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Como a perda da audição e da visão depois dos 65 anos eleva o risco de demência? Médicos explicam

Adultos com mais de 65 anos que apresentam perda de visão têm um risco quase 50% maior de desenvolver demência. Se esses problemas de visão forem corrigidos, esse percentual diminui drasticamente.

Isso é indicado por um relatório publicado na semana passada por uma comissão internacional focada na prevenção da demência, que adicionou a deficiência visual à lista de 14 fatores de risco modificáveis para a condição. Outros fatores de risco incluem tabagismo, diabetes, isolamento social e hipertensão.

Especialistas afirmam que a inclusão da perda de visão não é uma surpresa, especialmente considerando que outra deficiência sensorial — a perda auditiva — também está associada à demência e está na lista.

Aqui está o que sabemos sobre como até mesmo a perda de visão e audição de leve a moderada pode aumentar o risco de demência e o que fazer a respeito.

Como a perda dos sentidos pode contribuir para a demência

Pessoas com perda sensorial têm menos estímulos entrando em seus cérebros. O tecido cerebral é do tipo “use-o ou perca-o”, então menos estimulação pode levar a mais atrofia, afirma Gill Livingston, professora de psiquiatria no Universidade de Londres, que liderou a comissão de prevenção da demência.

A área do órgão que processa informações auditivas está próxima da região mais afetada pela doença de Alzheimer, sugerindo a existência de uma conexão anatômica. As informações visuais são enviadas para outra parte do cérebro, mas a forma como as usamos ativa muitas regiões diferentes.

— À medida que você reduz a ativação de certas áreas do cérebro, você obtém taxas mais rápidas de atrofia nelas, até certo ponto — diz o médico Frank Lin, professor de otorrinolaringologia na Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins. — O que você pode imaginar que tem efeitos em cascata em outras áreas da função e estrutura cerebral também.

Além disso, pessoas que experimentam perda sensorial durante a vida adulta tendem a se retirar e não se engajar tanto socialmente. Há evidências que sugerem que a solidão pode mudar fisicamente o cérebro de uma pessoa, e é um fator de risco conhecido para a demência.

— A perda de visão te impede de ir a uma festa — aponta Natalie Phillips, professora de psicologia na Universidade Concordia em Montreal. — A perda auditiva significa que você vai para a festa, mas fica no canto e não conversa com ninguém.

A perda auditiva e visual também pode acelerar os sintomas em pessoas que estão nos primeiros estágios da demência. Leva mais energia cerebral para entender a visão embaçada ou sons distorcidos, então menos recursos podem ficar disponíveis para a memória e cognição do dia a dia. Isso pode levar a uma aparição mais rápida dos sintomas da demência se a pessoa já estava desenvolvendo o transtorno, pontua Livingston.

Por que é tão crucial tratar a perda dos sentidos?

Pesquisas da última década mostram que há benefícios cognitivos em tratar as perdas relacionadas à idade na visão e audição.

Perda de Visão

Vários estudos descobriram que pacientes com algumas das causas mais comuns de perda de visão associadas ao envelhecimento, incluindo catarata, retinopatia diabética e degeneração macular, têm maior risco de declínio cognitivo e demência.

– Estamos falando de perda visual não corrigida, ou seja, o quanto você não consegue ver – explica Livingston — A magnitude da perda de visão corresponde ao aumento do risco.

Embora nem todas essas condições oculares possam ser revertidas, quando são tratadas e a visão é restaurada, o risco de demência das pessoas diminui. Em consonância, Livingston diz que pessoas com miopia ou hipermetropia não tratadas também podem ter maior risco, mas não aqueles que usam óculos ou lentes de contato para corrigir a visão.

Apoiando essa ideia, um dos estudos referenciados no relatório da comissão descobriu que adultos com 65 anos ou mais que se submeteram a cirurgia de catarata para corrigir a visão tiveram um risco aproximadamente 30% menor de desenvolver demência em comparação com adultos mais velhos com catarata que não foram operados.

Identificar um novo fator de risco para a demência é empolgante, “mas ficamos ainda mais animados se esse risco é modificável”, disse Cecilia Lee, professora de oftalmologia na Escola de Medicina da Universidade de Washington, que liderou o estudo sobre catarata.

Perda Auditiva

A perda auditiva não corrigida também representa um risco significativo para a demência. O relatório da comissão, ao reunir uma série de estudos, descobriu que pessoas com perda auditiva têm um risco 37% maior de desenvolver a condição. Quanto mais severa a perda auditiva, maior o risco.

Estima-se que 63% dos adultos com mais de 70 anos tenham algum grau de perda auditiva clinicamente significativa.

– Não estamos falando de uma pequena parte da população – descreve Lin – É quase a maioria dos adultos mais velhos.

A audição de todos naturalmente se deteriora a partir do início da idade adulta, porém o declínio de algumas pessoas é mais acelerado do que o de outras devido a genética ou exposição a ruídos altos, detalha Lin. Com perda auditiva leve, há dificuldade em ouvir sons abaixo de 26 decibéis — cerca do nível de um sussurro. A perda auditiva moderada começa em 41 decibéis e pode tornar difícil ouvir conversas normais.

Aparelhos auditivos podem ajudar e parecem reduzir a chance de desenvolver demência. Pacientes com perda auditiva corrigida têm um risco quase 20% menor de declínio cognitivo em comparação com pessoas sem a correção. E um ensaio clínico publicado no ano passado descobriu que, entre pessoas que tinham o maior risco de declínio cognitivo devido à idade ou outras condições de saúde, aquelas que usaram aparelhos auditivos por três anos tiveram um declínio cognitivo significativamente menor comparadas aos que não os usaram.

— Você não está vendo uma melhora “per se”, mas está vendo uma redução do declínio —dz James Russell Pike, cientista pesquisador no NYU Langone Health, colaborador de Lin no trabalho.

O que fazer se estiver preocupado

O primeiro passo é fazer um exame.

Para avaliar sua saúde ocular, agende uma consulta com um oftalmologista e faça um exame oftalmológico dilatado uma vez por ano, aconselha Lee.

