos profissionais. Um grande número delas tem que pegar transporte público e ir aos supermercados, ficando mais vulneráveis à contaminação”, diz o médico e neurocirurgião Wanderley Cerqueira de Lima, do Hospital Albert Einstein e da Rede D’or.

O especialista complementa que a depressão ocorre mais em pessoas idosas, pois elas se sentem mais vulneráveis à contaminação pelo vírus, uma vez que estão mais distantes da família e propensas à letalidade. “Na quarentena forçada existe a necessidade de respeitar o seu estilo de vida, os seus limites e, se possível, seria indicado fazer algum exercício, como a caminhada”, pontua.

Leia também: Papel da eletroneuromiografia na Covid-19

Segundo o neurocirurgião, as consequências a médio e longo prazo na saúde mental estão atreladas ao sedentarismo, como alterações no ritmo do sono, apatia, alterações do apetite, palpitações, irritabilidade, insegurança, pensamentos negativos e desesperança na cura da doença e na chegada da vacinação.

O fisiatra Marcus Yu Bin Pai, médico pesquisador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), também está preocupado com o nível de sedentarismo durante o isolamento social.

“Estamos vendo efeitos do confinamento já na saúde de pessoas, que vem relatando aumentos não só de patologias crônicas como dores musculoesqueléticas devido ao sedentarismo e diminuição de atividade física, mas também de aumentos de queixas de ansiedade, depressão e insônia crônica”, ressalta Marcus Yu Bin Pai, que também é colunista do Portal PEBMED.

É importante lembrar que todo estresse ou depressão influencia diretamente na baixa de resistência do organismo predispondo a qualquer tipo de infecção, principalmente se o paciente já possui alguma comorbidade.

Orientações aos médicos

De acordo com o neurocirurgião Wanderley Lima, os principais sintomas que afetam a saúde mental neste período de pandemia são os distúrbios de sono, lentidão para as atividades diárias, alterações no apetite, emagrecimento ou ganho de peso, estabilidade facial, sensação de solidão, pensamentos negativos e uma desesperança frequente.

No entanto, os médicos devem estar atentos também aos sinais não verbalizados pelos pacientes, como explica Marcus Yu Bin Pai. “Devemos sempre avaliar o que o paciente fala e não fala, ou seja, perguntar ativamente questões psicológicas, como está seu sono, como estão suas relações, seu dia a dia e atividades laborais. Procurar sinais indiretos de fadiga, cansaço e burnout”, diz.

O fisiatra esclarece que devem ser solicitados exames laboratoriais e de imagem, dependendo das queixas e sintomas do paciente. Para suspeita de ansiedade, insônia e depressão podem ser solicitados exames para afastar suspeitas de doenças metabólicas ou outras enfermidades sistêmicas.

Já o neurocirurgião Wanderley de Lima lembra que se o paciente apresentar alterações clínicas associadas é indicado solicitar uma avaliação hematológica bioquímica do sangue, uma avaliação nutricional com dosagem de vitaminas no sangue e um exame de imagem ou fisiológicas, de acordo com sinais e sintomas dos pacientes.

Como o cérebro cria as motivações e o desejo de viver

O impacto motivador da dopamina se reflete no descontrole que se apossa de todos nós quando continuamos a comer depois que abrimos a boca para o primeiro salgadinho

_98011009_667379906Um dos efeitos de certos alimentos “viciantes”, como o chocolate, é a liberação de dopamina cerebral que aumenta o poder de incentivo dos estímulos relacionados ao prazer.

Quem a conheceu conta que minha bisavó Rosa, que viveu até os 103 anos, tinha perdido a vontade de viver e só desejava morrer. Mas minha tia-avó Felisa, que viveu quase 102 anos, nunca perdeu essa vontade e sempre, até as últimas horas, encontrou um motivo para continuar vivendo, fosse o casamento de um sobrinho, o batizado de um novo membro da família, o copinho de aguardente ou o torrone da festa da cidade. Sempre me perguntei o que haveria no cérebro exausto de cada uma das minhas duas anciãs para abrigar um sentimento tão diferente.

