{"id":6194,"date":"2022-08-12T10:39:49","date_gmt":"2022-08-12T10:39:49","guid":{"rendered":"https:\/\/neuroforma.com.br\/novo\/?p=6194"},"modified":"2022-08-12T10:39:50","modified_gmt":"2022-08-12T10:39:50","slug":"como-falar-outras-linguas-mexe-com-nosso-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuroforma.com.br\/novo\/como-falar-outras-linguas-mexe-com-nosso-cerebro\/","title":{"rendered":"Como falar outras l\u00ednguas mexe com nosso c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"\n<p>Falar um segundo ou at\u00e9 um terceiro idioma pode oferecer vantagens \u00f3bvias, mas, \u00e0s vezes, palavras, gram\u00e1tica e at\u00e9 sotaques podem se misturar.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou na fila da padaria que frequento em Paris, pedindo desculpas ao atendente. Ele est\u00e1 totalmente confuso. Acabou de perguntar quantas baguetes eu queria e, completamente sem querer, respondi em mandarim, em vez de franc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou igualmente perplexa: minha l\u00edngua principal \u00e9 o ingl\u00eas, e n\u00e3o uso o mandarim devidamente h\u00e1 anos. No entanto, aqui, neste cen\u00e1rio mais parisiense imposs\u00edvel, o mandarim resolveu se reafirmar.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p>Quem fala mais de uma l\u00edngua geralmente domina os idiomas que conhece com facilidade. Mas, \u00e0s vezes, podem ocorrer deslizes acidentais. E a ci\u00eancia por tr\u00e1s de por que isso acontece est\u00e1 revelando perspectivas surpreendentes sobre como nossos c\u00e9rebros funcionam.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisas sobre como as pessoas multil\u00edngues fazem malabarismo com mais de um idioma em suas mentes s\u00e3o complexas, e \u00e0s vezes, contraintuitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>O que acontece \u00e9 que quando um indiv\u00edduo multil\u00edngue quer falar, os idiomas que ele conhece podem estar ativos ao mesmo tempo, mesmo que apenas um seja usado.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses idiomas podem interferir uns com os outros, se intrometendo, por exemplo, na fala quando voc\u00ea n\u00e3o espera. E essas interfer\u00eancias podem se manifestar n\u00e3o apenas em lapsos de vocabul\u00e1rio, mas at\u00e9 mesmo na gram\u00e1tica ou no sotaque.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pelas pesquisas, sabemos que, sendo bil\u00edngue ou multil\u00edngue, sempre que voc\u00ea fala, todos os idiomas que voc\u00ea conhece s\u00e3o ativados&#8221;, diz Mathieu Declerck, pesquisador da Universidade Livre de Bruxelas, na B\u00e9lgica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por exemplo, quando voc\u00ea quer dizer &#8216;<em>dog<\/em>&#8216; (&#8220;cachorro&#8221;, em ingl\u00eas) como um bil\u00edngue de franc\u00eas-ingl\u00eas, n\u00e3o apenas a palavra &#8216;<em>dog<\/em>&#8216; \u00e9 ativada, como tamb\u00e9m sua tradu\u00e7\u00e3o equivalente, &#8216;<em>chien<\/em>&#8216; (&#8220;cachorro&#8221;, em franc\u00eas), tamb\u00e9m \u00e9 ativada.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a pessoa que est\u00e1 falando precisa ter algum tipo de processo de controle de linguagem. Se voc\u00ea pensar bem, a capacidade dos indiv\u00edduos bil\u00edngues e multil\u00edngues de separar os idiomas que aprenderam \u00e9 not\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma como fazem isso \u00e9 normalmente explicada por meio do conceito da inibi\u00e7\u00e3o, uma supress\u00e3o das l\u00ednguas n\u00e3o relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voc\u00ea pede a um volunt\u00e1rio bil\u00edngue para dizer o nome de uma cor que aparece em uma tela em determinado idioma, e depois o nome da cor seguinte em outro idioma, \u00e9 poss\u00edvel medir picos de atividade el\u00e9trica em partes do c\u00e9rebro respons\u00e1veis pela linguagem e aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando esse sistema de controle falha, intrus\u00f5es e lapsos podem ocorrer. Por exemplo, a inibi\u00e7\u00e3o insuficiente de um idioma pode fazer com que ele &#8220;apare\u00e7a&#8221; e se intrometa quando voc\u00ea deveria estar falando em uma l\u00edngua diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Declerck, que \u00e9 belga, est\u00e1 acostumado a misturar idiomas acidentalmente. Seu repert\u00f3rio lingu\u00edstico inclui holand\u00eas, ingl\u00eas, alem\u00e3o e franc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando trabalhava na Alemanha, a viagem habitual de trem que fazia para voltar para casa na B\u00e9lgica passava por v\u00e1rias regi\u00f5es com idiomas diferentes, um verdadeiro treino para suas habilidades de altern\u00e2ncia de idioma.