Para um teste auditivo, pode consultar um audiologista ou um especialista em otorrinolaringologia. Se preferir fazer em casa, Lin disse que aplicativos gratuitos de teste auditivo, como o Mimi, tendem a fornecer resultados precisos.

Se tiver perda auditiva ou de visão, trate o problema o mais rápido possível. Algumas condições oculares, como catarata, podem exigir cirurgia, mas o procedimento é relativamente rápido e não invasivo. Corrigir a perda auditiva é ainda mais fácil, já que aparelhos auditivos estão disponíveis sem prescrição.

Corrigir esses problemas não apenas reduzirá seu risco de demência, mas também melhorará sua vida diária, declara Phillips.

— O benefício de abordar isso para a qualidade de vida e engajamento, você sabe, não há nada a perder.

Jogos digitais melhoram cognição em idosos, aponta pesquisa da UFRJ

Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro conclui que jogos digitais são uma excelente ferramenta para estimulação cognitiva em idosos.

A avaliação é de que esses jogos, que tiveram versões desenvolvidas por neurocientistas norte-americanos e adaptados ao público brasileiro para o estudo, colaboram em habilidades como o raciocínio lógico, obtenção de novos conhecimentos e preservação da memória.

O estudo envolveu 115 voluntários, com idades entre 60 e 89 anos, divididos em três grupos. Concluídos os testes, os resultados mostraram que a cognição global melhorou em todos os grupos.

Os pesquisadores também constataram que o grupo que realizou treinamento sensorial, seguido do cognitivo-funcional, teve ganhos melhores em comparação aos demais, como explica o especialista Rogério Panizzutti, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ e Cientista da Faperj, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, responsável pelo estudo.

Ainda de acordo com o psiquiatra, apesar de o acesso a tecnologias populares, como os jogos eletrônicos, trazer diversos benefícios à pessoa idosa, essa interação deve estar alinhada com uma condição de vida saudável:

Rogério Panizzutti também avalia que perdas naturais das capacidades visuais e auditivas durante o envelhecimento fazem com que muitos idosos relutem em aderir às novas tecnologias:

Ele considera que a inclusão digital está associada a uma maior socialização e que a participação da família é crucial nesse processo:

Os jogos usados na pesquisa estão disponíveis na plataforma [BrainHQ] que oferece uma variedade de exercícios adaptados ao desempenho individual da pessoa idosa.

A plataforma de treinamento cognitivo digital da NeuroForma oferece exercícios que ajudam a sintonizar o seu cérebro. Treinos de concentração, de rapidez de raciocínio, de habilidades sociais, de inteligência e de orientação espacial. Acesse e confira AQUI.

9 perguntas essenciais para o fundador do BrainHQ, Dr. Michael Merzenich

O Dr. Merzenich fala sobre sua inspiração para criar o BrainHQ, o que diferencia seu programa de treinamento cerebral e muito maiis.

O que o inspirou a criar o programa de treinamento cerebral BrainHQ?

Eu estava interessado em como o cérebro é responsável pela nossa identidade. Essa foi minha principal motivação para seguir uma carreira de pesquisa em ciências do cérebro e neurociência. No início da minha carreira científica, comecei focando no cérebro auditivo (como ouvimos e interpretamos o que ouvimos) e comecei a fazer experimentos.

Percebi que a forma convencional de pensar sobre o cérebro — que o cérebro era plástico (ou seja, adaptável e moldável) quando você era bebê e basicamente atingia sua forma permanente por volta dos dois ou três anos de idade — simplesmente não se ajustava à forma como o cérebro auditivo estava organizado.

Durante esse mesmo período, me envolvi e liderei uma equipe de pesquisa que criou um dos primeiros implantes cocleares. Criamos dispositivos nos quais podíamos fornecer informações adequadas para o indivíduo, para que ele pudesse interpretar o que a linguagem que estava ouvindo seria. E ficamos chocados ao ver que dois, três ou quatro meses depois, eles podiam entender tudo sem nenhuma instrução.

Percebemos que o cérebro adulto também era plástico — o que significava que o tipo certo de exercícios cerebrais poderia realmente reprogramar o cérebro, melhorando a velocidade, a memória e outras habilidades cognitivas, além de melhorar a saúde biológica do cérebro. E assim comecei a fazer experimentos para avaliar essa possibilidade.

Como sua equipe desenvolve os exercícios do BrainHQ?
Existem várias habilidades, ou capacidades, ou dimensões das suas operações que precisam ser refinadas. E há uma literatura relativamente ampla em psicofísica — o estudo da percepção e reconhecimento humanos — na qual nos baseamos. Então, criamos tarefas que realmente aplicam essas regras de plasticidade cerebral para que possamos promover melhorias de forma eficiente na “máquina” do cérebro.

Os exercícios do BrainHQ mudam com base nas suas habilidades?
Sim. Cada exercício cerebral basicamente estabelece qual é o seu nível de desempenho e, em seguida, tenta aumentar seu desempenho dia após dia, ciclo após ciclo, para um nível de desempenho cada vez mais alto. Isso acontece até que você esteja idealmente bem acima da média em tudo o que faz. Talvez você esteja indo bem. Bem, você pode fazer melhor. Talvez você esteja realmente lutando. Bem, você pode voltar para a faixa normal e, eventualmente, se tornar acima da média novamente.

Como você sabe que os exercícios são eficazes?
Em ensaios clínicos randomizados controlados, a estratégia foi avaliada em comparação com outras estratégias alternativas. O que é relatado com as pessoas aleatoriamente designadas para esses grupos é que você está promovendo mudanças no cérebro que são diferentes e de maior magnitude.

Pesquisadores observam que a neurologia está mudando de maneiras que explicam essas melhorias no desempenho. Isso foi feito repetidamente em vários estudos. Em centenas de relatórios, você encontrará esse resultado.

O que diferencia o BrainHQ de outros programas de treinamento cerebral?
Em primeiro lugar, ele é validado. Nenhuma outra estratégia de treinamento cerebral tem algo próximo ao nível de validação científica. Centenas de ensaios de pesquisa foram publicados mostrando os benefícios do uso do BrainHQ, e centenas mais estão em andamento.

