{"id":5981,"date":"2022-01-06T05:11:48","date_gmt":"2022-01-06T05:11:48","guid":{"rendered":"https:\/\/neuroforma.com.br\/novo\/?p=5981"},"modified":"2022-01-06T05:12:13","modified_gmt":"2022-01-06T05:12:13","slug":"alzheimer-um-recomeco-tres-historias-surpreendentes-sobre-demencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/neuroforma.com.br\/novo\/alzheimer-um-recomeco-tres-historias-surpreendentes-sobre-demencia\/","title":{"rendered":"Alzheimer, um recome\u00e7o? Tr\u00eas hist\u00f3rias surpreendentes sobre a dem\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-5284\" src=\"https:\/\/neuroforma.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/alzaimer.jpg\" alt=\"alzaimer\" width=\"800\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/neuroforma.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/alzaimer.jpg 800w, https:\/\/neuroforma.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/alzaimer-300x169.jpg 300w, https:\/\/neuroforma.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/alzaimer-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><em>\u201cLogo ela deixou de se lembrar de mim. No come\u00e7o eu falava, \u2018olha, sua filha chegou\u2019\u201c\u00a0<\/em>L\u00edgia Galli.<\/p>\n<div class=\"wall protected-content\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"28\" data-block-id=\"2\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"><em>\u201cEu n\u00e3o tenho saudade do p\u00e3o que ela fazia, da roupa que ela costurava. Eu tenho saudade do sorriso, que \u00e9 a presen\u00e7a dela mesmo&#8221;\u00a0<\/em>Ivani Alexandre.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"25\" data-block-id=\"3\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"><em>\u201cEu falei: &#8216;M\u00e3e, voc\u00ea entrou na contram\u00e3o, voc\u00ea quase se matou e matou o Matheus junto\u2019\u2026 ela falou: \u2018nossa, eu fiz isso?\u2019\u201c\u00a0<\/em>Denise Marques.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"21\" data-block-id=\"4\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Quando tudo de uma pessoa parece ter ido embora \u2013 identidade, linguagem, habilidades, mem\u00f3ria \u2013 onde fica guardado o amor?<\/p>\n<p>Especialistas alertam que a pandemia de covid-19 vai acelerar uma epidemia de dem\u00eancia que j\u00e1 existe hoje no mundo. A not\u00edcia preocupa, mas entre profissionais de sa\u00fade, pacientes e familiares, cada vez mais pessoas v\u00eam propondo que busquemos formas diferentes de pensar a doen\u00e7a. N\u00e3o como o fim, mas como um poss\u00edvel recome\u00e7o.<\/p>\n<p>Nesta reportagem, tr\u00eas mulheres cujas m\u00e3es viveram ou vivem hoje com dem\u00eancia e uma m\u00e9dica geriatra compartilham vis\u00f5es sobre a doen\u00e7a que podem surpreender muita gente.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"28\" data-block-id=\"9\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">\u201cQuando voc\u00ea recebe um diagn\u00f3stico de dem\u00eancia de um ente querido seu, parece que tudo acabou\u201d, diz a geriatra Celene Pinheiro. \u201cS\u00f3 que nem sempre \u00e9 assim\u201d, ressalva.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"15\" data-block-id=\"10\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">\u201cForam os melhores anos da vida dela e os melhores anos dela comigo\u201d, diz Denise.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"64\" data-block-id=\"11\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">E quando aceitam fazer seus depoimentos, as mulheres (e sim, \u00e9 sobre elas que recai, na grande maioria dos casos, a responsabilidade de cuidar) expressam um desejo em comum: contribuir para que a sociedade conviva melhor com uma doen\u00e7a que, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) afeta hoje 50 milh\u00f5es de pessoas no mundo e deve afetar mais de 150 milh\u00f5es em 2050.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"7\" data-block-id=\"14\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>Denise e Eneide &#8211; Alzheimer, um recome\u00e7o?<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"33\" data-block-id=\"15\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Denise Marques tem 54 anos e \u00e9 terapeuta. Sua m\u00e3e, Eneide Marques Cavalcante, recebeu o diagn\u00f3stico de doen\u00e7a de Alzheimer em janeiro de 2015 e faleceu em dezembro de 2019 aos 85 anos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"27\" data-block-id=\"16\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;A minha m\u00e3e teve Alzheimer, \u00e9 uma doen\u00e7a que quando a gente ouve a respeito, assusta. Mas eu aprendi que o Alzheimer n\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel como falam.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"16\" data-block-id=\"17\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Eneide tinha uma defici\u00eancia: ela nasceu sem a cabe\u00e7a do f\u00eamur, o maior osso da perna.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"58\" data-block-id=\"18\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Minha m\u00e3e foi criada pelos meus av\u00f3s com muito amor, carinho e cuidado, devido \u00e0 defici\u00eancia dela. E a\u00ed eu imagino o choque que ela teve quando se viu num casamento totalmente abusivo. E ela n\u00e3o conseguia sair porque meu pai amea\u00e7ava que se ela se separasse ele mataria todos n\u00f3s \u2014 eu, minha m\u00e3e e meus av\u00f3s.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"21\" data-block-id=\"19\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">No relato de Denise, o horror da viol\u00eancia dom\u00e9stica vivenciada por ela e outros familiares momentaneamente toma lugar central na narrativa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"33\" data-block-id=\"20\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Quando meu pai chegava em casa, j\u00e1 estava todo mundo tremendo. De que jeito ele ia chegar? Ele voltava alcoolizado, uma for\u00e7a, entortava a torneira, arrebentava a geladeira. Era uma coisa muito violenta.