Como a pandemia impactou o sono dos jovens, fase em que o cérebro ainda está em formação

Os impactos da pandemia na vida dos jovens, com o interrompimento das aulas presenciais, a necessidade de permanecer em isolamento e a série de incertezas durante um período que já é fortemente caracterizado por mudanças, ainda estão sendo desvendados pela ciência. Porém, um deles cada vez mais claro é a forma como a crise sanitária impactou a hora de dormir – com uma série de pesquisas apontando para uma piora na qualidade do sono. O cenário envolve uma preocupação em dobro, já que se trata de uma fase da vida em que o cérebro ainda está em formação.

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Os dados mostram que, no geral, os brasileiros já têm problemas relacionados ao sono. Segundo a última pesquisa da Associação Brasileira do Sono (ABS), as dificuldades para atingir uma noite de qualidade afetam 65% da população – informação corroborada por um estudo publicado recentemente na revista científica Sleep Epidemiology, que ressalta ainda a maior propensão dos jovens a um sono ruim.

— Sabemos que é uma faixa etária mais vulnerável à privação de sono e às adversidades no geral, porque é uma etapa de enorme plasticidade cerebral, de modificação das redes neuronais. Não é só de modificação do pensamento, do comportamento, mas de estrutura física mesmo do cérebro — explica o especialista em sono e doutor em neurociências Fernando Louzada, coordenador do Laboratório de Cronobiologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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E esse cenário piorou com a pandemia. Em comparação com o ano anterior, um levantamento da ABS de 2020 mostrou que a média de horas de sono por noite caiu de 7,12 horas – o mínimo recomendado pela Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos – para 6,23 horas. Entre os jovens, que precisam de mais tempo por noite, um estudo conduzido no primeiro ano da pandemia pela Fiocruz mostrou esse impacto da Covid-19.

Cerca de 36% dos adolescentes de 12 a 17 anos relataram uma piora na qualidade do sono com a chegada da pandemia, com 24% tendo desenvolvido problemas relacionados a hora de dormir e 12% que já tinham dificuldades relatando uma piora. E a situação não é exclusiva do primeiro ano da Covid-19: um estudo publicado em 2022 na revista científica Sleep Science por pesquisadoras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com adolescentes de 13 a 18 anos, mostrou que um índice maior, de 58,2%, ainda relatava uma piora na qualidade do sono.

— A pandemia colocou um grande ponto de interrogação sobre o futuro . Os jovens que estavam em momentos cruciais, como entrada numa universidade ou no mercado de trabalho, tiveram que lidar com a frustração de não dar o “próximo passo” — avalia a neurologista Christianne Martins Bahia, responsável pelo Ambulatório de Distúrbios do Sono do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Hupe – Uerj).

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Como é o impacto nos jovens
A forma como a pandemia provocou mudanças no sono dos jovens pode ser resumida em três principais áreas, segundo os especialistas. A primeira, e a principal, é a perda da ritmicidade com o isolamento social, algo decorrente da súbita mudança de rotina. A diretora de Ensino e Pesquisa do Instituto do Sono Monica Andersen, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que, já que as pessoas não precisavam sair de casa tão cedo, elas postergaram a hora de dormir, e alteraram repentinamente o ciclo do sono.

— Isso é muito ruim porque o fator mais importante para nossa qualidade do sono é a ritmicidade. Na hora que você perde isso, os processos fisiológicos do corpo passam a funcionar de forma diferente. Por exemplo, no entardecer, nosso corpo começa a liberar a melatonina, estimulada pela escuridão, que sinaliza para o corpo que é hora de dormir. Como as pessoas ficaram mais horas acordadas de madrugada, na televisão, na internet, estimulando o cérebro, houve uma alteração na produção desse hormônio — afirma a professora da Unifesp.

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Esse impacto é mais forte entre os jovens porque eles já são mais propensos a sofrer algo chamado de atraso de fase do sono, explica a neurologista e neuropediatra Rosana Alves, membro da Associação Brasileira do Sono (ABS).

— Esse atraso é uma tendência natural a dormir e a acordar mais tarde, postergando o ciclo circadiano. Isso é relativamente comum nessa faixa etária, mas com a chegada da pandemia, especialmente no início, esse atraso que já costuma acontecer piorou — diz a médica.

Um estudo brasileiro, publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine, mostra como isso de fato alterou os hábitos de sono. A partir de um questionário, realizado antes e depois da pandemia, foi observado que os alunos de ensino médio passaram a dormir uma hora e meia mais tarde e acordar duas horas depois do habitual.

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Além dessa perda de ritmicidade, outro fator para as alterações e piora do sono com a Covid-19 foi a maior adesão aos dispositivos eletrônicos, que se tornaram parte ainda mais importante da rotina com o isolamento social. Segundo a pesquisa da Fiocruz, 70% dos entrevistados passaram a ficar mais de quatro horas por dia em frente ao computador, tablet ou celular.

— São pessoas que estão numa fase de construção de redes de socialização, o que não pôde acontecer de forma física, apenas digital. Então, eles acabaram se tornando mais dependentes ainda desses dispositivos e, consequentemente, diminuindo a quantidade de horas de sono. E essa privação potencializa o que já era ruim, porque os dispositivos provocam no cérebro uma avalanche de substâncias que estimulam para que ele permaneça acordado — afirma Monica, do Instituto do Sono.

Para Louzada, da UFPR, como o jovem já tem a dificuldade do atraso do sono, a tecnologia encontra um ambiente favorável para exacerbar essa tendência.

— Os dispositivos atuam de duas maneiras. Uma com a própria luz que eles emitem, que sinaliza para o nosso cérebro que não anoiteceu, e a outra pelo conteúdo. Se é algo estimulante, como um jogo, um filme, uma interação social, isso leva à produção de substâncias que empurram o sono para mais tarde — explica o neurocientista.

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Um estudo da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, publicado na revista científica BMJ Open, comprovou isso a partir da avaliação de 12 mil jovens de 13 a 15 anos. Os pesquisadores concluíram que o uso por mais de três por dia de redes sociais, por exemplo, levou a uma tendência de adormecer após as 23h e de acordar diversas vezes durante a noite.

Saúde mental é chave
Toda essa realidade de quebra da rotina e maior uso de aparelhos eletrônicos encontra um cenário de piora da saúde mental com a pandemia, um quadro cada vez mais claro para os especialistas. Eles destacam que problemas como ansiedade e depressão cresceram na faixa etária e atuam tanto piorando o sono como sendo intensificados pela ausência do descanso adequado.

— A insônia pode ser um sintoma da ansiedade e da depressão. Geralmente no caso da ansiedade, o jovem tem mais dificuldade para pegar no sono, mas depois dorme. Já aqueles com depressão, podem até adormecer de forma rápida, mas costumam acordar de madrugada. Só que esse sono de tempo reduzido ou interrompido também predispõe os problemas de saúde mental. Então uma coisa piora a outra, o jovem tem uma insônia, isso piora os sintomas de saúde mental que pioram o sono — explica Rosana, da ABN.

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De acordo com a mesma pesquisa da Fiocruz que apontou a piora no sono, cerca de metade dos adolescentes relataram sentir-se mais nervosos, ansiosos e de mau humor com a chegada da pandemia. Já uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), publicada na European Child and Adolescent Psychiatry, mostrou que 36% dos jovens brasileiros apresentaram sintomas de depressão e ansiedade após o início da Covid-19, índice que permaneceu no patamar elevado até o momento atual da crise sanitária.

