Movimente o corpo, turbine o cérebro: ciência revela hábitos que melhoram cognição e tomada de decisão


Melhorar o foco, tomar decisões com mais clareza e manter a mente afiada são objetivos que muita gente deseja. A boa notícia é que, segundo a ciência, atingi-los é mais fácil do que se imagina.

Pesquisas recentes mostram que adotar hábitos simples podem ter um impacto profundo na capacidade cognitiva, na memória e na inteligência. A seguir, confira quais são eles, conforme relatado pelo palestrante e LinkedIn Top Voice Jeff Haden em artigo publicado no Inc.

Pratique atividade física

Um estudo publicado no Journal of Epidemiology and Community Health descobriu que apenas seis a dez minutos de atividade física de moderada a vigorosa podem melhorar a memória de trabalho e habilidades cognitivas de nível superior, como organização, priorização e planejamento.

Por outro lado, não se exercitar pode ter um impacto negativo nas capacidades mentais. A pesquisa constatou que a cognição diminuiu de 1% a 2% quando oito minutos de exercícios moderados a vigorosos são substituídos por ficar sentado.

O que acontece é que, ao movimentar o corpo, isso retarda ou até mesmo reverte a decadência física do cérebro. “Ao contrário da crença popular, novas células cerebrais podem ser criadas: pesquisas mostram que o exercício pode aumentar o tamanho do hipocampo, mesmo na faixa dos 60 e 70 anos, mitigando assim o impacto da perda de memória relacionada à idade”, escreveu Jeff.

Para ter consistência na prática, a recomendação do especialista é escolher uma atividade que goste e esteja disposto, se não feliz, a fazer todos os dias.

Crie blocos neurais

De acordo com Barbara Oakley, professora de engenharia na Universidade de Oakland e autora do livro Learning How to Learn, “a fragmentação é a mãe de todo aprendizado — quando você sabe algo tão bem que é basicamente muito fácil lembrar-se disso e fazê-lo ou usá-lo. A criação de padrões neurais, blocos neurais, sustenta o desenvolvimento de toda a expertise”.

Mas como criar esses blocos neurais. Jeff recomenda seguir o processo simples de três etapas do escritor Adam Grant:

1.Aprenda algo e depois faça testes. Os testes ajudam a praticar a recuperação de informações (e as tornam mais relevantes).

2.Ensine outra pessoa. Pesquisas mostram que até mesmo a simples expectativa de ensinar ajuda a aprender com mais eficácia.

3.Conecte o que aprendeu a algo que já sabe. A “aprendizagem associativa” não só cria contexto e significado, como também permite se lembrar apenas de diferenças e nuances.

“A capacidade de tomar decisões intuitivas não é uma habilidade que você tem ou não tem; a capacidade de tomar decisões intuitivas é uma habilidade que resulta de prática extensa e contínua. O que importa quando você precisa tomar uma decisão rápida não é saber por que você sabe. O que importa, no momento, é que você sabe. Porque então você pode agir com base no que sabe”, destacou o autor do artigo do Inc.

Tome decisões no começo do dia

Quanto mais decisões temos de tomar em um dia, mais difícil fica continuar tomando decisões inteligentes. A neurobiologia explica que tarefas mentais difíceis que exigem foco e concentração levam ao acúmulo de glutamato, e o excesso de glutamato no organismo afeta significativamente o córtex pré-frontal lateral – a parte do cérebro responsável pela tomada de decisões e planejamento.

Um estudo publicado na Chronobiology International constatou que tendemos a tomar decisões mais inteligentes e racionais sobre propostas de alto risco no início do dia. E, outro, publicado no Journal of Retailing and Consumer Services, indicou que somos muito mais propensos a tomar decisões de compra por impulso à noite.

“Resumindo? Fique mentalmente cansado e tome decisões piores. Sempre que possível, estruture seu dia para que você possa lidar com tarefas que exigem foco e concentração o mais cedo possível no seu dia de trabalho. Ou logo após o almoço, quando você tiver a chance de recarregar as energias física e mentalmente”, complementou Jeff.

Aposte no combo dieta, exercícios e estilo de vida saudável

Um resumo de vários estudos publicados na Psychophysiology descobriu que a conectividade cerebral muda drasticamente a partir de algum momento por volta dos 40 anos – é quando o cérebro começa a passar pelo que os neurologistas chamam de “reconfiguração radical”.

Em seu artigo, o palestrante apontou que, embora diferentes partes do órgão realizem processos distintos, à medida que envelhecemos o número de domínios separados diminui.

“Com o tempo, o que antes eram redes particionadas, com domínios cognitivos separados responsáveis pelo processamento especializado, tornam-se gradualmente mais integrados. A ‘generalização’ resultante impacta negativamente a função executiva e a atenção: memória de trabalho, inteligência fluida, raciocínio, resolução de problemas, capacidade de pensar abstratamente, etc.”, comentou.

Contudo, pesquisas mostram que os Três Grandes, que são dieta, exercícios e um estilo de vida saudável, podem reduzir drasticamente e até mesmo adiar o efeito da consolidação e generalização da rede cerebral.

“Aceite novos desafios. Aprenda coisas novas. Construa novas conexões sociais. Quanto maior for sua gama de experiências, mais você poderá aproveitar o poder da segmentação. Veja exercícios, dieta e um estilo de vida saudável como algo bom para o seu corpo e sua mente. Porque eles são”, finalizou Jeff.

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