E o BrainHQ é baseado em neurociência. Ou seja, é baseado em uma compreensão mais completa do que chamamos de sistema nervoso integrado do que a maioria das outras abordagens. Existem outras coisas que são úteis. Mas eu acho que o BrainHQ é o programa mais completo, mais eficaz e certamente o mais fortemente validado desse tipo.

Por que o treinamento cerebral é tão importante para os adultos mais velhos?
A maioria de nós, de certa forma, entra em uma semiaposentadoria neurologicamente muito antes de realmente se aposentar do trabalho. Passamos tempo demais sentados, olhando para telas e não respondendo fisicamente. Passamos tempo demais basicamente inativos, do ponto de vista de engajar nosso cérebro para guiar nossas ações. De várias maneiras, estamos tentando viver a vida como se pudéssemos operar sem usar muito o cérebro.

Você usa pessoalmente o BrainHQ? Qual é o seu regime de treinamento cerebral?
Eu uso o BrainHQ, eu diria, cerca de um terço dos dias do ano. Eu comumente o uso por um período de cerca de seis semanas de cada vez. É episódico, mas quando o faço, tenho uma área de foco sempre que o uso.

Que outras atividades você gosta de fazer para se divertir e manter seu cérebro afiado?
Minha esposa diria que sou um homem de mil hobbies (alguns dos quais envolvem tomar conta da cozinha), mas o que ela realmente quer dizer é que estou constantemente tentando melhorar minhas habilidades operacionais no mundo.

Faço muitos picles, geléias e frutas secas, além de outros alimentos conservados a partir das coisas que cultivo em meu jardim, tenho abelhas e colho seu mel, faço muitos quebra-cabeças (principalmente cenas bucólicas do campo), jogo com meus filhos e netos, construo móveis — isso é apenas uma lista inicial! Eu penso em como posso continuamente aprender e expandir meu engajamento cerebral na minha vida mais ampla, para que eu seja operacionalmente mais útil e mais eficaz.

O que mais as pessoas deveriam saber sobre o treinamento cerebral?
Todo mundo tem um cérebro que poderia ser mais forte, operacionalmente mais eficaz e saudável. Você tem o poder — porque seu cérebro é plástico — de se colocar em uma posição mais forte, segura e eficaz. E o que é mais importante na vida, em termos de garantir um futuro saudável, do que isso?

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Estudo descobre como o sono higieniza o cérebro e afasta o Alzheimer

A ciência já imaginava que o cérebro faz uma higiene enquanto dormimos. Essa, inclusive, é uma das hipóteses para os sonhos e pesadelos que temos durante a noite. Entretanto, ainda era desconhecido dos neurologistas como essa intensa atividade de limpeza do cérebro ocorre durante o sono.

Dois trabalhos foram publicados na revista Nature em fevereiro sobre o tema. No primeiro deles, os médicos da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriram que ondas cerebrais lentas criadas por impulsos dos neurônios ajudam a eliminar os resíduos do cérebro durante o sono — seria como uma “ola” de estádio que carrega as toxinas.

 

A máquina de lavar do cérebro

A pesquisa descobriu que as células nervosas individuais se coordenam durante o sono para produzir ondas rítmicas que impulsionam fluidos de liquor através do tecido cerebral, lavando o tecido no processo. É como uma versão bem lenta do movimento de uma máquina de lavar.

Uma veia que passa pelo cérebro atua como uma calha, onde são depositados os resíduos para transportá-los através da barreira que separa o cérebro do resto do corpo (a meninge). O processo leva o lixo cerebral para a corrente sanguínea, onde é tratado pelos rins.

O estudo foi feito com o monitoramento do sono de ratos. Com as descobertas, os cientistas passaram a observar como o sistema funcionava em animais com Alzheimer para entender se eram problemas na “máquina de lavar” do cérebro que levavam aos acúmulos de proteínas tóxicas no órgão que causam o declínio cognitivo.

Por que o cérebro com Alzheimer não consegue se limpar?

Com as descobertas, os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em outro estudo publicado na mesma revista em fevereiro, fizeram testes com os animais doentes usando ondas sonoras que simulavam o mesmo ritmo dos impulsos dos neurônios. Eles conseguiram reativar os mecanismos de limpeza que levaram as proteínas amilóides para fora do cérebro.

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que, conforme envelhecemos, os neurônios perdem o ritmo adequado de limpeza do cérebro, o que pode facilitar o acúmulo de toxinas nos tecidos. Mudanças nos padrões de sono e na qualidade do descanso noturno também podem afetar o sistema.

A descoberta da frequência certa de limpeza cerebral foi apontada pelos pesquisadores como um grande horizonte para a pesquisa de novos tratamentos para doenças neurodegenerativas.

“Se conseguirmos aproveitar este processo, existe a possibilidade de retardar ou mesmo prevenir doenças neurológicas, como Alzheimer e de Parkinson, nas quais o excesso de resíduos se acumulam”, celebra o pesquisador Li-Feng Jiang-Xie, líder do estudo da Universidade de Washington em comunicado à imprensa.

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Fonte:  Metrópolis

Este mau hábito pode ser a principal razão pela qual as pessoas sofrem declínio cognitivo; saiba qual

Pesquisadores de Londres descobriram que, quando se trata de manter a função cognitiva à medida que envelhecemos, o maior impacto pode advir de uma única escolha de estilo de vida: não fumar. Esta é a conclusão de um estudo inovador, publicado na Nature Communications, que abrangeu 14 países europeus.

O estudo acompanhou mais de 32 mil adultos entre 50 e 104 anos por até 15 anos. Embora pesquisas anteriores tenham frequentemente agrupado vários comportamentos saudáveis, tornando difícil identificar quais deles realmente importam, este estudo adotou uma abordagem diferente. Ao examinar 16 combinações diferentes de estilos de vida, os pesquisadores conseguiram isolar os efeitos do tabagismo, do consumo de álcool, da atividade física e do contato social no declínio cognitivo.

Os resultados mostraram que independentemente de outros fatores de estilo de vida, os não fumantes apresentaram consistentemente taxas mais lentas de declínio cognitivo em comparação aos fumantes. Esta descoberta sugere que parar de fumar – ou nunca começar – pode ser o passo mais crucial para preservar a função cerebral à medida que envelhecemos.