— Hoje fala-se tanto em como a saúde mental foi afetada pela pandemia. E tem fatores, como a exposição às perdas, que não temos como evitar, mas dá para trabalharmos fatores que são protetores, como alimentação, atividade física e, não menos importante, o sono — orienta Louzada.

Riscos de um sono ruim
Uma rotina de noites mal dormidas causa uma série de efeitos negativos ao organismo. Um deles é justamente o para a saúde mental. Uma análise de 16 trabalhos sobre o tema, realizada por pesquisadores canadenses e publicada na revista Jama Network Open, avaliou as evidências em estudos com mais de 20 mil participantes de 5 a 24 anos. Os responsáveis constataram a ligação entre o sono ruim e uma maior incidência de depressão, e alertam que “a alta prevalência de distúrbios do sono” implica em um grande número de crianças e jovens vulneráveis mentalmente.

Christianne, do ambulatório do sono do Hupe, explica que essa faixa etária é mais suscetível aos problemas da mente relacionados ao sono devido a um processo de amadurecimento cerebral chamado de mielinização, que apenas se completa aos 25 anos.

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Louzada destaca ainda que há outros efeitos da redução ou interrupção do sono nessa idade que podem ser observados em poucos dias ou semanas. São eles um impacto negativo na consolidação da aprendizagem, na memória, na capacidade de atenção e na regulação emocional, tornando-os mais impulsivos, irritados e mais propensos a manifestar alterações de humor.

— Nessa época, eles são mais frágeis mesmo, em termos de equilíbrio, de regulação emocional. Então nessa faixa etária a gente pode pensar em um efeito protetor do sono ainda maior porque o cérebro não está plenamente maduro ainda — complementa Louzada.

Outros estudos já mostraram que o sono inadequado pode levar também a um aumento na gordura abdominal e visceral, que é ligada ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Um trabalho da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, publicado no American Journal of Human Biology, estimou que o risco para obesidade, por exemplo, aumenta em 80% a cada hora reduzida no sono de jovens entre 11 e 16 anos.

— O sono insuficiente, de 4, 5 horas por dia, ou muito interrompido, pode levar a alterações cardiovasculares a longo prazo, hipertensão arterial, e predisposição a doenças metabólicas, como obesidade e diabetes, mesmo no paciente jovem. Então, quando você afeta o sono, acaba tendo prejuízos no corpo todo, até no próprio sistema imune, afetando a capacidade de combater infecções — explica a neuropediatra Rosana Alves.

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Quantidade não quer dizer qualidade
Entre os impactos do sono, um ponto importante é que os relatos de uma piora entre os adolescentes podem não estar relacionados necessariamente apenas à duração. Isso porque especialistas explicam que um sono considerado ruim não é apenas aquele mais curto, como também aquele que não atinge o resultado “reparador”.

— Sono bom é aquele que quando acordamos nos sentimos revigorados. Alguns indicativos de que o sono não está adequado são roncos, pausas respiratórias, despertares no meio da noite, movimentos bruscos, falar ou andar enquanto está dormindo, dificuldade de iniciar ou manter o sono, acordar antes do desejado e não conseguir voltar a dormir e o excesso de sono durante o dia — explica Christianne, do ambulatório do sono do Hupe.

Nesse contexto, embora os estudos mostrem que os jovens relataram uma piora do sono com a pandemia, uma série de trabalhos, como um conduzido por Louzada, em Curitiba, mostram que o isolamento proporcionou uma duração maior da quantidade de horas dormidas devido à flexibilidade nos horários escolares.

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Com base em um questionário com cerca de 1.500 adolescentes, realizado antes e depois da pandemia, o pesquisador observou que o número de jovens que dormiam ao menos oito horas por noite, que antes era cerca de 20% do total, passou para mais da metade da amostra.

— Isso expressa a inadequação dos horários escolares matutinos. Na hora que você dá oportunidade para o adolescente dormir mais porque não precisa estar na sala de aula às 7h da manhã, eles dormem mais, o que é benéfico não só para a cognição como para a saúde no geral, especialmente a mental — defende Louzada.

O que fazer para reverter o cenário
Há algumas dicas que podem ajudar a recuperar uma rotina saudável de sono e prevenir as consequências negativas de uma noite ruim. A primeira, sugerem os especialistas, é recuperar o ritmo que foi perdido com a pandemia. Assim como a quebra da regularidade no sono traz danos, estabelecer horários para dormir e acordar ajuda a acostumar o cérebro a entender quando ele deve “desligar”.

— Isso quer dizer dormir e acordar no mesmo horário com uma certa regularidade. Logicamente, em alguns dias, como final de semana, vamos extrapolar um pouquinho. Mas não devemos sair, por exemplo, de um ritmo de dormir às 23h de segunda a quinta e no final de semana dormir às 4h — orienta Monica, do Instituto do Sono.

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Para ajudar a recuperar o ritmo, existem alguns hábitos que mostram ao nosso corpo que é hora de dormir. Um deles é justamente em relação aos dispositivos eletrônicos, que devem ser evitados pelo menos duas horas antes de ir para a cama. Isso porque a luz atua dizendo ao cérebro para liberar os hormônios relacionados às fases do dia: o cortisol pela manhã e a melatonina à noite.

Por isso, além de evitar os aparelhos que emitem luz à noite, ser exposto ao sol pelo dia, por meio de caminhadas, ou apenas colocando o computador mais próximo à janela, já são medidas eficazes para ajudar a delimitar o ciclo do sono.

Há ainda práticas que desregulam essa produção de hormônios e devem ser deixadas de lado, como a ingestão de cafeína, refrigerantes e alimentos gordurosos após as 20h e a realização de atividade física ao menos três horas antes de dormir. Evitar o álcool também é uma boa ideia já que, embora ele provoque uma sensação de relaxamento no início, o efeito passa a ser estimulante no decorrer das horas.

Fonte: O Globo

Quando o cérebro humano poderá ser armazenado em um computador?

No futuro, será possível “enviar” o cérebro humano para um computador? E quando isso deve acontecer? Essas são dúvidas cada vez mais comuns no mundo de hoje. Em um artigo publicado no site The Conversation, Guillaume Thierry, professor de Neurociência Cognitiva da Universidade de Bangor, do País de Gales, debate essas questões.


Segundo ele, é comum imaginar que “a consciência humana é tão simples quanto a entrada e a saída de sinais elétricos dentro de uma rede de unidades de processamento – portanto, comparável a um computador”. Mas a realidade é mais complicada. “Para começar, não sabemos quanta informação o cérebro humano pode conter”, destaca ele.

A extração e o armazenamento dos dados são outros pontos de atenção. Thierry pontua que um estudo realizado por uma equipe do Allen Institute for Brain Science, de Seattle, mapeou a estrutura 3D de todos os neurônios (células cerebrais) que compõem um milímetro cúbico do cérebro de um camundongo.

Nesta tarefa, foram exigidos dois petabytes, ou dois milhões de gigabytes de armazenamento e, os microscópios automatizados utilizados tiveram que coletar 100 milhões de imagens de 25.000 fatias da amostra minúscula continuamente ao longo de vários meses. Se esse é o volume de apenas um milímetro cúbico de cérebro de camundongo, imagine o quanto seria o do cérebro todo de um humano.