Uma possível resposta me leva aos muitos anos em que no nosso laboratório da Universidade Autônoma de Barcelona exploramos o comportamento de ratos que pressionam uma pequena alavanca dentro de sua gaiola para ativar o dispositivo que envia pequenos choques elétricos a seus cérebros por meio de um eletrodo implantado nele. Nunca duvidamos de que essas descargas fossem agradáveis e, por isso, os ratos pressionavam a alavanca continuamente, horas e até dias, até cair exaustos de inanição. Quando fazem isso, os neurônios em uma região do tronco do encéfalo (área tegmental ventral) liberam através de seus prolongamentos o neurotransmissor dopamina em outra região da base do cérebro (o núcleo accumbens). Por isso, durante os primeiros anos de pesquisa, acreditávamos, e assim explicávamos aos nossos alunos, que a dopamina era a substância cerebral que produzia o prazer.

Mas as coisas mudaram quando a revista Nature publicou um artigo mostrando que os ratos continuavam pressionando a alavanca mesmo quando a dopamina se esgotava e não era mais liberada em seu cérebro, o que significa que ainda havia prazer sem dopamina. O que então a dopamina faz, nos perguntamos, intrigados? Achados experimentais recentes apontaram a resposta. Por um lado, agora sabemos que quando se reduz a dopamina no cérebro de ratos pela injeção de substâncias que a desativam (6-hidroxi-dopamina), sua capacidade de sentir prazer não desaparece, pois suas reações positivas ao sabor doce permanecem intactas. Os doentes de Parkinson, que também têm escassez de dopamina no cérebro, também não perdem suas reações de prazer com o sabor doce. Por outro lado, também foi comprovado que os camundongos com déficit de dopamina apresentam perda total de interesse ou motivação para realizar ações, como pressionar uma alavanca ou percorrer um labirinto, destinadas a alcançar prazeres como a comida, e somente se os níveis de dopamina são restaurados nos locais do cérebro onde é normalmente liberada os animais e recuperam a motivação e o comportamento para chegar até ela.

Por tudo isso, o que agora acreditamos que a dopamina faz quando liberada no cérebro é aumentar a motivação e o poder de incentivo das coisas agradáveis, produzindo desejo, embora sem causar prazer nem ter um verdadeiro impacto hedônico. É como se essa substância nos motivasse a fazer o necessário para conseguir o bom, o prazer, onde quer que esteja. Curiosamente, também há dados que indicam que pacientes com Parkinson tratados com substâncias como L-dopa, que elevam a dopamina cerebral, não aumentam suas reações positivas ao prazer, mas exibem certa motivação compulsiva, um incremento no desejo por atividades como jogos, hobbies, compras, pornografia, Internet em geral, etc, mesmo quando não se percebe neles um aumento de prazer que possa justificar esse comportamento.

Este impacto motivador da dopamina se reflete de uma maneira muito especial no descontrole que todos nós sentimos ao continuar a comer depois de abrirmos a boca para o primeiro salgadinho ou batata frita em uma festa. Mais do que aguçar o apetite, que já temos, o que parece acontecer com a primeira e contida degustação é uma liberação de dopamina cerebral que aumenta o poder de incentivo dos estímulos relacionados ao prazer, neste caso, a comida, mas não o prazer em si, tornando mais intenso e frequente o comportamento contínuo que o busca. É por isso que depois da primeira batata frita não conseguimos mais nos conter e parar de comer. Esse incentivo parece especialmente forte no dependente de uma droga, ou qualquer outro tipo de dependência, perante qualquer estímulo relacionado ao seu consumo. A simples visão do “passador de drogas”, do local onde as vendem, pode desencadear a dopamina cerebral e com ela o desejo e a motivação para fazer o que for preciso para consegui-las.