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"40\" data-block-id=\"21\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Mais adiante, veremos que, sobre o pano de fundo dos 35 anos de abuso f\u00edsico e psicol\u00f3gico que Eneide viveu, a doen\u00e7a de Alzheimer que ela desenvolve ter\u00e1 um papel singular em sua vida \u2014 e na de sua filha.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"67\" data-block-id=\"23\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Denise conta que seu pai morreu em janeiro de 1997, mas a m\u00e3e nunca se recuperou da viol\u00eancia que sofreu e come\u00e7ou a fazer tratamento para depress\u00e3o. Epis\u00f3dios estranhos, como aquele em que Eneide entra na contram\u00e3o em uma rua movimentada de Campinas e depois n\u00e3o se lembra do que fez (epis\u00f3dio descrito no in\u00edcio dessa reportagem), s\u00e3o para Denise um pren\u00fancio do que estava por vir.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"12\" data-block-id=\"24\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>&#8220;Eu entendo que o Alzheimer \u00e9 uma doen\u00e7a muito sorrateira, silenciosa&#8221;, diz.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"11\" data-block-id=\"25\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Dez anos mais tarde, Eneide tornou-se paciente da geriatra Celene Pinheiro.<br \/>\n&#8220;Eu conheci e acompanhei a dona Eneide por pelo menos dez, doze anos&#8221;, diz a m\u00e9dica. &#8220;E uma coisa que chamava muito a aten\u00e7\u00e3o no relacionamento das duas \u00e9 que ambas se tratavam muito mal.&#8221;<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"69\" data-block-id=\"29\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Quando elas chegavam \u00e0 cl\u00ednica, nesse relacionamento conflituoso \u2014 a filha falava \u00e0s vezes de forma r\u00edspida com a m\u00e3e \u2014 as minhas secret\u00e1rias j\u00e1 vinham: &#8216;doutora, nossa, como ela trata mal a m\u00e3e! Coitada da nona Eneide!&#8217;. E eu falava: &#8216;gente, calma. A gente n\u00e3o deve julgar. A gente deve ouvir. E entender o cen\u00e1rio onde essa rela\u00e7\u00e3o se construiu.&#8217; E foi o que acabou acontecendo&#8221;, conta Celene.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"27\" data-block-id=\"30\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Em seu depoimento, Denise oferece pistas sobre como era o relacionamento com a m\u00e3e: &#8220;A Eneide que eu conhecia era extremamente r\u00edgida. Eu a chamava de general.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"31\" data-block-id=\"31\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>&#8220;Quando eu comecei o relacionamento com minha namorada, a minha m\u00e3e n\u00e3o aceitou de jeito nenhum&#8221;, ela recorda. &#8220;Ficou muito indignada e n\u00e3o permitia que eu conversasse com ela sobre isso.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"12\" data-block-id=\"32\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">De repente, a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00e3e e filha se transforma, conta Celene.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"47\" data-block-id=\"33\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Quando ela (Denise) leva (Eneide) para a institui\u00e7\u00e3o, e a dem\u00eancia da dona Eneide avan\u00e7a mais um pouquinho, a hora que eu vejo, as duas come\u00e7am a se relacionar de uma forma leve, bem humorada, alegre, afetuosa. Um afeto muito grande da Denise para com a Eneide.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"39\" data-block-id=\"34\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">A m\u00e9dica conta que n\u00e3o entendia o que estava acontecendo. At\u00e9 que, um dia, quando visitava sua paciente na cl\u00ednica de repouso, Denise lhe falou de seu relacionamento, e da recusa da m\u00e3e em aceitar a homossexualidade da filha. Mas o Alzheimer mudaria tudo isso.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"31\" data-block-id=\"38\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Quando a dona Eneide desenvolve a dem\u00eancia, essas conven\u00e7\u00f5es sociais caem por terra&#8221;, conta Celene. &#8220;E ela come\u00e7a a dar espa\u00e7o para essa aproxima\u00e7\u00e3o que, eu acho, a Denise desejava tanto.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"34\" data-block-id=\"39\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Dois anos ap\u00f3s a morte de Eneide, em entrevista por Zoom \u00e0 BBC News Brasil, Denise ri, maravilhada, ao recordar os \u00faltimos quatro anos na vida da m\u00e3e. N\u00e3o ficou nada mal resolvido, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"32\" data-block-id=\"40\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"32\" data-block-id=\"40\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>&#8220;Quando a minha m\u00e3e chegou nesse n\u00edvel maior do Alzheimer, virou a chavinha. Como se essa coura\u00e7a que ela desenvolveu para se proteger de tanto sofrimento na vida tivesse ca\u00eddo, vindo abaixo.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"58\" data-block-id=\"42\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;E a\u00ed foram os melhores anos da minha m\u00e3e, e os melhores anos meus com ela. Conheci aquela mulher alegre, risonha, que fazia todo mundo sorrir. Carinhosa, abra\u00e7ava, beijava. Foi uma coisa incr\u00edvel. Eu vejo que o Alzheimer deu para a minha m\u00e3e e para mim uma oportunidade de a gente fazer um resgate. Foi uma hist\u00f3ria linda.