E há mais desafios. Segundo o professor, “para que um computador se assemelhasse ao modo de operação do cérebro, ele precisaria acessar toda e qualquer informação armazenada em um período de tempo muito curto: a informação precisaria ser armazenada em sua memória de acesso aleatório (RAM), em vez de discos rígidos tradicionais”.

Thierry pontua que o cérebro humano contém cerca de 100 bilhões de neurônios, o que equivale a um milhão de vezes os contidas no milímetro cúbico de cérebro de camundongo. “E o número estimado de conexões é de impressionantes dez elevado a 15. Isso é dez seguido de 15 zeros – um número comparável aos grãos individuais contidos em uma camada de areia de dois metros de espessura em uma praia de 1 km de extensão”, comparou.

Espaço suficiente
Para fazer o armazenamento de informações, é fundamental ter espaço suficiente antes de começar o processo. Caso contrário, seria preciso saber exatamente a ordem de importância do que será guardado, algo complicadíssimo quando se trata do cérebro.

“Se você não souber quanta informação precisa armazenar ao iniciar, poderá ficar sem espaço antes que a transferência seja concluída. Isso significa que a sequência de informações pode estar corrompida ou impossível de ser usada por um computador”, avalia o professor. “Além disso, todos os dados teriam que ser armazenados em pelo menos duas (se não três) cópias, para evitar as consequências desastrosas de uma possível perda de dados.”

E, novamente, este não é o único problema. No estudo com o camundongo, o armazenamento das informações foi feito a partir da coleta de 25.000 fatias (extremamente finas) de tecido cerebral. Nos humanos, a mesma técnica teria que ser aplicada. Mas será que alguém permitiria que seu cérebro fosse cortado dessa maneira?, questiona Thierry.

Questão de tempo
Ao longo da vida, nosso cérebro envelhece e aí surge outra questão: será preferível armazenar uma mente de 20 anos ou de 80 anos? Ao optar pela primeira situação, corre-se o risco de perder muitas memórias e experiências construídas com o tempo. Porém, ao tentar a transferência para um computador tarde demais, pode ser que o cérebro tenha alguma demência e não funcione tão bem.

Levando em conta que ainda não é possível saber quanto armazenamento é necessário, que é preciso esperar encontrar tempo e recursos suficientes para mapear inteiramente a estrutura 3D de um cérebro humano, que seria necessário cortá-lo em zilhões de cubos minúsculos e fatias e que é essencialmente impossível decidir quando realizar a transferência, o professor afirma que esse processo não será viável por um bom tempo – ou talvez nunca.

Mas ele não encerra o assunto aí. Para o especialista, mesmo que todos os obstáculos citados sejam ultrapassados, ainda se sabe muito pouco sobre os mecanismos subjacentes. “Depois da pergunta ‘o quê’ (que informação existe?) e da pergunta ‘quando’ (quando seria o momento certo para transferir?), a mais difícil é a pergunta ‘como’.”

A partir saí, entra em cena a forma como os neurônios se comunicam. A fim de saber quais tipos de conexão se aplicam entre dois neurônios, teria de ser usadas técnicas moleculares e testes genéticos. “Isso significa novamente fixar e cortar o tecido em fatias finas. Muitas vezes também envolve técnicas de tingimento, e o corte precisa ser compatível com elas. Mas isso não é necessariamente compatível com o corte necessário para reconstruir a estrutura 3D”, explica Thierry.

“E a forma como os neurônios se comunicam é mais uma camada de informação, o que significa que será preciso muito mais memória do que a quantidade incalculável anteriormente prevista. Portanto, a possibilidade de enviar as informações contidas nos cérebros para os computadores é totalmente remota e pode estar para sempre fora de alcance”, completa.

Fonte: Revista Época


Neurologista revela 7 atividades que melhoram a saúde do cérebro

Buscar maneiras de melhorar a saúde do cérebro é uma tendência que não para de crescer. Principalmente após o início da pandemia de Covid-19, muitas pessoas começaram a dar mais valor para temas psicológicos, neurológicos e tudo que envolva o bem-estar mental. O confinamento imposto pelo coronavírus e todos os aspectos negativos que estão atrelados ao problema, de certa forma, evidenciaram algumas outras questões.

“Somos constantemente bombardeados com informações, atualizações, demandas ativas e passivas, que podem gerar um enorme amontoado de estresse, ansiedade, insônia e síndrome de burnout. Tirar uma pausa de alguns dias pode auxiliar na produtividade, velocidade de processamento cerebral e saúde cerebral de forma geral, criatividade, satisfação profissional e pessoal”, explica o Dr. Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA).

Dessa maneira, o especialista separou sete atividades simples que podem evitar e combater possíveis problemas relacionados à saúde do cérebro. Confira:

1 – Praticar exercícios – “Mesmo durante as férias, vale a pena praticar algum tipo de atividade física. Os exercícios regulares podem auxiliar na redução do estresse, manutenção do peso durante um período de maior tendência a consumir alimentos calóricos e bebidas alcoólicas, além de ajudar no sono”, diz o neurologista.

2 – Ouvir música – “Esse é um hábito que traz comprovadamente benefícios para o cérebro, mas, obviamente, depende do estilo musical escolhido e como ele é usado. Músicas podem ativar diversas áreas do cérebro em concomitância, auxiliando no aprendizado, foco, mas podem também prejudicar um aprendizado se forem músicas com letras que tomem a atenção do paciente. Acaba sendo algo pessoal, e cada paciente vai encontrar sua playlist dedicada ao momento”, diz.

3 – Dormir – “Durante as férias temos maior liberdade para dormir até mais tarde, algo que por si só já pode compensar as horas necessárias para dormir. Mas, também podemos organizar um horário preferencial para dormir, sem estresse ou anseios, que pode ser mantido por muito tempo após o término das férias. Devemos aproveitar as férias para ajustar nosso relógio interno”, diz o médico.

4 – Desenvolver novas habilidades manuais – “Pode ser muito bom para alguns pacientes desenvolver atividades manuais, justamente por serem um tipo de terapia em diversos contextos”, conta o Dr. Batistella. Nesse caso, vai de acordo com o gosto de cada pessoa. Você pode desenhar, fazer artesanato ou aprender um novo jogo. As possibilidades são enormes.

5 – Ter contato com a natureza – Segundo o neurologista, entrar em contato com a natureza provoca, comprovadamente, estímulos benéficos ao cérebro. Tanto que é uma forma terapêutica para pacientes psiquiátricos e com distúrbios neurológicos do espectro autista.

6 – Visitar pessoas queridas – Fortalecer o ambiente social pode ser uma atividade fantástica para a saúde cerebral. Mas, é preciso ter cuidado. “Ficar em ambientes sociais ruins ou com desavenças acabaria sendo prejudicial”, diz.

7 – Não fazer nada – Reservar um tempo para ficar, literalmente, sem fazer nada também pode ser uma boa alternativa para melhorar a saúde do cérebro. “Pode ser muito benéfico tirar um tempo para si. Cabe aqui também incentivar a atividade de meditação, assim como o mindfulness, hoje tão em alta”, finaliza o Dr. Batistella.