“Nossas descobertas sugerem que, entre os comportamentos saudáveis ​​que examinamos, não fumar pode estar entre os mais importantes em termos de manutenção da função cognitiva”, disse a médica Mikaela Bloomberg, da Universidade College London, em comunicado.

“Para as pessoas que não conseguem parar de fumar, os nossos resultados sugerem que o envolvimento em outros comportamentos saudáveis, como exercício regular, consumo moderado de álcool e ser socialmente ativo, pode ajudar a compensar os efeitos cognitivos adversos associados ao tabagismo”.

Os pesquisadores chegaram essa conclusão após analisar dados de dois grandes estudos sobre envelhecimento: o Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA) e o Inquérito sobre Saúde, Envelhecimento e Aposentadoria na Europa (SHARE). Ambos acompanharam milhares de idosos ao longo de muitos anos, coletando dados sobre saúde, estilo de vida e função cognitiva.

Ao combinar estes fatores, eles criaram 16 perfis de estilo de vida distintos. Por exemplo, um perfil pode ser um não fumante que bebe moderadamente, faz exercício semanalmente e tem contato social frequente, enquanto outro pode ser um fumante que bebe muito, não faz exercício regularmente e tem interação social limitada.

Para medir a função cognitiva, os pesquisadores usaram um teste de memória, onde os participantes tinham que lembrar uma lista de palavras imediatamente e após um atraso e um teste de fluência verbal, onde os participantes nomearam tantos animais quanto puderam em um minuto.

Esses testes foram repetidos em vários momentos ao longo dos anos, permitindo aos pesquisadores acompanhar como a função cognitiva mudou ao longo do tempo para cada perfil de estilo de vida. Para garantir que captavam os efeitos do estilo de vida e não os sinais precoces de demência, os investigadores excluíram qualquer pessoa que apresentasse sinais de comprometimento cognitivo no início do estudo ou que tivesse sido diagnosticada com demência durante o período de acompanhamento.

Quando os pesquisadores analisaram os números, surgiu um padrão claro. Em geral, os estilos de vida que incluíam fumar foram associados a um declínio cognitivo mais rápido, independentemente de outros fatores. Por exemplo: fumantes que consumiam muito álcool, praticavam exercícios pouco frequentes e contato social limitado apresentavam a taxa mais rápida de declínio cognitivo.

Mesmo os fumantes que seguiram todos os outros comportamentos saudáveis ​​(consumo moderado de álcool, exercícios regulares e contato social frequente) ainda apresentaram declínio cognitivo mais rápido do que os não fumantes. Por sua vez, entre os não fumantes, as diferenças em outros fatores de estilo de vida tiveram efeitos muito menores no declínio cognitivo.

Para colocar isto em perspectiva, ao longo de 10 anos, as pontuações de memória dos fumantes diminuíram até 0,17 desvios padrão a mais do que os não fumantes, e as suas pontuações de fluência verbal diminuíram até 0,16 desvios padrão a mais. Embora estes números possam parecer pequenos, podem traduzir-se em diferenças perceptíveis na função cognitiva diária ao longo do tempo.

Por outro lado, os efeitos de outros fatores de estilo de vida foram menos pronunciados. O consumo moderado de álcool foi associado a um declínio cognitivo ligeiramente mais lento em comparação com o consumo excessivo de álcool, mas a diferença foi muito menor do que a observada com o tabagismo. A atividade física regular e o contato social mostraram pouco ou nenhum efeito independente no declínio cognitivo neste estudo.

Essas descobertas têm implicações importantes tanto para os indivíduos quanto para os esforços de saúde pública. Os pesquisadores sugerem que parar de fumar – ou nunca começar – pode ser o passo mais importante que as pessoas podem dar para manter a função cognitiva à medida que envelhecem. Isto é particularmente relevante dado o longo período pré-clínico de doenças como Alzheimer, onde alterações cerebrais podem ocorrer décadas antes do aparecimento dos sintomas.

No entanto, os pesquisadores também alertam contra desconsiderar completamente outros comportamentos saudáveis. Embora este estudo não tenha encontrado fortes efeitos independentes da atividade física e do contato social no declínio cognitivo, sabe-se que esses fatores trazem vários benefícios à saúde. Além disso, para quem fuma e tem dificuldade em parar, a adoção de outros hábitos saudáveis ​​pode ajudar, até certo ponto, a mitigar o declínio cognitivo

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Fonte:  O Globo

Estudo desvenda como o cérebro do homem muda depois que ele se torna pai

Grau de apego ao filho dita como o corpo masculino responde ao período pós-partoDiversos estudos já apontaram como os corpos das mulheres são alterados após dar à luz um bebê — inclusive sua massa encefálica. Agora, pesquisadores estão se aprofundando em pesquisas sobre o que acontece com os homens depois da paternidade. A surpresa é que cuidar de um bebê também afeta o cérebro deles, que perde volume.

O efeito na forma e função do cérebro já tinha sido observado em roedores em pesquisas anteriores. Em uma nova investigação de cientistas da Universidade do Sul da Califórnia, diversos exames de ressonância magnética foram realizados em homens logo após virarem pais. Os resultados vistos em animais se mantiveram.

Em um artigo escrito no site The Conversation, a professora de psicologia Darby Saxbe, líder do estudo, detalhou as conclusões sobre os efeitos da paternidade.

“Em um novo estudo que analisou mudanças cerebrais em pais de primeira viagem, meus colegas e eu descobrimos que a perda de volume cerebral estava ligada a um maior envolvimento na paternidade, mas também a mais problemas de sono e sintomas de saúde mental. Esses resultados podem apontar para um custo do cuidado, tradicionalmente absorvido pelas mulheres, mas cada vez mais assumido pelos homens também”, escreveu.

Pesquisas com mães

O mesmo efeito tinha sido observado em mães por meio de estudos anteriores. Pesquisadores recrutaram mães de primeira viagem e fizeram uma varredura de seus cérebros antes da gravidez e após alguns meses do parto do bebê. Concluíram que a massa cinzenta (camada de tecido cerebral que contém células neuronais) havia encolhido na comparação com um grupo de controle feminino que não havia engravidado.