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A primeira parte era em alem\u00e3o, e eu entrava em um trem belga em que a segunda parte era em franc\u00eas&#8221;, diz ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E depois, quando voc\u00ea passa por Bruxelas, eles mudam o idioma para holand\u00eas, que \u00e9 minha l\u00edngua nativa. Ent\u00e3o, neste per\u00edodo de tr\u00eas horas, toda vez que o cobrador vinha, eu tinha que trocar de idioma.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu sempre respondia no idioma errado, de alguma forma. Era simplesmente imposs\u00edvel acompanhar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, cen\u00e1rios de troca de idiomas, como esse do trem, mas em laborat\u00f3rio, s\u00e3o frequentemente usados por pesquisadores para aprender mais sobre como pessoas multil\u00edngues dominam os idiomas.<\/p>\n\n\n\n<p>E os erros podem ser uma \u00f3tima maneira de compreender melhor como usamos e dominamos os idiomas que sabemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamar Gollan, professora de psiquiatria da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego, nos EUA, estuda h\u00e1 anos o dom\u00ednio da linguagem em indiv\u00edduos bil\u00edngues. E sua pesquisa muitas vezes levou a descobertas contraintuitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acho que talvez uma das coisas mais singulares que vimos em indiv\u00edduos bil\u00edngues quando eles misturam idiomas \u00e9 que, \u00e0s vezes, parece que inibem tanto a l\u00edngua dominante que, na verdade, acabam sendo mais lentos para falar em certos contextos&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, a l\u00edngua dominante de uma pessoa multil\u00edngue pode sofrer um impacto maior em certos cen\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, na tarefa de nomear as cores, descrita anteriormente, pode levar mais tempo para um participante lembrar o nome de uma cor no seu primeiro idioma quando estava sintonizado no segundo idioma antes, em compara\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o inversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um de seus experimentos, Gollan analisou as habilidades de altern\u00e2ncia de idioma de pessoas bil\u00edngues em espanhol-ingl\u00eas, fazendo-as ler em voz alta par\u00e1grafos que estavam apenas em ingl\u00eas, apenas em espanhol, e par\u00e1grafos que misturavam aleatoriamente ingl\u00eas e espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados foram surpreendentes. Mesmo que estivessem com os textos bem ali na frente deles, os participantes ainda cometeriam &#8220;erros de intrus\u00e3o&#8221; ao ler em voz alta, dizendo acidentalmente, por exemplo, a palavra espanhola &#8220;<em>pero<\/em>&#8221; (que significa &#8220;mas&#8221;), em vez da palavra correspondente em ingl\u00eas &#8220;<em>but<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de erro acontecia quase exclusivamente quando estavam lendo em voz alta os par\u00e1grafos mistos, o que exigia alternar entre os idiomas.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais surpreendente foi que uma grande propor\u00e7\u00e3o desses erros de intrus\u00e3o n\u00e3o eram palavras que os participantes haviam &#8220;pulado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio do uso da tecnologia de rastreamento ocular, Gollan e sua equipe descobriram que esses erros eram cometidos mesmo quando os participantes olhavam diretamente para a palavra em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E embora o ingl\u00eas fosse a l\u00edngua principal da maioria dos participantes, eles cometeram mais erros de intrus\u00e3o com palavras em ingl\u00eas do que com as palavras que deviam dizer em espanhol, idioma que n\u00e3o dominavam tanto algo que, segundo Gollan, \u00e9 quase como uma invers\u00e3o do dom\u00ednio do idioma.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acho que a melhor analogia \u00e9 imaginar que h\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o na qual voc\u00ea de repente se torna melhor em escrever com sua m\u00e3o n\u00e3o dominante&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Chamamos isso de domin\u00e2ncia invertida, e estamos dando grande import\u00e2ncia a isso, porque quanto mais penso sobre isso, mais percebo o qu\u00e3o \u00fanico e louco isso \u00e9.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso pode acontecer, inclusive, quando estamos aprendendo uma segunda l\u00edngua, quando os adultos est\u00e3o imersos no novo idioma, podem achar mais dif\u00edcil acessar as palavras na sua l\u00edngua nativa.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Gollan, os efeitos da domin\u00e2ncia invertida podem ser particularmente evidentes quando os bil\u00edngues alternam entre os idiomas em uma mesma conversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela explica que, ao misturar idiomas, os multil\u00edngues fazem uma esp\u00e9cie de malabarismo, inibindo o idioma mais forte para equilibrar as coisas e, \u00e0s vezes, v\u00e3o longe demais na dire\u00e7\u00e3o errada.