Seu cérebro avisa quando você cometeu um erro

A OMS (Organização Mundial de Saúde) classifica o TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) como um transtorno de ansiedade, e diz que transtornos desse tipo são o sexto maior fator contribuinte para comprometimento não-fatal de saúde, e estão entre as dez principais causas de YLD (anos vividos com incapacidade, na sigla em inglês). Um estudo realizado nos EUA revelou um mecanismo cerebral que pode estar na raiz desse tipo de doença.

O trabalho – realizado por cientistas do Centro de Ciência e Medicina Neural do Hospital Cedars-Sinai, em Los Angeles (EUA) –, publicado em maio na revista especializada Science, buscou decifrar como o cérebro consegue generalizar e se especializar ao mesmo tempo, usando um mesmo grupo de neurônios. Essa capacidade é essencial para nosso monitoramento de desempenho – que, explicam os autores, é uma espécie de alerta, um sinal interno que permite à pessoa saber que cometeu um erro. Por exemplo: quem trafega por vias expressas já passou pela experiência (não exatamente agradável) de ver que acabou de passar direto e perder o acesso a uma ponte. O monitoramento de desempenho entra então em ação: as informações são levadas a áreas que regulam emoções, memória, planejamento e resolução de problemas. O incidente se torna experiência e vai ajudar a não cometer erros desse tipo no futuro.

Para realizar a pesquisa, os cientistas acompanharam 34 pacientes com epilepsia, registrando a atividade de um grupo de neurônios (células cerebrais) no córtex pré-frontal medial. O que se registrou foi que, ao realizar os testes cognitivos a que foram submetidos os pacientes, a atividade dos neurônios observados aumentou depois que as decisões erradas foram tomadas.

A hiperatividade nessa região cerebral se manifestaria como TOC, destaca o estudo. A descoberta pode ter aberto uma via importante para aprimorar os tratamentos para quem sofre da doença–  no Brasil, cerca de 3 milhões de pessoas teriam TOC e, segundo a OMS, em cerca de 2% da população mundial. Trata-se de uma larga população que tem de conviver com sintomas que, se não são eminentemente fatais, causam grandes transtornos, prejudicando relacionamentos, vida profissional e escolar. Na ponta oposta, a baixa atividade estaria relacionada à esquizofrenia – em que o paciente não teria percepção dos erros que comete. Com o mecanismo decifrado, abre-se o caminho para que se desenvolva medicamentos e tratamentos para aliviar quem sofre dessas duas condições.

Fonte: Veja / CLAUDIO LOTTENBERG Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Hospital Albert Einstein

Atividade física ajuda a conservar o cérebro jovem, diz estudo

Há algum tempo, sabe-se que a prática de exercícios ajuda a proteger o cérebro dos danos associados ao envelhecimento. Agora, um estudo divulgado na revista Neurology, da Academia Norte-Americana de Neurologia, aponta os mecanismos envolvidos nessa relação. 
O artigo, do Centro de Pesquisas Inserm, na França, sugere que, ao ajudar a manter níveis de insulina e favorecer um índice de massa corporal (IMC) saudável, as atividades físicas funcionam como um escudo cerebral, evitando encolhimento do volume do órgão. Assim, ajudam a evitar ou postergar a demência.
“Esses resultados podem nos ajudar a entender como a atividade física afeta a saúde do cérebro, o que nos guiará no desenvolvimento de estratégias para prevenir ou retardar o declínio relacionado à idade na memória e nas habilidades cognitivas”, disse a principal autora, Géraldine Poisnel. 

“Adultos mais velhos que são fisicamente ativos obtêm benefícios cardiovasculares, o que pode, também, resultar em maior integridade estrutural do cérebro.” Em contraste, os pesquisadores descobriram que a relação entre o exercício e o metabolismo da glicose no órgão não foi afetada pelos níveis de insulina ou pelo IMC. Essa diminuição pode ser observada em pessoas com demência.

O estudo envolveu 134 pessoas com idade média de 69 anos, que não apresentavam problemas de memória. Elas responderam a questionários sobre o nível de atividade física praticado no ano anterior à pesquisa, além de passar por exames de imagem cerebral para medir o volume do órgão e o metabolismo da glicose. Também foram coletadas informações sobre IMC e taxas de insulina, bem como colesterol e pressão arterial, entre outros fatores.
Pessoas que praticavam mais atividade física tinham um volume total maior de massa cinzenta no cérebro do que aquelas que reportaram uma quantidade menor de exercícios, com uma média de cerca de 550 mil milímetros cúbicos, em comparação com 540 mil. Quando os pesquisadores analisaram apenas as áreas afetadas pela doença de Alzheimer, encontraram os mesmos resultados. Aquelas que se exercitavam com maior frequência também apresentaram taxas médias de metabolismo de glicose mais elevadas.
Um nível maior de atividade física, no entanto, não foi associado à quantidade de placas amiloides no cérebro. Esses depósitos gordurosos são um marcador de Alzheimer, ressalta Poisnel. De acordo com ela, embora a relação entre os exercícios e a robustez do volume cerebral tenha sido percebida neste e em outros estudos, são necessárias mais pesquisas para a compreensão detalhada dos mecanismos envolvidos. 

Ainda assim, a cientista explica que o trabalho lançou mais luz sobre o tema. “Manter um IMC mais baixo por meio da atividade física pode ajudar a prevenir distúrbios no metabolismo da insulina, que são frequentemente observados no envelhecimento, promovendo, assim, a saúde do cérebro”, disse.
EXPECTATIVA 
Uma outra pesquisa divulgada na revista The British Medical Journal também reforçou o papel protetor do estilo de vida saudável contra o envelhecimento do cérebro. Segundo o estudo, além de uma expectativa de vida mais longa, hábitos como atividades físicas, dieta pobre em gordura animal e estímulos cognitivos também ajudam a viver mais tempo e sem demência.
O número de pessoas que vivem com Alzheimer e outras enfermidades neurodegenerativas deve triplicar em todo o mundo até 2050, passando de cerca de 57 milhões em 2019 para 152 milhões em 2050, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Um dos fatores de risco para a demência é justamente a idade avançada. Assim, viver mais pode significar um aumento nos anos passados com o comprometimento cognitivo, uma questão pouco explorada que motivou o estudo, conduzido por cientistas norte-americanos e suíços.

A pesquisa analisa dados de 2.449 participantes com 65 anos ou mais (idade média de 76), sem histórico de demência, cujos dados estão disponíveis em um grande estudo epidemiológico, o Projeto de Saúde e Envelhecimento de Chicago. Os voluntários preencheram questionários detalhados sobre dieta e estilo de vida. 
Os pesquisadores desenvolveram uma pontuação, considerando uma dieta híbrida mediterrânea-Dash (rica em grãos integrais, vegetais de folhas verdes e frutas vermelhas, e pobre em alimentos rápidos/fritos e carnes vermelhas); atividades cognitivamente estimulantes (ler, visitar um museu ou fazer palavras cruzadas); pelo menos 150 minutos por semana de exercício físico; não fumar, e consumo de álcool baixo a moderado.
Para cada fator, os participantes receberam uma pontuação de um, se atendessem aos critérios de saúde, e de zero, se não o fizessem. As variáveis foram somadas para produzir um resultado que podia chegar até cinco. Pontos mais altos indicavam um estilo de vida mais salutar, de acordo com o considerado pelos cientistas.