Agora também sabemos que a dopamina aumenta quando somos estimulados por todo tipo de novidades, ou seja, quando acontecem coisas novas e inesperadas em nosso entorno, o que a neurociência chama de “erro de predição”. A novidade está quase sempre presente na rica vida dos jovens, mas muito menos na vida muitas vezes empobrecida dos idosos, que a fraqueza, a preguiça ou a falta de apoio familiar leva a se refugiarem no sedentarismo e no isolamento em casa. É, portanto, muito importante incentivar, por todos os meios, que os idosos tenham uma vida pessoal e social tão rica e ativa quanto possível para que seu cérebro libere dopamina e, com isso, aumente e mantenha sua motivação e seu desejo de continuar vivendo bem até em idades avançadas.

Ignacio Morgado Bernal é professor de Psicobiologia no Instituto de Neurociências e na Faculdade de Psicologia da Universidade Autônoma de Barcelona. É autor de ‘Deseo y placer: la ciencia de las motivaciones’ (Ariel, 2019).

FADIGA DE VIDEOCONFERÊNCIA: ESTUDO APONTA QUATRO CAUSAS E SOLUÇÕES

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Desde que a pandemia começou, as chamadas de vídeo têm sido muito utilizadas para  reuniões de trabalho e encontros virtuais. No entanto, um estudo publicado no periódico Technology, Mind and Behavior na última terça-feira (23), mostrou o que muita gente já tinha percebido:  passar muito tempo em videoconferências pode causar fadiga.

O professor da Universidade de Stanford, Jeremy Bailenson, que conduziu o estudo, listou os quatro fatores que mais trazem cansaço aos usuários dessas plataformas. Veja quais são:

1) Contato visual excessivo

Tanto a quantidade de contato visual que mantemos durante os vídeos quanto o tamanho dos rostos nas telas não são naturais.

Em uma reunião normal, as pessoas costumam olhar para quem fala, tomando notas ou às vezes desviando o olhar. Mas nas ligações do Zoom, Meet ou Teams, todos estão olhando para todos, o tempo todo. Um ouvinte é tratado de forma não verbal como um orador, então mesmo que você não fale uma vez em uma reunião, ainda terá a sensação de que é encarado. Ou seja: a quantidade de contato visual aumenta drasticamente. Bailenson explica que, assim como no mundo não virtual, a fobia de falar em público também existe nas plataformas, e saber que todos estão te olhando o tempo todo aumenta ainda mais o estresse.

Outra fonte de desgaste é que, dependendo do tamanho do seu monitor, os rostos nas chamadas de videoconferência podem parecer grandes demais para o seu conforto. Quando isso acontece na vida real, o cérebro interpreta como uma situação mais intensa, como um contato íntimo ou um conflito. “O que está acontecendo, na verdade, quando você usa o Zoom por muitas, muitas horas, é que você está nesse estado de hiperexcitação”, explica Bailenson.

Para melhorar isso, o professor recomenda tirar a opção de tela inteira e reduzir o tamanho da janela do aplicativo em relação ao monitor para minimizar o tamanho do rosto.

2) Se observar o tempo todo

A maioria das plataformas de vídeo permite que a pessoa se veja durante um bate-papo, mas isso também não é natural, diz Bailenson. “No mundo real, se alguém estivesse seguindo você com um espelho constantemente – de forma que enquanto você estivesse falando com as pessoas, tomando decisões, dando feedback, recebendo feedback – você estivesse se vendo em um espelho, isso seria loucura”.

Bailenson cita estudos que mostram que quando você vê seu reflexo, acaba ficando mais crítico com si próprio. “É desgastante para nós. É estressante. E muitas pesquisas mostram que há consequências emocionais negativas em se ver no espelho.”