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os bil\u00edngues tentam tornar as duas l\u00ednguas igualmente acess\u00edveis, inibindo a l\u00edngua dominante para facilitar a altern\u00e2ncia&#8221;, diz ela. &#8220;Mas, \u00e0s vezes, eles &#8216;excedem&#8217; nessa inibi\u00e7\u00e3o, e acabam falando mais devagar do que na l\u00edngua que n\u00e3o \u00e9 dominante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Os experimentos conduzidos por Gollan tamb\u00e9m se depararam com a domin\u00e2ncia invertida em outra \u00e1rea surpreendente: a pron\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os participantes, \u00e0s vezes, liam uma palavra no idioma certo, mas com o sotaque equivocado. E, novamente, isso acontecia mais com as palavras em ingl\u00eas (idioma dominante) do que em espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c0s vezes, os bil\u00edngues falam a palavra certa, mas com o sotaque errado, o que \u00e9 uma dissocia\u00e7\u00e3o realmente interessante que indica que o controle da linguagem est\u00e1 sendo aplicado em diferentes n\u00edveis de processamento&#8221;, diz Gollan.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E h\u00e1 uma separa\u00e7\u00e3o entre a especifica\u00e7\u00e3o do sotaque e a especifica\u00e7\u00e3o de qual l\u00e9xico voc\u00ea vai extrair as palavras.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 mesmo o uso da gram\u00e1tica na nossa l\u00edngua nativa pode ser afetado de maneiras surpreendentes, especialmente se voc\u00ea estiver muito imerso em um ambiente lingu\u00edstico diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O c\u00e9rebro \u00e9 male\u00e1vel e adapt\u00e1vel&#8221;, explica Kristina Kasparian, escritora, tradutora e consultora que estudou neurolingu\u00edstica na Universidade McGill de Montreal, no Canad\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea est\u00e1 imerso em um segundo idioma, isso afeta a maneira como voc\u00ea percebe e processa seu idioma nativo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Como parte de um projeto mais amplo feito para sua pesquisa de doutorado, Kasparian e seus colegas realizaram testes com pessoas cujo italiano era a l\u00edngua nativa e que haviam migrado para o Canad\u00e1 e aprendido ingl\u00eas quando adultos.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos haviam declarado que seu italiano estava ficando enferrujado e que n\u00e3o o usavam muito no dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores mostraram aos participantes uma s\u00e9rie de frases em italiano e pediram a eles para avaliar o qu\u00e3o aceit\u00e1vel eram gramaticalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, a atividade cerebral deles tamb\u00e9m foi medida por meio de um m\u00e9todo de eletroencefalografia (EEG). As respostas deles foram comparadas \u00e0s de um grupo de italianos monol\u00edngues que vivia na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Havia quatro tipos diferentes de frases, e duas delas eram aceit\u00e1veis, tanto em italiano quanto em ingl\u00eas, e duas delas eram aceit\u00e1veis, apenas em italiano&#8221;, diz Kasparian.<\/p>\n\n\n\n<p>Os migrantes italianos eram mais propensos a rejeitar frases corretas em italiano como n\u00e3o gramaticais, se n\u00e3o correspondessem \u00e0 gram\u00e1tica correta do ingl\u00eas.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p>E quanto maior a profici\u00eancia em ingl\u00eas, quanto mais tempo moravam no Canad\u00e1, e quanto menos usavam o italiano, maior a probabilidade de acharem que as frases corretas em italiano estavam incorretas gramaticalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles tamb\u00e9m apresentaram padr\u00f5es diferentes de atividade cerebral em compara\u00e7\u00e3o com os italianos que viviam na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>E os pesquisadores descobriram que, quando apresentados a frases que eram gramaticalmente aceit\u00e1veis, apenas em italiano (mas n\u00e3o em ingl\u00eas), os italianos que moravam no Canad\u00e1 apresentavam padr\u00f5es de atividade cerebral diferentes dos que viviam na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, sua atividade cerebral era mais consistente com o que seria esperado de falantes de ingl\u00eas, diz Kasparian, sugerindo que seus c\u00e9rebros estavam processando as frases de maneira diferente de seus hom\u00f3logos monol\u00edngues na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>O ingl\u00eas depende mais da ordem das palavras do que o italiano, explica Kasparian. E os migrantes confiavam mais nas pistas gramaticais do ingl\u00eas, diz ela, embora estivessem lendo em italiano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;At\u00e9 o primeiro idioma pode mudar, mesmo que seja um idioma que voc\u00ea usou todos os dias