“Embora um cérebro encolhido pareça ruim, os pesquisadores teorizaram que esse cérebro mais enxuto poderia ser adaptativo, ajudando a processar informações sociais de maneira mais eficiente e, portanto, facilitando o cuidado sensível”, escreveu Saxbe.

Os trabalhos também vincularam as mudanças cerebrais das mães ao seu apego aos bebês. Mulheres que tiveram respostas emocionais mais fortes ao visualizar imagens dos filhos também foram aquelas que tiveram maior perda de massa cinzenta.

A vez dos pais

No novo trabalho, houve um efeito semelhante nos pais, porém em menor escala. Foram analisados 38 homens, durante a gravidez de suas parceiras e em três períodos subsequentes: após três, seis e 12 meses do parto. Os pesquisadores também fizeram perguntas sobre como eles se sentiam em relação ao bebê, como estavam dormindo, e se apresentavam sintomas de depressão, ansiedade e outros transtornos psíquicos.

“Como antes, vimos diferenças cerebrais significativas do pré-natal ao pós-parto em todo o córtex, a camada mais externa do cérebro que realiza muitas funções de ordem superior, como linguagem, memória, resolução de problemas e tomada de decisão. Em média, os homens em nossa amostra perderam cerca de 1% do volume de massa cinzenta durante a transição para a paternidade”, descreveu a pesquisadora.

A mesma ligação com o apego dos pais surgiu na pesquisa. Homens que declararam mais conexão com o filho sendo gestado e manifestaram vontade de ampliar o tempo da licença paternidade foram aqueles que perderam mais massa cinzenta, principalmente nos lobos frontal e parietal – partes envolvidas no funcionamento executivo e processamento sensório-motor.

Saúde mental

Homens que perderam mais volume cerebral também relataram maior depressão, ansiedade, angústia e pior sono aos seis e 12 meses após o nascimento. “Esse achado fornece uma pista para uma possível direção de causalidade: em vez de problemas de sono ou angústia psicológica no pré-natal preverem maior mudança cerebral, concluímos que a perda de volume de massa cinzenta dos pais precedeu seus problemas de sono e saúde mental no pós-parto, além do efeito do seu bem-estar antes do nascimento”, escreveu Saxbe no Conversation.

Segundo a pesquisadora, o trabalho apontou para o custo físico e emocional que cuidar de um filho cobra tanto de homens quanto de mulheres envolvidos no dia a dia da criação do bebê:

“A mensagem aqui não é que os homens devem parar de cuidar dos filhos. Uma série de pesquisas sugere que crianças com pais envolvidos se saem melhor em todos os aspectos: acadêmica, econômica e emocionalmente”, defendeu.

Para a pesquisadora, o estudo só reforça que pais em geral devem ser objeto de ações de saúde pública para reduzir o estresse do período pós-natal, “como licença remunerada e esforços no local de trabalho para normalizar a licença entre os homens”.

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Fonte:  O Globo

As descobertas de neurocientista sobre o que se passa no cérebro enquanto morremos

Para a neurocientista Jimo Borjigin, foi uma surpresa: ela não podia acreditar que, embora “morrer seja uma parte essencial da vida”, não sabíamos “quase nada” sobre o cérebro em processo de morte. Ela percebeu isso há pouco mais de 10 anos por puro “acidente”.

“Estávamos fazendo experimentos com ratos no laboratório, examinando suas secreções neuroquímicas após uma cirurgia”, contou ela à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

De repente, dois dos ratos morreram, o que permitiu observar o processo de morte em seus cérebros. “Um dos ratos mostrou uma massiva secreção de serotonina.”

Ela se perguntou se aquele rato teria tido alucinações, já que “a serotonina está ligada a elas”, explicou.

Ver aquela explosão do neurotransmissor despertou seu interesse. “Naquele fim de semana, comecei a pesquisar a literatura especializada, acreditando que haveria uma explicação. Procurei repetidamente e acabei percebendo que sabemos muito pouco sobre o processo de morrer.”

Desde então, a professora associada de neurologia e fisiologia molecular e integrativa da Universidade de Michigan tem se dedicado a estudar o que acontece no cérebro humano quando estamos morrendo. E o que ela descobriu — assegura — vai contra o que se imagina.

A definição de morte

“Não sei se você já viu uma pessoa sofrendo uma parada cardíaca”, me diz. “O comportamento mais óbvio é que ela cai, desmaia. Você chama pelo nome e ela não responde, toca nela e não há reação, não se move, é como se estivesse morta.”

Precisamos de profissionais que nos digam se o paciente está vivo. Muitas vezes, usam máquinas de eletrocardiograma para determinar isso.

“Mas, há muito tempo, se alguém sofre uma parada cardíaca, o médico verifica os braços ou o pescoço e, se não encontra pulso, significa que o coração não está bombeando sangue. Isso é definido como morte clínica.”

A doutora Jimo Borjigin

CRÉDITO,UNIVERSIDADE DE MICHIGAN – Legenda da foto: A doutora Jimo Borjigin é professora na Universidade de Michigan, onde dirige o laboratório que leva seu nome

Nesse processo, a maior atenção tem sido dada ao coração, “chama-se parada cardíaca, não parada cerebral”.

“Para toda a medicina, inclusive para a compreensão científica, parece que o cérebro não está funcionando porque não há resposta: a pessoa não consegue falar ou se sentar”.

O cérebro precisa de muito oxigênio para funcionar. Se o coração não bombeia sangue, o oxigênio não chega ao cérebro.

“Todos os sinais superficiais indicam que o cérebro se torna hipoativo”, explica Borjigin. No entanto, as pesquisas dela e de sua equipe mostram algo diferente.

Neurotransmissores

Em um estudo de 2013 com ratos, observaram uma intensa atividade de vários neurotransmissores após os corações dos animais pararem e seus cérebros deixarem de receber oxigênio.

“A serotonina aumentou 60 vezes; a dopamina, que é uma substância química que te faz sentir bem, aumentou de 40 a 60 vezes; a noradrenalina, que te deixa muito alerta, também subiu.”