Uma solução dada por Bailenson é que os usuários usem o botão “ocultar visão própria”, que pode ser acessado clicando com o botão direito do mouse em sua própria foto, assim que virem que seu rosto está devidamente enquadrado no vídeo.

3) Redução da mobilidade

Em uma conversa normal, as pessoas costumam se movimentar, até para dar mais fluidez no discurso. Contudo, na videoconferência, a maioria das câmeras têm um campo de visão definido, o que significa que uma pessoa geralmente precisa ficar no mesmo lugar. O movimento é limitado de maneiras que não são naturais. “Há uma pesquisa crescente agora que diz que quando as pessoas estão se movendo, elas têm um desempenho cognitivo melhor”, disse Bailenson.

4) Carga cognitiva maior

Em uma conversa que se dá pessoalmente, a comunicação não-verbal é bastante natural e a grande maioria das pessoas faz e interpreta gestos e pistas não-verbais de forma natural. Mas em chats de vídeo, temos que trabalhar mais para enviar e receber sinais.

Na verdade, fala Bailenson, os humanos pegaram uma coisa simples e fácil e a transformaram em algo que envolve muito pensamento: “Você precisa ter certeza de que sua cabeça está emoldurada no centro do vídeo. Se você quiser mostrar a alguém que está de acordo com a pessoa, faça um aceno exagerado com a cabeça ou levante os polegares. Isso adiciona carga cognitiva, pois você está usando calorias mentais para se comunicar. ”

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Estudo aponta relação entre sono ruim e maior risco de demência para idosos.


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Pessoas que dormiram menos de cinco horas por noite tiveram maior risco de demência e até de morte prematura, conforme mostra uma nova pesquisa publicada na revista científica Aging.



Embora a relação possa parecer alarmante, o geriatra Natan Chehter, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo reforça que a pesquisa não mostra causalidade.



”Esse estudo não é de causa e efeito, mas de relação. Ele pega dados e vê se tem uma porcentagem de pessoas que desenvolveram a doença que estuda, mas não pode afirmar que a falta de sono causa a demência”, diz.



”Em uma explicação leiga, é parecido com dizer que pessoas que andam com isqueiro no bolso são mais propensas a ter câncer de pulmão — no caso, tem um fator oculto aí, que é o cigarro.

“

De acordo com o médico, após descobrir a relação, os pesquisadores podem focar para desenhar estudos que busquem comprovar — ou não — a ligação entre falta de sono e demência.



Como o estudo foi feito

Para chegar aos resultados, os pesquisadores acessaram questionários respondidos por 2610 pessoas com mais de 65 anos que fizeram parte do levantamento do National Health and Aging Trends Study entre 2013 e 2014 nos Estados Unidos.



Os médicos do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, nos Estados Unidos, analisaram as respostas dos entrevistados às perguntas relacionadas à perturbação e deficiência do sono.



Eles examinaram como os participantes avaliaram seu nível de energia, frequência de cochilos, quanto tempo demoraram para adormecer, se roncaram e a duração e a qualidade do sono.



A equipe seguiu coletando dados dos participantes por até cinco anos, com o intuito de observar desfechos de demência e morte.



Resultados



Os pesquisadores indicam, a partir do acompanhamento dos participantes entrevistados, que há uma ligação entre os problemas de sono e quanto tempo alguém leva para adormecer e o maior risco de demência.

Cochilar com frequência, lutar para ficar alerta e dormir mal de qualidade também estiveram relacionados a um risco maior de morte.



De acordo com os pesquisadores, cada vez mais estudos mostram que os problemas de sono estão relacionados à saúde do cérebro — antes acreditava-se que não conseguir dormir era apenas um sintoma de pessoas com diagnóstico de Alzheimer (a forma mais comum de demência).



“Esses dados aumentam a evidência de que o sono é importante para a saúde do cérebro e destacam a necessidade de mais pesquisas sobre a eficácia de melhorar o sono e tratar distúrbios do sono sobre o risco de demência e mortalidade”, afirmou Charles Czeisler, um dos autores do estudo.