&#8221;<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"5\" data-block-id=\"44\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>Os efeitos inesperados da dem\u00eancia<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"40\" data-block-id=\"45\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Na experi\u00eancia de Eneide, a doen\u00e7a de Alzheimer n\u00e3o apagou apenas regras e conven\u00e7\u00f5es sociais. A dem\u00eancia fez tamb\u00e9m o que anos de terapia e medicamentos n\u00e3o tinham conseguido fazer: eliminou da mem\u00f3ria de Eneide sua experi\u00eancia traum\u00e1tica de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;No caso da Eneide, a dem\u00eancia foi um presente, porque ela p\u00f4de apagar essa mem\u00f3ria muito triste e p\u00f4de voltar a ser a pessoa alegre que ela era antes&#8221;, reflete Celene. Mas, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 assim para todos, diz a m\u00e9dica.<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"45\" data-block-id=\"48\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Eu conhe\u00e7o uma senhora que at\u00e9 hoje repete: &#8216;n\u00e3o bate na crian\u00e7a&#8217;. Porque o marido dela era muito violento com os filhos. At\u00e9 hoje ela verbaliza isso: &#8216;Ai, coitadinha, n\u00e3o bate.&#8217; Tem pessoas que ficam com essas recorda\u00e7\u00f5es por terem um valor afetivo muito grande.&#8221;<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"13\" data-block-id=\"50\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>L\u00edgia e \u00c1urea &#8211; Levar pessoa com dem\u00eancia para a institui\u00e7\u00e3o \u00e9 abandonar?<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"36\" data-block-id=\"51\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">A dona de casa L\u00edgia Galli tem 59 anos. Sua m\u00e3e, \u00c1urea Moraes Galli, tem 81 anos e recebeu o diagn\u00f3stico de dem\u00eancia em 2012. Desde ent\u00e3o, \u00c1urea vive em uma institui\u00e7\u00e3o de longa perman\u00eancia (ILPI).<\/p>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"32\" data-block-id=\"53\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Minha m\u00e3e sempre foi uma pessoa ativa, prestimosa com a casa, com os cuidados com os filhos. Fazia tric\u00f4, croch\u00ea, bordado. Ela cozinhava extremamente bem, fazia pinturas a \u00f3leo lind\u00edssimas&#8221;, conta L\u00edgia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"51\" data-block-id=\"54\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Ent\u00e3o eu notei muita diferen\u00e7a, retomando, ap\u00f3s a morte do meu pai. Quando eu ia visit\u00e1-la, a casa estava muito suja, muito largada, com um cheiro ruim, comida estragada na geladeira. Era uma coisa que chocava a mim porque minha m\u00e3e n\u00e3o passava nem perto de um tipo de comportamento assim.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"33\" data-block-id=\"55\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Logo, L\u00edgia percebe que a m\u00e3e n\u00e3o pode mais viver sozinha. Seu depoimento nos remete a um dilema quase universal entre pessoas afetadas pela dem\u00eancia: cuidar em casa ou levar para uma ILPI?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"33\" data-block-id=\"56\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>&#8220;V\u00e1rias pessoas falaram em colocar minha m\u00e3e numa cl\u00ednica, mas para mim, naquele momento, aquilo era impens\u00e1vel. Aquela ideia de que a gente vai abandonar o idoso, largar aos cuidados de estranhos&#8221;, diz.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"32\" data-block-id=\"57\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">L\u00edgia decide levar a m\u00e3e para morar com ela em Indaiatuba, interior de S\u00e3o Paulo. Ela conta que, no come\u00e7o, sua filha, que tinha 7 anos de idade, achava certas situa\u00e7\u00f5es engra\u00e7adas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"39\" data-block-id=\"58\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Porque minha m\u00e3e ainda mantinha um bom humor&#8221;, lembra. &#8220;Com piadas, com coisas engra\u00e7adas, que come\u00e7aram a ser misturadas com momentos de raiva, mau humor, desespero, de falar sozinha, de tirar a fralda e guardar as fezes em gaveta.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"59\"><\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"27\" data-block-id=\"60\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Come\u00e7ou um drama muito grande&#8221;, lembra L\u00edgia. De um lado, a filha, aos prantos. De outro, uma m\u00e3e que agora precisava de aten\u00e7\u00e3o 24 horas por dia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"18\" data-block-id=\"61\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;E quanto mais dif\u00edcil a situa\u00e7\u00e3o ficava, mais eu achava que tinha de ser capaz de cuidar&#8221;, lembra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"18\" data-block-id=\"62\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Para ter um pouco de descanso, L\u00edgia come\u00e7a a levar \u00c1urea para passar o dia em uma cl\u00ednica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"42\" data-block-id=\"63\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Quando eu chegava em casa, o dia que ela ficava em casa, eu abria a porta e sentia o cheiro de fezes. Eu brigava com ela. Sentava no banheiro, fechava tudo, chorava, chorava. Sen\u00e3o eu ia realmente perder a paci\u00eancia com ela.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"15\" data-block-id=\"64\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Do consult\u00f3rio, a geriatra Celene Pinheiro acompanhou a luta de L\u00edgia para cuidar da m\u00e3e.