Esses níveis tão altos — afirma — “nunca são vistos” quando o animal está vivo.

Conexões neurais

CRÉDITO,GETTY IMAGES – Legenda da foto: Estudos em ratos, conduzidos pela equipe liderada por Borjigin, registraram uma intensa atividade cerebral durante a morte dos animais

Em 2015, publicaram outro estudo sobre o cérebro moribundo em ratos.

“Em ambos estudos, 100% dos animais mostraram uma intensa ativação da função cerebral”, aponta a especialista. “O cérebro estava em um estado hiperativo.”

Ondas gama

Em 2023, foi publicada uma pesquisa que se concentrou em quatro pacientes que estavam em coma e recebiam suporte vital, com eletrodos de eletroencefalografia.

“Eles estavam morrendo de diferentes doenças”, explica a cientista.

Quando os médicos e as famílias concluíram que “estavam além de qualquer procedimento médico que pudesse ajudá-los, decidiram deixá-los ir”.

Com a permissão dos parentes, os ventiladores mecânicos foram retirados.

Ao fazer isso, os pesquisadores encontraram que, em dois dos pacientes, houve alta atividade cerebral vinculada a funções cognitivas. Foram detectadas ondas gama — as ondas cerebrais mais rápidas — que estão envolvidas no processamento complexo de informações e na memória.

Cerebro e coração conectados

CRÉDITO,GETTY IMAGES – Legenda da foto: Quando se desconecta o respirador de um paciente ocorre uma hipoxia generalizada

Quando se desconecta o respirador de um paciente — explica a especialista em neurologia — ocorre uma hipoxia generalizada, que é como se denomina a falta de oxigênio no sangue.

A hipoxia generalizada está sempre associada a uma parada cardíaca, quando o coração não bombeia sangue.

“A hipoxia parece ser o tema unificador para ativar o cérebro. Assim que os ventiladores foram retirados, os cérebros de dois dos quatro pacientes se ativaram em segundos.”

Partes específicas

Em contraste com os ratos, onde os cientistas observaram uma ativação global e todo o cérebro estava ativo, “nos humanos, apenas algumas partes foram ativadas”. Essas áreas estão associadas às funções conscientes do cérebro.

Uma delas é conhecida como “zona quente cortical posterior”, que é a junção temporo-parieto-occipital (TPO), onde os lóbulos temporal, parietal e occipital se interconectam. “É a parte de trás do seu cérebro responsável pela percepção sensorial”, explica.

Essa área está associada à consciência, bem como aos sonhos e às alucinações visuais. Outra zona observada foi a área de Wernicke, relacionada à linguagem, fala e audição. “Demonstramos que o lobo temporal em ambos os lados é a parte mais ativada.”

Partes do cérebro em diferentes cores

CRÉDITO,GETTY IMAGES – Legenda da foto: Lóbulo frontal do cérebro em rosa, lóbulo parietal em azul, lóbulo occipital em laranja e lóbulo temporal em amarelo

Localizada próxima aos nossos ouvidos, essa seção é muito importante não apenas para o armazenamento da memória, mas também para outras funções cognitivas.

A professora destaca que a junção temporoparietal (TPJ, em inglês) do lado direito do cérebro tem sido associada ao desenvolvimento da empatia.

“De fato, muitos pacientes que sobreviveram a paradas cardíacas e tiveram experiências próximas à morte (ECM) relatam que essas experiências os mudaram para melhor, que sentem mais empatia”.

Ao falar sobre um dos pacientes do estudo, Borjigin acredita que, se tivesse sobrevivido, provavelmente “teria relatado o mesmo, mas, é claro, nunca saberemos”.

Experiências próximas da morte

Ao longo da história, muitas pessoas que estiveram à beira da morte ou até mesmo que registraram uma morte clínica e sobreviveram graças às técnicas de reanimação relataram ter tido Experiências de Quase Morte (EQM).

Algumas falaram sobre ter revivido suas vidas em um flash ou lembrado de momentos cruciais; muitas viram uma luz intensa; outras descreveram sair de seus corpos, flutuar e observar o que acontecia ao seu redor.

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CRÉDITO,GETTY IMAGES – Legenda da foto: Estudo de 2023 aponta que em um grupo de pessoas que sobreviveram a uma parada cardíaca pelo menos 20% a 25% relataram ter visto uma luz

Será que esse cérebro hiperativo observado por Borjigin em seus estudos pode explicar por que algumas pessoas tiveram experiências tão intensas no limiar da morte?

“Eu acredito que sim”, responde. Seu estudo de 2023 aponta que em um grupo de pessoas que sobreviveram a uma parada cardíaca pelo menos 20% a 25% relataram ter visto uma luz, o que sugere que suas cortezas visuais estavam ativadas.

Ao mencionar os dois pacientes nos quais foi observada alta atividade cerebral após a retirada dos respiradores, a pesquisadora explica que suas cortezas visuais mostraram uma intensa ativação, “o que possivelmente está correlacionado com essa experiência visual”.

“Alguns pacientes sobreviventes até relataram ter ouvido o que estava acontecendo durante sua cirurgia ou o que os paramédicos disseram ao socorrê-los após um acidente de carro.”

Referindo-se aos dois pacientes que faleceram, a professora indica que “a parte do cérebro responsável pela percepção da fala, da linguagem, a zona quente posterior, estava muito ativa em ambos”.

‘Paradigmático’

O foco histórico na morte estar centrado no coração levou à ideia de que o cérebro cessa de funcionar quando alguém sofre uma parada cardíaca, explica Borjigin. “Mas esse fenômeno não é consistente com as observações de pessoas que tiveram experiências próximas da morte”.

Embora não haja comportamentos que indiquem que o cérebro esteja funcionando durante uma parada cardíaca, não se pode presumir que ele não esteja, ela aponta.

Luzes de uma sala de cirurgia

CRÉDITO,GETTY IMAGES – Legenda da foto: Borjigin reconhece que seu estudo em humanos é muito limitado

“Como é possível que uma pessoa possa ter experiências mentais extremamente emocionais, impressionantes, como ver uma luz, ouvir vozes, sentir-se fora do corpo, flutuando no ar? Tudo isso faz parte da função cerebral”.