Promoção de estilos de vida saudáveis
Depois de levar em conta outros fatores potencialmente influentes, incluindo idade, sexo, etnia e educação, os pesquisadores da Suíça e dos Estados Unidos descobriram que, em média, a expectativa de vida total aos 65 anos em mulheres e homens com estilo de vida saudável era de 24,2 e 23,1 anos, respectivamente. Mas para partipantes do sexo feminino e masculino com hábitos mais insalubres, a longevidade era menor: 21,1 e 17,4 anos, respectivamente.
Entre mulheres e homens com estilo de vida saudável, 10,8% e 6,1% viveram com Alzheimer por 2,6 e 1,4 anos, respectivamente. Esse tempo foi maior nos participantes que tinham hábitos considerados ruins: 19,3% das voluntárias passaram 4,1 anos com o distúrbio degenerativo, e 12% dos voluntários viveram 2,1 anos com o problema. Aos 85, essas diferenças eram ainda mais notáveis, disseram os cientistas. 
ESFORÇOS GLOBAIS 
Embora tenha usado dados populacionais com acompanhamento de longo prazo, a pesquisa é observacional; por isso, não estabelece uma relação de causa e efeito. No entanto, os pesquisadores concluem: “Esta investigação sugere que uma expectativa de vida prolongada devido a um estilo de vida saudável não é acompanhada por um aumento no número de anos vivendo com Alzheimer”.

Em um editorial associado ao artigo e publicado no The British Medical Journal, HwaJung Choi, pesquisadora da Universidade de Michigan destaca as “implicações importantes para o bem-estar das populações em envelhecimento e para as políticas e programas de saúde pública relacionados”. 
Ela argumenta que o desenvolvimento e a implementação de intervenções para reduzir o risco de demências é “extremamente importante” nos esforços globais para diminuir a pressão sobre sistemas de saúde. “Promover estilos de vida saudáveis pode aumentar os anos de vida sem demência, ao atrasar o início da neurodegeneração”, conclui.

Fonte: Estado de Minas

Estudo sugere que pessoas “otimistas” podem viver mais

Pesquisa descobriu que pensamento positivo é bom para longevidade, mesmo em grupos raciais e diferentes etinias “Escolha ser otimista. Parece melhor”, disse Dalai Lama. Também pode prolongar sua vida. Níveis mais altos de otimismo estão associados a uma vida útil mais longa e a uma maior chance de viver além dos 90 anos, de acordo com um novo estudo com quase 160 mil mulheres de diferentes raças e origens.

Fatores de estilo de vida saudável, como a qualidade da dieta, atividade física, índice de massa corporal (IMC), tabagismo e consumo de álcool, foram responsáveis ​​por menos de um quarto da associação entre longevidade e otimismo, de acordo com o estudo publicado quarta-feira (8) no Jornal da Sociedade Americana de Geriatria.

“Embora o próprio otimismo possa ser modelado por fatores estruturais sociais, nossas descobertas sugerem que os benefícios do otimismo para a longevidade podem se estender a grupos raciais e étnicos”, disse o principal autor Hayami Koga, estudante de pós-doutorado na Harvard TH Chan School of Public Health em um comunicado.

“O otimismo pode ser um importante alvo de intervenção para a longevidade em diversos grupos”, acrescentou Koga.

Um corpo crescente de pesquisas

Este não é o primeiro estudo a encontrar uma forte ligação entre longevidade e olhar para o lado positivo da vida. Um estudo de 2019 descobriu que homens e mulheres com os mais altos níveis de otimismo tinham uma expectativa de vida média de 11% a 15% maior do que as pessoas que praticavam pouco pensamento positivo. Na verdade, os otimistas com pontuação mais alta eram mais propensos a viver até os 85 anos ou mais.

Os resultados foram reais, segundo o estudo, mesmo quando foram considerados o nível socioeconômico, condições de saúde, depressão, tabagismo, engajamento social, má alimentação e uso de álcool.

Otimismo não significa ignorar os estressores da vida, dizem os especialistas. Mas quando coisas negativas acontecem, as pessoas otimistas são menos propensas a se culpar e mais propensas a ver o obstáculo como temporário ou mesmo positivo. Os otimistas também acreditam que têm controle sobre seu destino e podem criar oportunidades para que coisas boas aconteçam no futuro.

Ser otimista também melhora sua saúde, segundo estudos. Pesquisas anteriores encontraram uma ligação direta entre otimismo e hábitos de dieta e exercícios mais saudáveis, bem como melhor saúde cardíaca, sistema imunológico mais forte, melhor função pulmonar e menor risco de mortalidade, entre outros.

Você também pode ser otimista

Estudos de gêmeos descobriram que apenas cerca de 25% de nosso otimismo é programado por nossos genes. O resto depende de nós e de como reagimos aos limões da vida. Se é mais provável que você fique azedo quando estressado, não se preocupe. Acontece que você pode treinar seu cérebro para ser mais positivo.

Uma das formas mais eficazes de aumentar o otimismo é chamada de método “Melhor Eu Possível”, de acordo com uma meta-análise de estudos existentes. Nesta intervenção, você se imagina em um futuro em que alcançou todos os seus objetivos de vida e todos os seus problemas foram resolvidos.

Comece a escrever por 15 minutos sobre os detalhes que você realizou e passe cinco minutos imaginando como essa realidade se parece e se sente. Praticar isso diariamente pode melhorar significativamente seus sentimentos positivos, dizem os especialistas.

Em um estudo de 2011, os alunos praticaram o exercício “Melhor Eu Possível” por 15 minutos uma vez por semana durante oito semanas. Não só eles se sentiram mais positivos, como os sentimentos duraram cerca de seis meses.

Outra maneira de reforçar o otimismo é manter um diário dedicado apenas às experiências positivas que você experimentou naquele dia. Com o tempo, esse foco no positivo pode reformular sua perspectiva, dizem os especialistas.

Tirar alguns minutos todos os dias para escrever o que o faz grato também pode melhorar sua visão da vida. Vários estudos mostraram que praticar a gratidão melhora as habilidades de enfrentamento positivo, quebrando o típico estilo de pensamento negativo e substituindo o otimismo. Contar bênçãos até diminuiu o comportamento problemático em adolescentes.

Assim como o exercício, os exercícios de otimismo precisarão ser praticados regularmente para manter a perspectiva positiva do cérebro em boa forma, dizem os especialistas. Mas uma vida mais longa, mais feliz e mais positiva não vale o esforço?

Fonte: CNN Brasil

Dormir de lado, de costas, de bruços? Como as posições podem prevenir doenças ou fazer mal para a saúde

Um estudo feito por pesquisadores americanos das Universidades de Rochester, Stony Brook e Langone Medical Center de Nova York, demonstrou que a posição que costumamos dormir pode proteger o nosso cérebro de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla. Durante o sono, o nosso corpo faz uma verdadeira faxina no cérebro, eliminando toxinas e proteínas residuais que, quando acumuladas, iniciam um processo de neurodegeneração.