Idosos têm sono mais leve naturalmente



Conforme aponta Chehter, pela própria dinâmica do sono do idoso, esse grupo de pessoas já tem uma pior qualidade de sono.
”Isso é inclusive constatado em idosos saudáveis, é algo que vem com o envelhecimento. Ao passar os anos, o sono se torna mais superficial, o que pode ter como impacto acordar mais vezes e ter dificuldade para voltar a dormir. Além disso, há doenças que são mais comum em idosos, como apneia do sono e síndrome de pernas inquietas”, explica.

Entenda o TDAH, condição que afetou Fiuk na infância

1RIO — O ator e cantor Fiuk comoveu os telespectadores do “Big Brother Brasil” esta semana ao narrar sua luta contra o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Segundo a Organização Mundial da Saúde, a condição afeta cerca de 5% das crianças, que podem carregar os sintomas para a fase adulta caso o quadro não seja tratado ainda na infância.

Fabio Barbirato, chefe da Psiquiatria Infantil da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, lembra que o diagnóstico deve ser feito por um especialista. Segundo ele, outras condições podem produzir sintomas semelhantes aos do TDAH, como a ansiedade.

— Em circunstâncias ansiogênicas (que causam ansiedade), como a separação dos pais, crianças podem parecer mais desatentas do que o habitual. O diagnóstico do TDAH é clínico, mas o médico pode solicitar exames caso haja alguma dúvida — diz.

Segundo o especialista, o maior diferencial do TDAH para outros transtornos psíquicos é que ele tem como um de seus maiores fatores a hereditariedade genética:

— Hoje já se sabe que o TDAH é uma das condições psíquicas que mais sofrem influência do aspecto genético.

O especialista explica que o TDAH tem três diferentes apresentações. Há o perfil hiperativo-impulsivo, que manifesta mais traços de inquietude e impaciência do que os outros; o perfil desatento, que pode ser até tímido, mas também tem dificuldades para se concentrar; e há o perfil combinado, que mescla características das duas outras formas. (Barbirato detalha alguns sintomas de TDAH abaixo.)

Para a psicopedagoga Luciana Brites, diretora do Instituto NeuroSaber, dedicado à educação especial, a forma mais delicada do TDAH é a puramente desatenta. Ela pode se manifestar em crianças silenciosas, o que retarda e atrapalha a identificação do problema:

— Se a criança cresce num ambiente em que ninguém sabe o que é TDAH, dificuldades de aprendizado relacionadas ao transtorno podem se passar por obstáculos pontuais.

Esta forma também está mais exposta ao bullying, diz Brites:

— A criança TDAH tem menor maturidade emocional, o que a deixa mais vulnerável a ataques e ordens descabidas.

Segundo a especialista, o alerta deve se acender quando os sintomas do transtorno persistem por mais de seis meses. Uma vez diagnosticado, o quadro deve ser tratado com medicação e psicoterapia, sempre sob acompanhamento profissional.

Seu filho é TDAH? Conheça os sintomas

Tarefas incompletas

A criança com TDAH tem dificuldade para completar uma tarefa simples, como o dever de casa. Suas brincadeiras são curtas, e ela está sempre pulando de uma brincadeira para a outra. Não se interessa por passatempos que envolvam um maior nível de planejamento e concentração.

É um furacão

Um sinal de TDAH na infância é a agitação extrema: a criança fica a mil o tempo todo, correndo e pulando, e não consegue ficar séria ou parada quando isso é necessário. Às vezes, ela chega a parecer que não escuta o que a gente diz.

Não tem senso de perigo

A criança com TDAH gosta de brincadeiras que nos parecem arriscadas, com objetos proibidos, por exemplo. Isso acontece porque ela não tem o mesmo senso de perigo que as outras pessoas.