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"19\" data-block-id=\"65\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;A L\u00edgia \u00e9 minha paciente. Ela veio me contando como foi o diagn\u00f3stico da m\u00e3e, de doen\u00e7a de Alzheimer.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"23\" data-block-id=\"66\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Ela estava se desdobrando, se desgastando, sofrendo, at\u00e9 que ela fala: &#8216;meu Deus, s\u00f3 tem uma sa\u00edda: pedir ajuda especializada'&#8221;, recorda a m\u00e9dica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"30\" data-block-id=\"67\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Mas L\u00edgia ainda precisou de um \u00faltimo empurr\u00e3o. Um dia, ela recebe um telefonema da cl\u00ednica onde a m\u00e3e estava passando o dia. \u00c1urea tinha ca\u00eddo e sofrido v\u00e1rias fraturas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"20\" data-block-id=\"68\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>&#8220;Depois desse acidente, para mim ficou claro que ela tinha de ir para uma cl\u00ednica de longa perman\u00eancia&#8221;, diz L\u00edgia.<\/p><\/blockquote>\n<article>\n<div class=\"wall protected-content\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"45\" data-block-id=\"70\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Minha prima ainda brincou: &#8216;coitada da tia Aurinha. Deus teve que quebrar a sua m\u00e3e toda para voc\u00ea entender que era hora de levar ela para uma cl\u00ednica. Para ter um tratamento adequado e voc\u00ea tamb\u00e9m, de ficar cuidando de voc\u00ea e da sua filha.'&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"19\" data-block-id=\"71\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Quando voc\u00ea leva um idoso com dem\u00eancia para uma ILPI, est\u00e1 atendendo a uma necessidade dele, diz Celene Pinheiro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"42\" data-block-id=\"72\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Eu falo para os filhos dos meus pacientes, voc\u00ea sabe ler e escrever? Quando seu filho entrou na idade de ser alfabetizado, voc\u00ea levou para a escola, para que ele fosse alfabetizado por especialistas em fazer isso. N\u00e3o est\u00e1 abandonando seu filho.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"29\" data-block-id=\"73\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Quando se trata de um idoso com dem\u00eancia, voc\u00ea tem de pensar assim, prossegue a m\u00e9dica. &#8220;Voc\u00ea sabe cuidar, mas \u00e0s vezes a pessoa precisa de algo a mais.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"16\" data-block-id=\"74\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>Livre da responsabilidade de cuidar, L\u00edgia passa a se relacionar com a m\u00e3e de maneira diferente.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"20\" data-block-id=\"75\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Ela me disse que pela primeira vez, depois de muito tempo, se sentia filha da m\u00e3e dela&#8221;, diz a geriatra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"13\" data-block-id=\"76\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">E \u00e9 como filha que L\u00edgia viver\u00e1 um encontro inesquec\u00edvel com a m\u00e3e.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"25\" data-block-id=\"77\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Um dia, cheguei em uma visita e estava t\u00e3o triste, t\u00e3o abalada, com tanto problema da minha filha, do meu marido, falta de dinheiro\u2026&#8221;, conta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"78\"><\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"55\" data-block-id=\"79\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Minha m\u00e3e estava no terra\u00e7o sozinha, sentei e comecei a conversar com ela. At\u00e9 hoje eu converso com ela, como se ela entendesse. Acaba saindo sem querer e acho que alguma coisinha sobra, l\u00e1 dentro da cabecinha dela. E eu deitei no colo dela. E chorei tanto, tanto. Falei, &#8216;poxa m\u00e3e, estou com tanto problema&#8217;.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"2\" data-block-id=\"80\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">L\u00edgia continua.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"62\" data-block-id=\"81\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Ela passou a m\u00e3o na minha cabe\u00e7a e falou: &#8216;ah, coitadinha, ela t\u00e1 triste.&#8217; E falou: &#8216;eu te amo&#8217;. Foi a primeira vez, na minha vida, que eu ouvi a minha m\u00e3e falar &#8216;eu te amo&#8217;. Eu chorei muito, e em seguida ela come\u00e7ou a cantar &#8216;boi, boi, boi, boi da cara preta\u2026&#8217;. Que \u00e9 uma m\u00fasica que ela canta at\u00e9 hoje.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"23\" data-block-id=\"82\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Foi um consolo&#8221;, conta. &#8220;O momento de amor que eu nunca tinha recebido da minha m\u00e3e a minha vida inteira. Recebi aquele dia.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"15\" data-block-id=\"83\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Em seguida, sorrindo entre as l\u00e1grimas, L\u00edgia pede: &#8220;Voc\u00ea tem um lencinho a\u00ed pra mim?&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"13\" data-block-id=\"84\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>Como se comunicar com quem tem dem\u00eancia? O poder da linguagem n\u00e3o verbal<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"31\" data-block-id=\"85\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Ao ler o relato desse precioso encontro entre m\u00e3e e filha, alguns talvez se perguntem: mas ent\u00e3o, onde \u00e9 que estava esse sentimento que \u00c1urea expressa? Onde fica guardado o amor?