“Dado que os profissionais médicos consideram o cérebro hipoativo, há aqueles que acreditam que toda essa atividade deve vir de fora do corpo, como algo extracorpóreo”.

“No entanto, nós não acreditamos nisso e em 2013, quando publicamos a primeira pesquisa com animais, afirmamos que a ideia de que essas experiências subjetivas vêm de fora do corpo não pode ser comprovada, é impossível”.

“Por isso, desde o início, tenho firmemente acreditado que essas experiências vêm do cérebro, mesmo que isso seja paradoxal porque se pensa que o cérebro não funciona durante uma parada cardíaca”.

“Estou convencida de que as experiências próximas da morte vêm da atividade cerebral que ocorre antes que os sinais vitais do coração e do cérebro cessem, não de uma atividade posterior”.

Uma nova compreensão

Borjigin reconhece que seu estudo em humanos é muito limitado e que são necessárias muitas mais pesquisas sobre o que ocorre no cérebro quando estamos morrendo. No entanto, após mais de dez anos focada nesta área, uma coisa está clara para ela:

“Em vez de estar hipoativo, o cérebro se torna hiperativo durante uma parada cardíaca”.

“É crucial melhorarmos nossa compreensão da função cerebral durante uma crise como essa”.

De fato, ela acredita que esse aumento da atividade cerebral observado em seus estudos faz parte de um mecanismo de sobrevivência do cérebro quando privado de oxigênio.

Médicos em uma sala de cirurgia utilizando um desfibrilador.

CRÉDITO,GETTY IMAGES – Legenda da foto: O avanço tecnológico de novos equipamentos médicos tem ajudado a salvar muitos pacientes. O desfibrilador, por exemplo, restabelece o ritmo cardíaco por meio de descargas elétricas.

Mas o que acontece com o cérebro quando ele percebe que não está recebendo oxigênio?

“Estamos tentando entender isso, há pouca literatura, não se sabe ao certo”, responde. Ela menciona a hibernação e compartilha uma hipótese: “Que os animais, incluindo pelo menos ratos e humanos, têm um mecanismo endógeno para lidar com a falta de oxigênio.”

“Até agora, acredita-se que o cérebro é apenas um espectador inocente de uma parada cardíaca: quando o coração para, o cérebro simplesmente morre; a ideia atual é que o cérebro não consegue lidar com isso e morre.”

No entanto, ela insiste, “não sabemos”.

Sobrevivência

Borjigin acredita que o cérebro não desiste facilmente. Em outras crises, ele luta.

“A hibernação é de fato um dos melhores exemplos pelos quais eu acredito que o cérebro está equipado com mecanismos para sobreviver a essa terrível experiência, a falta de oxigênio, mas isso precisa ser investigado.”

Ela pede para imaginar uma família que, de repente, é atingida por uma crise econômica: os pais perdem seus empregos e não há mais nenhuma fonte de renda.

“O que eles fazem? Reduzem seus gastos, cortam o que não é essencial.”

“Eles usam o dinheiro restante apenas para o que lhes permite sobreviver”.

Agora, ela compara o dinheiro ao oxigênio para o cérebro.

“Eu acredito que o cérebro faz o mesmo. Qual é a função mais essencial dele? Não é aquela que permite dançar, falar, se mover. Essas funções não são essenciais. O essencial é respirar, fazer o coração bater.”

“Por isso, eu acredito que o cérebro diz: ‘Melhor eu fazer algo diante desta crise que está chegando’. Ele precisa conservar essa quantidade decrescente de oxigênio que está entrando no sistema.”

Sob um iceberg

Borjigin considera que o que foi descoberto em seus estudos é apenas a ponta de um iceberg gigante, debaixo do qual há muito a ser descoberto.

“Quando eu estava explicando minha teoria com o exemplo de uma família que precisa redefinir suas prioridades financeiras, é porque acredito que o cérebro faz o mesmo. Eu acredito que ele tem mecanismos endógenos para lidar com a hipóxia que ainda não compreendemos.”

Médicos em uma sala de cirurgia com um monitor que não mostra frequência cardíaca.

CRÉDITO,GETTY IMAGES – Legenda da foto: Uma linha plana é registrada em um monitor como este quando não se detecta a frequência cardíaca do paciente

“É isso que eu quero dizer com algo abaixo de um iceberg imenso que vemos na superfície.”

“Superficialmente, sabemos que há pessoas que sofrem parada cardíaca e têm essa experiência subjetiva incrível, e nossos dados mostram que essa experiência é devida ao aumento da atividade cerebral.”

“Mas a pergunta é: por que o cérebro moribundo tem uma atividade tão intensa?”

“Precisamos investigar, descobrir, entender isso porque poderíamos estar fazendo diagnósticos prematuros de morte em milhões de pessoas, já que não compreendemos o mecanismo da morte.”

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Fonte:  BBC

Cientistas descobrem a origem da gagueira no cérebro; entenda

A gagueira, caracterizada pela fala repetida ou arrastada na cadência das palavras, é um distúrbio neurobiológico presente em pelo menos 1% da população adulta. Um novo estudo multidisciplinar publicado na revista científica Brain mostrou a partir de qual local do cérebro o distúrbio se origina.

Inicialmente relacionada a causas de origem psicológica, agora se sabe que os dois diferentes tipos de gagueira, a do desenvolvimento (que surge ainda na infância) e a adquirida (associada a problemas neurológicos ou acidente vascular), são condições neurológicas que afetam a fala.

“Embora a maioria das pesquisas trate esses diferentes tipos de gagueira como condições separadas, este estudo adota uma abordagem única, combinando conjuntos de dados para ver se pudermos identificar um link comum”, explica coautora e professora associada na Universidade de Canterbury (UC), em comunicado.

Neste contexto, a equipe, que também contou com pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, da Universidade de Toronto, no Canadá, da Universidade de Boston, e do Brigham and Women’s Hospital da Harvard Medical School, nos EUA, analisaram um conjunto de dados para compreender se existem conexões entre ambos os tipos de gagueira.