A limpeza é realizada pelo sistema glinfático — um canal que drena resíduos tóxicos do sistema nervoso central. Os pesquisadores observaram no estudo que a depuração glinfática é mais eficiente quando o sono ocorre na posição lateral (ou de lado), em comparação com as posições supinada (deitada de costas) ou pronada (deitada de bruços).

As razões para esta diferença no funcionamento do sistema glinfático durante o sono ainda não são totalmente compreendidas, relataram os cientistas. Mas os resultados estão possivelmente relacionados aos efeitos da gravidade no corpo, assim como a compressão e alongamento do tecido durante o sono.

O sono é dividido em duas fases: movimento rápido dos olhos (REM) e o sono não REM — que vai desde o adormecimento até o descanso mais profundo. Este último estágio inclui o sono de ondas lentas — quando o sistema linfático está mais ativo. As terapias do sono que melhoram esta fase são benéficas para prevenir doenças neurodegenerativas. A seguir, veja o impacto das pricipais posições no organismo.

Dormir de lado

Além de ajudar na limpeza de toxinas cerebrais, dormir de lado também alivia a pressão feita na coluna, deixando esta estrutura relaxada durante o sono. Mas, para isso, é preciso manter o pescoço alinhado. O travesseiro deve ter o tamanho ideal para que a cabeça fique reta, sem inclinar para cima nem para baixo. Especialistas recomendam também colocar um travesseiro fino entre as pernas para ajustar a posição da coluna.

Estudos mostram também que dormir do lado esquerdo pode ser ainda melhor para a saúde. Isso porque esta posição promove uma melhor circulação sanguínea para o corpo. Deitar no lado esquerdo facilita também a passagem dos alimentos pelo intestino, cenário que favorece a digestão.

Dormir de costas

Dormir de costas pode provocar dores na lombar por causa da pressão provocada pela gravidade sobre a região. Mas se você só consegue dormir desta maneira, especialistas recomendam colocar um rolo ou travesseiro mais fino entre as pernas na altura dos joelhos. Essa adaptação alivia a pressão na área da lombar, diminuindo os riscos de dores ao acordar.

Nessa posição também estimula o ronco e a apneia obstrutiva do sono. Deitar de costas provoca o deslocamento da língua e estruturas da faringe para trás, o que reduz o espaço livre para a passagem de ar pelas vias aéreas, causando o barulho irritante durante a noite e dificultando a respiração.

Dormir de bruços

Apesar de parecer uma posição confortável, dormir de bruços pode causar problemas nas regiões cervical e lombar, podendo causar dores e piorar problemas ortopédicos. Isso porque quando dormimos com a barriga sobre a cama, a nossa coluna perde sua curvatura natural, sendo pressionada a ficar reta. Além disso, para dormir de bruços é preciso virar o pescoço, deixando a região torcida e tensionada durante a noite toda, o que pode causar lesões graves na área.

Deitar de bruços não deve ser uma rotina. A posição só é recomendada para os dias em que não se consegue dormir de lado, quando há dores no quadril, por exemplo. Nos dias em que for preciso dormir de barriga, a dica dos especialistas é deitar sobre um travesseiro fino, o que vai ajudar a manter a curvatura natural da coluna e diminuir a sobrecarga sobre o pescoço.

Fonte: O Globo

‘As demências podem ser evitadas com mudanças simples nos hábitos de vida’, diz neurocirurgião

O neurocirurgião americano Sanjay Gupta. — Foto: Jeremy Freeman/Divulgaçã
As descobertas dessa jornada estão compiladas no livro “Mente Afiada: Desenvolva um cérebro ativo e saudável em qualquer idade”, recém-lançado no Brasil pela editora Sextante. Em entrevista ao GLOBO, por Zoom, Gupta garante que é possível estimular a criação de novos neurônios, melhorar a saúde e o funcionamento do seu cérebro em qualquer idade. Ele também explica qual é a melhor estratégia para manter a mente afiada (spoiler: não é palavra-cruzada nem sudoku) e oferece conselhos práticos – e simples – sobre como melhorar a função cognitiva em qualquer idade.

Em seu livro, o senhor cita cinco pilares da saúde cerebral – mexer-se, descobrir, relaxar, nutrir-se e conectar-se. Qual deles é mais importante para deixar a mente afiada?

Estudo o cérebro há 25 anos e aprendi muito. A prática regular de atividade física é a ação que tem o efeito na saúde cerebral comprovado pelo maior número de evidências científicas. Eu acho que as pessoas ficam surpresas com isso, porque o senso comum diz que fazer palavras cruzadas seria melhor. Mas exercitar-se é a forma mais confiável de liberar o BDNF, sigla para fator neurotrófico derivado do cérebro. Essa é uma substância que seu corpo produz ou não. Você não pode injetar nem tomar uma pílula disso. E a forma mais confiável de produzi-la é através do movimento. Mas há um fato curioso sobre isso. Qualquer tipo de exercício é bom parar criar esses fatores neurotróficos que ajudam a estimular o crescimento cerebral. No entanto, o exercício intenso também libera cortisol, conhecido como hormônio do stress, e isso diminui o impacto dos fatores de crescimento. Então, é preciso entender que movimento é bom, mas o tipo de exercício bom para o cérebro é diferente do que impacta no coração. Uma caminhada rápida é mais benéfica para o meu cérebro do que uma corrida. A boa dieta é vital também. O cérebro é extremamente sensível ao açúcar. Para se ter uma ideia do impacto, se alguém vai fazer uma prova ou tem uma reunião importante e come muito açúcar isso vai desacelerar a função cerebral por um período. As pessoas acham que ingerindo açúcar terão mais energia, mas, na verdade, é o oposto.

E isso vale para qualquer idade ou as estratégias variam de acordo com a idade?

Não há dúvida que quanto mais cedo você começar essas estratégias, maior será o impacto. Mas mesmo se elas forem iniciadas mais tarde, haverá efeito. Pode ser que você tenha que adotar mais estratégias ou aplicá-las com maior intensidade, à medida que você envelhece, já que seu cérebro não estará naturalmente produzindo tantas novas células. Mas, no fundo, são as mesmas estratégias, em doses diferentes.

Antes de pensar em tratar algo com medicamentos, precisamos entender o impacto negativo que nossas ações estão causando no cérebro e resolvermos isso

Bastam então manter bons hábitos de via para manter o cérebro saudável?

Sou um neurocirurgião e sei que, às vezes, as pessoas precisam de tratamentos. A maior lição para mim foi entender que a maioria das pessoas no mundo desenvolvido não vive da maneira que os seres humanos deveriam viver. Como espécie, deveríamos estar nos movendo muito. Na verdade, as pessoas não se sentavam até ficarem velhas. Agora, nós sentamos a maior parte de nossos dias. O jeito que comemos também está errado. Não comíamos açúcar, exceto quando as frutas caiam das árvores. Agora, comemos centenas de quilos de açúcar por ano, em média. Outro fator é o sono. Nas culturas indígenas, as pessoas dormem de oito a nove horas por noite, porque não ficam olhando para o celular. Então, meu ponto é que, antes de pensar em tratar algo com medicamentos, precisamos entender o impacto negativo que nossas ações estão causando no cérebro e resolvermos isso.

O senhor diz que socializar é mais importante do que fazer palavras-cruzadas para o cérebro. No entanto, nos últimos dois anos nós passamos a maior parte do tempo isolados do contato com outras pessoas. Isso terá algum tipo de consequência?