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"86\"><\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"22\" data-block-id=\"87\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Talvez n\u00e3o haja uma resposta, claro. Mas o epis\u00f3dio sugere que pessoas com dem\u00eancia s\u00e3o, sim, capazes de sentir e expressar amor.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"16\" data-block-id=\"88\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Para Celene, essa hist\u00f3ria ilustra a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o verbal com pessoas que t\u00eam dem\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"76\" data-block-id=\"89\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Se a L\u00edgia falasse para a m\u00e3e, &#8216;m\u00e3e, eu estou triste&#8217;, talvez a m\u00e3e n\u00e3o compreendesse porque, muitas vezes, ela n\u00e3o entende o significado da palavra em si. Mas \u00e0 medida que ela deita no colo da m\u00e3e, se coloca nessa posi\u00e7\u00e3o de fragilidade e chora, e externa esse sentimento dela, a m\u00e3e percebe pela posi\u00e7\u00e3o, e pelo choro, a situa\u00e7\u00e3o que a filha est\u00e1 passando. E a\u00ed ela compreende, e fala: &#8216;tadinha, ela est\u00e1 triste&#8217;.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"13\" data-block-id=\"90\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Na verdade, pondera a m\u00e9dica, n\u00e3o se trata de entender com a raz\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"30\" data-block-id=\"91\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>&#8220;Ela entendeu da forma como ela podia, ou (melhor), acho que ela n\u00e3o entendeu, ela sentiu. Tem coisas que n\u00e3o passam pelo campo da compreens\u00e3o, passam pelo campo do sentimento.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"19\" data-block-id=\"92\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Por outro lado, observa a m\u00e9dica, uma express\u00e3o facial hostil, ou alarmada, pode assustar a pessoa que tem dem\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"24\" data-block-id=\"93\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Isso \u00e9 muito n\u00edtido. \u00c0s vezes, voc\u00ea pode falar uma coisa que n\u00e3o seja agressiva, mas por uma fei\u00e7\u00e3o agressiva, a pessoa se assusta.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"94\"><\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"5\" data-block-id=\"95\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>Um dilema e um privil\u00e9gio<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"40\" data-block-id=\"96\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Antes de concluirmos a hist\u00f3ria de L\u00edgia e \u00c1urea, \u00e9 importante ressaltarmos que, para a grande maioria dos brasileiros, o dilema vivido por L\u00edgia \u2014 cuidar em casa ou na institui\u00e7\u00e3o? \u2014 \u00e9 quase um privil\u00e9gio. E por que privil\u00e9gio?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"41\" data-block-id=\"97\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Segundo Celene Pinheiro, que al\u00e9m de geriatra \u00e9 tamb\u00e9m presidente volunt\u00e1ria da regional paulista da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alzheimer e Outras Dem\u00eancias (ABRAz), estima-se que entre 1,5 e 2 milh\u00f5es de pessoas vivam hoje com alguma forma de dem\u00eancia no Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"27\" data-block-id=\"98\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Faltam estudos sobre o tema, a m\u00e9dica explica, e os n\u00fameros s\u00e3o imprecisos. Ainda assim, aqui v\u00e3o dados preliminares fornecidos pela Frente Nacional de Fortalecimento \u00e0s ILPIs:<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"47\" data-block-id=\"99\">\n<ul class=\"content-unordered-list\">\n<li>Haveria 7 mil ILPIs no Brasil, abrigando por volta de 300 mil idosos.<\/li>\n<li>Dessas ILPIs, 5% apenas seriam p\u00fablicas. Outras 35% seriam filantr\u00f3picas (muitas das quais pagas) e 60% particulares.<\/li>\n<li>Entre as pagas, as mensalidades oscilariam entre 70% de um sal\u00e1rio m\u00ednimo e R$ 20 mil reais.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"25\" data-block-id=\"100\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Ou seja, h\u00e1 uma car\u00eancia gritante de ILPIs no pa\u00eds. E entre as institui\u00e7\u00f5es que existem, a maioria est\u00e1 fora do alcance do brasileiro comum.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"10\" data-block-id=\"101\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>Para esses brasileiros, a mensagem da geriatra \u00e9: pe\u00e7a ajuda.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"20\" data-block-id=\"102\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Procure a assistente social no posto de sa\u00fade mais pr\u00f3ximo&#8221;, ela sugere. &#8220;Busque saber que recursos est\u00e3o dispon\u00edveis. Medicamentos? Fraldas?&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"103\"><\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"2\" data-block-id=\"104\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Ela prossegue.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"29\" data-block-id=\"105\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;\u00c9 importante que a fam\u00edlia se sensibilize e se mobilize para cuidar desse idoso. Muitas vezes, fica uma s\u00f3 pessoa cuidando, isso \u00e9 muito cruel com quem cuida&#8221;, comenta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"21\" data-block-id=\"106\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Por fim, diz Celene, as institui\u00e7\u00f5es de apoio (entre elas a ABRAz) oferecem uma gama de servi\u00e7os. Aconselhamento jur\u00eddico, por exemplo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"15\" data-block-id=\"107\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;\u00c0s vezes, a orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica permite que a pessoa viabilize recursos para cuidar desse idoso.