Desta maneira, foi descoberto que a origem em comum está em uma parte específica do putâmen esquerdo, parte do telencéfalo. Assim como o claustro, fina camada de substância cinzenta, no telencéfalo, e a área de transição amigdaloestriatal foram considerados “duas áreas adicionais de interesse”.

“[As duas últimas citadas] São áreas minúsculas do cérebro — com apenas alguns milímetros de largura — e é por isso que normalmente podem não ter sido identificadas em estudos anteriores”, afirma Theys.

De acordo com a especialista, os achados são uma ótima notícia para a pesquisa sobre o distúrbio, pois a partir disso novas opções de tratamento mais eficazes poderão ser desenvolvidas.

“As pessoas sempre olharam para a gagueira adquirida e de desenvolvimento como duas coisas distintas, mas conseguimos mostrar que, além das semelhanças no nível comportamental, também existem semelhanças no nível neural”, diz Catherine Theys, coautora e professora associada na Universidade de Canterbury (UC).

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Fonte:  O Globo

Pesquisa sugere que estado de flow protege o cérebro e o coração

Um novo estudo apresentado na Translational Psychiatry mostra que o estado de flow (também conhecido como estado de fluxo, aquela condição em que a pessoa fica submersa em uma concentração inabalável) pode ajudar a proteger não apenas o cérebro, mas também o coração: a tendência é que pessoas mais suscetíveis a esse estado sejam menos propensas a condições cardiovasculares.

O estado de flow é definido como o ápice da atividade cerebral. Por enquanto, fica o alerta de que as pesquisas científicas ainda não conseguem chegar a uma conclusão concreta sobre os efeitos que  o fluxo possa causar na saúde física ou mental.

No entanto, a nova pesquisa analisou os diagnósticos de 9.300 pessoas na Suécia para entender se um traço específico chamado neuroticismo — uma tendência de ser emocionalmente desequilibrado e facilmente irritado — influencia as associações observadas entre fluxo e saúde mental, e se existe algum papel exercido pelo histórico familiar e pela genética

Descoberta: as pessoas mais propensas a experimentar o estado de flow tinham um risco menor de certos diagnósticos, incluindo:

  • Depressão
  • Ansiedade
  • Esquizofrenia
  • Transtorno bipolar
  • Distúrbios relacionados ao estresse
  • Doenças cardiovasculares

Mas quando os pesquisadores fizeram uma relação com esse traço do neuroticismo e os fatores familiares, notaram que as experiências de fluxo permaneceram associadas apenas à depressão maior e à ansiedade. Além disso, essas associações diminuíram.

De qualquer forma, a conclusão dos cientistas é que o estado de flow pode ter algum efeito protetor, principalmente no que diz respeito à saúde mental.

Estado de flow e saúde mental

No entanto, os próprios autores têm a ressalva de que essa relação é mais complexa do que se pensava.

O material traz a teoria de que o estado de fluxo também pode não causar diretamente um risco menor para estas condições, mas que fatores como os genes devem ser levados em consideração.

Ou seja: as próximas devem nos ajudar a entender melhor os efeitos do estado de flow. Mas um dos motivos para essa relação pode ser que o ser humano tende a gastar menos tempo com reflexões e preocupações, o que ajuda a ter um sutil vislumbre da relação com a ansiedade.

“Os resultados estão alinhados com um papel protetor causal das experiências do estado de flow na depressão e potencialmente na ansiedade”, diz o estudo, mas relembra que “o neuroticismo e os fatores familiares são fatores de confusão notáveis ​​nas associações observadas entre a propensão ao fluxo e os resultados de saúde”.

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Fonte: Translational Psychiatry

De maneira silenciosa, dengue também afeta o cérebro: veja como


O Brasil ultrapassou os 4,2 milhões de casos de dengue previstos pelo Ministério da Saúde para todo o ano de 2024. Esse número configura o maior surto de dengue no país nos últimos 24 anos. Em comparação, o Brasil registrou 1.658.816 casos da doença em 2023. No total, nove estados e o Distrito Federal decretaram situação de emergência. Entre esses estados está Santa Catarina, que possui mais de 210 mil casos prováveis desde o início do ano.

Os sintomas mais comuns da dengue são febre alta, manchas vermelhas no corpo, dor nas articulações e atrás dos olhos. Em casos mais graves, podem ocorrer lesões no fígado e hemorragias e hemorragia cerebral. A dengue também pode provocar riscos neurológicos nos infectados.

De acordo com pesquisa publicada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre 1% e 5% dos pacientes contaminados podem desenvolver doenças neurológicas, como Encefalite, Mielite, Neuropatia, Meningite e Guillain-Barré. O estudo foi publicado na revista Neurology, como um dos destaques da edição.

Doenças neurológicas que chegam com a dengue

A neurocirurgiã Danielle de Lara, que atua no Hospital Santa Isabel (Blumenau-SC), explica como essas doenças neurológicas afetam os pacientes infectados pela dengue.

“A Encefalite é uma infecção no sistema nervoso central que provoca inflamação do cérebro. Já a Mielite é uma inflamação focal que, em geral, atravessa os dois lados da medula espinhal, uma das estruturas que compõem o sistema nervoso central. É preciso ficar atento também à Neuropatia, que afeta os nervos periféricos do corpo e causa danos em áreas como mãos, pés, pernas e braços, causando perda de sensibilidade e atrofia muscular nesses locais. Outras doenças, como a Meningite, inflamação das meninges, e a Guillain-Barré, que é o ataque do próprio sistema imunológico do corpo ao sistema nervoso, também podem ocorrer em pessoas infectadas pela dengue”, revela.

Essas patologias neurológicas apresentam maior risco aos pacientes contaminados pelos sorotipos 2 e 3.

“Vale ressaltar que existem os sorotipos de dengue 1, 2, 3 e 4. Os problemas que afetam o sistema nervoso aparecem, principalmente, nos casos de reinfecção da dengue. Além disso, essas doenças também podem se manifestar em pessoas que já foram contaminadas pela Zika, Chikungunya e Febre Amarela”, conta a neurocirurgiã.

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