Vive distraído

Seu filho vive no mundo da lua, sem prestar atenção nos acontecimentos ao redor? Ele pode ter TDAH. A distração é um sintoma do transtorno, sobretudo na fase escolar.

É impulsivo e impaciente

Ele é irritadiço, toma atitudes por impulso e falha em calcular consequências. Em certas situações, ele parece não ter tato social, interrompendo pessoas e infringindo regras sem perceber.

Inquietude

Já na adolescência, um dos sinais do TDAH é a inquietude, que se manifesta no movimento frenético das mãos e dos pés, por exemplo. Também é comum que nesta fase a pessoa comece a demonstrar dificuldade para se planejar, lembrar compromissos e realizar tarefas demoradas.

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Fonte: Globo

Meditação treina o cérebro para enfrentar as adversidades do dia a dia

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Novo estudo americano apresenta um plano de bem-estar emocional concentrado em habilidades específicas que podem ser aprendidas, como meditar. Entenda:

Um novo estudo da University of Wisconsin-Madison, recentemente publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences
, apresentou um plano de bem-estar emocional concentrado em habilidades específicas que podem ser aprendidas. Dentre elas, está a meditação. Assim como a atividade física, que desencadeia mudanças em nosso corpo, a meditação também é considerada uma atividade neural, com possibilidade de melhora através do tempo e possíveis alterações não só no estado de espírito, mas também na nossa mente. E as primeiras horas do dia são um dos melhores momentos para praticá-la.

– A meditação pela manhã serve principalmente para você despertar de vez e potencializar o restante do seu dia. A maneira como acordamos reflete inevitavelmente no restante do nosso dia. Deste modo, meditar se torna uma forma de “limpar” as preocupações logo ao acordar. Assim, você possui mais energia e tranquilidade para enfrentar as adversidades do seu dia – afirma Adriana Camargo, profissional de educação física, instrutora de Yoga e adepta da meditação, que ensina no vídeo abaixo como fazer a postura ideal pra começar a meditar.

Em meio à pior crise de saúde do século, relaxar nem sempre é uma opção. Pesquisas ao redor do mundo apontam que houve uma piora na saúde mental das pessoas devido aos estragos causados pela pandemia de Covid-19. Diante desse cenário, o estudo conduzido pelos pesquisadores da University of Wisconsin-Madison traz uma estrutura baseada em evidências científicas que sugerem que o bem-estar pode ser cultivado por meio de prática na vida diária. Neste caso, o objetivo da pesquisa foi defender o cultivo do bem-estar em qualquer estágio, mesmo quando estamos relativamente saudáveis, visto que essas habilidades têm como objetivo nos tornarem mais resilientes para momentos como ao que vivemos agora. A estrutura se concentra em quatro pilares que foram estudados e que podem sofrer alterações com o treinamento:

  1. Consciência – atenção ao ambiente, com sensações corporais, pensamentos e sentimentos;
  2. Conexão ou apreciação – aspectos como bondade e compaixão;
  3. Insight – fomento da curiosidade e do autoconhecimento;
  4. Propósito – entender seus valores e motivações.

A consciência e em particular a metaconsciência (estar ciente de que você está ciente) parecem diminuir o estresse e aumentar as emoções positivas, podendo ser fortalecidas por meio de práticas de treinamento mental, como meditação. Ela, por sua vez, ajuda a reduzir alguns dos efeitos prejudiciais da distração, que prejudicam a função cognitiva e aumentam as respostas do corpo ao estresse relacionado à inflamação e ao envelhecimento.

A pesquisa fornece evidências de que podemos resistir aos altos e baixos da vida com resiliência, apontando ainda que o cérebro e o corpo podem mudar e se adaptar. No entanto, em vez de substituir outras visões de bem-estar, os pesquisadores dizem que a estrutura apresentada busca complementar outros modelos, focalizando especificamente em dimensões de bem-estar que são treináveis e podem ser aprendidas. Ou seja, a ideia foi dar espaço a qualidades de uma mente saudável que muitas vezes não sabemos que são treináveis, como por meio da meditação.