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"32\" data-block-id=\"108\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">As associa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m oferecem suporte emocional e oportunidades para que cuidadores e outras pessoas afetadas pela dem\u00eancia se encontrem, se apoiem mutuamente, troquem experi\u00eancias e recebam informa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas sobre como cuidar, explica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"49\" data-block-id=\"109\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">A m\u00e9dica deixa claro que tudo isso est\u00e1 longe de ser suficiente. Mas diz que profissionais de sa\u00fade como ela e entidades de apoio v\u00eam pressionando autoridades e pol\u00edticos para que promovam mais pesquisas sobre as dem\u00eancias e aumentem a oferta de servi\u00e7os e de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para pacientes.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"27\" data-block-id=\"110\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">N\u00e3o por acaso, acaba de ser aprovado no Senado um projeto de lei que institui uma pol\u00edtica nacional de enfrentamento \u00e0 doen\u00e7a de Alzheimer e outras dem\u00eancias.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"14\" data-block-id=\"111\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Vamos avan\u00e7ar para aumentar o acesso ao cuidado de qualidade e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"27\" data-block-id=\"112\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Mas nem todo paciente com dem\u00eancia precisa ser cuidado em uma institui\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria que encerra essa reportagem \u00e9 uma experi\u00eancia de cuidar bem \u2014 em casa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"row medium-uncollapsed content-media content-photo\" data-block-type=\"backstage-photo\" data-block-id=\"114\">\n<div class=\"mc-column content-media__container\">\n<p class=\"content-media__description \">Luzia da Silva, 81 anos, vive com Alzheimer e outras dem\u00eancias h\u00e1 pelo menos 8 anos. Ela mora com a filha, a professora aposentada Ivani Alexandre, 59 anos \u2014 Foto: Arquivo Pessoal<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"12\" data-block-id=\"115\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>Ivani e Luzia &#8211; O que \u00e9 um bom evoluir da dem\u00eancia?<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"26\" data-block-id=\"116\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Ivani Alexandre, professora aposentada, tem 59 anos. Sua m\u00e3e, Luzia da Silva, com 81 anos, vive com Alzheimer e outras dem\u00eancias h\u00e1 pelo menos 8 anos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"38\" data-block-id=\"117\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Minha m\u00e3e costurava, quando foi para a minha casa ainda costurou. Costurou uma colcha de retalhos maravilhosa, mas nos \u00faltimos retalhos foi muito dif\u00edcil, e eu falo que essa colcha de retalhos foi a hist\u00f3ria da minha aceita\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"43\" data-block-id=\"118\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Eu insistindo e e eu percebendo que cada dia ela tinha uma dificuldade. Ela n\u00e3o gravava o que tinha feito no dia anterior e a gente come\u00e7ava do zero. Sempre come\u00e7ando do zero. Mas foi super bacana essa colcha, e a\u00ed eu entendi.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"119\"><\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"10\" data-block-id=\"120\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Celene Pinheiro diz que come\u00e7ou a atender Luzia em 2012.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"37\" data-block-id=\"121\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;A Ivani percebeu que era entrando nesse mundo de novas necessidades da dona Luzia, e atendendo a essas necessidades, que ela ia conseguir tanto estimular a dona Luzia como tamb\u00e9m trazer muito mais conforto e serenidade&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"20\" data-block-id=\"122\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>As dem\u00eancias s\u00e3o doen\u00e7as degenerativas e progressivas, diz a m\u00e9dica. Elas v\u00e3o piorar \u2014 mas podem evoluir de formas diferentes.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"39\" data-block-id=\"123\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">O bom evoluir da dem\u00eancia se apoia em dois grandes pilares, explica. Um \u00e9 a sa\u00fade geral do paciente \u2014 que depende de fatores como boa alimenta\u00e7\u00e3o, exerc\u00edcios f\u00edsicos e o controle de doen\u00e7as cr\u00f4nicas como diabetes, por exemplo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"19\" data-block-id=\"124\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">O outro grande pilar tem a ver com as intera\u00e7\u00f5es sociais, a qualidade do ambiente, o entorno da pessoa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"44\" data-block-id=\"125\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Tem casos de pessoas que t\u00eam diagn\u00f3stico de dem\u00eancia h\u00e1 bem mais de dez anos e est\u00e3o est\u00e1veis porque t\u00eam engajamento social, uma viv\u00eancia interessante com a fam\u00edlia, uma vida bem organizada no sentido da rotina&#8221;, diz. &#8220;Voc\u00ea v\u00ea que essas pessoas evoluem melhor.