Sim e existem muitas evidências sobre isso. Mas precisamos lembrar que antes da pandemia já se falava sobre o impacto negativo do isolamento e da solidão. O interessante é que a solidão é como as pessoas se sentem. Algumas pessoas podem não estar interagindo com ninguém, mas não se sentem solitárias. Outras, podem estar perto de muitas pessoas e ainda se sentirem sozinhas. Então é muito importante entender que a solidão não significa estar só fisicamente. Eu acho que apesar dos prejuízos, a pandemia também trouxe grandes lições. Primeiro, sobre a importância de socializar ao ar livre. Entendemos que os vírus não se espalham muito bem ao ar livre, o que é um ótimo local para fazer uma caminhada rápida. Esse exercício já vai fazer bem para o seu cérebro. Se você puder fazer isso acompanhado de um amigo ou membro da família, melhor. A segunda coisa é que vimos que existem outras formas de socializar. Antes da pandemia, nós não tínhamos dados sobre conexões virtuais como esta. Os dados eram todos baseados em conexões pessoais. Agora estamos obtendo muitos dados sobre o valor de apenas poder olhar para alguém quando estamos conversando, ver sua linguagem corporal, suas bocas se movendo, mesmo que virtualmente. Meus pais estão com quase 70 anos e moram em um estado diferente. A gente conversava muito por telefone, mas durante a pandemia começamos a fazer interações por vídeo e acho que isso fez uma grande diferença.

Não lembrar, mesmo que por um breve período, para que servem as chaves, é algo para se preocupar.

Como as pessoas podem diferenciar o esquecimento normal de um indício de problema neurológico?

A falta de atenção está por trás da maioria dos problemas de memória. Acho que podemos usar o exemplo das chaves para exemplificar isso. Se você não consegue encontrar as chaves perdidas, provavelmente não é algo para se preocupar. Na maioria dos casos, isso significa apenas que ela simplesmente não estava prestando atenção no que estava fazendo. Para se lembrar de algo, você precisa se concentrar nisso. Se você não estava atento quando deixou as chaves em determinado lugar, você não esqueceu onde colocou suas chaves. Você nunca se lembrou onde colocou suas chaves. Por outro lado, não lembrar, mesmo que por um breve período, para que servem as chaves, é algo para se preocupar. Outro sinal de alerta é quando os problemas de memória começam a afetar o seu dia-a-dia de uma forma que você esquece coisas básicas, como tomar remédios ou tomar banho.

Na sociedade atual, ser multitarefas é sinônimo de produtividade. Entretanto, o senhor diz que a prática é prejudicial. A falta de atenção estaria por trás disso?

O cérebro gasta energia para alternar tarefas. A maior lição que eu aprendi é que quando você vai de uma tarefa para outra, sucessivamente, você está consumindo muita energia e não está sendo tão eficiente ou produtivo quanto pensa. Eu sou tão culpado disso como todo mundo. Às vezes você tem que fazer isso porque simplesmente precisa pegar as crianças na escola e terminar um trabalho. Mas é preciso ficar claro que ser multitarefa não vai aumentar sua produtividade. Quanto mais você puder organizar seu dia em compartimentos, por exemplo, trabalhar em uma coisa, parar, e depois iniciar outra, melhor.

O senhor fala muito sobre reserva cognitiva e resiliência cerebral. O que é isso e qual é a sua importância para manter o cérebro afiado?

Todos os humanos usamwd todo o cérebro, mas provavelmente usamos 10% do nosso cérebro, 90% do tempo. Para criar reserva cognitiva, que é a capacidade do cérebro de improvisar e se orientar em torno dos obstáculos que encontra, precisamos usar mais outras partes do cérebro. A maioria das pessoas acha que está treinando o cérebro ao fazer palavras-cruzadas ou sudoku. E, embora ambas sejam muito boas, essas duas coisas só vão ensinar seu cérebro a fazer algo repetidamente. É como ensiná-lo a dirigir na mesma rua, várias vezes. Para construir reserva, precisamos exercitar diferentes partes do cérebro. Isso significa tentar novas atividades. De preferência, algo que envolva a função motora. E se você puder fazer isso de forma diferente do que está acostumado, melhor ainda. Para mim, por exemplo, isso é pintar com a mão esquerda. Eu sou um péssimo artista, mas comecei a pintar durante a pandemia. E sou destro, mas agora me tornei um pintor canhoto. Esse é apenas um exemplo. Vale escovar os dentes ou tentar comer com a mão não dominante. Seja lá o que for, apenas tente fazer coisas diferentes. Isso vai ativar partes do seu cérebro de uma forma que nunca tinham sido ativadas antes, aumentando a reserva cognitiva, que leva à resiliência. Um cérebro resiliente vai olhar para determinada situação e ser capaz de descobrir imediatamente como lidar com ela, como resolver o problema, seja ele qual for. Já um cérebro que não tem muita resiliência é aquele que é imediatamente esmagado pela situação. Ele não sabe o que fazer e fica paralisado.

Fonte: O Globo

Como voos espaciais longos afetam o cérebro dos astronautas?

Os voos espaciais de longa duração parecem alterar os espaços entre as veias e artérias cerebrais, preenchidos por fluidos. A conclusão vem de um novo estudo conduzido pela Oregon Health & Science University, junto de outros cientistas, que examinaram imagens de ressonância magnética do cérebro de 15 astronautas antes e depois de missões na Estação Espacial Internacional (ISS).

Hoje, a fisiologia humana que observamos é o resultado de milhões de anos de evolução sob o efeito da gravidade terrestre; já na microgravidade a bordo da ISS, o fluxo do líquido cefalorraquidiano no cérebro sofre alterações. “Estamos todos adaptados para usar a gravidade a nosso favor”, disse Juan Piantino, professor assistente de pediatria na universidade. “A natureza não colocou nosso cérebro nos nossos pés, mas sim no alto; assim que você remove a gravidade da equação, o que acontece com a fisiologia humana?.”

Assim, os autores decidiram investigar estes efeitos através de medidas dos espaços perivasculares (aqueles que ficam entre os vasos sanguíneos), onde o líquido cefalorraquidiano flui no cérebro. Para isso, utilizaram imagens de ressonância magnética para medir o espaço perivascular no cérebro dos astronautas antes de missões e logo após o retorno, e também coletaram medidas de ressonância, um, três e seis meses após o retorno deles.

Depois, a equipe comparou as imagens com aquelas do mesmo espaço perivascular de 16 pessoas na Terra, que fizeram parte do grupo de controle. Como resultado, eles notaram um aumento nos espaços perivasculares no interior dos cérebros dos astronautas de primeira viagem, mas a característica não foi observada nos cérebros daqueles que já haviam servido antes no laboratório orbital.

Apesar das diferenças, os cientistas não identificaram em nenhum dos casos problemas com equilíbrio ou memórias visuais que indiquem problemas neurológicos nos astronautas. Piantino sugere que, talvez, os astronautas mais experientes podem ter chegado a algum tipo de homeostase; este é o nome dado ao processo pelo qual sistemas biológicos tendem a manter estabilidade enquanto se ajustam às condições necessárias para a sobrevivência.