– A meditação é uma técnica utilizada para se manter no momento presente. Durante a prática, você não pensa em nada objetivamente, mas o pensamento ainda existe, e você deve deixá-lo vir. Com o tempo, você vai sentir uma paz e equilíbrio cada vez mais orgânicos. Para tudo isso acontecer, é preciso uma posição adequada, um bom local e encontrar sua técnica – explica Adriana Camargo.

Como começar

As pesquisas sobre meditação ainda buscam proporcionar novas percepções sobre os métodos de treinamento mental, embora já seja atestado o potencial de melhorar a saúde e o bem-estar emocional. Para você que pensa em começar, é preciso considerar dois fatores:

  • Foco: você tem que ter um tempo mínimo de foco, você pode começar com um tempo de cinco minutos e depois ir aos poucos aumentando.
  • Frequência: é melhor você meditar menos tempo, mas todo dia, do que meditar muito tempo só que em dias alternados. Somente com a repetição diária uma atividade se torna um hábito.

– Os tempos de meditação máxima variam. Os monges zen budistas, por exemplo, meditam cerca de 40 minutos, três vezes ao dia. Por outro lado, já na meditação com mantra tem gente que medita por uma hora, duas vezes ao dia. Desta forma, o tempo vai depender da linha que você segue. No entanto, o mais importante é fazer num horário onde você não será interrompido e em um lugar calmo – conclui Adriana.

Como funciona

Meditar não custa nada, a não ser alguns minutos do seu dia, e pode ser praticado em qualquer lugar. A meditação é um exercício milenar, inclusive fazendo parte de muitas religiões ao redor do mundo. Dentre as inúmeras formas, destacam-se o mindfulness, a meditação transcendental, meditação vipassana, raja yoga e meditação zazen. Embora haja variedade nas técnicas, Adriana Camargo ressalta que na meditação, assim como na matemática, a ordem dos fatores não altera o produto. Ou seja, o resultado final.

– Eu comecei com a meditação que é um “mantra yoga”, mas ultimamente venho utilizando mais a meditação Zazen. No fundo, o objetivo é o mesmo, embora os caminhos sejam diferentes. Todas elas objetivam você estar presente no momento, com uma consciência plena. Nós não temos uma segunda chance nessa vida, não é mesmo? Então, temos que ser felizes agora e viver esse presente, não somente ficar preso aos projetos a longo prazo. Essa necessidade de querer avançar o tempo todo, sempre pensando no passo posterior, te tira de viver o agora. Por isso, a meditação busca, se não acabar com isso, ao menos minimizar essa nossa constante necessidade de viver no depois – conta Adriana.

A meditação apresenta ganhos para saúde mental, destacando-se as modificações neurais, que cada vez mais são analisadas pela literatura médica, sobretudo o processo conhecido como neuroplasticidade.

Quando aprendemos uma habilidade nova, por exemplo, como tocar um instrumento musical, o nosso cérebro muda por meio desse processo. É o que chamamos de neuroplasticidade. E isso também ocorre na meditação, uma vez que o praticante passa por uma experiência que afeta o funcionamento e a estrutura física do cérebro de forma benéfica.

Só para ilustrar, em 2018, pesquisadores da University of Wisconsin-Madison examinaram a atividade cerebral em não meditadores, novos meditadores e praticantes da meditação, com milhares de horas de experiência vitalícia, e ficaram constatadas diferenças nas redes de emoções do cérebro entre esses grupos.