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"36\" data-block-id=\"126\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Aqui, a m\u00e9dica toca em um ponto central ao novo jeito de pensar a dem\u00eancia que surge no Brasil e no mundo: chega de segrega\u00e7\u00e3o. A pessoa com dem\u00eancia precisa ser inclu\u00edda na sociedade, ela defende.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"127\"><\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"11\" data-block-id=\"128\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>Como incluir a pessoa com dem\u00eancia e quem ganha com isso?<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"46\" data-block-id=\"129\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Como educadora, Ivani j\u00e1 tinha familiaridade com o conceito de inclus\u00e3o. Ela conta que, quando era professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, adorava ver crian\u00e7as com defici\u00eancia e sem defici\u00eancia fazendo aula juntas. Ela diz \u00e0 BBC News Brasil que, hoje, pratica inclus\u00e3o em casa, com a m\u00e3e.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"19\" data-block-id=\"130\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">A fam\u00edlia mora em uma ch\u00e1cara. Luzia \u00e9 incentivada a contribuir com pequenas tarefas, como debulhar feij\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"9\" data-block-id=\"131\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;A coordena\u00e7\u00e3o fina dela ainda \u00e9 muito boa&#8221;, explica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"28\" data-block-id=\"132\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Mas a hist\u00f3ria vai ficar ainda mais interessante. Por causa da pandemia, a neta de Ivani, Dyanna, com 4 anos de idade, vem passar uma temporada na ch\u00e1cara.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"25\" data-block-id=\"133\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Agora, s\u00e3o quatro gera\u00e7\u00f5es em conviv\u00eancia: Luzia, Ivani e seu marido, o filho do casal e a neta. &#8220;A gente foi construindo um relacionamento&#8221;, conta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"30\" data-block-id=\"134\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Bisneta e bisav\u00f3 passam a fazer refei\u00e7\u00f5es juntas. Luzia torna-se &#8220;a ajudante&#8221; de Dyanna e participa das atividades escolares. &#8220;Minha m\u00e3e sempre prestativa&#8221;, comenta Ivani. &#8220;Afinal, ela quer ser \u00fatil.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"32\" data-block-id=\"135\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Por exemplo, meu filho e minha neta fizeram um bilboqu\u00ea e a minha m\u00e3e brincou junto&#8221;, lembra. &#8220;Ela mostrou uma habilidade, todo mundo ficou admirado, aplaudiu, e ela ficou toda feliz, sorridente.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"136\"><\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"15\" data-block-id=\"137\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Ivani n\u00e3o se esquiva de falar do aspecto mais dolorido dessa conviv\u00eancia com a dem\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"34\" data-block-id=\"138\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Sinto falta do sorriso, que \u00e9 a presen\u00e7a dela mesmo. N\u00e3o gosto muito quando ela est\u00e1 com aquele ar ausente, isso me machuca. E a minha neta trouxe essa vivacidade para a minha m\u00e3e.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"16\" data-block-id=\"139\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Luzia, por sua vez, tamb\u00e9m oferece a Dyanna oportunidades de se incluir e fazer sua contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"14\" data-block-id=\"140\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Havia alguns momentos em que minha m\u00e3e falava para a Dyanna: &#8216;ah, vou embora&#8217;.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"20\" data-block-id=\"141\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Ela levantava, ia saindo, e n\u00e3o dava tempo de a Dyanna vir contar para mim, para eu tomar uma atitude.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"45\" data-block-id=\"142\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Esse, ali\u00e1s, \u00e9 um quadro comum entre pacientes com dem\u00eancia. Durante certos per\u00edodos do dia, ficam inquietos e come\u00e7am a vagar, for\u00e7ar as portas e querer ir embora. M\u00e9dicos chamam esse comportamento de S\u00edndrome do P\u00f4r do Sol. Dyanna logo aprende a lidar com ele.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"51\" data-block-id=\"143\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Ela corria atr\u00e1s da minha m\u00e3e, pegava pela m\u00e3o e explicava: &#8216;n\u00e3o, bisa, voc\u00ea mora aqui.&#8217; A\u00ed ela levava a minha m\u00e3e no quarto: &#8216;olha, aqui \u00e9 seu quarto, aqui \u00e9 seu banheiro.&#8217; Ela estava repetindo os gestos que tinha me visto fazer&#8221;, conta. &#8220;Ela se prontificou a ser cuidadora tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"36\" data-block-id=\"144\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>O depoimento de Ivani \u00e9 repleto de momentos encantadores, em que bisav\u00f3 e bisneta parecem habitar um mundo s\u00f3 delas. Dyanna e Luzia pescando. Dyanna sentada na poltrona ao lado da cama da bisav\u00f3, trocando hist\u00f3rias.