durante a maior parte de sua vida&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que a maioria das pessoas multil\u00edngues \u00e9 capaz de manter a gram\u00e1tica de sua l\u00edngua nativa sem problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o estudo de Kasparian, assim como outros feitos como parte de seu projeto de pesquisa mais amplo, mostram que nossas l\u00ednguas n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticas ao longo da vida, mas mut\u00e1veis, competindo ativamente e interferindo umas com as outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Navegar por essas interfer\u00eancias talvez seja parte do que torna dif\u00edcil para um adulto aprender um novo idioma, especialmente se ele cresceu monol\u00edngue.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Toda vez que voc\u00ea fala esse novo idioma, \u00e9 como se o outro idioma dissesse: &#8216;Ei, estou aqui, pronto'&#8221;, explica Matt Goldrick, professor de lingu\u00edstica da Universidade Northwestern, em Illinois, nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ent\u00e3o o desafio \u00e9 que voc\u00ea tem que suprimir essa coisa que \u00e9 t\u00e3o autom\u00e1tica e t\u00e3o f\u00e1cil de fazer, em favor dessa coisa que \u00e9 incrivelmente dif\u00edcil de fazer quando voc\u00ea est\u00e1 aprendendo (um idioma) pela primeira vez.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 tendo que aprender a puxar as r\u00e9deas de algo que voc\u00ea normalmente nunca tem que inibir, que apenas sai naturalmente, certo? N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para conter. E acho que essa \u00e9 uma habilidade muito dif\u00edcil que algu\u00e9m tem que desenvolver, e \u00e9 parte do motivo pelo qual \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa que pode ajudar? Ficar imerso no ambiente da l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 criando um contexto no qual est\u00e1 retendo fortemente essa outra l\u00edngua e est\u00e1 praticando bastante, retendo essa outra coisa, de modo que d\u00e1 espa\u00e7o para a outra (nova) l\u00edngua se tornar mais forte&#8221;, diz Goldrick.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;E depois, quando voc\u00ea voltar dessa experi\u00eancia de imers\u00e3o, provavelmente estar\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o na qual ser\u00e1 capaz de gerir melhor essa competi\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso nunca vai acabar, essa competi\u00e7\u00e3o nunca vai acabar, voc\u00ea s\u00f3 fica melhor em domin\u00e1-la.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse dom\u00ednio \u00e9 certamente algo em que os multil\u00edngues tendem a ter muita pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos pesquisadores argumentam que isso oferece a eles certas vantagens cognitivas, mas \u00e9 importante observar que ainda n\u00e3o existe um consenso, j\u00e1 que outros afirmam que suas pr\u00f3prias pesquisas n\u00e3o mostram evid\u00eancias confi\u00e1veis de uma vantagem cognitiva bil\u00edngue.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja l\u00e1 como for, o uso das l\u00ednguas \u00e9 sem d\u00favida uma das atividades mais complexas que os seres humanos aprendem a fazer. E ter que dominar v\u00e1rios idiomas tem sido associado a benef\u00edcios cognitivos em muitos estudos, dependendo da tarefa e da idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns estudos mostraram que pessoas bil\u00edngues apresentam um desempenho melhor em tarefas de controle executivo, por exemplo, em atividades em que os participantes precisam se concentrar em informa\u00e7\u00f5es contraintuitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Falar v\u00e1rios idiomas tamb\u00e9m tem sido associado a um retardo no aparecimento dos sintomas de dem\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>E, claro, o multilinguismo oferece muitos benef\u00edcios \u00f3bvios que v\u00e3o al\u00e9m do c\u00e9rebro, inclusive o benef\u00edcio social de poder falar com muita gente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, embora meu multilinguismo possa ter me oferecido algumas vantagens, n\u00e3o poupou meus rubores.<\/p>\n\n\n\n<p>Um tanto envergonhada, ainda n\u00e3o voltei \u00e0quela padaria desde meu incidente lingu\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez mais idas \u00e0 padaria sejam necess\u00e1rias, ent\u00e3o. Tudo em nome da pr\u00e1tica do dom\u00ednio do idioma, \u00e9 claro.<br><br>Fonte: BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar um segundo ou at\u00e9 um terceiro idioma pode oferecer vantagens \u00f3bvias, mas, \u00e0s vezes, palavras, gram\u00e1tica e at\u00e9 sotaques podem se misturar. Estou na fila da padaria que frequento em Paris, pedindo desculpas ao atendente. Ele est\u00e1 totalmente confuso. 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