A pesquisa incluiu mais de 150 adultos, sendo que os meditadores de longa data já praticavam diariamente e completaram retiros de meditação de vários dias. Por outro lado, os novos meditadores foram designados aleatoriamente para um curso de redução do estresse baseado na atenção plena de oito semanas que incluía meditação. Por fim, o grupo de controle composto de pessoas sem experiência em meditação foi aleatoriamente designado para um “programa de melhoria da saúde” durante o mesmo período de tempo, incluindo práticas de bem-estar, mas não meditação especificamente.

Após um período de oito semanas, os participantes viram e rotularam fotografiass como emocionalmente positivas, negativas ou neutras, enquanto faziam uma varredura cerebral por ressonância magnética funcional. Tanto os praticantes de longa data quanto os novos meditadores – quando comparados aos não-meditadores – mostraram atividade reduzida na amígdala ao verem imagens emocionalmente positivas. A amígdala é uma área do cérebro crítica para a emoção e detecção de informações importantes do ambiente.

Da mesma forma, os pesquisadores também descobriram que os meditadores de longo prazo apresentaram redução da atividade em suas amígdalas ao verem imagens negativas. Embora as reduções na reatividade a imagens positivas tenham sido observadas em todos os níveis de treinamento, isso indica que reagir a desafios emocionais negativos requer mais treinamento, o que pode ser alcançado por meio da meditação.

A atividade mais baixa na amígdala em resposta a imagens negativas era uma tendência geral entre os meditadores, mas era mais forte e mais significativa em meditadores de longa duração com experiência. Além disso, a equipe descobriu que, após oito semanas de treinamento, as pessoas novas em meditação mostraram um aumento na conectividade entre a amígdala e uma área do cérebro que suporta a função executiva (que inclui autorregulação e rastreamento de metas) e emoção, a córtex pré-frontal ventromedial.

– Com a meditação, é provável que você tenha mais facilidade de viver o momento presente, além de se sentir melhor emocionalmente e fisicamente para as adversidades do dia a dia. Como consequência, você acaba levando isso, inclusive, para as pessoas ao seu entorno. O ambiente também acaba se tornando mais saudável, já que as nossas oscilações (de humor) são menores e isso reflete em todo ambiente – conta Adriana Camargo.

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Fonte: G1

Sono profundo limpa “resíduos do cérebro”

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O sono profundo tem a capacidade regeneradora de limpar “resíduos do cérebro”, como a eliminação de proteínas tóxicas que podem levar a doenças neurodegenerativas, concluiu um estudo da Northwestern University, nos Estados Unidos, hoje divulgado.

Segundo este estudo da instituição norte-americana, a eliminação dos resíduos apresenta-se como “crucial para a saúde do cérebro”, prevenindo doenças neurodegenerativas, o que vem reafirmar a importância de “ter uma boa noite de sono”.

“A eliminação de resíduos pode ser importante para manter a saúde do cérebro ou para prevenir doenças neurodegenerativas. A eliminação de resíduos pode ocorrer durante a vigília e o sono, mas é substancialmente aumentada durante o sono profundo”, salientou Ravi Allada, autor principal da investigação que foi hoje publicada na revista Science Advances.

Este novo estudo recorreu a moscas da fruta que, segundo os investigadores, têm neurónios que gerem os ciclos de vigília e do sono “notavelmente semelhantes” aos dos humanos, razão pela qual estes insetos têm sido utilizados em investigações científicas sobre o sono, doenças neurodegenerativas e ritmos circadianos (período de cerca de 24 horas sobre o qual o ciclo biológico de quase todos os seres vivos se baseia).

A equipa de Ravi Allada, que é também diretor do Centro de Sono e Biologia Circadiana da Northwestern, constatou que, quando num estádio semelhante ao sono profundo de ondas lentas em humanos, os insetos eliminavam com maior facilidade resíduos cerebrais, ajudando na recuperação de lesões.

De acordo com o especialista, as conclusões deste estudo contribuem para a “compreensão do mistério” sobre a necessidade dos organismos de dormir e sugerem que a “eliminação de resíduos” do cérebro constitui uma função central do sono profundo.