<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"145\"><\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"16\" data-block-id=\"146\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;A conversa ia longe! E eu ouvindo atr\u00e1s da porta, para saber se estavam fazendo arte.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"23\" data-block-id=\"147\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">E o epis\u00f3dio em que Dyanna tenta convencer a a av\u00f3 a sentar em um pequenino balan\u00e7o, feito sob medida para a crian\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"28\" data-block-id=\"148\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;Se eu n\u00e3o tivesse surtado, eu deveria ter filmado: &#8216;N\u00e3o, bisa, senta aqui, p\u00f5e uma perna, depois p\u00f5e a outra\u2026 n\u00e3o, n\u00e3o tem problema, n\u00e3o vai acontecer nada&#8217;.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"7\" data-block-id=\"149\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Ivani ri, deliciada, ao recordar o epis\u00f3dio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"11\" data-block-id=\"150\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;E minha m\u00e3e simplesmente indo\u2026 n\u00e3o t\u00eam amarras, nenhuma das duas.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"40\" data-block-id=\"151\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Poder trocar hist\u00f3rias, conviver e participar da vida da fam\u00edlia eleva muito a autoestima da pessoa que tem dem\u00eancia, diz Celene. Mas para a geriatra, a hist\u00f3ria de Ivani, Luzia e Dyanna mostra que n\u00e3o s\u00f3 o idoso se beneficia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"14\" data-block-id=\"152\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;A crian\u00e7a tamb\u00e9m, come\u00e7a a perceber o outro, a n\u00e3o olhar s\u00f3 para si.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"16\" data-block-id=\"153\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;E ganha a cuidadora Ivani, que aprendeu tanto e tem tido momentos t\u00e3o ricos de conv\u00edvio.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"4\" data-block-id=\"154\">\n<div class=\"content-intertitle\">\n<h2>Dizendo adeus aos poucos<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"38\" data-block-id=\"155\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Ao longo de v\u00e1rias entrevistas \u00e0 BBC News Brasil, Celene Pinheiro n\u00e3o esconde seu desejo de mudar a imagem que se faz das dem\u00eancias. Mas ela reconhece: &#8220;Ningu\u00e9m quer ter de enfrentar um caso de dem\u00eancia na fam\u00edlia.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"23\" data-block-id=\"156\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Por outro lado, &#8220;quantos perdem familiares de forma repentina e sofrem tanto&#8221;, observa. A dem\u00eancia pode ser a oportunidade de uma despedida gradativa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"157\"><\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles\" data-block-type=\"raw\" data-block-weight=\"33\" data-block-id=\"158\">\n<blockquote class=\"content-blockquote theme-border-color-primary-before\"><p>&#8220;Quando voc\u00ea percebe que essa \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que vai levar tempo para acontecer, e que voc\u00ea pode fazer dele um tempo bom, e se permitir ter esses momentos bonitos, \u00e9 muito engrandecedor.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"21\" data-block-id=\"159\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Mas as palavras finais de Celene Pinheiro v\u00e3o para quem n\u00e3o conseguiu se enxergar nos relatos de L\u00edgia, Ivani e Denise.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"23\" data-block-id=\"160\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">Ela conta que, em 18 anos de geriatria, j\u00e1 viu muitas fam\u00edlias sa\u00edrem do consult\u00f3rio ou da sala de palestras se sentindo culpadas.<\/p>\n<\/div>\n<div data-track-category=\"multicontent\" data-track-action=\"ultimo chunk conteudo\" data-track-noninteraction=\"false\" data-track-scroll=\"view\">\n<div class=\"mc-column content-text active-extra-styles \" data-block-type=\"unstyled\" data-block-weight=\"31\" data-block-id=\"161\">\n<p class=\"content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\">&#8220;N\u00e3o estamos pregando modelos virtuosos, que devam ser erguidos&#8221;, explica. &#8220;Conhecemos muito mais hist\u00f3rias tristes do que bem sucedidas. Mas, quem sabe ouvir hist\u00f3rias positivas nos ajuda a vislumbrar outras possibilidades?&#8221;<\/p>\n<p>Conhec\u0327a na nossa plataforma de treinamento cognitivo digital exerci\u0301cios que ajudam a sintonizar o seu ce\u0301rebro. Acesse e confira todas as informac\u0327o\u0303es: bit.ly\/neuroforma<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<div class=\"mc-column entities\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"69\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"28\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content-ads content-ads--reveal\" data-block-type=\"ads\" data-block-id=\"22\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cLogo ela deixou de se lembrar de mim. No come\u00e7o eu falava, \u2018olha, sua filha chegou\u2019\u201c\u00a0L\u00edgia Galli. \u201cEu n\u00e3o tenho saudade do p\u00e3o que ela fazia, da roupa que ela costurava. Eu tenho saudade do sorriso, que \u00e9 a presen\u00e7a dela mesmo&#8221;\u00a0Ivani Alexandre. \u201cEu falei: &#8216;M\u00e3e, voc\u00ea entrou na contram\u00e3o, voc\u00ea quase se matou e &hellip; <a href=\"https:\/\/neuroforma.com.br\/novo\/alzheimer-um-recomeco-tres-historias-surpreendentes-sobre-demencia\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Alzheimer, um recome\u00e7o? 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