Para Piantino, o estudo pode ser importante também para o diagnóstico de diferentes doenças relacionadas ao líquido cefalorraquidiano, como a hidrocefalia. “Estas descobertas ajudam não somente a entender mudanças fundamentais que ocorrem durante voos espaciais, mas também para as pessoas na Terra, que sofrem de doenças que afetam a circulação do líquido cefalorraquidiano”, disse.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Scientific Reports.

Os sete brinquedos que fazem bem para o cérebro de crianças e adultos

Brincar é coisa séria. Novos estudos comprovam que alivia a ansiedade e ativa a memória em crianças e adultos. Conduzido pelo The National Institute for Play, organização americana sem fins lucrativos, uma pesquisa foi além e detalhou o papel de brinquedos específicos na saúde cerebral. Lidar com objetos tridimensionais, como o cubo mágico, por exemplo, age no lobo frontal, a área executiva do cérebro. Os mais lúdicos, como bonecas, atuam no sistema límbico, das emoções. Abraçar um ursinho de pelúcia, por sua vez, libera uma série de neurotransmissores, como a endorfina, que acalmam e relaxam.

A relação estreita dos brinquedos com o cérebro foi deflagrada por um dos maiores sucessos mundiais durante a pandemia, os fidget toys. Inicialmente criados para motivar o desenvolvimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autismo, são brinquedos sensoriais que estimulam o bem-estar, a concentração e reduzem o estresse.

Apertar uma bolinha que se expande, usar os dedos para “estourar” uma bolha e ouvir o barulho que isso faz e ter uma pelúcia fofinha para abraçar sempre que sentir necessidade, são algumas das atividades que geram uma sensação de conforto e tranquilidade para pessoas ansiosas. Deixar as mãos ocupadas executando uma tarefa repetitiva ajuda também a focar no presente e a se desligar do motivo que gera a ansiedade, afirmam especialistas.

— Na verdade, qualquer atividade que envolva um trabalho manual faz com que a criança coloque o foco na brincadeira, minimizando os efeitos da ansiedade no organismo, pois ela transfere a tensão para o que está fazendo — explica Ana Márcia Guimarães, membro do Departamento Científico (DC) de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

O impacto é observado tanto em adultos, quanto em crianças. Mas no organismo em formação dos pequenos ele é mais intenso, sobretudo no que tratamento da ansiedade.

Ansiedade infantil

Os sintomas da ansiedade em crianças se dividem em dois grupos, de acordo com a medicina. O primeiro são os chamados sinais internalizantes. Ou seja, pensamentos ruminantes que ocupam as mentes das crianças o tempo todo, fazendo com que elas se preocupem em excesso com aquela questão. O segundo são os externantes, que se traduzem em agitações motoras e verbais: se mexer ou falar sem parar, roer unhas, balançar pernas, suar frio nas mãos, sentir o coração batendo mais rápido, ter dificuldade para dormir, entre outras sensações.

Assim como adultos, crianças podem ficar ansiosas quando estão na expectativa de algum acontecimento muito esperado — como o retorno às aulas ou a tão desejada festa de aniversário — ou quando se deparam com algo que gere uma insegurança sobre o futuro — como a separação dos pais ou a ida ao consultório médico. Apresentar os sintomas da ansiedade nesses contextos, e por um período compatível com a situação, é normal. Diante desses cenários, os brinquedos podem ajudar a aliviar a tensão que a expectativa gera. No entanto, dar sinais por mais de seis meses pode significar um transtorno de ansiedade.

Segundo Rochele Paz Fonseca, professora de Psicologia da PUC do Rio Grande do Sul e presidente da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia, a ansiedade pode ter fatores genéticos e ambientais.

— Há fatores estressores que aumentam a chance da ansiedade se manifestar em crianças, como pais com ansiedade, cobranças sociais e escolares além do que as elas conseguem corresponder, autoestima e autoimagem reduzidas — detalha.

Recentemente, a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF), apoiada pelo governo americano, recomendou que as crianças a partir de 8 anos sejam avaliadas para ansiedade mesmo que não apresentem sintomas para a condição. O objetivo é diagnosticar preventivamente o problema e prevenir consequências negativas futuras. No Brasil, ainda não há orientações específicas sobre o assunto.

A família deve ficar atenta a mudanças de comportamento das crianças, principalmente diante de situações que podem servir de gatilho para a ansiedade. Ao notar que há algo de diferente, é preciso agir. O ideal é sempre procurar por uma ajuda especializada, seja de um pediatra ou de um psicólogo, para avaliar os gatilhos que lavaram a criança a ficar ansiosa.

Os melhores brinquedos para ansiedade

Massinha

Massinha tem ação relaxante pelo tato e oferece oportunidade de trabalhar a criatividade

Apertar uma massinha de modelar deflagra sensação de alívio. Além disso, esse brinquedo ainda proporciona a possibilidade de exercer a criatividade, fazendo a pessoa se concentrar naquele momento e esquecer os problemas que provocam a ansiedade.

Pop-it

O brinquedo de silicone ajuda a aliviar a ansiedade por causa dos movimentos repetitivos, do toque suave à superfície emborrachada e do barulho semelhante ao estouro de bolhas. Tudo isso produz uma sensação agradável, pois ativa áreas do cérebro ligadas à gratificação, ao alívio e conforto.

Spinner

O brinquedo giratório ajuda o cérebro a “desligar” do que acontece no entorno e a focar em apenas uma ação. Isso ajuda a esquecer das questões que geram ansiedade, por exemplo.

Squishmallows

Squishmallows: brinquedos ajudam crianças a controlar ansiedade e achar o equilíbrio — Foto: Reprodução

As pelúcias feitas de fibra de poliéster (tecido com uma textura macia) e com forma arredondada proporcionam uma estimulação tátil calmante e satisfatória. A superfície agradável e o design fofo são um convite para um abraço apertado. Abraçar libera uma série de neurotransmissores, como a endorfina, que acalmam e relaxam.

Cubo infinito

Esse brinquedo é formado por 8 cubos pequenos que podem girar em qualquer direção e ângulo, sem restrições. Ele ajuda a manter o foco, além de estimular a criatividade.

Slime

Slime: Meleca colorida traz relaxamento por meio do tato — Foto: Reprodução

Proporciona alívio da ansiedade pela utilização do sentido tátil. Esse tipo de gel mais consistente ajuda a criança a se concentrar no presente, sendo uma distração para os problemas. Os barulhos produzidos com o apertar do brinquedo também gera boas sensações.

Areia cinética

A capacidade da areia cinética de se juntar ou se espalhar é encantadora. Essa característica traz curiosidade e ativa áreas do cérebro responsáveis pelo mecanismo de recompensa.

Esfera de Hoberman

A possibilidade de movimentos de abrir e fechar podem auxiliar quando é preciso se concentrar na respiração. O movimento de abrir e fechar da bola pode acompanhar a inspiração e expiração, ajudando a relaxar.

Liquid Motion Bubbler Timer

Liquid Motion Bubble funciona quase como “hipnotizante” ao prender a atenção pelos movimentos e cores —

Esse brinquedo lembra os laboratórios de ciências. Bolhas coloridas que giram por um minuto dentro de um cilindro com água prendem a atenção e ajudam a esquecer de tudo o que acontece ao redor. O movimento e as cores têm efeitos “hipnotizantes” e acalmam o cérebro.